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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Um caso de racismo no futebol - 1916


Em 24 de setembro de 1916, pelo campeonato da Liga Sportiva Porto Alegrense, que reunia clubes menores da cidade, enfrentavam-se Fixum e Ruy Barbosa, duas das principais forças da entidade.

A Liga Sportiva Porto Alegrense reunia Fixum, Ruy Barbosa, Municipal, Nancy, América, Flamengo, Fluminense, Aliança e Concórdia, sendo criada em 1916, ano em que organizou seu único campeonato.

O Fixum surgiu em 1914. Em seus quadros surgiu Henrique Maia Faillace, que mais tarde seria um dirigente e juiz de futebol conhecido na cidade.

O Ruy Barbosa foi fundado em 1915, e dava seus primeiros passos no futebol, já colhendo alguns bons resultados.

Mas a partida em questão ficaria marcada por um fato reprovável. Antes da partida, dirigentes do Fixum tentaram impedir que alguns jogadores do Ruy Barbosa atuassem, por serem "trigueiros" (morenos). A iniciativa não deu resultado.

Ainda incomodados, os dirigentes do Fixum tentaram levar a situação à Liga, mas sofreram novo revés. Na reunião estava presente Ernesto Braga, colaborador do jornal O Exemplo, da comunidade negra porto-alegrense. Indignado, Braga fez um forte discurso, transformando sua indignação em indignação de todos os demais presentes.

Essa história só não ficou perdida no tempo porque o jornal O Exemplo, na sua edição de 8 de outubro de 1916, a publicou, como uma denúncia do racismo no futebol. A grande imprensa raramente noticiava os resultados das ligas menores, muito menos problemas que ocorressem nelas. O jornal O Exemplo tinha como diretor de redação Alcides das Chagas Carvalho, um dos primeiros negros a formar-se em medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Porto Alegre.

Sobre o destino dos dois clubes:
O Fixum, em 1916, venceu o campeonato. Mas já em 1918 o clube enfrentava uma crise e um grupo de filiados tentava reerguê-lo. Nova tentativa de recuperar o clube ocorreu em 1919, mas ele acabou desaparecendo na história.
O Ruy Barbosa teve muitos anos de sucesso no futebol menor, onde acumulou títulos, e chegou a disputar a liga principal em algumas temporadas. Fechou suas portas na segunda metade da década de 1930.

Mas deixemos que o jornal conte a história:
OBS: Por um erro de impressão, o jornal saiu com a data de 8 de setembro, em vez de 8 de outubro.



A primeira excursão



Em 1912, o Internacional já havia jogado em São Leopoldo e Viamão, mas sempre apenas uma partida, e não conhecia ainda os gramados do interior. Foi então que surgiu a oportunidade de jogar em Pelotas, dentro das comemorações do centenário da "Princesa do Sul".

No dia 6 de julho de 1912, um sábado, a delegação do Internacional embarcou no paquete Itaituba, com destino a Pelotas. A embarcação pertencia à Companhia Nacional de Navegação Costeira e fazia a linha Porto Alegre-Rio de Janeiro, com escalas em Pelotas, Rio Grande, Florianópolis e Santos. Possuía iluminação elétrica e "excelentes acomodações" para passageiros de 1ª e 3ª classes. Os atletas colorados que embarcaram foram Xavier Barbieri, Felizardo Ávila, Radagazio Pinto da Silva, Enrique Lay, Argemiro Dornelles, Waldemar Castro, Túlio Araújo, Simão Alves, Álvaro Ribas, Pedro Chaves e Francisco Vares, além dos jogadores do 2º quadro. Victor Galvão e Carlos Kluwe, dois titulares importantes, ficaram de fora por estarem doentes.

No dia 7 de julho, sob forte chuva, a delegação colorada chegou em Pelotas, no aniversário da cidade, sendo recepcionada por comitivas do Pelotas e do União, seus adversários na excursão.

No dia 8 de julho, a direção do Pelotas ofereceu à delegação colorada uma festa no salão de honra do clube, onde foi oferecida uma mesa de sanduíches, doces e vinhos.

Finalmente, no dia 9 de julho, terça-feira, ocorreu o primeiro confronto. União x Internacional era a partida que abriria as comemorações esportivas do centenário da cidade. Os educadores Fortunato Pimentel e Alfredo Maciel Moreira ofereceram um troféu denominado "Centenário de Pelotas". Se o Internacional estava desfalcado de Kluwe e Galvão, o União sentia a falta de Liberal e Guezinho. O colorado Vares, originário do futebol pelotense, fez dois gols na 1ª etapa. No 2º tempo, Túlio ampliou e Ribas marcou mais três gols, fechando o placar em 6x0. O Internacional ficou com o troféu, o primeiro de sua história. (*)

Para esse feito histórico, o Internacional entrou no campo da Rua General Osório com a seguinte escalação: Barbieri; Felizardo e Radagazio; Dornelles, Hugo e Lay; Túlio, Simão, Ribas, Pedro Chaves e Vares. O resultado da partida chegou imediatamente a Porto Alegre, transmitido por telégrafo pelos repórteres.

Na quinta-feira, 11 de julho, o Internacional enfrentaria o Pelotas, na partida principal das comemorações do centenário pelotense. Alfredo Maciel Moreira ofereceu ao vencedor uma estatueta representando um jogador de futebol. No dia da partida, o Internacional saiu do Hotel Brazil precedido por bandas de música. Ao chegar na Boca do Lobo, o clube foi a campo com apenas uma modificação: Castro entrou no time no lugar de Hugo. No Pelotas, uma das principais equipes do estado, atuava Argemiro Xavier, atacante que no ano anterior havia jogado no Internacional. E o goleiro Russomano, dois meses depois, trocaria o Áureo-Cerúleo pelo Colorado.

Aos 15' do 1º tempo, o juiz marcou um pênalti para o Pelotas. Carlos Moreira cobrou mas chutou para fora, Aos 29', porém, o mesmo Carlos Moreira abriu o placar. Aos 17' do 2º tempo, Edmundo (ou Schroder, dependendo do jornal) marcou o segundo gol pelotense. Aos 33', Pedro Chaves descontou para o Internacional, fechando o placar em Pelotas 2x1. Milhares de pessoas compareceram à partida.

O Internacional ainda permaneceu mais alguns dias em `Pelotas. No domingo, dia 14, realizou um treino contra o Rio Branco, no campo do mesmo. Primeiro a linha de ataque do rio Branco treinou contra a linha de defesa colorada, conseguindo fazer um gol. Depois, a linha de ataque do Internacional treinou contra a linha de defesa do Rio Branco, marcando três gols. Após o treino, os atletas brindaram com copos de água.

Encerrava-se assim a excursão colorada até a cidade de Pelotas, a primeira da história do clube.

(*)O Internacional tem troféus anteriores, mas conquistados em disputas internas, com ambas as equipes pertencendo ao clube.

domingo, 5 de julho de 2020

Jogadores do passado: Volmir


Em 5 de julho de 1944, nascia em Vacaria o menino Volmir Francisco de Souza, que ficaria conhecido no mundo do futebol como o ponteiro-esquerdo Volmir.

Volmir começou a carreira nas categorias de base do Flamengo de Caxias do Sul. Nessa época, surgiu uma possibilidade de transferência para o Bangu, mas o negócio não se concretizou. Em 1963, Volmir foi contratado pelo Lajeadense, onde se profissionalizou. Suas boas atuações o levaram para o Grêmio, durante a temporada de 1964, onde ficou atuando na equipe de aspirantes.

O primeiro contato de Volmir com o Internacional foi no Gre-Nal de 10.12.1964. pelo Torneio Quadrangular de Porto Alegre, também conhecido como Torneio Jornal do Brasil. O Colorado venceu por 2x1, conquistando o torneio, e Volmir entrou na partida no lugar de Vieira.

Volmir, pelo Tricolor, foi campeão gaúcho em 1965, 1966, 1967 e 1968. Mas mesmo tendo atuado em uma época vitoriosa do clube, não teve o mesmo sucesso nos clássicos. Volmir disputou 18 Gre-Nais pelo Grêmio, vencendo apenas 4, empatando 7 e perdendo outros 7. Marcou apenas um gol.

Volmir era um jogador imprevisível, que alternava dribles sensacionais com jogadas bisonhas, e era fisicamente muito forte. Por se enrolar com a bola em alguns lances, recebeu de Lauro Quadros o apelido de "Massaroca". Disputou a Copa O'Higgins de 1966 e a Copa Rio Branco de 1967 pela Seleção Brasileira. Mas quando os títulos gremistas cessaram, começou a ser questionado. Em 1970, ele teve uma grave lesão, que o deixou muito tempo fora dos gramados. Quando voltou, o novo técnico gremista, Oto Glória, não gostava muito de seu futebol. Volmir passou a ter poucas oportunidades, e mesmo nos treinamentos era escalado fora de posição, atuando até de lateral-direito. Seu comportamento irreverente fora de campo, antes tratado com paternalismo, começou a ser encarado como insubordinação e rebeldia. Em 17.10.1971, pelo campeonato brasileiro, o Internacional venceu o Grêmio por 1x0. Volmir entrou no time no lugar de Loivo. Foi sua última partida pelo Grêmio. Segundo o site Gremiopedia, ele jogou 277 partidas pelo clube e marcou 64 gols.

No início de 1972, uma notícia surpreende o mundo esportivo gaúcho. O Internacional contratou Volmir, pagando apenas Cr$ 100 mil e a renda de dois amistosos. Em 02.03.1972, Volmir estreava no Internacional, em um Gre-Nal amistoso. A partida terminou 1x1, e como não tem amistoso em Gre-Nal, os gremistas Espinosa e Loivo, e o colorado Edson Madureira foram expulsos. No dia 05.03.1972, o segundo clássico em pagamento de Volmir também terminou 1x1. A indignação da torcida gremista com a negociação estava representada em uma música feita pelo tricolor Santos Dumont, que dizia "Volmir Massaroca Coreia/Tua jogada é a alegria da plateia".

Pelo Colorado, Volmir conquistaria mais dois títulos gaúchos, em 1972 e 1973. Também venceu o Torneio Cidade de Porto Alegre, em 1972. Sua irreverência continuava. Em 19.03.1972, o Internacional venceu o Peñarol por 1x0, em Montevidéu. Os uruguaios abusavam da violência, com a complacência do juiz Rafael Pinto. Para piorar, aos 25' do 2º tempo, o juiz marcou um pênalti inexistente para o Peñarol. Volmir, indignado, escondeu-se atrás do lateral Sadi e xingou o juiz de vagabundo e sem-vergonha. O juiz expulsou Sadi e começou uma confusão que acabaria com todo o time do Internacional expulso. Também incomodava os gremistas, pois sendo sócio do clube, frequentava as piscinas do Tricolor, para desespero de dirigentes e torcedores.

Em fevereiro de 1974, após o fim do campeonato brasileiro de 1973 (que avançou pelo início do ano seguinte), Volmir despediu-se do Internacional. Sua última partida ocorreu em 13.02.1974, quando o Internacional perdeu por 4x1 para o São Paulo, pelo Quadrangular Final do Brasileirão. Volmir entrou no time no lugar de Dorinho.

Pelo Internacional, Volmir disputou 77 partidas e marcou 15 gols. Suas vítimas:
Santa Cruz RS - 3 gols
Bagé - 2 gols
Grêmio, Corinthians, São Paulo, Flamengo, Sergipe, Cruzeiro RS, São José, AESA, Internacional SM e Esportivo - 1 gol

Seu desempenho em clássicos foi melhor do lado vermelho. Disputou 8 clássicos, vencendo 2 e empatando 6. Não perdeu Gre-Nal com o manto alvi-rubro, e marcou um gol.

Após sair do Internacional, Volmir foi para o América carioca. No mesmo ano de 1974, ingressou na Chapecoense. No 2º semestre de 1975, foi negociado com o Figueirense, para disputar o campeonato brasileiro. E sua estreia no Figueira ocorreu em 20.08.1975, no Beira-Rio. Os catarinenses perderam por 3x1. Volmir apareceria novamente no caminho do Colorado em 1976. De volta à Chapecoense, enfrentou o Internacional em 25.01.1976, no amistoso de inauguração do estádio Índio Condá. O Colorado venceu por 4x1. Embora Borjão tenha feito o primeiro gol do estádio, Volmir marcou o primeiro gol da Chapecoense em sua casa.

Em 1977, Vomir ainda jogou no Paranavaí e no Sergipe, encerrando a carreira.

Depois de encerrar a carreira de jogador, Volmir assumiu o cargo de assistente penitenciário em um presídio de Canela, função da qual já se aposentou.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Jogadores do passado: Pery

Em 26 de junho de 1969, falecia em Porto Alegre, aos 74 anos, Pery Balbé.

Aluno do Ginásio Anchieta, Pery ingressou no 2º quadro em 1911. Atuou como zagueiro no 2º quadro até o final de 1912, quando subiu para o time principal.

Pery jogou no Internacional em 1912 e 1913. Em uma época de poucas partidas, Pery atuou apenas cinco vezes, sagrando-se campeão municipal em 1913. Na temporada de 1913 atuou como lateral-direito.

Seus jogos:
15.09.1912 1x2 Grêmio - Campeonato Municipal
08.06.1913 1x2 Grêmio - Campeonato Municipal
13.07.1913 1x1 Fussball - Campeonato Municipal
10.08.1913 10x1 Frisch Auf - Campeonato Municipal
24.08.1913 6x0 Colombo - Campeonato Municipal

Ao ingressar na Faculdade de Direito, acabou largando o futebol. Foi diretor do Centro dos Acadêmicos de Direito. Formou-se em 1919, junto com outro ex-atleta colorado, Carlos Brazil, que no ano seguinte participaria da fundação do Grêmio Bagé.

Pery Balbé tornou-se juiz distrital em São Borja em 1920. Vinculado aos libertadores, incomodou os republicanos locais, que pelo menos uma vez pediram sua demissão ao presidente do estado. No final de 1924, foi finalmente afastado do cargo, retornando a Porto Alegre. Em maio de 1925, foi acusado de, junto com dois advogados e dois militares, ter destruído processos crimes e documentos eleitorais em São Borja, após sua demissão. Com mandado de prisão expedido, Pery fugiu. Pouco depois, porém, resolvidos os problemas políticos, Pery passou a atuar como advogado em São Borja.

Mais tarde, Pery seguiu a carreira diplomática, sendo cônsul, entre outras cidades, em Artigas e Bella Union (Uruguai) e Monte Caseros (Argentina).

O primeiro jogo oficial


26 de junho de 1910

Faz 110 anos que o Internacional entrou no campo da Várzea, na Redenção, para enfrentar o Nacional, em sua estreia no campeonato municipal de Porto Alegre.

Em 12 de abril de 1910, foi fundada a Liga de Foot-Ball Porto Alegrense, que no mesmo ano organizou seu primeiro campeonato, com a participação de Internacional, Grêmio, Militar, Fussball, Frisch Auf, 7 de Setembro e Nacional.

Na preliminar, pelo campeonato de 2ºs quadros, o Internacional venceu por 1x0.

As 15:30 horas, começava a partida principal.

O Internacional foi campo com: Lindenmeyer; Bahr e Mendonça; Volkmann, Kluwe e Vignoles II; José Poppe, Galvão, Nilo, Paulista e Vignoles.

Logo aos 19', Vignoles, o autor do 1º gol colorado na história, fez também o 1º gol colorado em competição oficial. Ainda no 1º tempo, Galvão ampliou. Na 2ª etapa, Paulista, José Poppe e Nilo completaram o placar: Internacional 5x0.

Lindenmeyer, Bahr, Volkmann, Vignoles II, Galvão, Nilo e Paulista estrearam no Internacional. O clube também contou pela primeira vez com jogadores estrangeiros, os alemães Bahr e Volkmann (a cidade natal de Volkmann, Kolberg, atualmente faz parte da Polônia). Bahr e Paulista fizeram sua única partida pelo clube.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Jogadores do passado: Zinho

Em 25 de junho de 1969, nascia no Rio de Janeiro o menino Aderbal Péricles de Farias Filho, que tornaria-se o atacante Zinho.

Zinho começou a carreira no Campo Grande, do Rio de Janeiro, clube onde atuou de 1988 a 1991, tendo uma passagem por empréstimo no Guarani, em 1990. No início do ano de 1992, foi contratado pelo Internacional.

Sua estreia ocorreu em 20 de fevereiro de 1992, contra o Náutico, nos Aflitos, pelo campeonato brasileiro. A partida terminou empatada em 2x2. O jogador teve boa atuação. Na partida seguinte, dia 23, foi fundamental na vitória por 2x1 sobre o Goiás, no Serra Dourada, marcando os dois gols colorados. Pelo campeonato brasileiro, Zinho marcaria apenas mais uma vez, no empate em 1x1 com o Athletico PR.

Em amistosos no meio do ano, Zinho voltaria a marcar contra a Seleção da Liga Gramadense e contra o Atlético de Carazinho (duas vezes). Na Copa do Brasil, marcou um gol, contra o Muniz Freire. No Gauchão, marcou um gol, contra o Guarany de Cruz Alta.

Na campanha do título da Copa do Brasil, Zinho participou de 4 partidas: as duas partidas contra o Muniz Freire e uma vez contra Corinthians e Grêmio. No título do Gauchão, participou em 17 das 29 partidas.

Em 1993, Zinho não atuou na campanha da Taça Libertadores. Na Copa do Brasil, esteve presente nas duas partidas contra o Londrina, quando o Internacional foi eliminado. Marcou dois gols em um amistoso contra o São José. No Gauchão, fez dois gols na goleada de 8x1 sobre o Santanense, e marcou mais um contra o Pelotas. No campeonato brasileiro, marcou contra Flamengo e São Paulo.

Em 1994, Zinho atuou em poucas partidas. No Gauchão, marcou contra o Esportivo (duas vezes) e o Ypiranga. Estava em campo em 13 de dezembro de 1994, quando o Colorado bateu o Veranópolis por 1x0 e conquistou o título estadual.

Em 1995, Zinho transferiu-se para o Vasco da Gama. No ano seguinte, partiu para uma aventura argentina, jogando no Rosario Central e no Gimnasia Jujuy. Em 1999 voltou ao Brasil, para atuar no Olaria, onde encerrou a carreira, em 2000.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Um clássico: Internacional 4x1 Grêmio - 24/06/1945

Em 24 de junho de 1945 o Internacional enfrentou o Grêmio, pelo 2º turno do campeonato municipal, na Baixada. Naquela temporada, o campeonato teve dois turnos com 7 clubes e um 3º turno com apenas 4 clubes.

A temporada estava francamente favorável ao Internacional. No momento do Gre-Nal, o Internacional havia conquistado 16 pontos em 8 jogos. Já o Grêmio tinha apenas 9 pontos em 7 jogos. A vitória era fundamental para os tricolores ainda terem alguma esperança de evitarem o hexa colorado. E os gremistas contavam com o estado debilitado de três titulares colorados: Ávila, Vianna e Tesourinha, que estava submetendo-se a tratamento médico.

O entusiasmo pelo jogo era tão grande que as 14 horas e 15 minutos a polícia proibiu a venda de mais ingressos, temendo uma superlotação do estádio.

Na preliminar, pelo campeonato de aspirantes, o Internacional já começou vencendo bem: 6x1.

Os quadros principais foram assim a campo:
INT: Ivo; Alpheu e Nena; Vianna, Ávila e Abigail; Tesourinha, Ruy, Adãozinho, Elizeu e Carlitos
Técnico: Hermínio de Brito
GRE: Júlio; Clarel e Hugo; Vinícius, Touguinha e Sanghinetti; Bombachudo, Beresi, Massinha, Segura e Ramon Castro
Técnico: Telêmaco Frazão de Lima

Mesmo jogando em casa, o Grêmio foi amplamente superado pelo Internacional. Logo aos 3', Carlitos cruzou para a área. Formou-se uma confusão e a bola sobrou para Adãozinho chutar para as redes. O Internacional empata em número de gols marcados no clássico: 197x197.

Aos 21', Vinícius cortou mal uma bola lançada na área gremista, cabeceando nos pés de Adãozinho, que apenas enviou para as redes. Pela primeira vez na história do clássico o Internacional passava a frente do Grêmio em gols, e jamais perderia essa liderança.

Aos 26', Carlitos avançou em velocidade, em direção ao gol, e chutou com violência para marcar: 3x0!

O Grêmio tentou esboçar uma reação no 2º tempo, quando, após uma confusão na área colorada, Segura descontou, aos 20'. Mas o dia era colorado, e aos 22', após cobrança de escanteio, Tesourinha cabeceou para as redes. Internacional 4x1! Tesourinha marcava o gol nº 200 do Internacional em Gre-Nais.

Após a partida, o técnico gremista, ex-jogador e ex-presidente do clube, pediu demissão.

Segundo a Agenda Histórica que existia no site do Internacional, esse teria sido o clássico em que surgiu a famosa faixa de Vicente Rao, "imitando o negrinho, hem?". A cobertura do jornal Correio do Povo não fala na faixa, mas tem alguns indícios de que tal fato tenha ocorrido nesse clássico. Vamos a eles:

"Imensa, barulhenta e irrequieta multidão superlotou o campo dos Moinhos de Vento."

"Os dois quadros pisaram o gramado sob delirantes aclamações e confetis, serpentinas, flamulas e um vozerio infernal surgiram de todos os lados, enquanto rojões subiam ao ar, em uma verdadeira apoteose aos ídolos dos esportistas da cidade."

"Extenso cortejo desfilou da Baixada ao centro da cidade, conduzindo sob intensa vibração, flamulas, bandeiras e disticos, uns humorísticos e outros de exaltação internacionalista."