Orpheu de Carvalho Baís nasceu em Campo Grande, no atual estado do Mato Grosso do Sul, em 1898. Era filho de Bernardo Franco Baís e de Amélia Alexandrina de Carvalho Baís.
Seu pai era italiano, nascido em Luca, em 1861. Em 1879 chegou ao Brasil, fixando-se no arraial de Campo Grande. Tornou-se comerciante, prosperando rapidamente. Em 1890 casou-se com Amélia Alexandrina de Carvalho Baís, filha de um fazendeiro de Coxim. Bernardo tinha 29 anos e Amélia 14. No noivado, dois anos antes, Bernardo presentou a noiva com uma boneca.
Em 1892 começaram a vir os filhos. Orpheu foi o quarto filho do casal. Seu pai era preocupado com a educação dos filhos, tanto meninos como meninas. E assim os irmãos Júlio e Orpheu foram enviados a Canoas, para estudar no tradicional Colégio São José. A escola mantinha uma equipe de futebol, o Canoense, onde provavelmente os irmãos (ou pelo menos Orpheu) devem ter praticado o esporte.
O Canoense era considerado um formador de atletas. Muitos de seus alunos mais tarde atuavam em clubes da capital, enquanto cursavam o ensino superior. Sua equipe visitou Porto Alegre duas vezes, em 1915. No dia 23 de maio bateu o Cruzeiro por 5x2 e no dia 4 de junho perdeu para o Grêmio pelo mesmo placar. Infelizmente a imprensa não divulgou a escalação do Canoense, não sendo possível saber se Baís (como Orpheu ficaria conhecido no futebol) estava em campo. Ele atuava como goleiro. Seja como for, ele ingressaria no Internacional pouco depois.
O goleiro colorado Silla queria encerrar a carreira, pois estava concluindo os estudos. E Baís tomou a posição. Em 1º de agosto de 1915 o goleiro estreava no Internacional, no início do returno do campeonato municipal. Na Chácara dos Eucaliptos o Internacional bateu o Cruzeiro por 4x2. No dia 15 o Colorado bateu o São Paulo por 8x0, também pelo campeonato municipal, cujo título ficou com o Internacional. O goleiro não atuou no amistoso com o Colombo, mas voltou no amistoso contra o Fussball, que comemorava a pacificação do futebol da capital e unificação das ligas. O Colorado venceu por 10x2.
No dia 14 de outubro enfrentou o São Paulo de Rio Grande, em amistoso, e venceu por 6x0, com Baís no gol. Com este resultado o Internacional conquistou a Taça Companhia Predial Paulista. No dia 24, outro amistoso, 8x2 no Cruzeiro. No dia 31, mais um amistoso comemorativo à unificação das ligas. Na Baixada o Internacional enfrentou o Grêmio e venceu por 4x1, primeira vitória colorada no clássico. Baís era o goleiro. Baís se despediu do Internacional em 14 de novembro, em um amistoso em benefício do andarilho uruguaio Marcelo Cáceres. No intervalo da partida o andarilho exibiu-se para a torcida em exercícios de força física. Em um deles um carro lotado passou por cima de seu corpo. Com a bola rolando o Internacional venceu o Frisch Auf por 7x2.
Pelo Internacional, teve os seguintes números:
7 partidas
7 vitórias
9 gols sofridos
Campeão municipal de 1915
No ano seguinte os irmãos rumaram para a Europa, para concluir seus estudos na Suíça e na Inglaterra. Segundo os relatos familiares, eles teriam sido colegas do Príncipe de Gales Eduardo (mais tarde Eduardo VIII).
De regresso ao Brasil, Orpheu voltou para Campo Grande, dedicando-se ao comércio e à sua Fazenda Três Barras, onde passou a residir. Era figura de destaque na sociedade de Campo Grande, sendo atualmente nome de uma rua no bairro Amambaí, próximo ao bairro conhecido como Vila Orfeu Baís (sem o ph e com f).
Orpheu foi assassinado em sua Fazenda Três Barras com um disparo na cabeça, em 10 de outubro de 1946.
Duas curiosidades: o goleiro Baís ficou conhecido na imprensa gaúcha como Baes. Uma de suas irmãs, Lydia Baís, tornou-se uma pintora e desenhista de expressão, além de escritora e compositora.
*Texto produzido a partir de informações descobertas pelo pesquisador Sandro Gomes.
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