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quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Goleiros colorados que defenderam pênaltis

Marcelo Lomba defende pênalti de Everton Cebolinha

Esta lista certamente é incompleta, pois principalmente nas primeiras décadas do futebol, nem sempre a imprensa reproduzia todos os acontecimentos das partidas, principalmente aqueles que não resultavam em gols.

Mas considerando as informações disponíveis, eu tenho 137 pênaltis desperdiçados por adversários do Internacional. Destes, 26 foram chutados para fora, 18 foram chutados na trave e 93 foram defendidos pelos goleiros colorados (em 4 ocasiões, no rebote o adversário marcou o gol). Estão considerados aqui apenas os pênaltis marcados durante o jogo, sem incluir decisões por pênaltis.

A lista de goleiros colorados que defendeu pênaltis (os anos entre parênteses correspondem ao primeiro e ao último pênalti defendido):

1º Clemer (2002-2005) - 8 pênaltis

2º André (1997-2005) - 7 pênaltis 

3º Renan (2005-2008) e Ivo Wink (1943-1949) - 5 pênaltis

5º Benítez (1979-1983) - 4 pênaltis

6º Marcelo Lomba (2019-2020), Alisson (2013-2015), Muriel (2011-2012), Hiran (2000), Sérgio (1994), Fernandez (1991-1992), La Paz (1955) e Bard (1923-1928) - 3 pênaltis

14º Danilo Fernandes (2016), João Gabriel (1999-2001), Taffarel (1985-1989), Gasperin (1978), Manga (1975-1976), Schneider (1972-1974), Gainete (1962-1970), Silveira (1960-1961), Periquito (1953) e Travi (1920) - 2 pênaltis

24º Keiller (2017), Dida (2014), Lauro (2008), Marcelo Boeck (2006), Goycochea (1996), Maisena (1990), Ademir Maria (1987), Zé Carlos (1985), Sérgio (1958), Luís Carlos (1958), Paulinho (1958), Mílton (1953), Marcelo (1940), Júlio (1940), Penha (1932), Léo (1930), Job (1921), Danton (1921), De Lorenzi (1919) e Russomano (1913) - 1 pênalti

Algumas curiosidades:

* o primeiro pênalti perdido por um adversário contra o Internacional ocorreu em 11 de julho de 1912. Em um amistoso contra o Pelotas (1x2), em Pelotas, Carlos Moreira cobrou a penalidade para fora.

* o primeiro pênalti defendido por um goleiro colorado ocorreu em 21 de setembro de 1913. O Internacional venceu o Rio Branco, de Pelotas, por 3x2, em amistoso em Porto Alegre. Quira Pons (um antepassado?) cobrou pênalti, Russomano defendeu mas no rebote Ayres marcou.

* o goleiro mais azarado em defender pênaltis para o Internacional foi Muriel. Dos três pênaltis que defendeu, em dois o adversário marcou no rebote.

* em 4 de maio de 1919 pela primeira vez um adversário perdeu dois pênaltis contra o Internacional. O Internacional enfrentava o Porto Alegre (1x2), pelo campeonato municipal. No 1º tempo, Ladislau cobrou pênalti para fora. No 2º tempo, Ladislau cobrou pênalti e De Lorenzi defendeu.

* La Paz e Sérgio foram os únicos goleiros colorados a defenderem dois pênaltis em uma mesma partida. Em 19 de junho de 1955 o Colorado enfrentava o Internacional de Lajes (8x2). La Paz defendeu dois pênaltis, um cobrado por Jorge e outro por Álvaro. Em 21 de agosto de 1994 o Internacional recebeu o Palmeiras (0x2) pelo campeonato brasileiro. Sérgio defendeu dois pênaltis cobrados por Edmundo (eu estava no Beira-Rio, nesse dia).

* o último goleiro colorado a defender um pênalti foi Marcelo Lomba, em 22 de julho de 2020. No estádio Centenário ocorreu um clássico Gre-Nal. No 1º tempo, Everton Cebolinha cobrou pênalti e Marcelo Lomba defendeu.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Jogadores do passado: Nilzo


Nilzo Antônio da Silva nasceu em 14 de março de 1940, no Rio de Janeiro (RJ).

Nilzo começou sua carreira nos juvenis do Botafogo, em 1960. Mas em setembro de 1960 o América denunciou o jogador ao TJD carioca, pois ele utilizava uma certidão de nascimento com data de 14 de março de 1942, que o deixava com 18 anos, mas que havia uma outra certidão com data de 14 de março de 1940 (a verdadeira), e com 20 anos ele não poderia jogar no juvenil.
Jornal dos Sports

Inicialmente o TJD não tomou decisão sobre o caso Nilzo, repassando a situação para o presidente da FCF. Mas já prevendo problemas, o Botafogo resolveu negociá-lo com o Metropol, já não mais na condição de amador e sim como profissional. O jogador havia chamado a atenção dos catarinenses em uma excursão do time juvenil do Botafogo, em 1959. O presidente da FCF absolveu Nilzo e o América recorreu ao STJD. Em 30 de novembro de 1960 a CBD confirmou a transferência de Nilzo para o Metropol e em 12 de dezembro ele foi novamente absolvido.
Jornal dos Sports

Ainda em dezembro de 1960, Floriano e Aimoré demonstraram interesse por Nilzo. O Aimoré chegou a propor dois jogadores em troca de Nilzo.
Diário de Notícias

Em 22 de janeiro de 1961 o Internacional enfrentou o Metropol em amistoso, em Criciúma, e o Colorado venceu por 3x1. Mas Nilzo agradou aos dirigentes colorados. No final de fevereiro de 1961 o Internacional tentou contratá-lo, mas o negócio não teve êxito.
O Estado
Em abril de 1961 Nilzo chegou a treinar no Internacional, mas o clube achou o valor pedido pelo Metropol muito alto.
O Estado

Em 16 de julho de 1961, jogando fora de casa, o Metropol venceu o Marcílio Dias por 2x0 e conquistou o título catarinense de 1960 (sim, o título de 1960 só foi decidido em julho de 1961). Nilzo deu a assistência para o primeiro gol e marcou o segundo gol.

Na Taça Brasil de 1961 o Metropol enfrentou o Grêmio. Na primeira partida, em 2 de agosto de 1961, em Criciúma, o Grêmio bateu o Metropol por 6x1, com Nilzo em campo. Mas seu bom futebol já chamava a atenção da dupla Gre-Nal, do Floriano (atual Novo Hamburgo) e do Aimoré, antes mesmo da partida de volta.
Jornal do Dia
O Estado

No jogo de volta, no Olímpico, em 9 de agosto, o Grêmio precisava apenas de um empate para se classificar. Mas o Metropol surpreendeu e venceu por 3x2, com Nilzo marcando o gol da vitória aos 37 minutos do 2º tempo.
Jornal do Dia
O Estado

O regulamento não previa desempate por saldo de gols, e foi realizada uma nova partida, em 16 de agosto, também no Olímpico. O Grêmio venceu por 3x1, mas Nilzo voltou a marcar. Em 18 de setembro Nilzo chegou a comparecer ao Olímpico, para acertar sua transferência, que não ocorreu.
Jornal do Dia

Em setembro de 1961 o Palmeiras demonstrou interesse em Nilzo, mas o jogador continuou no Metropol.
O Estado

Em janeiro de 1962, Metropol e Marcílio Dias foram decidir o campeonato catarinense. Na primeira partida, vitória do Metropol por 4x3, com Nilzo marcando um gol. No jogo seguinte, 3x3, com dois gols de Nilzo. Na terceira partida, vitória do Marcílio Dias por 4x3. Nilzo sofreu um pênalti que resultou em gol do Metropol. Havendo necessidade de uma quarta partida, ela ficou agendada para depois do Campeonato Sul-Brasileiro.

No início de 1962 o Metropol participou do Campeonato Sul-Brasileiro, com Internacional, Grêmio, Marcílio Dias, Operário e Coritiba. Em 3 de março de 1962 o Internacional bateu o Metropol por 5x1, em Criciúma, com Nilzo em campo. O Metropol, apesar de conseguir empatar com o campeão Grêmio (em grande atuação de Nilzo) acabou em último lugar.

Em 1º de abril de 1962 ocorreu a partida decisiva entre Metropol e Marcílio Dias, pelo título estadual de 1961. O Metropol venceu por 1x0, gol de Nilzo, e conquistou o bicampeonato.

Em agosto de 1962 Nilzo voltou a interessar ao Grêmio, mas novamente a negociação não avançou.
Jornal do Dia

Em 22 e 25 de setembro de 1962 o Metropol enfrentou o Internacional pela Taça Brasil. O Colorado venceu os dois jogos por 3x2, com Nilzo atuando nas duas partidas. Em novembro de 1962 Nilzo foi convocado para a Seleção Catarinense. Em dezembro, a Seleção Catarinense caiu na 1ª fase do campeonato brasileiro de seleções, após empatar com o Paraná em casa (2x2) e perder fora (0x3).

O futebol de Nilzo continuava chamando a atenção dos dirigentes gaúchos. Em 1º de janeiro de 1963 novamente era anunciada sua contratação pelo Grêmio, que outra vez não se concretizou.
Jornal do Dia

Em abril de 1963 o Grêmio continuava sonhando com Nilzo.
Jornal do Dia

Em junho de 1963 a dupla Gre-Nal disputava Nilzo. Mas o São Paulo entrava na briga, também.
Jornal do Dia

Nilzo acabou indo para o Santos, mas lá não teve oportunidades, pois disputava posição com Pelé. Em setembro de 1963 o Internacional tentava contratar Nilzo por empréstimo.
Jornal do Dia

A negociação evoluiu para uma venda em defintivo. Mas o Santos pediu 25 milhões de cruzeiros. O Internacional ofereceu 10 milhões à vista e ainda assumindo a dívida de 7 milhões que o Santos ainda tinha com o Metropol, pela contratação do mesmo Nilzo. O Santos ofereceu duas contrapropostas: 22 milhões ou a troca simples de Nilzo por Cláudio Danni, defendor colorado. A direção colorada desistiu do negócio, argumentando que o Santos queria trocar um terceiro reserva por um titular com convocação para a Seleção Brasileira. Na mesma época o Corinthians oferecia 25 milhões ao Internacional por Cláudio Danni.

Em outubro de 1963, o Grêmio novamente buscava a contratação de Nilzo, para jogar em 1964.
Jornal do Dia

Dias depois, Nilzo chegava a Porto Alegre, que teria rescindido o contrato com o Santos. Mas já se comentava que possivelmente seu destino não seria o Grêmio. No final, Nilzo ainda continuou no Santos, chegando a atuar em um clássico contra o São Paulo, em novembro.
O Estado
Jornal do Dia
O Estado

Em dezembro o Internacional voltou à carga para contratar Nilzo. Em 16 de janeiro de 1964, enquanto o Santos vencia o Grêmio por 3x1, em Porto Alegre, o Internacional contratava Nilzo, pagando 17 milhões de cruzeiros.
Jornal do Dia
O Estado

Nilzo estreou no Internacional em 6 de fevereiro de 1964. Em um amistoso, nos Eucaliptos, o Colorado bateu o Floriano por 7x1. Nilzo deu a assistência para dois gols colorados e ainda participou da jogada de outro, antes de ser substituído por Vevé. No seu terceiro amistoso, em 25 de fevereiro, o Internacional derrotou o Corinthians, por 1x0, gol de Nilzo. Aos 28 minutos do 2º tempo, Flávio, deslocado pela esquerda, driblou Neco, avançou até a linha de fundo e cruzou para a área. Nilzo chegou na corrida e mandou a bola para o fundo das redes. No dia 7 de março, em pleno Centenário, o Internacional venceu o Peñarol por 3x2, com Nilzo no time. No dia 11 de março, nova vitória sobre o Peñarol, 2x1 nos Eucaliptos.

Mas após sete amistosos, em 19 de março surgiu a notícia de que Nilzo queria rescindir o contrato.
Jornal do Dia

Essa seria a primeira crise criada pelo jogador, que ameaçava rescidir o contrato como forma de tentar conseguir um aumento salarial.

No dia 5 de abril de 1964, primeiro jogo do Internacional após o golpe militar, o Internacional venceu o Rio Grande por 4x2, em Rio Grande. Nilzo marcou um gol. No dia 12 de abril, no estádio da Montanha, o Internacional venceu o Cruzeiro por 1x0, gol de Nilzo. Aos 35 minutos do 1º tempo Parobé tocou a bola de cabeça para Nilzo, que entrava pelo meio da área. Quando Eden, goleiro do Cruzeiro, saiu para abafar a jogada, Nilzo apenas desviou para o fundo das redes.

Após onze amistosos, em 3 de maio de 1964 ocorreu a estreia no campeonato gaúcho. Nos Eucaliptos o Internacional venceu o Pelotas por 2x1, com duas assistências de Nilzo. No campeonato municipal, em 30 de maio, o Colorado bateu o São José por 3x0, em jogo que Nilzo fez um gol e uma assistência. No dia 28 de junho, no estádio das Oliveiras, Nilzo marcou de cabeça, garantindo a vitória colorada por 1x0 sobre o Rio Grande. Titular absoluto, Nilzo era um jogador polêmico em campo. No dia 6 de setembro, em nova partida contra o Rio Grande, Nilzo foi expulso aos 45 minutos do 2º tempo. Por ser um jogador que frequentava o TJD com frequência, por atos indisciplinares, correu o risco de pegar uma punição pesada, mas acabou apenas pagando mais uma multa.
Jornal do Dia

Nilzo voltaria a marcar em 27 de setembro, na vitória por 3x1 sobre o Brasil. No dia 18 de outubro, Nilzo garantiu a vitória por 1x0 sobre o Pelotas, na Boca do Lobo. No jogo seguinte, um amistoso contra o Esportivo, em Bento Gonçalves, Nilzo voltou a marcar na vitória colorada por 3x1. No dia 1º de novembro o Internacional perdeu o Gre-Nal por 3x0 e o Grêmio sagrou-se campeão gaúcho. Em seguida, em um amistoso contra o Estrela, O Internacional venceu por 6x1 e Nilzo deixou o seu gol. Foi o último gol de Nilzo pelo Colorado.

No dia 15 de novembro começou o Torneio Quadrangular Porto Alegre-Pelotas, envolvendo as duplas Gre-Nal e Bra-Pel. Na estreia o Internacional venceu o Pelotas por 1x0. Nos jogos seguintes, o Colorado perdeu para o Brasil, em Pelotas (0x2) e venceu o Grêmio nos Eucaliptos (1x0). Tudo ia bem, mas três depois do Gre-Nal veio a crise definitiva. Sapiranga e Nilzo, por ordem do Departamento Médico, apenas tomavam banho de sol enquanto os outros atletas treinavam. O técnico Sérgio Moacir Torres, ao final do treinamento, pediu que os dois esperassem, pois receberiam treino específico. Sapiranga aceitou tranquilamente, mas Nilzo recusou-se a esperar, argumentando que tinha um compromisso. O técnico propôs voltar à tardinha ao estádio e dar o treino depois a Nilzo, mas o jogador argumentou que o compromisso duaria o resto do dia. Era mais um ato de indisciplina do jogador. Para piorar, Nilzo compareceu ao estádio à tardinha e reclamou com um dirigente que Sérgio não compareceu ao treino marcado. Sérgio Moacyr Torres ficou muito irritado e pediu sua punição.
Diário de Notícias
Diário de Notícias

Nilzo reagiu como de costume: alegou ser perseguido pelo técnico e ameaçou rescindir contrato
Jornal do Dia

Mas em 1º de dezembro foi realizada uma reunião entre a direção colorada, o jogador e o técnico, e tudo parecia acertado. Nilzo jogou o 2º turno do Torneio Quadrangular Porto Alegre-Pelotas, contra Pelotas (3x1), Brasil (1x0) e Grêmio (2x1). O Colorado sagrou-se campeão do torneio. 
Diário de Notícias

Mas quando Nilzo soube que a direção colorada decidiu manter Sérgio Moacyr Torres como técnico em 1965, veio nova crise. No dia 20 de dezembro, para encerrar o calendário esportivo, estava marcado um amistoso entre uma seleção de atletas do campeonato metropolitano e uma seleção de ex-atletas dos clubes locais, mas que estavam atuando em outros estados do Brasil ou no exterior. Nilzo estava convocado para a seleção do campeonato, e na véspera anunciou que não queria mais jogar no Internacional.
Jornal do Dia
Jornal do Dia

Alguns torcedores gremistas se animaram e pensaram em fazer uma vaquinha para contratar Nilzo.
Jornal do Dia

Sem espaço no Internacional, em janeiro de 1965 Nilzo foi fazer testes no Fluminense.
O Estado

Os testes no Fluminense não deram certo, e no Vasco da Gama o técnico Zezé Moreira vetou sua contratação, devido aos problemas extra-campo.
Jornal do Dia

Em fevereiro o Juventude tentou contratar Nilzo por empréstimo e o Comerciário ofereceu 12 milhões de cruzeiros para contratá-lo em definitivo. Em 11 de fevereiro de 1965 foi anunciado que Nilzo seria reintegrado ao grupo colorado.
Jornal do Dia

Nilzo jogou os amistosos contra a Portuguesa de Desportos (2x2) e Riograndense SM (1x0). Mas no dia 26 de fevereiro Nilzo procurou a direção colorada, dizendo que havia recebido uma oferta do Grêmio e queria trocar de clube. Esse fato gerou uma crise e o Internacional realizou uma reunião com dirigentes gremistas, que negaram a oferta. Restou a possibilidade de que o jogador tivesse inventado a oferta para forçar um aumento salarial. mas como resultado foi afastado definitivamente do grupo colorado.
Jornal do Dia

Em 5 de março de 1965 a direção colorada decidiu punir o jogador em 60% do seu salário até o fim de seu contrato, em abril de 1966.
Jornal do Dia

Em março o Metropol demonstrou interesse em contratar Nilzo. O próprio Internacional tentou envolver Nilzo em uma troca por Silva, do Corinthians, mas os paulistas não aceitaram.
Jornal do Dia

Em abril de 1965 foi noticiado que Nilzo havia sido emprestado ao Internacional de Santa Maria. Mas logo a notícia foi desmentida, assim como seu empréstimo ao Pelotas. O Guarany de Bagé também demonstrou interesse no jogador. Em 5 de maio Nilso foi emprestado por 30 dias para testes no Cerro, de Montevidéu. No mesmo dia, seu desafeto, o técnico Sérgio Moacyr Torres, caiu do comando do Internacional. Ainda em maio o Flamengo de Caxias do Sul tentou trocar Nilzo por Nininho, jogador que interessava ao Colorado.

Embora tenha impressionado os uruguaios, Nilzo voltou de Montevidéu antes do fim dos trinta dias. No final de maio foi emprestado ao Comerciário, rival do Metropol, para um amistoso com o Vasco da Gama. Nos primeiros dias de junho o clube catarinense o contratou por 15 milhões de cruzeiros. Em janeiro de 1967 Nilzo fez testes no Botafogo, mas não foi aprovado e retornou ao Comerciário. Em março o Metropol tentou contratar Nilzo, mas em abril ele foi negociado com o Ferroviário de Curitiba. No 2º semestre de 1968 Nilzo foi emprestado ao Metropol. Em agosto, na disputa da Taça Brasil, o Metropol venceu a Zona Sul, eliminando Água Verde e Grêmio. Na fase seguinte, o Metropol caiu diante do Botafogo, levando 6x1 no Maracanã, mas Nilzo deixando sua marca nas redes.

Em março de 1969 novamente Nilzo foi fazer testes no Botafogo e teve sua contratação aprovada pelo técnico Zagallo. Mas o Botafogo pretendia pagar 40 mil cruzeiros parcelados, enquanto o Metropol queria 50 mil a vista. Assim, Nilzo acabou emprestado ao Água Verde, onde ficou até julho de 1969. Ainda em julho, Nilzo se transferiu para o Avaí. Mas logo depois da estreia, Nilzo acabou não se acertando em termos salariais com o clube e voltou para o Metropol, que o emprestou ao Coritiba, onde jogou em agosto e setembro, sendo dispensado. No início de 1970 Nilzo foi contratado pelo Avaí. Mas seu desempenho não foi convincente. Nilzo perdeu a titularidade e no final de novembro foi dispensado pelo Avaí.

Em 1971 Nilzo ainda procurava clube. Mas acabou desistindo da carreira e voltou ao Rio de Janeiro, onde trabalhou por muitos anos como motorista de táxi e tinha grande envolvimento com o carnaval da Mangueira.

Em 14 de janeiro de 2023 Nilzo faleceu, aos 82 anos de idade.

Seus números no Internacional:
47 partidas
34 vitórias
9 empates
4 derrotas
9 gols marcados
Campeão do Torneio Quadrangular Porto Alegre-Pelotas em 1964

Jornais pesquisados:
Diário de Notícias (Porto Alegre)
Jornal do Dia (Porto Alegre)
Jornal dos Sports (Rio de Janeiro)
O Estado (Florianópolis)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Internacional x Roberto Dinamite


Os jogos de Roberto Dinamite contra o Internacional.

25/11/1971 Internacional 0x2 Vasco da Gama
Maracanã (Rio de Janeiro)
Campeonato Brasileiro
Em uma das primeiras partidas do jovem Roberto Dinamite, ele saiu do banco para substituir Gílson Nunes e anotou o segundo gol vascaíno, aos 27' do 2º tempo. Roberto Dinamite recebeu a bola quase no meio campo e foi avançando, enquanto seus marcadores iam recuando. Próximo à entrada da área ele chutou forte e surpreendeu Gainete. Após a partida, no Jornal dos Sports, Roberto Dinamite declarava: "Domingo, contra o Santos, tem mais. Tomei o gostinho e agora não vou parar mais." Já Gainete assim comentou o gol: "Não sei como aquele garoto pôde pega tão bem na bola."

01/12/1971 Internacional 3x0 Vasco da Gama
Beira-Rio (Porto Alegre)
Campeonato Brasileiro
No 2º turno do quadrangular semifinal, o Vasco foi goleado e ficou quase sem chances de chegar ao triangular final do campeonato. O técnico Admildo Chirol tentou a mesma estratégia da partida anterior, colocando Roberto Dinamite no time na 2ª etapa, no lugar de Gílson Nunes, mas dessa vez o garoto-dinamite não explodiu. No Internacional estreava Figueroa.

23/09/1972 Internacional 2x1 Vasco da Gama
São Januário (Rio de Janeiro)
Campeonato Brasileiro
Agora Roberto Dinamite já era titular, formando o ataque ao lado de Tostão. Mas o Vasco não conseguiu resistir ao Internacional. Um frango de Andrada no 1º gol, deixando a bola chutada por Cláudio Duarte, quase do meio do campo, passar pelo meio das pernas, e um furo de Joel, que deixou a bola chegar a Valdomiro, autor do 2º gol, liquidaram a equipe carioca.

17/01/1974 Internacional 2x1 Vasco da Gama
Maracanã (Rio de Janeiro)
Campeonato Brasileiro de 1973
Novamente Roberto Dinamite foi derrotado em casa. Com Valdomiro marcando um gol de falta e Falcão jogando grande partida, outra vez o Vasco saiu atrás, empatou e foi derrotado no final. Quando a partida estava 1x1 Roberto Dinamite ainda acertou um chute na trave.

16/06/1974 Internacional 1x3 Vasco da Gama
Maracanã (Rio de Janeiro)
Campeonato Brasileiro
O campeonato brasileiro de 1974 não parou durante a Copa do Mundo disputada na Alemanha. E o Internacional foi prejudicado, disputando jogos desfalcado de Valdomiro, Paulo César Carpegiani e Figueroa. Os brasileiros desfalcariam o Colorado em 17 partidas do campeonato, e Figueroa em 5 jogos. Contra o Vasco, o Internacional enfrentou um Roberto Dinamite com fome de gols. Aos 27' do 1º tempo, Roberto Dinamite cobrou falta, acertando o canto esquerdo, no alto. Vasco 1x0. Aos 43' do 1º tempo, Zanata lançou Roberto Dinamite entre Cedenir e Pontes. O atacante ganhou dos zagueiros e tocou para as redes na saída de Rafael. Vasco 2x0. E aos 12' do 2º tempo Roberto Dinamite cobrou falta no ângulo esquerdo de Rafael. Vasco 3x0. Escurinho descontaria depois.

28.07.1974 Internacional 2x2 Vasco da Gama
Maracanã (Rio de Janeiro)
Campeonato Brasileiro
Era a última rodada do quadrnagular final do campeonato brasileiro. Em caso de vitória, o Vasco seria campeão, e quase 120 mil torcedores compareceram ao Maracanã. E logo aos 4' do 1º tempo Roberto Dinamite dava alegria à torcida. Luís Carlos foi lançado em profunidade pela esquerda e da linha de fundo cruzou para a área. Manga, que estava saindo para abafar o lance, tentou voltar, mas Roberto Dinamite, ganhando de Pontes na corrida, chegou antes do goleiro na bola e cabeceou para as redes. Ainda no 1º tempo, em um frango de Manga, Zanata ampliou. O título parecia garantido, mas como descreveu o Jornal dos Sports: "A galera começou a gritar 'é campeão, é campeão', mas ao sentir que o Inter continuava a tocar a bola, sem se preocupar com o marcador, parou, como se sentisse que algo de perigoso poderia acontecer. O time gaúcho, cheio de experiência e categoria, ainda não tinha perdido o jogo." No 2º tempo, com gols de Lula e Escurinho, o Internacional chegou ao empate e tirou, temporariamente, o título do Vasco. os cariocas tiveram que enfrentar o Cruzeiro em um jogo-extra para ficar com a taça.

17/12/1975 Internacional 2x2 Seleção do Campeonato Brasileiro
Maracanã (Rio de Janeiro)
Amistoso
Para comemorar o título brasileiro, a CBD marcou um amistoso entre o Internacional e uma seleção formada por atletas dos outros clubes. A equipe adversária também era chamada de Seleção Brasileira ou Seleção da Caixa Econômica Federal (antes dos patrocínios liberados no Brasil, a equipe jogou com uniforme amarelo e um CAIXA em tamanho grande, na frente). Roberto Dinamite atuou só o 1º tempo, sem grande destaque. Na 1ª etapa o Colorado abriu 2x0. No 2º tempo, com os jogadores cansados das comemorações do título, a equipe cedeu o empate.

19/12/1976 Internacional 1x4 Seleção do Campeonato Brasileiro
Beira-Rio (Porto Alegre)
Amistoso
Os jogadores do Internacional não haviam treinado mais, após a conquista do título brasileiro, e a maioria havia abusado das festas. No 1º tempo o time segurou o 0x0 e Falcão chegou a acertar um chute na trave. Mas a 2ª etapa o time se arrastava em campo, e até mesmo Caçapava, o pulmão da equipe, pediu para sair, por falta de fôlego. Com um time cansado e cheio de reservas, a Seleção chegou à goleada. Roberto Dinamite marcou o 4º gol, de cabeça, aparando um cruzamento de Gil. O Jornal dos Sports ainda colocou em sua matéria sobre a partida: "Roberto, um nome que a torcida gaúcha sonha ver no Internacional."

04/04/1979 Internacional 2x3 Vasco da Gama
Beira-Rio (Porto Alegre)
Amistoso
O Internacional convidou o Vasco para um amistoso comemorativo dos 70 anos do clube, que também marcou a reestreia de Claudiomiro no Colorado. O Internacional saiu na frente com um gol de Jair, mas Roberto Dinamite empatou a partida. O Vasco virou o jogo no início do 2º tempo, e no 3º gol Roberto Dinamite fez um corta-luz que deixou Carlos Alberto garcia livre na frente de Benítez. Mário diminuiria para o Internacional, depois.

20/12/1979 Internacional 2x0 Vasco da Gama
Maracanã (Rio de Janeiro)
Campeonato Brasileiro
O Vasco recebia o Internacional para a primeira partida da decisão do campeonato brasileiro. O Colorado estava desfalcado de Falcão e Valdomiro, mesmo assim o técbico vascaíno Oto Glória optou por um esquema defensivo, deixando Roberto Dinamite isolado na frente. Sem ser acionado, Dinamite assistiu a vitória colorada por 2x0, com um show de Jair, Mário Sérgio e Chico Espina. O resultado praticamente decidiu o campeonato.

23/12/1979 Internacional 2x1 Vasco da Gama
Beira-Rio (Porto Alegre)
Campeonato Brasileiro
Na última partida do campeonato, Roberto Dinamite foi anulado pela defesa colorada e chegou até a irritar-se com isso. No final, deu a lógica e o Colorado sagrou-se tricampeão brasileiro invicto.

25/01/1981 Internacional 0x4 Vasco da Gama
Maracanã (Rio de Janeiro)
Campeonato Brasileiro
Nessa partida Roberto Dinamite foi o grande nome da vitória vascaína, marcando dois gols e participando da jogada de mais um. Aos 18' do 1º tempo, Wilsinho cruzou para a área. Roberto Dinamite empurrou Mauro Pastor, que ao tentar se equilibrar deslocou o centroavante. O juiz Dulcídio Vanderlei Boschillia ignorou a falta inicial e marcou pênalti. Roberto Dinamite cobrou e marcou o primeiro gol do jogo. Aos 2' do 2º tempo Roberto Dinamite cobrou uma falta no ângulo direito de Benítez, marcando o terceiro gol do jogo. E aos 12' do 2º tempo Roberto Dinamite chutou rasteiro, Benítez defendeu parcialmente e César aproveitou o rebote para marcar e fechar o placar.

09/12/1982 Internacional 1x1 Vasco da Gama
Beira-Rio (Porto Alegre)
Amistoso
Partida de entrega de faixas de campeão gaúcho ao Internacional. os dois clubes acertaram amistosos de entrega de faixas, um em Porto Alegre, outro no Rio de Janeiro. O Colorado saiu na frente com gol de Ruben Paz, e o Vasco empatou com um gol contra de Edevaldo. Roberto Dinamite, bem marcado, não teve grande atuação. Com o empate o Vasco ganhou a Taça Cidade de Porto Alegre.

12/12/1982 Internacional 3x1 Vasco da Gama
São Januário (Rio de Janeiro)
Amistoso
Na entrega de faixas para o Vasco, o Internacional estragou a festa carioca. Roberto Dinamite abriu o placar para o Vasco, mas Sílvio, Geraldão e Paulo César Maringá viraram o jogo. Com a vitória, o Internacional ganhou a Taça Alberto Pires Ribeiro (ex-presidente do Vasco), também conhecida informalmente como Taça Cidade do Rio de Janeiro.

07/07/1985 Internacional 1x1 Vasco da Gama
Maracanã (Rio de Janeiro)
Campeonato Brasileiro
Em um jogo sem muitas emoções, Roberto Dinamite fez a assistência para o gol de Geovani, mas depois Ademir empatou.

14/07/1985 Internacional 2x2 Vasco da Gama
Beira-Rio (Porto Alegre)
Campeonato Brasileiro
No 2º turno do quadrangular que indicaria um semifinalista do campeonato brasileiro, o Vasco saiu na frente, o Internacional virou, mas Roberto Dinamite, cobrando falta, evitou a derrota carioca aos 38' do 2º tempo.

01/11/1987 Internacional 0x1 Vasco da Gama
Maracanã (Rio de Janeiro)
Geovani foi o principal destaque da partida. O jogador estava suspenso, mas o Vasco recorreu à Justiça Comum e garantiu sua participação na partida. Roberto Dinamite teve uma atuação sem grandes momentos.

09/10/1988 Internacional 2x1 Vasco da Gama
São Januário (Rio de Janeiro)
O Vasco promoveu uma festa para homenagear os jogadores medalhistas olímpicos em Seul, Geovani, Mazinho e Romário. Taffarel, que estava no banco de reservas colorado, também foi homenageado. Mas com a bola rolando o Vasco, que vinha sendo considerado a sensação do campeonato, foi inferior ao Internacional. Roberto Dinamite teve atuação apagada e foi vaiado pela torcida, que queria Sorato no time. Mesmo assim, foi Dinamite que cavou a falta que resultou no gol de Geovani. Essa foi a última partida de Romário pelo Vasco, pois estava negociado com o PSV Eindhoven.

02/12/1989 Internacional 1x2 Portuguesa de Desportos
Beira-Rio (Porto Alegre)
Campeonato Brasileiro
O Internacional apresentou um futebol apático contra a Portuguesa, onde Roberto Dinamite jogava emprestado pelo Vasco da Gama.

Resumo:
19 partidas
7 vitórias do Internacional
5 empates
7 vitórias da equipe de Roberto Dinamite
11 gols marcados