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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Internacional x Pelotas

Confrontos entre Internacional e Pelotas, ao longo da história. Foram considerados jogos em casa (C) as partidas disputadas em Porto Alegre, e jogos fora (F), em Pelotas, independente de estádio.

11.07.1912 Pelotas 2x1 - Amistoso - F
03.05.1927 Internacional 4x2 - Amistoso - C
05.05.1929 Pelotas 2x1 - Amistoso - C
10.08.1930 Pelotas 3x2 - Amistoso - C
25.06.1939 empate 0x0 - Amistoso - F
09.07.1939 Internacional 4x1 - Amistoso - C
20.07.1941 empate 2x2 - Amistoso - F
17.05.1942 Internacional 8x6 - Amistoso - F
18.03.1945 Internacional 4x2 - Amistoso - F
22.07.1945 Pelotas 2x1 - Amistoso - F
02.09.1945 Internacional 3x2 - Amistoso - C
15.11.1945 Internacional 4x2 - Campeonato Gaúcho - F
18.11.1945 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
21.04.1947 Pelotas 1x0 - Amistoso - F
12.10.1948 Pelotas 3x2 - Amistoso - F
10.11.1949 Pelotas 2x1 - Amistoso - F
16.11.1949 Internacional 1x0 - Amistoso - C
16.05.1950 Internacional 1x0 - Amistoso - F
25.03.1951 Pelotas 5x4 - Amistoso - F
09.12.1951 empate 2x2 - Campeonato Gaúcho - C
30.12.1951 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
22.06.1952 Pelotas 6x1 - Amistoso - F
20.07.1952 Internacional 6x0 - Torneio Grandes do Rio Grande do Sul - C
27.07.1952 empate 2x2 - Torneio Grandes do Rio Grande do Sul - F
15.12.1952 Internacional 2x1 - Amistoso - C
09.05.1954 Internacional 2x0 - Amistoso - F
06.02.1958 Internacional 4x0 - Amistoso - F
22.05.1958 Internacional 3x1 - Amistoso - C
15.10.1958 Pelotas 3x2 - Amistoso - F
24.05.1959 Pelotas 1x0 - Amistoso - F
26.05.1959 Internacional 1x0 - Amistoso - F
03.10.1959 empate 1x1 - Amistoso - F
05.11.1959 Pelotas 1x0 - Amistoso - C
31.03.1960 Pelotas 2x0 - Amistoso - F
10.04.1960 Pelotas 1x0 - Amistoso - C
07.05.1960 Internacional 4x0 - Amistoso - F
24.09.1960 Pelotas 5x1 - Amistoso - C
25.06.1961 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
03.12.1961 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - F
15.03.1962 empate 0x0 - Amistoso - F
17.06.1962 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - F
23.09.1962 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
28.04.1963 Pelotas 1x0 - Amistoso - F
25.08.1963 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
09.11.1963 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
03.05.1964 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - C
18.10.1964 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - F
15.11.1964 Internacional 1x0 - Torneio Quadrangular Porto Alegre/Pelotas - F
02.12.1964 Internacional 3x1 - Torneio Quadrangular Porto Alegre/Pelotas - C
12.05.1965 Internacional 4x1 - Amistoso - C
13.06.1965 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
15.08.1965 empate 0x0 - Amistoso - F
20.09.1965 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - C
07.08.1966 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
11.12.1966 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - C
07.09.1967 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
19.11.1967 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
23.02.1968 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - C
24.03.1968 Pelotas 2x1 - Campeonato Gaúcho - F
01.05.1968 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - C
25.07.1968 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - F
22.08.1968 Internacional 1x0 - Amistoso - C
23.03.1969 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - F
11.05.1969 Internacional 4x1 - Campeonato Gaúcho - C
22.03.1970 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - F
01.06.1970 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
19.07.1970 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
30.08.1970 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - F
26.04.1971 Internacional 4x2 - Campeonato Gaúcho - F
06.05.1973 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - F
08.07.1973 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - C
23.03.1977 empate 0x0 - Amistoso - F
19.06.1977 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
28.08.1977 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
27.09.1978 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - C
15.10.1978 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
09.05.1979 empate 2x2 - Campeonato Gaúcho - F
27.05.1979 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - C
06.07.1980 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
31.08.1980 Pelotas 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
12.09.1984 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
28.10.1984 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
14.11.1984 Internacional 4x0 - Campeonato Gaúcho - C
29.11.1984 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - F
26.06.1985 Internacional 3x0 - Copa Bento Gonçalves - F
29.06.1985 Pelotas 1x0 - Copa Bento Gonçalves - F
09.10.1985 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
27.11.1985 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - F
27.03.1986 Internacional 4x0 - Campeonato Gaúcho - F
14.05.1986 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
06.02.1987 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - F
16.04.1987 Internacional 6x1 - Campeonato Gaúcho - C
02.04.1988 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
07.05.1988 Pelotas 1x0 - Campeonato Gaúcho - F
05.06.1988 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
16.03.1989 Pelotas 1x0 - Campeonato Gaúcho - F
25.05.1989 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
14.06.1989 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
22.20.1990 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - C
12.05.1990 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
09.10.1991 1x1 empate - Campeonato Gaúcho - C
02.09.1992 Internacional 4x0 - Campeonato Gaúcho - C
16.06.1993 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
06.07.1993 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
06.04.1994 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - F
14.09.1994 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
15.03.1995 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - F
10.05.1995 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - C
23.03.1996 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
12.04.1997 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
03.03.2001 Internacional 3x2 - Campeonato Gaúcho - F
08.04.2001 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - C
14.04.2002 Internacional 1x0 - Copa Sul-Minas - F
23.01.2003 empate 0x0 - Amistoso - N (Tramandaí)
21.03.2010 empate 2x2 - Campeonato Gaúcho - C
18.04.2010 Internacional 3x2 - Campeonato Gaúcho - C
13.02.2011 Internacional 3x2 - Campeonato Gaúcho - C
18.02.2012 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
09.02.2013 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - N (Novo Hamburgo)
13.01.2014 Pelotas 3x2 - Recopa Gaúcha - F

Resumo:
120 partidas
64 vitórias
34 empates
22 derrotas

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Inter-Cruz

Hoje ocorrerá o 204º clássico Inter-Cruz.

O primeiro confronto ocorreu em 10.05.1914, pelo campeonato municipal, e o Internacional venceu por 7x0. Nos 203 clássicos ocorridos até hoje, os resultados foram os seguintes:

126 vitórias do Internacional
31 empates
46 vitórias do Cruzeiro

A maior goleada colorada ocorreu em 20.09.1914, 10x2. A maior vitória do Cruzeiro ocorreu em 16.03.1930, 6x1.

Em campeonatos gaúchos ocorreram 34 confrontos, com 22 vitórias coloradas, 6 empates e 6 vitórias do Cruzeiro.

Os jogos pelo campeonato gaúcho:

30.07.1961 Internacional 1x0
05.11.1961 Internacional 3x1
29.07.1962 Internacional 2x1
02.09.1962 Internacional 1x0
11.08.1963 Internacional 4x2
01.11.1963 Cruzeiro 2x1
17.05.1964 Internacional 3x2
11.10.1964 Internacional 2x0
29.06.1965 Cruzeiro 2x1
31.10.1965 Internacional 1x0
13.02.1968 Internacional 3x0
07.04.1968 Internacional 1x0
04.05.1968 Cruzeiro 2x1
22.05.1968 Internacional 3x2
06.02.1969 Cruzeiro 2x1
27.04.1969 Internacional 2x0
28.05.1969 empate 0x0
07.12.1969 Internacional 2x0
08.03.1970 Internacional 2x0
01.05.1970 Cruzeiro 1x0
16.08.1970 empate 0x0
23.09.1970 empate 0x0
04.04.1971 empate 1x1
18.07.1971 Internacional 2x0
16.09.1971 Internacional 2x0
02.04.1972 Internacional 2x0
11.06.1972 Internacional 4x0
21.04.1976 Internacional 1x0
03.08.1977 Internacional 2x0
21.08.1977 Internacional 4x0
16.01.2011 Cruzeiro 1x0
19.02.2011 empate 1x1
15.02.2012 Internacional 2x0
17.02.2013 empate 1x1

sábado, 11 de janeiro de 2014

Campeonato Pan-Americano de 1956 - O Rio Grande do Sul conquista as Américas

em pé, da esquerda para a direita: Valdir Joaquim de Moraes, Oreco, Florindo, Odorico, Ênio Rodrigues e Duarte. Agachados: Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho. Foto: arquivo de Valdir Joaquim de Moraes


Em 1946, buscando aproximar as federações de futebol das três Américas, foi criada a Confederação Pan-Americana de Futebol. Na década de 1950, esta entidade criou o Campeonato Pan-Americano de Futebol. Sua primeira edição ocorreu em 1952, no Chile, e o Brasil sagrou-se campeão, tendo os donos da casa como vices.

Em 1955 o México foi escolhido para sediar o segundo campeonato, a ser realizado em fevereiro e março de 1956. Mas logo surgem alguns problemas. Em 18 de agosto de 1955 o Uruguai anuncia que não irá participar da competição, pois o México se recusou a aceitar as exigências econômicas da "Celeste Olímpica". No dia 22 de agosto de 1955 o Brasil anuncia que irá disputar o torneio, com força máxima, e no dia 25 comenta-se que o país pode sediar a terceira edição da competição, prevista para 1960.

No início de novembro de 1955, porém, surgem problemas para a participação do Brasil com sua seleção principal. Os cariocas não queriam ceder atletas, pois estariam envolvidos no 3º turno do campeonato estadual de 1955. Os paulistas, por sua vez, iriam representar o Brasil no Campeonato Sul-Americano extra, a ser disputado no Uruguai, em janeiro e fevereiro de 1956.

Em 2 de dezembro de 1955 a imprensa noticia que o Brasil será representado por uma seleção formada por atletas do Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco. O México, que havia se comprometido em pagar 35 mil dólares para o Brasil e a Argentina participarem do torneio, ameaça cancelar a competição, diante da possibilidade dos dois países enviarem seleções secundárias. Em 3 de dezembro de 1955, Aneron Correa de Oliveira, presidente da Federação Riograndense de Futebol (FRGF, atual FGF) propôs à CBD que o Brasil fosse representado por uma seleção gaúcha. Outra proposta apresentada por Aneron era a de que cada estado selecionado indicasse 5 jogadores para formar a seleção nacional.

Em 13 de dezembro, a CBD responde às pressões mexicanas dizendo que não abre mão de enviar a seleção que considerar mais adequada, e ameaça abandonar a competição, se o México continuar pressionando pela presença de cariocas e paulistas. No mesmo dia, a federação pernambucana indicou 5 jogadores para a seleção: o goleiro Barbosa (Santa Cruz), o zagueiro Caiçara (Náutico), o volante Aldemar (Santa Cruz), o meia-esquerda Soca (Sport) e o ponteiro-esquerdo Dario (América). No dia 15 de dezembro, a Argentina anuncia que enviará ao México uma seleção formada por jogadores que estavam começando a despontar, reforçada por 11 atletas que disputariam o Sul-Americano Extra. Em 17 de dezembro a imprensa brasileira anuncia que era grande a possibilidade da CBD anunciar o Rio Grande do Sul como o representante brasileiro no Campeonato Pan-Americano, em reunião que ocorreria em 20 de dezembro.

Em 20 de dezembro, o Conselho Técnico de Futebol da CBD reuniu-se e decidiu entregar ao Rio Grande do Sul a organização da seleção brasileira que disputaria o Campeonato Pan-Americano. Curiosamente, na mesma reunião foi praticamente abandonada a ideia de se organizar a Taça Brasil, uma competição nacional interclubes, que só surgiria em 1959.

Em 26 de dezembro a CBD voltou a ameaçar abandonar a competição, diante da pressão mexicana. Em 28 de dezembro, em nova reunião do Conselho Técnico, foi confirmada a participação brasileira e o direito do Rio Grande do Sul representar o país.

Em 5 de janeiro foi formada a comissão técnica da seleção brasileira, tendo como técnico Teté (Internacional), como supervisor Saturnino Vanzelotti (Grêmio) e como médico o doutor Derly Monteiro. No mesmo dia, Teté apresentou a primeira convocação, com 46 jogadores, de onde seriam selecionados os 22 que iriam ao México. Os convocados foram:
Renner – Valdir, Bonzo, Paulistinha, Léo, Odi, Pedrinho II, Breno, Juarez, Ênio Andrade e Joeci (10)
Grêmio – Sérgio, Aírton, Figueiró, Calvet, Ênio Rodrigues, Giovani, Juarez, Milton e Hercílio (9)
Internacional – Florindo, Oreco, Odorico, Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho (8)
Floriano – Paulinho, Bino, Hélio, Heitor, Chagas e Raul (6)
Cruzeiro – Amauri, Bruno e Tesourinha II (3)
Nacional – Ortunho e Milton (2)
Força e Luz – Zacarias e Odilon (2)
Aimoré – Amaro e Kim (2)
Pelotas – Joãozinho e Brener (2)
Brasil - Duarte (1) *
Juventude – Lori (1)
*Duarte seria contratado pelo Pelotas antes do torneio.

Em 6 de janeiro a Federação Mexicana pede desculpas ao Brasil, considerando que ocorrera um mal-entendido nas comunicações entre os dois países, e que tinha certeza que o Brasil enviaria uma seleção "capaz de honrar suas tradições". Os mexicanos nem sonhavam em quão certos estavam...

Mas a imprensa do centro do país não concorda com uma seleção gaúcha representando o Brasil. Em 12 de janeiro publica-se notícia de que jogadores cariocas e paulistas reforçariam a seleção gaúcha. Logo, porém, surgiu uma excursão à Europa para a seleção principal, que começaria em 15 de março, antes do fim do Campeonato Pan-Americano.

Em Porto Alegre, continuam os treinos. Em 10 de janeiro de 1956 foram dispensados Paulistinha, por estar cumprindo serviço militar em São Borja, Calvet, por estar doente, e Heitor, que comunicou ter encerrado a carreira. Em 11 de janeiro de 1956 foi convocado Sarará, do Grêmio. No dia 12 de janeiro de 1956 foram dispensados Juarez (Renner) e Milton (Nacional) por falta de condições físicas. Em 18 de janeiro de 1956 pediram dispensa da seleção, por motivos diversos, e foram atendidos, Bino, Hélio, Sinval, Amaro e Kim.

Na preparação, a Seleção disputou alguns amistosos, considerados como jogos-treino nas estatísticas da seleção principal:
26.01.1956 4x0 Aimoré
Gols: Larry (2), Bodinho e Raul
06.02.1956 4x2 Sud América URU
Gols: Bodinho (3) e Larry
10.02.1956 2x2 Coritiba
Gols: Larry e Luizinho

Finalmente, saiu a lista com os 22 convocados para o torneio:
Internacional – Florindo, Oreco, Odorico, Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho (8)
Grêmio – Sérgio, Aírton, Figueiró, Sarará, Ênio Rodrigues (capitão), Juarez, Milton e Hercílio (8)
Renner - Valdir e Ênio Andrade (2)
Floriano - Paulinho e Raul (2)
Nacional - Ortunho (1)
Pelotas - Duarte (1)

Mas em 17 de fevereiro de 1956, com a seleção já em São Paulo, pronta para viajar para o México, os setores descontentes com a representação gaúcha tentam um golpe. Alegaram que a seleção não poderia ter treinador e médico representando-a no exterior, sem diploma superior de educação física. O Ministério da Educação anuncia que não vai autorizar que Teté e Derly Monteiro façam parte da seleção, e especula-se a troca por um técnico do centro do país. No dia seguinte, porém, a delegação brasileira seguiu viagem sem problema.

Ao chegar ao México, os representantes brasileiros não gostaram da tabela elaborada, que colocava o país estreando contra o Chile e encerrando a participação contra a Argentina. Os dirigentes propuseram uma mudança na tabela, estreando contra o Peru e encerrando contra o México, mas não tiveram êxito. A imprensa mexicana, em 24 de fevereiro, critica os brasileiros, dizendo que a batucada que realizavam prejudicava o sossego dos demais hóspedes do hotel onde estava o selecionado. Porém, logo a própria direção do hotel tratou de desmentir as críticas.

Em 29 de fevereiro de 1956 a Costa Rica candidatou-se a sediar o III Campeonato Pan-Americano, em 1960, e o Brasil mudou sua candidatura para o IV Campeonato, em 1964, que acabou não ocorrendo.

No começo do torneio a seleção brasileira não era apontada como favorita ao título.

O Brasil estreou no torneio em 1º de março de 1956, contra o Chile. Havia muita expectativa em relação a essa partida, pois os chilenos estavam com sua seleção principal, que um mês antes havia goleado por 4x1 a seleção brasileira formada por paulistas, no campeonato sul-americano. E logo aos 13' de jogo, Larry faz um excelente passe para Luizinho abrir o placar: 1x0. Aos 22', Juarez e Bodinho tabelam, e Raul conclui para as redes: 2x0. Dois minutos depois o Chile diminui, com Robledo. A seguir, o Brasil limitou-se a gastar o tempo e confirmar a vitória. Afinal, um dia antes sua maior rival, a Argentina, havia empatado com o Peru.
BRA: Sérgio; Florindo e Duarte; Oreco, Odorico e Ênio Rodrigues; Luizinho, Bodinho, Larry (Juarez), Ênio Andrade e Raul.

Na 2ª partida, em 6 de março de 1956, o Brasil enfrentou o Peru, que também estava com sua seleção principal, e havia empatado com a poderosa Argentina na estreia. Mas com um gol de Larry, aos 41' do 1º tempo, o Brasil venceu por 1x0. O peruano Tito Drago foi expulso, após reclamar de um pênalti inexistente. Mais tarde, um jornalista mexicano criou uma intriga entre o técnico brasileiro e o juiz argentino, Alfredo Rossi. Teté declarou em entrevista que o juiz cometeu erros na partida, porém o jornalista publicou que o brasileiro o havia chamado de ladrão. Mas a intriga foi desmascarada, e o técnico brasileiro não sofreu punições.
BRA: Sérgio; Florindo e Duarte; Oreco, Odorico e Ênio Rodrigues (Figueiró); Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Raul.

O 3º jogo do Brasil era contra os donos da casa, no dia 8 de março. E a seleção tinha um desfalque, Ênio Rodrigues, que se lesionara na partida anterior. Teté decidiu improvisar Duarte na lateral-esquerda, passando Oreco para a zaga e colocando Figueiró na lateral-direita. Em campo, o Brasil pressiona. Aos 17' do 1º tempo, confusão na área mexicana. Bodinho chuta, mas o goleiro Gómez defende com os pés. O próprio Bodinho aproveita o rebote e marca: 1x0. No 2º tempo, aos 11', o goleiro Sérgio rebate mal uma bola, com um soco, e ela cai para Del Aquila empatar: 1x1. Mas quando todos esperavam uma pressão mexicana, a Seleção Brasileira mostra calma. Aos 28', Bodinho sofre falta próximo à área. Ênio Andrade cobra e acerta a barreira. A bola sobra para Bodinho, que invade a área, dribla o goleiro Gómez e chuta para o gol vazio. O zagueiro Bravo tenta cortar, mas acaba chutando para as próprias redes. Apesar da bela jogada de Bodinho, o gol foi anotado como contra, de Bravo. A partida teve lances ríspidos. Os mexicanos apelaram para a violência, mas os brasileiros responderam à altura. Após o jogo, o Tribunal Especial do torneio advertiu o mexicano Portugal e o brasileiro Florindo pelo "jogo bruto".
BRA: Sérgio; Florindo e Oreco; Figueiró, Odorico e Duarte; Luizinho, Bodinho, Larry (Juarez), Ênio Andrade e Raul (Chinesinho).


No 4º confronto, o adversário era a Costa Rica, no dia 13 de março. A seleção, que inicialmente era considerada a mais fraca, tinha empatado com o México, vencido o Chile, e assustado a Argentina, pois chegou a estar vencendo por 3x1 (acabou derrotada por 4x3). A seleção brasileira tinha duas alterações: no gol, Valdir substituía Sérgio, lesionado; na ponta-esquerda, Chinesinho entrava no time no lugar de Raul, por opção do técnico. Desde o início o Brasil mostra grande superioridade. Aos 5', Luizinho cobra escanteio, e Larry marca, de cabeça: 1x0. Aos 13', Chinesinho dribla três adversários e marca mais um: 2x0. Aos 39', todo o ataque brasileiro tabela, e Larry amplia: 3x0. O Brasil dava show, comandado por Larry. Aos 7' do 2º tempo, o centroavante colorado voltou a marcar: 4x0. Aos 9', M. Rodríguez descontou para a Costa Rica. Os brasileiros passam a se poupar, pensando na decisão com a Argentina. Mesmo assim, aos 20' Chinesinho tabela com Luizinho e fulmina: 5x1. Aos 30', Bodinho ampliou para 6x1, e aos 33' Chinesinho fechou o placar: 7x1. Uma curiosidade nesta partida: o goleiro costarriquenho Torres foi substituído por Alvarado. Quando a partida já estava 7x1 para o Brasil, Alvarado lesionou-se, e o juiz permitiu que Torres voltasse ao gol da Costa Rica.
BRA: Valdir; Florindo e Oreco; Ênio Rodrigues (Figueiró), Odorico e Duarte; Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho.

Após o jogo do Brasil, México e Argentina se enfrentaram. A partida terminou 0x0, ou melhor, nem terminou. A partir dos 25' do 2º tempo, confusões começam a ocorrer a todo momento entre os atletas, e aos 30' o juiz encerra o jogo, com 4 argentinos e 2 mexicanos expulsos. Com este resultado, bastava um empate contra a Argentina para o Brasil ser campeão. Em caso de derrota, seria disputado um jogo-extra entre as duas seleções. Por outro lado, a campanha brasileira começou a chamar a atenção da imprensa brasileira. Flávio Costa, técnico da seleção principal, que havia declarado, antes de começar o torneio, não existir nenhum jogador gaúcho em condições de ser convocado para a seleção principal, anuncia a convocação da seleção que iria excursionar à Europa com 3 colorados: Oreco, Odorico e Larry. Mesmo assim, o despeito continua. O Conselho Nacional de Desportos (CND) multou a CBD em 10 mil cruzeiros, por ter mantido Teté no comando da seleção, sem diploma de educação física.

E veio a grande decisão, em 18 de março. No estádio Olímpico, a maioria dos mexicanos torcem para a Argentina, apesar da batalha campal da rodada anterior. Os brasileiros começam a partida nervosos, errando passes simples. Os argentinos, mais experientes, tocam a bola tranquilamente. O ponteiro Yudica ignora a marcação de Figueiró, mas os argentinos erram nas conclusões. Aos poucos, o Brasil começa a acalmar-se, e jogar nos contra-ataques. Em um desses lances, Luizinho cruzou, Larry fez um "corta-luz" e Chinesinho aproveitou para abrir o placar: gol colorado e Brasil 1x0! Mas a situação não mudou muito. Os argentinos pareciam mais calmos que os brasileiros. Aos 36', Yudica passeia mais uma vez pela "avenida" Figueiró, e marca o gol de empate: 1x1. No intervalo, Teté mexe no time: coloca Duarte na zaga, e desloca Oreco para a lateral-direita. As mudanças funcionam. Duarte dá conta do recado na zaga, e Oreco anula Yudica. Aos 13', Ênio Andrade cobra falta. Luizinho corre para a bola, mas nem precisa tocá-la para ela chegar às redes: Brasil 2x1! A partir daí, os argentinos perdem a serenidade e partem para a violência e a catimba, com a complacência do juiz chileno Cláudio Vicuña. O juiz ainda deixou de marcar um pênalti claro em Bodinho, derrubado dentro da área quando preparava-se para marcar o 3º gol brasileiro. Aos 40', em flagrante impedimento, Sívori, junto à trave, recebe a bola e empata o jogo: 2x2. A partir daí a partida tornou-se dramática. Os argentinos lançarem-se ao ataque. No Brasil, Larry, Luizinho e Chinesinho recuaram para a intermediária, enquanto Bodinho e Ênio Andrade marcavam na entrada da área brasileira. A garra dos brasileiros liquidou a tentativa de reação argentina. Contra os adversários, o juiz e a torcida, o Brasil, representado pelos gaúchos, foi campeão!
BRA: Valdir; Florindo e Oreco; Figueiró (Duarte), Odorico e Ênio Rodrigues; Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho.


domingo, 29 de dezembro de 2013

O primeiro colorado campeão sul-americano


Muito antes do time comandado por Fernandão conquistar a América, em 2006, um colorado já havia obtido o título de campeão sul-americano. E engana-se quem pensa que estou falando de Tesourinha, campeão sul-americano em 1949.

Em abril e maio de 1941 Buenos Aires sediou o campeonato sul-americano de atletismo. No dia 3 de maio de 1941 o colorado Carlos Eugênio Pinto disputou a final do salto triplo. Campeão gaúcho representando o Internacional, Carlos sagrou-se campeão sul-americano ao saltar 15,10 metros, marca espetacular para a época. Assim, superou o argentino Nestor Tenorio (14,90 metros), o brasileiro Jorge Richard (14,50 metros) e o chileno Hector Forradas (14,10 metros).

A vitória de Carlos Eugênio Pinto ainda foi importante para que o Brasil conquistasse o título sul-americano de atletismo, na contagem geral. O atleta colorado também foi recordista brasileiro de salto triplo.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Clube do Povo!


No dia em que o Sport Club Internacional completava 50 anos de história, o Correio do Povo publicou o seguinte texto:

"Fundado em 1909, quando o futebol recém engatinhava entre nós, por um grupo de idealistas, a quem hoje, diante da obra que empreenderam, já se pode chamar de visionários, dois ou três anos após já gozava de popularidade e prestígio a rivalizarem com os do Grêmio e Porto Alegre, fundados seis anos antes.

Mas o grande surto de progresso surgiu, mesmo, depois de 1920. A cor encarnada representava, naqueles tempos, o símbolo da luta contra o despotismo e a tirania. E, misturando política com futebol, a mocidade aderia, aos borbotões, ao clube que reluzia ao sol, nas tardes de jogos, uma camisa da mais pura cor de sangue.

Desde aí a imensa popularidade do Internacional.

Mas essa popularidade ainda subiria alguns degraus, quando o clube da camisa vermelha se tornasse, em nosso meio, a mais pujante entidade esportiva a lutar contra o preconceito de cor. Ganhou, então, um novo apelido: 'Clube dos Negrinhos' - o qual evoluiu, rapidamente, para 'Clube do Povo', com o qual é conhecido em nossos dias, num justo preito à sua condição de agremiação essencialmente popular, a ter sua grande força nas camadas mais humildes da população gaúcha."

Uns dias antes, na edição de 01.04.1959, o mesmo jornal já havia publicado o discurso de Fernando Schneider, no ato que abriu as comemorações do Cinquentenário colorado. Desse discurso, vale ressaltar:

"(...) é, igualmente, o Internacional do negrinho moleque e maltrapilho e do banqueiro austero e circunspecto, do colono alemão e italiano, trabalhador da serra e das missões, é do gaúcho altaneiro e indomável perdido nas quebradas das coxilhas do Rio Grande, é o Internacional do Charuto e de Ildo Meneghetti - é o Internacional de sempre o Clube do Povo, ontologicamente considerado, como símbolo de uma grande alma coletiva, formada da maior parcela do nosso organismo social (...)"

A foto publicada no início do texto é de Telmo Curcio, copiada do site oficial do Sport Club Internacional.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O fim de uma era

04.12.1949

Há exatos 64 anos Tesourinha disputava sua última partida pelo Internacional. Era o fim de uma era, que havia começado dez anos antes. Nesse período, Tesourinha venceu 8 campeonatos municipais e estaduais, foi eleito o melhor ponteiro-direito da América do Sul, o "Melhoral dos Cracks" do Brasil, e foi campeão sul-americano pela seleção brasileira, além de ser figura certa na Copa do Mundo de 1950.

A partida de despedida foi um tanto melancólica. O Colorado disputou um amistoso com o Santa Cruz, em Santa Cruz do Sul. Com um time recheado de reservas, o Internacional empatou em 1x1. Amaro marcou para o Santa Cruz. Herculano, que entrou no time no lugar de Ghizzoni, fez o gol colorado.

Escalações:
IN: Ewerton; Nena e Ilmo; Vianna, Raul Díaz e Ruaro; Tesourinha, Ghizzoni (Herculano), Adãozinho, Malinho e Brusco
SC: Júlio; Fogareiro e Edi; Tesoura, Bibi e Geraldo; Nico, Nelsinho, Amaro, Joãozinho e Dreher

Dias depois desta partida, Tesourinha foi negociado com o Vasco da Gama. No Rio de Janeiro ganhou títulos, mas uma lesão no joelho o tirou da Copa do Mundo. Em 1952 voltaria ao sul, para tornar-se o primeiro negro a jogar no Grêmio, não sem resistência de sócios e torcedores do clube. Em 1954 transferiu-se para o pequeno Nacional, onde encerrou a carreira em 1957.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Valeu, Zumbi!


20 de novembro de 1695

Ferido e traído por um de seus companheiros, Zumbi foi morto. Se os senhores de escravos assassinavam um líder na luta contra a escravidão, ao mesmo tempo criavam um mito que representaria a luta contra a escravidão e mais ainda, contra o preconceito e o racismo, pós abolição.

Valeu Zumbi!
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a abolição
Zumbi valeu!
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e maracatu
Vem menininha pra dançar o caxambu (bis)
Ôô, ôô, Nega Mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ôô, ôô Clementina
O pagode é o partido popular
sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa Constituição (bis)
Que magia
Reza, ajeum e orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos
seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua (bis)
Nossa sede é nossa sede
e que o "apartheid" se destrua