João Franco Pontes nasceu em 19 de agosto de 1905, no Rio de Janeiro, filho do general Álvaro Pedreira Pontes, veterano da Guerra de Canudos e do Contestado, e de Rufina de Seixas Franco.
Pontes já aparece ligado aos esportes em 1921. Em julho de 1921 a Liga Metropolitana de Desportos Terrestres, do Rio de Janeiro, organizou uma grande competição atlética. A competição principal seria em 14 de julho, mas em 10 de julho ocorreu uma competição eliminatória, reunindo um grande número de clubes e centenas de atletas. Pontes, então com 15 anos, representou o Sport Club Everest nas provas de salto a distância e salto com vara. Também atuava pela equipe de futebol do Everest, que disputava as divisões inferiores do campeonato carioca.
Em 6 de abril de 1922, Pontes associou-se ao Nacional Atlético Clube. Mas em maio do mesmo ano ele aparece como zagueiro do Colégio Militar e despertando interesse do Botafogo. Mas sua passagem pelo Botafogo foi rápida No início de 1923 foi anunciada sua transferência do Botafogo para o Villa Isabel. No Colégio Militar ele também passou a praticar o hipismo, e venceu uma competição interna em setembro de 1922, montando o cavalo Palhaço. Essa prova foi preliminar ao Campeonato Latino-Americano de Hipismo Em fevereiro de 1923, concluído os estudos no Colégio Militar, ele ingressou na Escola Militar.
Em março de 1923 Pontes foi jogar no Villa Isabel. E logo de início um problema. Em 9 de maio de 1923 o Villa Isabel perdeu os pontos do jogo que venceu o Carioca por 1x0, pois Pontes não estava regularmente inscrito no clube. Mas dias depois o Villa Isabel comprovou que o atleta estava regulamente inscrito e recuperou os pontos. A partida valia pelo campeonato da 2ª divisão do Rio de Janeiro, que acabaria vencido pelo Villa Isabel.
Em 26 de outubro de 1924 a Associação de Cronistas Desportivos do Rio de Janeiro promoveu uma competição de atletismo entre os alunos das escolas superiores da cidade. Pontes defendeu a Escola Militar, na prova de 100 metros rasos e 200 metros rasos, na qual ficou em 3º lugar. No futebol, a liga carioca se dividira. Os grandes clubes, descontentes com o sucesso do Vasco da Gama, que contava com atletas negros, rompeu com a Liga Metropolitana dos Desportos Terrestres e fundou sua própria liga. O Villa Isabel permaneceu na LMTD e foi promovido para a 1ª divisão, ficando em 3º lugar no campeonato. Em novembro a LMTD marcou um jogo entre o Vasco da Gama, campeão, e uma seleção da Liga. Pontes estava entre os convocados para a seleção.
Em março de 1925 Pontes ingressou no Fluminense, oscilando entre o 2º quadro e os reservas imediatos do 1º quadro. Em paralelo às atividades esportivas, Pontes seguia a carreira militar. Em 30 de agosto de 1925 ele venceu uma prova de hipismo da Liga de Sports do Exército, montando o cavalo Realengo. Concluída a Escola Militar, em 15 de janeiro de 1926 ele foi promovido de aspirante a 2º tenente, na arma da Cavalaria, compondo o 1º Regimento de Cavalaria Divisionária. Em janeiro de 1928 foi promovido a 1º tenente. Em outubro de 1927 ele representou o 1º RCD no Concurso Hípico Inter-Estadual, em São Paulo. Pontes venceu a primeira prova, montando o cavalo Japir.
Sua ligação com os cavalos ia além do hipismo. Em novembro de 1926 ele foi um dos juízes de gol em uma partida de pólo entre o Orlândia, campão paulista, e o Gávea, equipe carioca.
Em 30 de março de 1927, Pontes casou com Yolanda Oliveira de Menezes. Em maio de 1928 ele foi transferido para o 3º Regimento de Cavalaria Independente, sediado em São Luiz Gonzaga (RS). Mas acabou ficando em Porto Alegre. No dia 22 de julho de 1928 estreou no Internacional. Pelo campeonato municipal, o Colorado enfrentou o Cruzeiro, no Caminho do Meio, e perdeu por 3x2. No dia 29, em seu segundo jogo, o Internacional venceu o São José por 6x2, na Chácara dos Eucaliptos.
No dia 5 de agosto, na Bela Vista, o Internacional venceu o Ruy Barbosa por 3x2. Mas no dia seguinte, uma notícia triste: Rufina, sua mãe, faleceu no Rio de Janeiro. O atleta foi dispensando da partida seguinte, um amistoso em Guaíba.
No dia 19 de agosto Pontes voltava a campo, em uma partida contra o Americano, na Rua Larga. A temporada de 1928 estava sendo difícil para o Internacional, corroído por disputas internas entre os defensores de um amadorismo puro e os que já viam o profissionalismo no horizonte. O Americano, por sua vez, estava com a melhor equipe da sua história (seria bicampeão em 1928 e 1929). O clube grená venceu por 2x0, mas a partida entrou para a história colorada pela estreia de Dirceu Alves, o primeiro atleta reconhecidamente negro a jogar no Internacional.
Em 26 de agosto, o Gre-Nal, disputado na Baixada. O Grêmio abriu 2x0, mas o Colorado empatou. O Internacional chegou a marcar um terceiro gol, anulado pelo juiz sob alegação de toque de mão de Miro, autor do gol. Segundo o jornal A Federação, a infração não existiu. O mesmo jornal afirmou que o segundo gol gremista foi marcado em impedimento, não marcado pelo árbitro Alfredo Melecchi. O Correio do Povo afirmou que o Internacional foi amplamente superior, descrevendo o resultad como "injusto, injustíssimo mesmo". O goleiro colorado Bard fez seis defesas, contra 21 de Moeller, arqueiro gremista.
No dia 2 de setembro, na Chácara dos Eucaliptos, o Internacional bateu o Concórdia por 7x0, com Pontes em campo. No dia 7, no mesmo local, bateu o Ypiranga por 4x1. Mas no dia 9, na Chácara das Camélias, o Coloradoi foi abatido pelo Porto Alegre por 5x0.
No dia 16 de setembro o Internacional enfrentou o Cruzeiro, na Chácara dos Eucaliptos. Sem chances de chegar ao título, o Colorado pretendia estrear o goleiro Bagre, recém contratado junto ao São José. Como já havia atuado pelo Zequinha no campeonato, não poderia defender o Internacional na competição. Assim o Colorado entregou os pontos ao Cruzeiro e disputou um amistoso com o clube, vencendo por 3x2.
O Internacional só voltaria a campo em 15 de novembro, em um amistoso com o São Paulo de Rio Grande, na Chácara dos Eucaliptos. Vitória colorada por 5x0. E pela primeira vez Pontes não formou a dupla de zaga com Grant, jogando ao lado de Mabília. Em 18 de novembro, ainda ao lado de Mabília, Pontes viu o Colorado ser derrotado pelo Grêmio, em amistoso, 2x0.
Em 25 de novembro de 1928 realizou-se um amistoso entre a equipe de pólo das guarnições de Alegrete e Porto Alegre. Pontes defendeu a equipe de Porto Alegre, que foi derrotada por 3x2. A partida ocorreu no campo da Redenção, em Porto Alegre.
Na abertura da temporada de 1929, o Internacional enfrentou o Americano em um amistoso, no dia 24 de março. O jogo terminou 4x4 e Pontes atuou ao lado de Ulderico. A partida ocorreu na Chácara das Camélias, onde uma semana depois o Colorado venceu o Porto Alegre por 4x1, em outro amistoso. Ainda na Chácara das Camélias, no dia 7 de abril, o Internacional perdeu para o Cruzeiro por 2x1.
Pontes não jogou a partida seguinte, um amistoso com o Novo Hamburgo, mas estava em campo em 5 de maio, na Baixada, quando o Internacional perdeu para o Pelotas por 2x0. Seu antigo companheiro de zaga, Grant, estava no Pelotas. E ao lado dele atuou Risada, que fazia sua segunda partida pelo Colorado. Risada defenderia o Internacional até encerrar sua carreira, em 1942.
Em 1929 o futebol porto-alegrense dividiu-se. A dupla Gre-Nal abandonou a Associação Porto-Alegrene de Desportos (APAD) e fundou a Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Atléticos (AMGEA). A Federação Rio Grandense de Desportos (FRGD), filiada à Confederação Brasileira de Desportos (CBD), não reconheceu a AMGEA, desfiliando seus associados.
Na abertura do campeonato, em 12 de maio, o Internacional venceu o Bancário por 4x0, com Pontes e Risada formando a zaga. Na zaga do Bancário estava Vicente Rao, histórico nome ligado ao Colorado e conhecido como seu "Torcedor nº 1".
Em 26 de maio, na Chácara dos Eucaliptos, ocorreu o Gre-Nal em disputa da Taça Reivindicação. O clássico homenageou tb Bila Ortiz, Miss Riogrande do Sul e Rainha dos Acadêmicos de 1929, e Carmen Annes Dias, Rainha dos Acadêmicos de 1928. O Grêmio venceu por 2x1, e essa foi a última partida de Pontes pelo Internacional. Aparentemente o militar voltou para São Luiz Gonzaga.
No início de 1930, ao voltar ao Rio de Janeiro, Pontes ingressou no Fluminense. O clube carioca alegou que o vínculo de Pontes com o Internacional não tinha valor, pois o clube estava desfiliado da FRGD.
Mas a passagem de Pontes pelo Fluminense foi curta, atuando apenas pelo 2º quadro. Logo ele foi destacado para servir no 2º Regimento de Cavalaria Divisionária (2º RCD), em Pirassununga (SP) e ainda em 1930 foi transferido para o 3º RCD, em Castro (PR).
Em 1935 Pontes fez parte da delegação de cadetes que acompanhou Getúlio Vargas em sua viagem ao Prata.
Em agosto de 1941 Pontes ingressou no curso da Escola de Estado Maior. No mesmo ano atuava como árbitro em jogos de pólo. Continuando como atleta de hipismo, em 1942 participou de uma competição no Chile. Nessa época já estava no posto de capitão e servia na Diretoria de Cavalaria, no Rio de Janeiro. Em maio, após sair da Diretporia de Cavalaria, foi designado ao 5º Regimento de Cavalaria Independente, com sede em Uruguaiana. Mas em junho voltou ao 3º RCI, de São Luiz Gonzaga. Mas ainsa em junho ele foi desiginado como instrutor de cavalaria na Escola Militar, no Rio de Janeiro.
Em outubro de 1942 foi promovido a coronel.
Em maio de 1948, o então Major João Pontes participou das provas eliminatórias para formar a equipe brasileira de hipismo que iria participar das Olimpíadas daquele ano, em Londres. No início de julho a equipe já estava formada, e Pontes fazia parte dela. Seu cavalo na Olimpíada foi o Itaguaí.
Em junho de 1950, Pontes fez parte da delegação de hipismo brasileira que foi competir no Peru. Em março de 1951, novamente no Chile, Pontes venceu a prova de hipismo "Ministro da Guerra".
Em 1952, novamente Pontes formou a equipe basileira de hipismo que foi às Olimpíadas de Helsinque. Durante a viagem até a Finlândia, a equipe venceu a Prova das Nações, na Itália, e o Concurso Internacional de Vichy, na França. Pontes foi o chefe da delegação de hipismo brasileira.
Nos anos 1950, Pontes compôs o Departamento de Desportos do Exército. Participou de várias competições, cavalgando Dandy.
Em 1957 o coronel Pontes era o comandante do CPOR de São Paulo, cargo que manteve pelo menos até 1960.
Em 5 de fevereiro de 1963, o general de divisão João Franco Pontes assumiu o comando da Força Pública do Estado de São Paulo, passando a ser seu comandante-geral.
Em 10 de outubro de 1965 foi disputada a prova de hipismo General João Franco Pontes, em São Paulo. Poucos dias depois falava-se da demissão do general do comando da Força Pública, por discordar da intenção do governo federal interferir nas polícias estaduais. Mas aparentemente a discodância foi superada, pois em janeiro de 1966 ele continuava no comando-geral da força, cargo que manteve pelo menos até 1970.
Em agosto de 1974 foi reformado no posto de general de divisão.
Pontes faleceu em São Paulo, em 19 de outubro, de 1986.
* Texto escrito a partir de informações conseguidas pelo pesquisador Sandro Gomes.
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