Garrincha, um dos maiores gênios do futebol, enfrentou o Internacional diversas vezes, pelo Botafogo. Mas o que pouca gente sabe é que Garrincha enfrentou o Internacional vestindo mais duas camisas.
11.07.1968
O Internacional começava uma excursão de três jogos pelo estado de São Paulo enfrentando o pequeno Andradina. E o time do interior paulista contou, como reforço para esta partida, com Garrincha. O veterano jogador já havia começado sua peregrinação pelo Brasil, jogando amistosos por equipes que pagavam pela sua atuação em um ou dois jogos. Mesmo com o "Mané" em campo, o Andradina não teve forças para resistir ao Colorado, que venceu por 3x0.
02.07.1969
Quase um ano depois, o Internacional recebeu o Novo Hamburgo, para um amistoso no Beira-Rio. E Garrincha vestiu o uniforme do anilado. Novamente não teve forças para evitar a derrota de seu time frente ao Colorado (3x1). E dessa vez, sequer atuou os 90 minutos. Garrincha foi substituído aos 15' do 2º tempo, sob forte aplauso da torcida colorada.
Relação de jogos de Garrincha, contra o Internacional, vestindo a camiseta do Botafogo.
21.04.1954 Empate 2x2 - Torneio Quadrangular Interestadual - Maracanã
15.12.1954 Internacional 4x2 - Amistoso - Eucaliptos
21.04.1959 Empate 4x4 - Amistoso - Eucaliptos
21.11.1962 Empate 2x2 - Taça Brasil - Maracanã
28.11.1962 Empate 2x2 - Taça Brasil - Olímpico
30.11.1962 Botafogo 2x0 - Taça Brasil - Olímpico
Garrincha marcou dois gols no Internacional, um em cada amistoso disputado nos Eucaliptos.
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sexta-feira, 11 de outubro de 2013
domingo, 6 de outubro de 2013
O gol de Manga
Manga foi um dos maiores goleiros que já atuou no Brasil. Ídolo no Botafogo, é considerado também um dos maiores goleiros do Nacional de Montevidéu. Em 1974 o Fluminense decidiu repatriar o goleiro, mas quando o avião que o levava de Montevidéu ao Rio de Janeiro fez escala em Porto Alegre, Manga foi "sequestrado" por dirigentes colorados, que lhe fizeram uma oferta melhor que a dos cariocas. E Manga ficou para tornar-se o maior goleiro da história colorada.
Manga já havia cruzado o caminho do Internacional algumas vezes, como adversário. Em 1957, fechou o gol do Sport em um amistoso no Recife (1x1). Pelo Botafogo, foram alguns confrontos, por Taça Brasil e Robertão. E em 1970 o Colorado bateu o Nacional de Manga por 2x0, acabando com 44 partidas de invencibilidade do clube uruguaio. Foi a primeira partida de Manga no Beira-Rio.
Pelo Colorado, Manga estreou no Quadrangular Final do campeonato brasileiro de 1974, em 24 de julho, quando perdemos por 2x1 para o Santos, no Morumbi. No jogo seguinte, falhou nos dois gols do empate com o Vasco, no Maracanã (2x2). Mas depois desses tropeços iniciais, conquistou a torcida com defesas incríveis e jogando mesmo lesionado. Várias vezes ele provocava os atacantes adversários, desafiando-os a chutarem em gol.
E Manga também foi o primeiro goleiro colorado a marcar um gol.
Era 6 de outubro de 1974 (há 39 anos). O Internacional enfrentava o Gaúcho, de Passo Fundo, no Beira-Rio, pelo 2º turno do campeonato estadual. Esse foi o campeonato em que o Colorado venceu todas as 18 partidas. Era o novo Rolo Compressor, esmagando todos os adversários. E o Gaúcho não foi diferente.
O time de Passo Fundo conseguiu resistir por 40 minutos. Mas aos 41' do 1º tempo, Escurinho abriu o placar, e dois minutos depois, fez o 2º gol. No 2º tempo, Sérgio Lima ampliou, aos 25'. A partida encaminhava-se para o final, quando o juiz José Cavalheiro de Morais marcou pênalti para o Colorado. Lula já preparava para bater o pênalti, quando alguém gritou, no meio da massa: "Manga!". O grito foi repetido por alguns, e logo todo o estádio pedia: "Manga!, Manga!". O goleiro olhou para o técnico Rubens Minelli, que autorizou a cobrança.
Mas enquanto Manga corria para a área adversária, aconteceu algo curioso. Na época, gol de goleiro era incomum. E o goleiro Carlos Alberto, do Gaúcho, achou que seria humilhação sofrer um gol de outro goleiro. Primeiro, ele recorreu ao juiz, que disse que não havia nada na regra que impedisse um goleiro de cobrar pênalti. Depois, junto com seus companheiros, tentaram impedir a cobrança. Carlos Alberto, chorando, pediu a Manga que não humilhasse um colega de profissão. A resposta veio no melhor estilo Manga: "seja homem, rapaz!". Depois de muita confusão, o pênalti foi cobrado, e mal cobrado. Manga chutou fraco, no meio do gol. Mas Carlos Alberto, ainda chorando, nem tentou defender, estava caminhando sobre a linha do gol. Ao perceber a cobrança fraca, levou o pé para trás, e quase defende de calcanhar. Mas era tarde: Internacional 4x0! Gol de Manga!
Mas a carreira de artilheiro de Manga não foi muito longe. Dias depois, em um amistoso contra o Guarany de Garibaldi, Manga cobrou outro pênalti, chutando para fora, e desistiu de se arriscar em novas cobranças.
Técnicos Colorados em Brasileiros
Desempenho dos técnicos que treinaram o Internacional em campeonatos brasileiros. Para tornar justa a comparação, todas as vitórias foram consideradas valendo três pontos, independente do regulamento da época.
Dino Sani 1971/1972/1973 e 1983/1984
98 partidas
40 vitórias
42 empates
16 derrotas
55,10% de aproveitamento
Rubens Minelli 1973/1974/1975/1976
92 partidas
55 vitórias
23 empates
14 derrotas
68,11% de aproveitamento
Carlos Gainete 1977
13 partidas
7 vitórias
3 empates
3 derrotas
61,53% de aproveitamento
Cláudio Duarte 1979, 1981, 1982, 1994 e 2002
75 partidas
35 vitórias
20 empates
20 derrotas
55,55% de aproveitamento
Ênio Andrade 1979/1980, 1987 e 1990/1991
91 partidas
44 vitórias
27 empates
20 derrotas
58,24% de aproveitamento
Mário Juliato 1981
9 partidas
3 vitórias
4 empates
2 derrotas
48,14% de aproveitamento
Ernesto Guedes 1983
11 partidas
3 vitórias
3 empates
5 derrotas
36,36% de aproveitamento
Otacílio Gonçalves 1984/1985 e 1998
30 partidas
11 vitórias
10 empates
9 derrotas
47,77% de aproveitamento
Homero Cavalheiro 1986
26 partidas
12 vitórias
8 empates
6 derrotas
56,41% de aproveitamento
Chiquinho 1988
5 partidas
1 vitória
3 empates
1 derrota
40% de aproveitamento
Abel Braga 1988, 1995, 2006 e 2007/2008
108 partidas
48 vitórias
34 empates
26 derrotas
54,93% de aproveitamento
Paulo César Carpegiani 1989
4 partidas
2 vitórias
1 empate
1 derrota
58,33% de aproveitamento
Bráulio 1989
6 partidas
1 vitória
2 empates
3 derrotas
27,77% de aproveitamento
Carbone 1989
8 partidas
1 vitória
2 empates
5 derrotas
20,83% de aproveitamento
Orlando Bianchini 1990
8 partidas
0 vitória
4 empates
4 derrotas
16,66% de aproveitamento
Antônio Lopes 1992
19 partidas
7 vitórias
6 empates
6 derrotas
47,36% de aproveitamento
Paulo Roberto Falcão 1993 e 2011
25 partidas
9 vitórias
7 empates
9 derrotas
45,33% de aproveitamento
Procópio Cardoso 1994
9 partidas
3 vitórias
2 empates
4 derrotas
44,44% de aproveitamento
Nelsinho Baptista 1996
10 partidas
3 vitórias
3 empates
4 derrotas
40% de aproveitamento
Elias Figueroa 1996
13 partidas
7 vitórias
2 empates
4 derrotas
58,97% de aproveitamento
Celso Roth 1997, 2002 e 2010
78 partidas
36 vitórias
20 empates
22 derrotas
54,70% de aproveitamento
Cassiá 1998
20 partidas
9 vitórias
3 empates
8 derrotas
50% de aproveitamento
Paulo Autuori 1999
2 partidas
0 vitória
0 empate
2 derrotas
0% de aproveitamento
Walmir Louruz 1999
12 partidas
4 vitórias
2 empates
6 derrotas
38,88% de aproveitamento
Emerson Leão 1999
7 partidas
2 vitórias
2 empates
3 derrotas
38,09% de aproveitamento
Zé Mário 2000
28 partidas
11 vitórias
10 empates
7 derrotas
51,19% de aproveitamento
Carlos Alberto Parreira 2001
27 partidas
12 vitórias
4 empates
11 derrotas
49,38% de aproveitamento
Guto Ferreira 2002 e 2008
6 partidas
1 vitória
2 empates
3 derrotas
27,77% de aproveitamento
Lori Sandri 2004
11 partidas
5 vitórias
2 empates
4 derrotas
51,51% de aproveitamento
Leandro Machado 2004
1 partida
1 vitória
0 empate
0 derrota
100% de aproveitamento
Joel Santana 2004
16 partidas
4 vitórias
3 empates
9 derrotas
31,25% de aproveitamento
Muriciy Ramalho 2003 e 2004/2005
106 partidas
53 vitórias
21 empates
32 derrotas
56,60% de aproveitamento
Leomir 2006
1 partida
1 vitória
0 empate
0 derrota
100% de aproveitamento
Alexandre Gallo 2007
18 partidas
7 vitórias
3 empates
8 derrotas
44,44% de aproveitamento
Tite 2008/2009
61 partidas
27 vitórias
14 empates
20 derrotas
51,91% de aproveitamento
Mário Sérgio 2009
11 partidas
6 empates
3 empates
2 derrotas
63,63% de aproveitamento
Jorge Fossati 2010
4 partidas
1 vitória
0 empate
3 derrotas
25% de aproveitamento
Enderson Moreira 2010
3 partidas
1 vitória
1 empate
1 derrota
44,44% de aproveitamento
Osmar Loss 2011 e 2012
7 partidas
2 vitórias
3 empates
2 derrotas
42,85% de aproveitamento
Dorival Júnior 2011/2012
32 partidas
14 partidas
11 empates
7 derrotas
55,20% de aproveitamento
Fernandão 2012
26 partidas
9 vitórias
8 empates
9 derrotas
44,87% de aproveitamento
Dunga 2013
25 partidas
8 vitórias
10 empates
7 derrotas
45,33% de aproveitamento
Dino Sani 1971/1972/1973 e 1983/1984
98 partidas
40 vitórias
42 empates
16 derrotas
55,10% de aproveitamento
Rubens Minelli 1973/1974/1975/1976
92 partidas
55 vitórias
23 empates
14 derrotas
68,11% de aproveitamento
Carlos Gainete 1977
13 partidas
7 vitórias
3 empates
3 derrotas
61,53% de aproveitamento
Cláudio Duarte 1979, 1981, 1982, 1994 e 2002
75 partidas
35 vitórias
20 empates
20 derrotas
55,55% de aproveitamento
Ênio Andrade 1979/1980, 1987 e 1990/1991
91 partidas
44 vitórias
27 empates
20 derrotas
58,24% de aproveitamento
Mário Juliato 1981
9 partidas
3 vitórias
4 empates
2 derrotas
48,14% de aproveitamento
Ernesto Guedes 1983
11 partidas
3 vitórias
3 empates
5 derrotas
36,36% de aproveitamento
Otacílio Gonçalves 1984/1985 e 1998
30 partidas
11 vitórias
10 empates
9 derrotas
47,77% de aproveitamento
Homero Cavalheiro 1986
26 partidas
12 vitórias
8 empates
6 derrotas
56,41% de aproveitamento
Chiquinho 1988
5 partidas
1 vitória
3 empates
1 derrota
40% de aproveitamento
Abel Braga 1988, 1995, 2006 e 2007/2008
108 partidas
48 vitórias
34 empates
26 derrotas
54,93% de aproveitamento
Paulo César Carpegiani 1989
4 partidas
2 vitórias
1 empate
1 derrota
58,33% de aproveitamento
Bráulio 1989
6 partidas
1 vitória
2 empates
3 derrotas
27,77% de aproveitamento
Carbone 1989
8 partidas
1 vitória
2 empates
5 derrotas
20,83% de aproveitamento
Orlando Bianchini 1990
8 partidas
0 vitória
4 empates
4 derrotas
16,66% de aproveitamento
Antônio Lopes 1992
19 partidas
7 vitórias
6 empates
6 derrotas
47,36% de aproveitamento
Paulo Roberto Falcão 1993 e 2011
25 partidas
9 vitórias
7 empates
9 derrotas
45,33% de aproveitamento
Procópio Cardoso 1994
9 partidas
3 vitórias
2 empates
4 derrotas
44,44% de aproveitamento
Nelsinho Baptista 1996
10 partidas
3 vitórias
3 empates
4 derrotas
40% de aproveitamento
Elias Figueroa 1996
13 partidas
7 vitórias
2 empates
4 derrotas
58,97% de aproveitamento
Celso Roth 1997, 2002 e 2010
78 partidas
36 vitórias
20 empates
22 derrotas
54,70% de aproveitamento
Cassiá 1998
20 partidas
9 vitórias
3 empates
8 derrotas
50% de aproveitamento
Paulo Autuori 1999
2 partidas
0 vitória
0 empate
2 derrotas
0% de aproveitamento
Walmir Louruz 1999
12 partidas
4 vitórias
2 empates
6 derrotas
38,88% de aproveitamento
Emerson Leão 1999
7 partidas
2 vitórias
2 empates
3 derrotas
38,09% de aproveitamento
Zé Mário 2000
28 partidas
11 vitórias
10 empates
7 derrotas
51,19% de aproveitamento
Carlos Alberto Parreira 2001
27 partidas
12 vitórias
4 empates
11 derrotas
49,38% de aproveitamento
Guto Ferreira 2002 e 2008
6 partidas
1 vitória
2 empates
3 derrotas
27,77% de aproveitamento
Lori Sandri 2004
11 partidas
5 vitórias
2 empates
4 derrotas
51,51% de aproveitamento
Leandro Machado 2004
1 partida
1 vitória
0 empate
0 derrota
100% de aproveitamento
Joel Santana 2004
16 partidas
4 vitórias
3 empates
9 derrotas
31,25% de aproveitamento
Muriciy Ramalho 2003 e 2004/2005
106 partidas
53 vitórias
21 empates
32 derrotas
56,60% de aproveitamento
Leomir 2006
1 partida
1 vitória
0 empate
0 derrota
100% de aproveitamento
Alexandre Gallo 2007
18 partidas
7 vitórias
3 empates
8 derrotas
44,44% de aproveitamento
Tite 2008/2009
61 partidas
27 vitórias
14 empates
20 derrotas
51,91% de aproveitamento
Mário Sérgio 2009
11 partidas
6 empates
3 empates
2 derrotas
63,63% de aproveitamento
Jorge Fossati 2010
4 partidas
1 vitória
0 empate
3 derrotas
25% de aproveitamento
Enderson Moreira 2010
3 partidas
1 vitória
1 empate
1 derrota
44,44% de aproveitamento
Osmar Loss 2011 e 2012
7 partidas
2 vitórias
3 empates
2 derrotas
42,85% de aproveitamento
Dorival Júnior 2011/2012
32 partidas
14 partidas
11 empates
7 derrotas
55,20% de aproveitamento
Fernandão 2012
26 partidas
9 vitórias
8 empates
9 derrotas
44,87% de aproveitamento
Dunga 2013
25 partidas
8 vitórias
10 empates
7 derrotas
45,33% de aproveitamento
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
A grande decisão de 1914
A temporada de 1914 estava sendo muito boa para o Internacional. O clube conquistou o campeonato municipal com 100% de aproveitamento, distribuindo algumas goleadas, como 15x2 Americano, 9x0 Frisch Auf (clubes que abandonaram o campeonato no meio, para fundar outra liga, com o Grêmio), 7x0 Cruzeiro e 6x1 Colombo.
Nos amistoso, o desempenho também era espetacular. Em 4 amistosos disputados na capital, 4 vitórias, incluindo um 10x2 Cruzeiro e um 5x1 no vovô Rio Grande, maior derrota que o clube já havia sofrido para um time gaúcho, até então.
O Colorado também realizou uma excursão pelo interior, jogando em Bagé e Pelotas. Em 6 partidas, somou 5 vitórias e uma única derrota, na revanche frente ao Guarany de Bagé. No mesmo período o Grêmio realizara uma excursão pelo interior, colhendo péssimos resultados: jogou três partidas em Pelotas e perdeu as três.
Mas um clube do interior decidiu desafiar o Internacional. O 14 de Julho, de Santana do Livramento, que estava invicto a mais de um ano, incluindo aí um empate com o poderoso Peñarol, apresentou-se para disputar com o Colorado a condição de melhor equipe do estado. Feito o desafio, a partida foi marcada para 1º de outubro de 1914, em Porto Alegre.
O jornal "O Diário", da capital, assim apresentou a partida, na sua edição de 1º de outubro:
"É chegado afinal o dia de se encontrarem no campo da lucta, onde disputarão o título honroso de campeão, as afamadas equipes do Sport Club 14 de Julho, de Sant'Anna do Livramento, e Sport Club Internacional, desta capital. Após a memoravel excursão que o Internacional emprehendeu pelo Estado, transformada em marcha triumphal, conquistou definitivamente o honroso titulo de campeão porto alegrense que ninguem, absolutamente ninguem poderá contestar. De outro lado o S. C. 14 de Julho igualmente victorioso em todas as excursões que emprehendeu a S. Gabriel, Santa Maria e Rosario, no Brazil, e Rivera, na Republica do Uruguay é também o glorioso campeão fronteiriço."
Esse confronto, que atraiu grande público, terminou empatado em 0x0. O Internacional jogou desfalcado de seu goleiro, Silla, atuando no gol o zagueiro Simão. Além disso, o uniforme dos dois clubes, predominantemente vermelhos, causaram confusão aos atletas.
Então, no dia 4 de outubro de 1914, os dois clubes voltaram a enfrentarem-se, na Chácara dos Eucaliptos, para o tira-teima. O Colorado continuava sem seu goleiro, mas decidiu jogar com uma camisa listrada de vermelho e branco, para diminuir a confusão entre os atletas. E quando a bola rolou, o Rio Grande do Sul soube definitivamente quem era o melhor time do estado.
Logo aos 4', Godinho fez 1x0. Ary ampliou aos 18', Godinho fez mais um aos 21', e Miller marcou o 4º gol aos 24' do 1º tempo. Em menos de 25 minutos o Internacional havia aniquilado o 14 de Julho, tirando sua longa invencibilidade. No 2º tempo, Miller ainda fez mais um, aos 11' do 2º tempo, sacramentando a goleada: Internacional 5x0 14 de Julho. Ribas ainda desperdiçaria um pênalti, chutando para fora.
Escalações:
IN: Simão; Ary e Satyro; Bitú, Kluwe e Darsis; Túlio, Godinho, Ribas, Miller e Vares
14: Contente; Tito Arreguy e Castelhano; Clementino Cunha, Martins e Acosta; Garragorry, Ferrer, Viola, Alberto e Barão
O zagueiro Tito Arreguy atuaria no Internacional entre 1924 e o início de 1927, quando tornou-se técnico do próprio Colorado.
Por essa vitória, os jogadores colorados conquistaram medalhas oferecidas pelo Tiro Brasileiro nº 4, e o clube conquistou dois troféus. Um, oferecido por Antônio Costa, em nome da seguradora Amparadora, era um bronze em forma de uma águia, no dorso da qual estava a Vitória, representada por uma mulher em posição de coroar. Foi denominado "Bronze Amparadora". Outro, oferecido pelos caixeiros de Porto Alegre, era uma taça de prata, denominada "Copa Caixeiral".
Abatendo seu oponente à condição de melhor clube gaúcho, o Internacional foi chamado informalmente pela imprensa de "campeão estadual".
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Daltro x Bráulio? Daltro x Torcida!
Bráulio, o "Garoto de Ouro" estreou no time principal do Internacional em 1965, aos 16 anos. Jogador de grande qualidade técnica e passe certeiro, logo caiu no agrado da torcida. Mas os anos 1960 não foram bons para o Colorado. Vários jogadores habilidosos eram revelados pelas categorias de base, mas não conquistavam títulos. Logo começaram a ser considerados pouco competitivos e fisicamente mais fracos que os adversários.
Em 1968 o Internacional havia contratado o ex-técnico gremista Oswaldo Rolla, o Foguinho, considerado um adepto do futebol-força. Mas seu trabalho não rendeu os frutos esperados, e em 17 de setembro de 1968, três dias depois de bater o São Paulo no Morumbi, Foguinho demitiu-se. No mesmo dia o Internacional contratou Daltro Menezes, técnico do Juventude. Falastrão, mas adepto de um futebol de marcação forte, Daltro caiu nas graças dos Mandarins, grupo que pretendia mudar o perfil do Internacional, priorizando a força na formação da equipe. Com Daltro, o Internacional foi vice-campeão do Robertão em 1968, e bicampeão gaúcho em 1969 e 1970.
Apesar dos título, entretanto, Daltro não caiu nas graças da torcida. Seu futebol de forte marcação e pouca preocupação ofensiva não entusiasmava os torcedores. Além disso, Bráulio, o ídolo da torcida, começou a ser sacado do time. Os títulos e o apoio do Mandarins conseguiam contrabalançar a pressão da torcida. Mas no final de 1970 a situação de Daltro começou a piorar rapidamente. No final de novembro de 1970, faltando três rodadas para encerrar a fase classificatória, o Internacional estava muito próximo do Quadrangular Final. O clube precisava de duas vitórias nos três jogos (ou dois empates e uma vitória). Os dois primeiros jogos foram no Rio de Janeiro, contra América e Flamengo. O Colorado perdeu os dois por 1x0, ficando fora da disputa antes da última rodada. E Daltro sequer levou Bráulio como reserva para o Rio. Na volta, a demissão do técnico era certa, mas os Mandarins conseguiram mantê-lo no poder.
O ano de 1971 não começou nada bem para Daltro. O time fracassou no Torneio do Povo. Pouco depois, o presidente Carlos Stechmann decide afastar o Mandarins do futebol, passando Aldo Dias Rosa para as finanças e aceitando a demissão de Ibsen Pinheiro e Cláudio Cabral, entre outros. A saída de Daltro parecia certa, mas ele continuou. Porém, foi avisado de que jogadores considerados de qualidade deveriam receber mais chances no time. Ao mesmo tempo, voltou ao clube um desafeto do técnico, Hugo Amorim, ex-Mandarim, para exercer a função de assessor de futebol.
No dia 15 de março de 1971 começa a agonia final de Daltro. Nesse dia, no Beira-Rio, o Colorado apenas empatou com o São José (1x1). No dia 20, novo empate em casa, com o Novo Hamburgo (0x0). Bráulio jogou, mas foi substituído. Em 24 de março, novamente no Beira-Rio, o Gre-Nal que decidia o Torneio Internacional de Porto Alegre. O Internacional perdeu por 2x0, sem Bráulio. Após a partida, o diretor de futebol Gildo Russowsky declarou à imprensa: "temos que tomar uma atitude. Esta situação não pode continuar". Daltro recebeu um ultimato, teria 15 dias para mostrar uma evolução do time. Isso incluía três partidas: um amistoso contra o Atlético de Carazinho, o Inter-Cruz pelo campeonato gaúcho, e o amistoso comemorativo do aniversário do clube, contra o Flamengo do Rio.
No dia 28 de março o Internacional bateu o Atlético por 4x1, em Carazinho. No dia 4 de abril, a partida contra o Cruzeiro foi preparada para ser uma grande festa de comemoração dos 62 anos do clube. Dirigentes históricos e ex-jogadores estavam presentes ao evento, e esperavam uma boa vitória. Mas o Colorado jogava pouco. Mesmo assim, aos 44' do 1º tempo, Dorinho, jogador de confiança de Daltro, fez 1x0. Entretanto, aos 10' do 2º tempo o veterano Ortunho empatou, 1x1. O Internacional apresentava dificuldades de criar novas chances de gol, e aos 20' Daltro resolveu mexer no time. E o fez da pior maneira possível: tirou Bráulio para colocar Jangada. Durante dois minutos o Beira-Rio tornou-se uma única voz, bradando "burro, burro, burro!". O Internacional ainda teria um gol legítimo mal anulado pelo juiz, mas nada desviou o foco da raiva dos torcedores. E aí vieram as entrevistas de fim de jogo...
Daltro (que treinou o time usando uma camisa azul), talvez sem perceber que estava cavando a própria sepultura, declarou aos repórteres: "a nossa torcida é espetacular. Acho que em matéria de vibração e de incentivo não existe outra. Acontece que ultimamente ela tem prejudicado muito o time. Resolveram endeusar o Bráulio. Isso não pode acontecer. Ele não é nenhum perna-de-pau, mas também não é fenômeno. É apenas um grande jogador, pode ser substituído".
Em outro ponto do estádio, Hugo Amorim declarava aos repórteres: "todas as manifestações da torcida são justas. Não podemos proibi-la de manifestar descontentamento, quando este é justo. Se ela acha que Bráulio é um grande jogador, tem razão. Ele não pode sobrar no plantel colorado. E, quando for substituído, só quando for por um grade jogador. Daltro deu o troco pelas rádios: "pode cair a casa inteira em cima de mim que eu tiro o Bráulio quando achar necessário." Na mesma noite começam as especulações sobre possíveis substitutos de Daltro: Didi, Sylvio Pirillo, Aimoré Moreira, Telê Santana, entre outros.
Na manhã de 6 de abril, após reunião da direção, Daltro Menezes foi demitido, e saiu disparando: "o Internacional voltou a priscar eras. A torcida pediu a cabeça do treinador e a diretoria atendeu". Gilberto Tim assumiu o comando do Internacional interinamente, e começou a busca por um novo técnico. Otto Pedro Bumbel (Sevilla ESP) e Sylvio Pirillo (Guarany PAR) foram descartados porque não seriam liberados por seus clubes. O nome preferido da direção era Didi, que estava no River Plate ARG, mas o valor da multa com o clube argentino era elevada demais. Também não foi possível tirar Telê Santana do Atlético MG. Assim, em 14 de abril o clube anunciava Dino Sani, que já havia feito um bom trabalho no Corinthians.
Em São Paulo, no dia 20 de abril, Daltro declarou à imprensa: "a torcida do Inter queria Bráulio no time, que jogava para ela. Mas ele não tinha condições de entrar no meu time. Por isso afastei-o." A bronca do ex-técnico também voltava-se para a torcida. "É preciso mudar a mentalidade daquela torcida. Eu não consegui, apesar de ter sido bicampeão do estado e quase tri." No dia seguinte, na estreia de Dino Sani, mesmo sem jogar bem o Internacional bateu o Riograndense, em Santa Maria, por 3x0. Ao final do jogo o presidente Carlos Stechmann respondeu a Daltro: "o time é o mesmo, você viu. Só que este time, agora, faz três a zero."
Assim terminava a saga da passagem de Daltro Menezes pelo Internacional. Em 1985 o "Gordo" voltaria ao clube, sem sucesso. Já o "Garoto de Ouro" jogou no Internacional até 1973, jogando depois no Coritiba, América RJ, Botafogo e Universidad de Chile.
Em 1968 o Internacional havia contratado o ex-técnico gremista Oswaldo Rolla, o Foguinho, considerado um adepto do futebol-força. Mas seu trabalho não rendeu os frutos esperados, e em 17 de setembro de 1968, três dias depois de bater o São Paulo no Morumbi, Foguinho demitiu-se. No mesmo dia o Internacional contratou Daltro Menezes, técnico do Juventude. Falastrão, mas adepto de um futebol de marcação forte, Daltro caiu nas graças dos Mandarins, grupo que pretendia mudar o perfil do Internacional, priorizando a força na formação da equipe. Com Daltro, o Internacional foi vice-campeão do Robertão em 1968, e bicampeão gaúcho em 1969 e 1970.
Apesar dos título, entretanto, Daltro não caiu nas graças da torcida. Seu futebol de forte marcação e pouca preocupação ofensiva não entusiasmava os torcedores. Além disso, Bráulio, o ídolo da torcida, começou a ser sacado do time. Os títulos e o apoio do Mandarins conseguiam contrabalançar a pressão da torcida. Mas no final de 1970 a situação de Daltro começou a piorar rapidamente. No final de novembro de 1970, faltando três rodadas para encerrar a fase classificatória, o Internacional estava muito próximo do Quadrangular Final. O clube precisava de duas vitórias nos três jogos (ou dois empates e uma vitória). Os dois primeiros jogos foram no Rio de Janeiro, contra América e Flamengo. O Colorado perdeu os dois por 1x0, ficando fora da disputa antes da última rodada. E Daltro sequer levou Bráulio como reserva para o Rio. Na volta, a demissão do técnico era certa, mas os Mandarins conseguiram mantê-lo no poder.
O ano de 1971 não começou nada bem para Daltro. O time fracassou no Torneio do Povo. Pouco depois, o presidente Carlos Stechmann decide afastar o Mandarins do futebol, passando Aldo Dias Rosa para as finanças e aceitando a demissão de Ibsen Pinheiro e Cláudio Cabral, entre outros. A saída de Daltro parecia certa, mas ele continuou. Porém, foi avisado de que jogadores considerados de qualidade deveriam receber mais chances no time. Ao mesmo tempo, voltou ao clube um desafeto do técnico, Hugo Amorim, ex-Mandarim, para exercer a função de assessor de futebol.
No dia 15 de março de 1971 começa a agonia final de Daltro. Nesse dia, no Beira-Rio, o Colorado apenas empatou com o São José (1x1). No dia 20, novo empate em casa, com o Novo Hamburgo (0x0). Bráulio jogou, mas foi substituído. Em 24 de março, novamente no Beira-Rio, o Gre-Nal que decidia o Torneio Internacional de Porto Alegre. O Internacional perdeu por 2x0, sem Bráulio. Após a partida, o diretor de futebol Gildo Russowsky declarou à imprensa: "temos que tomar uma atitude. Esta situação não pode continuar". Daltro recebeu um ultimato, teria 15 dias para mostrar uma evolução do time. Isso incluía três partidas: um amistoso contra o Atlético de Carazinho, o Inter-Cruz pelo campeonato gaúcho, e o amistoso comemorativo do aniversário do clube, contra o Flamengo do Rio.
No dia 28 de março o Internacional bateu o Atlético por 4x1, em Carazinho. No dia 4 de abril, a partida contra o Cruzeiro foi preparada para ser uma grande festa de comemoração dos 62 anos do clube. Dirigentes históricos e ex-jogadores estavam presentes ao evento, e esperavam uma boa vitória. Mas o Colorado jogava pouco. Mesmo assim, aos 44' do 1º tempo, Dorinho, jogador de confiança de Daltro, fez 1x0. Entretanto, aos 10' do 2º tempo o veterano Ortunho empatou, 1x1. O Internacional apresentava dificuldades de criar novas chances de gol, e aos 20' Daltro resolveu mexer no time. E o fez da pior maneira possível: tirou Bráulio para colocar Jangada. Durante dois minutos o Beira-Rio tornou-se uma única voz, bradando "burro, burro, burro!". O Internacional ainda teria um gol legítimo mal anulado pelo juiz, mas nada desviou o foco da raiva dos torcedores. E aí vieram as entrevistas de fim de jogo...
Daltro (que treinou o time usando uma camisa azul), talvez sem perceber que estava cavando a própria sepultura, declarou aos repórteres: "a nossa torcida é espetacular. Acho que em matéria de vibração e de incentivo não existe outra. Acontece que ultimamente ela tem prejudicado muito o time. Resolveram endeusar o Bráulio. Isso não pode acontecer. Ele não é nenhum perna-de-pau, mas também não é fenômeno. É apenas um grande jogador, pode ser substituído".
Em outro ponto do estádio, Hugo Amorim declarava aos repórteres: "todas as manifestações da torcida são justas. Não podemos proibi-la de manifestar descontentamento, quando este é justo. Se ela acha que Bráulio é um grande jogador, tem razão. Ele não pode sobrar no plantel colorado. E, quando for substituído, só quando for por um grade jogador. Daltro deu o troco pelas rádios: "pode cair a casa inteira em cima de mim que eu tiro o Bráulio quando achar necessário." Na mesma noite começam as especulações sobre possíveis substitutos de Daltro: Didi, Sylvio Pirillo, Aimoré Moreira, Telê Santana, entre outros.
Na manhã de 6 de abril, após reunião da direção, Daltro Menezes foi demitido, e saiu disparando: "o Internacional voltou a priscar eras. A torcida pediu a cabeça do treinador e a diretoria atendeu". Gilberto Tim assumiu o comando do Internacional interinamente, e começou a busca por um novo técnico. Otto Pedro Bumbel (Sevilla ESP) e Sylvio Pirillo (Guarany PAR) foram descartados porque não seriam liberados por seus clubes. O nome preferido da direção era Didi, que estava no River Plate ARG, mas o valor da multa com o clube argentino era elevada demais. Também não foi possível tirar Telê Santana do Atlético MG. Assim, em 14 de abril o clube anunciava Dino Sani, que já havia feito um bom trabalho no Corinthians.
Em São Paulo, no dia 20 de abril, Daltro declarou à imprensa: "a torcida do Inter queria Bráulio no time, que jogava para ela. Mas ele não tinha condições de entrar no meu time. Por isso afastei-o." A bronca do ex-técnico também voltava-se para a torcida. "É preciso mudar a mentalidade daquela torcida. Eu não consegui, apesar de ter sido bicampeão do estado e quase tri." No dia seguinte, na estreia de Dino Sani, mesmo sem jogar bem o Internacional bateu o Riograndense, em Santa Maria, por 3x0. Ao final do jogo o presidente Carlos Stechmann respondeu a Daltro: "o time é o mesmo, você viu. Só que este time, agora, faz três a zero."
Assim terminava a saga da passagem de Daltro Menezes pelo Internacional. Em 1985 o "Gordo" voltaria ao clube, sem sucesso. Já o "Garoto de Ouro" jogou no Internacional até 1973, jogando depois no Coritiba, América RJ, Botafogo e Universidad de Chile.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Torcida Colorada - O jeito do povão de torcer
Desde os primeiros tempos, a torcida colorada inovava no jeito de torcer. Muito antes da festa de confetes, serpentinas e fogos de artifício de Vicente Rao e da faixa "Imitando o crioulo, hem?", a torcida já se mostrava diferente das demais.
Em 4 de junho de 1911 o Internacional enfrentava o Nacional, na Redenção, pelo campeonato municipal. A imprensa da cidade, acostumada com as torcidas "elegantes" e "bem nascidas" dos demais clubes, que aplaudiam jogadas dos adversários, e onde mocinhas desmaiavam ao suspirarem por seus ídolos, estranhou o comportamento dos colorados. O Correio do Povo criticou o hábito de vaiarem os jogadores adversários. No final, Colorado 6x0.
Em 16 de agosto de 1913, outro exemplo do comportamento da torcida colorada. O Internacional enfrentava o Pelotas, em um confronto de 2ºs quadros (times B) que atraiu um bom público à Chácara dos Eucaliptos. O Pelotas venceu por 3x1, mas a torcida colorada foi o ponto alto do jogo. O tempo todo os colorados vaiaram os adversários. Os pelotenses ficaram tão atordoados que a direção do clube decidiu em nota nunca mais enfrentar o Internacional. A decisão se manteria por 14 anos.
Nos dois casos, fica claro o caráter participativo da torcida colorada, que não se limitava a assistir o jogo, mas queria ajudar o clube a conquistas as vitórias.
Em 4 de junho de 1911 o Internacional enfrentava o Nacional, na Redenção, pelo campeonato municipal. A imprensa da cidade, acostumada com as torcidas "elegantes" e "bem nascidas" dos demais clubes, que aplaudiam jogadas dos adversários, e onde mocinhas desmaiavam ao suspirarem por seus ídolos, estranhou o comportamento dos colorados. O Correio do Povo criticou o hábito de vaiarem os jogadores adversários. No final, Colorado 6x0.
Em 16 de agosto de 1913, outro exemplo do comportamento da torcida colorada. O Internacional enfrentava o Pelotas, em um confronto de 2ºs quadros (times B) que atraiu um bom público à Chácara dos Eucaliptos. O Pelotas venceu por 3x1, mas a torcida colorada foi o ponto alto do jogo. O tempo todo os colorados vaiaram os adversários. Os pelotenses ficaram tão atordoados que a direção do clube decidiu em nota nunca mais enfrentar o Internacional. A decisão se manteria por 14 anos.
Nos dois casos, fica claro o caráter participativo da torcida colorada, que não se limitava a assistir o jogo, mas queria ajudar o clube a conquistas as vitórias.
domingo, 29 de setembro de 2013
Jogador preso em campo
Em 29 de setembro de 1940, há 73 anos, o Internacional enfrentava o Cruzeiro, no estádio da Timbaúva, pelo campeonato municipal. Era o início do Rolo Compressor, e o Colorado vencia com certa facilidade. Castillo, de pênalti, havia marcado aos 35' do 1º tempo, e o mesmo jogador ampliou aos 37'. A torcida colorada, que já era famosa por sua ativa participação nos jogos, aplaudia os atletas colorados e vaiava os cruzeiristas.
Na volta do intervalo, a torcida colorada recebeu o time do Cruzeiro com mais vaias. O lateral-esquerdo Vinícius, irritado, fez gestos ofensivos para os torcedores. O ato foi flagrado por um inspetor de polícia, que comunicou o ocorrido ao delegado Renato Souza. Imediatamente o delegado deu voz de prisão ao atleta, dando início a uma confusão que paralisou a partida por 30 minutos. O Cruzeiro até aceitava perder Vinícius, mas queria o direito de substituí-lo por outro atleta, já que ele estava sendo punido pela polícia, e não pelo juiz. Mas a partida afinal recomeçou com o Cruzeiro com dez em campo.
Na 2ª etapa, o Colorado ampliou a vantagem. Aos 7', Álvaro fez 3x0. Ordovás ainda descontou aos 16', mas Carlitos (25') e Tesourinha (28') fecharam o placar: Internacional 5x1.
Essa situação não chegava a ser novidade no futebol da capital. No início da temporada de 1936 a polícia gaúcha havia decidido considerar faltas violentas como agressão, e os atletas agressores seriam presos em flagrante. Em 1º de maio de 1936, em outro Internacional x Cruzeiro, antes do início da partida o delegado responsável pelo policiamento do jogo, Amantino Fagundes, ingressou no gramado e, em frente ao juiz, alertou os jogadores do risco de prisão em caso de faltas violentas. A AMGEA (Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Atléticos), que organizava o campeonato da cidade, reagiu, dias depois, alegando que a polícia não tinha o direito de estender sua jurisdição para dentro do campo. Somente após um acordo entre a AMGEA e o chefe de Polícia do estado, delegado Poty Medeiros, a situação normalizou-se e os juízes voltaram a ser a autoridade máxima dentro do jogo.
Mas retornando ao Internacional x Cruzeiro de 1940...
No final do jogo, mais confusão. O zagueiro colorado Alfeu denunciou que havia sofrido tentativa de suborno por parte de dirigentes gremistas, e que mais três atletas colorados (Marcelo, Magno e Assis) haviam sido procurados para "facilitarem o jogo" no clássico da rodada seguinte. No dia do Gre-Nal, apenas o goleiro Marcelo não jogou, pois o titular Júlio, fora das últimas três partidas, voltou ao time. E o Colorado venceu por 4x3.
Na volta do intervalo, a torcida colorada recebeu o time do Cruzeiro com mais vaias. O lateral-esquerdo Vinícius, irritado, fez gestos ofensivos para os torcedores. O ato foi flagrado por um inspetor de polícia, que comunicou o ocorrido ao delegado Renato Souza. Imediatamente o delegado deu voz de prisão ao atleta, dando início a uma confusão que paralisou a partida por 30 minutos. O Cruzeiro até aceitava perder Vinícius, mas queria o direito de substituí-lo por outro atleta, já que ele estava sendo punido pela polícia, e não pelo juiz. Mas a partida afinal recomeçou com o Cruzeiro com dez em campo.
Na 2ª etapa, o Colorado ampliou a vantagem. Aos 7', Álvaro fez 3x0. Ordovás ainda descontou aos 16', mas Carlitos (25') e Tesourinha (28') fecharam o placar: Internacional 5x1.
Essa situação não chegava a ser novidade no futebol da capital. No início da temporada de 1936 a polícia gaúcha havia decidido considerar faltas violentas como agressão, e os atletas agressores seriam presos em flagrante. Em 1º de maio de 1936, em outro Internacional x Cruzeiro, antes do início da partida o delegado responsável pelo policiamento do jogo, Amantino Fagundes, ingressou no gramado e, em frente ao juiz, alertou os jogadores do risco de prisão em caso de faltas violentas. A AMGEA (Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Atléticos), que organizava o campeonato da cidade, reagiu, dias depois, alegando que a polícia não tinha o direito de estender sua jurisdição para dentro do campo. Somente após um acordo entre a AMGEA e o chefe de Polícia do estado, delegado Poty Medeiros, a situação normalizou-se e os juízes voltaram a ser a autoridade máxima dentro do jogo.
Mas retornando ao Internacional x Cruzeiro de 1940...
No final do jogo, mais confusão. O zagueiro colorado Alfeu denunciou que havia sofrido tentativa de suborno por parte de dirigentes gremistas, e que mais três atletas colorados (Marcelo, Magno e Assis) haviam sido procurados para "facilitarem o jogo" no clássico da rodada seguinte. No dia do Gre-Nal, apenas o goleiro Marcelo não jogou, pois o titular Júlio, fora das últimas três partidas, voltou ao time. E o Colorado venceu por 4x3.
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