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domingo, 11 de julho de 2021

CRAQUE - Jair


Jair Gonçalves Prates nasceu em Porto Alegre, em 11 de julho de 1953. Era filho de Laerte III, centromédio que jogou no Cruzeiro de Porto Alegre, no Vasco da Gama e no futebol colombiano e venezuelano.

Após largar o futebol, Laerte III passou a residir em Porto Alegre, e Jair foi treinar nas categorias de base do Internacional. Pela base colorada Jair foi vice-campeão da Taça São Paulo em 1972 e campeão em 1974.

O ano de 1974 marcou sua subida para o grupo profissional, embora tenha atuado em apenas quatro partidas, todas amistosas. Sua estreia ocorreu em 23 de junho de 1974, um empate em 1x1 com o Encantado, em amistoso jogado no interior. Jair entrou no time durante a partida, substituindo João Ribeiro. Seu primeiro gol ocorreu em 30 de outubro, na sua terceira partida, primeira em que começou como titular. O Internacional venceu o Guarany de Garibaldi por 4x0, e Jair marcou o 2º gol colorado.

Em 1975 Jair torna-se o 12º atleta. Embora na maioria das vezes começasse as partidas no banco, costumava entrar no time com frequência. Excursionou com o clube à Europa, marcando o gol que deu a vitória sobre o Cesena, na Itália. Começou atuando em várias partidas do campeonato estadual, mas não atuou na reta final. Mesmo assim participou da conquista do hepta gaúcho. No campeonato brasileiro voltou a atuar pela equipe, entrando em várias partidas, inclusive na final, quando substituiu Valdomiro nos minutos finais.

Em 1976 Jair tornou-se mais constante na equipe. Com a lesão de Paulo César Carpegiani, ganhou a titularidade. A chegada de Dario o empurrou para o banco, mas quase sempre atuava de titular, substituindo alguém do trio de meio campo (Caçapava, Batista e Falcão), seja por lesão ou suspensão. Nessa época, Dario, o "Rei Dadá", o apelidou de "Príncipe Jajá".

Em 18 de agosto de 1976 ocorreu o Gre-Nal que decidiu o 3º turno do campeonato gaúcho, no Olímpico. O vencedor chegaria na final em vantagem, pois cada clube havia conquistado um turno. O Grêmio vencia o jogo até os 45' do 2º tempo, quando Jair cobrou escanteio e Escurinho cabeceou para as redes. Com o empate o Colorado venceu o turno. Quatro dias depois, no Beira-Rio, com Jair em campo, o Internacional venceu o Grêmio por 2x0 e conquistou o octa gaúcho.

No campeonato brasileiro, Jair já começou marcando nos dois primeiros jogos, contra Figueirense (6x0) e Grêmio (3x1), Voltaria a marcar contra a Desportiva (4x1), Rio Branco (3x0), Goiás (3x0), Botafogo SP (4x1), Santa Cruz (5x1) e Ponte Preta (2x0). Jogou a maioria das partidas do campeonato, mas ficou de fora da final, contra o Corinthians.

O ano de 1977 foi de grandes mudanças no clube. A equipe que encantou o Brasil entre 1974 e 1976 foi se desmanchando, novo atletas chegando, muitos sem conseguirem se firmar. O Internacional perdeu as três competições que disputou (Campeonato Gaúcho, Taça Libertadores e Campeonato Brasileiro), mas Jair esteve presente nas três. Na partida contra o El Nacional, pela Taça Libertadores, em 13 de abril, trocou socos com Escalante, sendo expulso junto com o adversário.

Em 1978 o Internacional começou a temporada desacreditado. Mas logo em fevereiro venceu o Torneio Triangular Cidade de Viña del Mar, batendo Colo Colo e Everton. Os tropeços nos amistosos seguintes, porém, causaram a demissão do técnico Carlos Gainete e pareciam confirmar um ano igual ou pior ao de 1977. Mas Cláudio Duarte assumiu o time e a situação mudou. No campeonato brasileiro o Colorado fez uma campanha surpreendente, vencendo oito partidas consecutivas e chegando à semifinal, quando foi batido pelo Palmeiras. Jair marcou gols em sete partidas do campeonato, com destaque para o jogo contra o Juventude, onde fez três dos quatro gols colorados. No campeonato gaúcho, o Grêmio de Telê Santana era o favorito, mas o Internacional chegou na última rodada do Hexagonal Final empatado em pontos com o rival. No clássico no Beira-Rio o time esteve vencendo por 2x0, conquistando a taça, mas cedeu o empate. Assim, um clássico extra teve que ser disputado, no Olímpico. Toda a expectativa era de um título gremista. Mas até os 40' do 2º tempo a partida seguia empatada, 1x1. Aos 41', porém, Jair cruzou da direita. na cabeça de Valdomiro, que marcou o gol da vitória e do título.

A temporada de 1979 não começou promissora. O Internacional ficou em 3º lugar no campeonato gaúcho, atrás de Grêmio e Esportivo. Jair, entretanto, marcou 24 gols no campeonato, tornando-se artilheiro e recordista de gols no gaúcho. No campeonato brasileiro, comandado por Ênio Andrade, o Internacional foi espetacular. No 3º jogo, o Colorado bateu o Figueirense por 1x0, gol de Jair, cobrando falta. No jogo seguinte, clássico Gre-Nal, aos 43' do 2º tempo Falcão cobrou falta rolando a bola para o lado. jair mandou uma bomba e venceu o goleiro Manga, marcando o único gol do jogo. Jari estava com o pé calibrado naquele campeonato brasileiro. Contra o Sport (3x0), Jair marcou de falta e pênalti. Contra o Coritiba (3x0), mais dois gols, um deles de falta. Contra o Rio Branco (5x1), mais um gol de pênalti, feito repetido contra o São Paulo de Rio Grande (3x1). Na semifinal contra o Palmeiras, Jair marcou um dos gols da grande vitória colorada por 3x2, em São Paulo. Também marcaria no jogo da volta, 1x1, em Porto Alegre. E no jogo do título, Jair abriu a festa colorada, driblando Leão e fazendo o primeiro gol do jogo, na vitória de 2x1 sobre o Vasco da Gama.

Em 1980 o Colorado começou o ano como um dos favoritos ao campeonato brasileiro e Taça Libertadores. Na estreia na competição sul-americana, no Maracanã, o Internacional foi superior ao Vasco, mas deixou a vitória escapar quando Jair cobrou um pênalti para fora. Por outro lado, dias depois o Colorado bateu o Bahia por 5x0, pelo campeonato brasileiro, e Jair fez três gols. Novamente contra o Vasco, no Beira-Rio, Jair abriu o placar da virória por 2x1. Marcaria também contra o Deportivo Galicia. Com a lesão de Bira, o Internacional sofreu com a falta de gols na reta final da Libertadores, perdendo o título para o Nacional do Uruguai. No jogo decisivo, aos 41' do 2º tempo Jair cabeceou para uma defesa milagrosa de Rodolfo Rodríguez. Se marcasse o gol, provocaria um jogo-extra para decidir a Libertadores. No campeonato gaúcho, apesar de não perder nenhum dos quatro Gre-Nais, os tropeços contra clubes do interior tiraram o título do Colorado.

Em 1981 a gestão Asmuz aprofundou a crise colorada. Falcão havia saído no 2º semestre de 1980, Ênio Andrade não teve seu contrato renovado para 1981, e Batista quebrou a perna em uma partida na qual jogou apenas por determinação do presidente, pois o técnico Cláudio Duarte não pretendia escalá-lo. Depois de eliminado pelo campeonato brasileiro, Jair foi envolvido em uma confusa negociação com o Cruzeiro, na qual o clube mineiro começou oferecendo três atletas por dois jogadores colorados e acabou levando três e mandando só dois.

De Minas, Jair foi para o Peñarol, em 1982, Sagrou-se campeão uruguaio, da Taça Libertadores e da Copa Intercontinental. Antes da partida contra o Aston Villa, pela Copa Intercontinental, Jair avisou aos seus companheiros que se ganhasse o prêmio de melhor em campo, não dividiria com ninguém. O Peñrol venceu por 2x0, Jair marcou um gol e foi escolhido o craque do jogo. O atleta brasileiro já contava com o ciúmes de Morena, ídolo da torcida e que não gostava de dividir a afeição da torcida com Jair. Ao não dividir o prêmio, desgastou-se com os demais jogadores e foi afastado do grupo. Passou toda a temporada de 1983 e parte de 1984 sem jogar.

Em 13 de abril de 1984, com passe livre e treinando no Vasco da Gama para manter a forma, Jair foi anunciado como reforço do Internacional, com um contrato de três meses. Ele reestreou no Internacional em 28 de abril, na vitória colorada por 1x0 sobre o Cruzeiro, em disputa do Torneio Heleno Nunes. No jogo que daria o título colorado no torneio, em 17 de maio, Jair abriu o placar na vitória de 2x1 sobre o Santa Cruz, cobrando falta. Jair ainda participou da excursão colorada à Ásia, onde foi campeão da Copa Kirin, marcando um gol na vitória sobre o Toulouse. Mas na época, jogador de 30 anos já era considerado velho. E tendo ficado mais de ano parado, Jair não conseguia ter o mesmo rendimento físico, embora continuasse habilidoso. Em 13 de junho de 1984 o Internacional bateu a Seleção de Hong Kong por 5x0 e Jair fez sua última partida pelo clube.

Após encerrar o contrato com o Internacional, Jair ficou um tempo sem clube, até ser convidado por Cláudio Duarte para disputar o campeonato paulista pelo Juventus. Em 1985 foi jogar no Barcelona de Guayaquil, sagrando-se campeão equatoriano. Em 1986 jogou no ABC e depois transferiu-se para o Huracán Buceo, de Montevidéu. Em 1988 voltou ao Brasil para defender o Vitória. Depois ainda jogou no Juventude (1988/1989), Lajeadense (1990) e novamente Huracán Buceo (1991/1992), onde encerrou a carreira.

Seus números no Internacional:
376 partidas
235 vitórias
87 empates
54 derrotas
118 gols
Campeão Brasileiro em 1975, 1976 e 1979
Campeão Gaúcho em 1975, 1976 e 1978
Campeão do Torneio Heleno Nunes em 1984
Campeão do Torneio Triangular de Viña del Mar em 1978
Campeão da Copa Kirin em 1984

Suas vítimas:
Juventude - 8 gols
Caxias e Esportivo - 7 gols
Novo Hamburgo - 6 gols
Grêmio, Internacional SM e São Borja - 5 gols
Santo Ângelo - 4 gols
Seleção do Chile, Vasco da Gama, Bahia, Santa Cruz PE, Ponte Preta e Cachoeira - 3 gols
Palmeiras, Coritiba, Atlético GO, Sport, Londrina, Athlético PR, Rio Branco ES, Figueirense, Guarany de Bagé, São Luiz, Atlético de Carazinho, 14 de Julho PF, Bagé, Farroupilha, Gaúcho e São Paulo RG - 2 gols
Cesena ITA, Deportivo Galicia VEN, CSKA BUL, MAS MAR, Toulouse FRA, Desportiva, Goiás, Botafogo SP, Joinville, Colorado, Mixto, Botafogo PB, Guarany de Garibaldi, Riograndense RG, Internacional SB, Cruzeiro de Porto Alegre, Estrela, Avenida, Riograndense SM, Pelotas e Brasil de Pelotas - 1 gol

quinta-feira, 8 de julho de 2021

As piores sequências coloradas no Beira-Rio


Hoje, com a derrota para o São Paulo, o Internacional igualou sua pior sequência sem vitória no Beira-Rio, 8 jogos. A sequência anterior ocorreu em 1983. A seguir, as duas sequências negativas.


1983
10/07/1983 0x0 Internacional SM - Campeonato Gaúcho - Técnico: Dino Sani
20/07/1983 0x1 Esportivo - Campeonato Gaúcho - Técnico: Dino Sani
26/07/1983 0x0 Caxias - Campeonato Gaúcho - Técnico: Dino Sani
28/07/1983 0x1 Brasil - Campeonato Gaúcho - Técnico: Dino Sani
07/09/1983 0x0 São Borja - Campeonato Gaúcho - Técnico: Dino Sani
11/08/1983 0x0 Bagé - Campeonato Gaúcho - Técnico: Dino Sani
27/09/1983 1x1 Novo Hamburgo - Campeonato Gaúcho - Técnico: Dino Sani
02/10/1983 1x1 Grêmio - Campeonato Gaúcho - Técnico: Dino Sani

Nos jogos de julho, fora do Beira-Rio o Internacional disputou duas partidas, vencendo Novo Hamburgo e Grêmio. Em agosto, excursionou pela América do Norte e Europa, somando 5 vitórias, 4 empates e duas derrotas. Na volta, pelo Gauchão, antes de voltar a vencer em casa, venceu 3 partidas fora, empatou 3 e perdeu uma.

2021
16/05/2021 1x2 Grêmio - Campeonato Gaúcho - Técnico: Miguel Ángel Ramírez
26/05/2021 0x0 Always Ready - Taça Libertadores da América - Técnico: Miguel Ángel Ramírez
30/05/2021 2x2 Sport - Campeonato Brasileiro - Técnico: Miguel Ángel Ramírez
10/06/2021 1x3 Vitória - Copa do Brasil - Técnico: Martín Rodrigo Anselmi
16/06/2021 0x1 Atlético MG - Campeonato Brasileiro - Técnico: Osmar Loss
20/06/2021 1x1 Ceará - Campeonato Brasileiro - Técnico: Osmar Loss
30/06/2021 1x2 Palmeiras - Campeonato Brasileiro - Técnico: Diego Aguirre
07/07/2021 0x2 São Paulo - Campeonato Brasileiro - Técnico: Diego Aguirre

Nesse intervalo de tempo, fora de casa, Miguel Ángel Ramírez venceu duas partidas, empatou uma e perdeu uma. Osmar Loss venceu uma, e Diego Aguirre venceu uma e empatou outra.

domingo, 4 de julho de 2021

Sport Club Americano


O Sport Club Americano foi fundado em 4 de julho de 1912, por iniciativa de Jacinto Losano, João Ray, Bernardo Serrano, Erwin Siegmann, João Siegmann, Paulo Manchon, Manoel Manchon, André Ibañez, Reynaldo Preuss, Honório Ouriques e Napoleão Salatino, com a denominação de Hispano-Americano. Mas em 25 de agosto de 1912 o clube já aparece citado apenas como Americano. Nesse dia, em sua provável primeira partida, venceu o Botafogo por 5x1.

O clube passou seus primeiros tempos disputando apenas amistosos, inclusive jogos intermunicipais, ao atuar contra Novo Hamburgo e Canoense. Em 1914, após a cisão ocorrida em 1913 na liga oficial, o Americano foi convidado, juntamente com o Cruzeiro, a ingressar na Liga de Foot-Ball Porto Alegrense. Mas em julho, o Americano e o Frisch Auf romperam com a Liga e, junto ao Grêmio e Fussball, organizavam a Associação de Foot-Ball Porto Alegrense. Em 1915 o Americano continuou na liga dissidente.

Em 1916, com a unificação do futebol da capital, foi fundada a Federação Sportiva Riograndense (FSR), e o Americano ficou na 2ª Divisão. No início de 1917 o Grêmio abandonou a FSR e o Americano o substituiu na 1ª divisão. No final de 1917 a FSR foi extinta e criada a Associação Porto Alegrense de Desportos (APAD). O Americano não foi aceito na APAD. Assim, o clube participou da fundação da Federação Porto Alegrense de Foot-Ball (FPAFB), em 1918.

Em 1921, a FPAFB transformou-se na Associação Porto Alegrense de Foot-Ball, com o ingresso do Grêmio, que abandonou a APAD. Mas no meio da temporada o Americano abandonou a entidade e filiou-se à Associação Porto Alegrense de Desportos. Seu campo, na época, ficava na Rua Felipe Camarão.

Em 1923 o futebol da capital foi unificado e em 1924 reorganizado, com a formação de duas divisões, cada uma com duas séries. O Americano ficou na divisão e série principais. Também mudou de campo, passando a jogar na Bela Vista. Com um time base formado por Fonseca; Heitor e Souza; Damião Pavani, Hugo Ghizzoni e Lary; Turco, Fernando, Nalério, Ruiz e Costa, o Americano surpreendeu a dupla Gre-Nal e chegou ao título invicto, com a seguinte campanha:

1º turno
3x3 Cruzeiro
3x1 Grêmio
1x1 Porto Alegre
2x1 Internacional
1x1 São José
2º turno
2x0 Cruzeiro
1x1 Grêmio
2x0 Porto Alegre
1x1 Internacional
1x1 São José

Para infelicidade do Americano, o campeonato estadual não foi disputado nesse ano, devido aos conflitos armados que sacudiam o estado desde o ano anterior.

Em 16 de setembro de 1925 foi lavrada, no cartório de Zeferino Ribeiro, a escritura de compra do novo campo do Americano, situado na Rua Larga, próximo à Azenha. O terreno fora adquirido por intermédio de um grupo de sócios. Seu novo campo foi inaugurado em 14 de março de 1926, na partida Casados 2x2 Solteiros, mas a inauguração oficial ocorreria em 25 de abril de 1926, quando perdeu por 3x0 para o Internacional.

Em 1927 o Americano voltou a fazer uma campanha de destaque, ficando com o vice-campeonato, atrás apenas do Internacional. Em 1928, com um time base formado por Alegrete; Heitor e Luiz Luz; Di Lorenzi, Barulho e Nalério; Fernando, Totte, Hugo Ghizzoni, João Ghizzoni e Lourival, voltou a conquistar o título da capital. Contra o Internacional, duas vitórias: 4x2 e 2x0. Contra o Grêmio, um empate (2x2) e uma vitória por 2x1, no jogo em que conquistou o título. Como campeão da capital foi disputar o título estadual, vencendo Itapuí (8x3), Gaúcho (6x2) e Bagé (3x0).

Em abril de 1929 a dupla Gre-Nal abandonou a APAD e fundou a Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Atléticos (AMGEA). Em maio o Americano aderiu à nova entidade, vencendo seu primeiro campeonato. No 1º turno o Americano foi arrasador, derrotando o Grêmio e o Internacional pelo mesmo placar: 3x2. No 2º turno foi derrotado por Grêmio (2x4) e Internacional (4x6), mas conseguiu manter-se na liderança até o final. Seu time base, até a linha média, era quase o mesmo do ano anterior, com a exceção dos ingressos de Vasco e Zezé Dinarte, nos lugares de Barulho e Nalério. Na linha de frente, porém, muitos atletas atuaram durante a temporada. João Ghizzoni foi titular na maioria dos jogos, tendo diversos companheiros: Ferreira, Totte, Fagundes, Walter Costa, Campão, Artigas, Horácio, etc. Como a APAD manteve o vínculo com a Federação Rio Grandense de Desportos, o Americano ficou de fora do campeonato estadual.

Em 1934 o Americano cedeu Luiz Luz para a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo na Itália. Foi a primeira vez que um clube gaúcho teve um jogador convocado para o Mundial. Entre 1933 e 1935 contou em seus quadros com Sylvio Pirillo, que depois seria um dos grandes centroavantes de Internacional, Peñarol, Flamengo e Botafogo. O Americano ainda venceria o Torneio Início de 1935, mas estava começando o seu período final.

Em 12 de outubro de 1935, o Americano assinou um acordo com a Federação de Estudantes Universitários de Porto Alegre, tornando-se Americano-Universitário. Pelo acordo, o clube passaria a ser representado, em todos os esportes, por universitários, e na falta destes, por alunos de outros segmentos, escolhidos pela Federação.


Em 1937 a dupla Gre-Nal aderiu ao profissionalismo. São José, Cruzeiro e Força e Luz seguiram a dupla, mas Americano e Porto Alegre mantiveram-se fiéis ao amadorismo e à FRGD. Assim surgiu a AMGEA "cebedense" (amadora), com Americano, Porto Alegre, Renner, Villa Nova e Novo Hamburgo. O campeonato foi disputado em Fórmula Fraga (campeão do 1º turno x campeão do 2º turno). O Americano perdeu todas as partidas do 1º turno, mas no 2º turno empatou com Villa Nova e Renner, vencendo o Porto Alegre e o Novo Hamburgo. Vencedor do 2º turno, enfrentaria o Novo Hamburgo em uma melhor de três partidas. Mas foi derrotado nas duas primeiras, ambas por 3x2, e teve de se contentar com o vice-campeonato. Em 1938 o Americano aderiu à liga profissional, mas ficou fora do campeonato, que só podia contar com cinco clubes.

Com a unificação das ligas, em 1939, foi disputado o campeonato relâmpago, com onze equipes e em turno único, para classificar os clubes das séries A e B. O Americano classificou-se em 5º lugar e conquistou a última vaga na Série A. Contudo, o clube já estava em franca decadência, e foi rebaixado para a Série B.

O ano de 1940 marcou o auge da crise do clube. Em 23 de abril de 1940 o presidente Delmar Araújo Ribeiro renunciou ao cargo. O Americano abandonou o campeonato da Série B de 1940 durante o segundo turno (o campeonato teve três turnos). Seu 1º vice-presidente havia se ausentado da cidade por um prazo maior que a licença concedida pela AMGEA e foi cassado pela liga. O clube não voltaria a disputar competições oficiais. Em 1945 já era citado em uma matéria do Correio do Povo sobre clubes extintos.

Confrontos Internacional x Americano:
48 partidas
33 vitórias do Internacional
5 empates
10 vitórias do Americano
181 gols do Internacional
78 gols do Americano

Maior vitória colorada: 24/05/1914 Internacional 15x2
Maior vitória do Americano: 13/05/1928 Americano 7x2

Alguns atletas que defenderam Internacional e Americano:
Dirceu Alves, Hugo Ghizzoni, João Ghizzoni, Lourival, Russinho, Sylvio Pirillo, Miro Zanini e Zezé Dinarte.

Nossos títulos - Campeonato Gaúcho de 2003


Em 2003 o futebol brasileiro passou por grandes transformações. O campeonato nacional passou a ser disputado por pontos corridos, em dois turnos. Com a necessidade de mais datas para o campeonato brasileiro, alguns estaduais passaram por modificações. O campeonato gaúcho, disputado por 18 clubes, teve um regulamento exótico. As duplas Gre-Nal e Ca-Ju disputariam um quadrangular, classificando os dois primeiros para a semifinal do estadual. Internacional, Grêmio e Juventude estavam na Série A do campeonato brasileiro e Caxias na Série B. Os demais 14 clubes jogariam uma fase classificatória em dois turnos. Os dois primeiros iriam para a semifinal e os dois últimos seriam rebaixados.

Internacional 1x1 Juventude
O Internacional estreou no campeonato gaúcho em 3 de fevereiro de 2003, uma segunda-feira à noite, enfrentando o Juventude, em casa. O time de Muricy não fez uma grande apresentação. Após abrir o placar aos 24' do 1º tempo, com Flávio, recuou e deu espaço ao Juventude. De tanto insistir, o clube alvi-verde chegou ao empate aos 16' do 2º tempo, através de uma cobrança de pênalti de Marcelo Costa. Tentando reverter o quadro, Muricy colocou Diego no ataque e Geninho na contenção, mas o Colorado continuou apático e ameaçou somente quando acertou a trave do Juventude, aos 30', em um chute de André Cruz. Mas como Caxias e Grêmio haviam ficado no 0x0, Inter e Ju começaram o campeonato liderando.

Internacional 2x1 Grêmio
O jogo seguinte preocupava a torcida colorada. O Internacional não vencia um clássico a 13 jogos e a partida seria no Olímpico, contra o badalado time treinado por Tite. E o Grêmio iniciou o clássico avassalador. O Internacional parecia engessado. Só assistia ao adversário jogar. Aos 35', Ânderson Polga lançou Luís Mário nas costas de Vinícius. O atacante gremista invadiu a área e abriu o placar. No 2º tempo, quando se esperava um novo passeio tricolor, a situação foi bem diferente. Cleiton Xavier saiu do banco para ressuscitar o Internacional, ao substituir Flávio, no intervalo. Comandado pelo meia, o Internacional controlou o jogo e o jovem Daniel Carvalho, de apenas 19 anos, pode infernizar a defesa gremista e levar o Colorado à vitória. Aos 22', Daniel Carvalho cobrou escanteio e Vinícius cabeceou para as redes, empatando o jogo. Aos 40', quando tudo parecia indicar um empate no clássico, Diego invadiu a área e passou para Daniel Carvalho, que mesmo marcado por cinco adversários conseguiu marcar o gol da virada.

Internacional 1x3 Caxias
Mas a tranquilidade obtida com a vitória no Gre-Nal se desfez no sábado seguinte. No Centenário o Internacional foi batido pelo Caxias por 3x1, perdendo a liderança para seu adversário. Os gols foram marcados por Lê 12' e Jéfferson Feijão 35' do 1º; Lê 15' e Janílson 45' do 2º. Sangaletti e Ítalo foram expulsos aos 32' do 2º tempo, por se agredirem.

Internacional 1x0 Caxias
No returno o Internacional começou enfrentando o Caxias, novamente, agora no Beira-Rio. O Colorado começou o jogo em altíssimo ritmo, marcando bem o Caxias e saindo para o ataque em velocidade. Apesar do domínio, a boa atuação não resultou em oportunidades de gol. As poucas chances foram oriundas de chutes de longe. Depois dos 25', porém, o Caxias foi equilibrando a partida e conseguiu criar algumas chances de gol através de contra-ataques nas costas dos alas Valdir e Ismael. Aos 12' do 2º tempo, Clemer cometeu pênalti em Helinho. Matteus cobrou forte mas Clemer defendeu o pênalti. Aos 40', o mesmo Matteus cometeu pênalti em Daniel Carvalho. André cobrou e fez o único gol do jogo.

Internacional 1x0 Grêmio
O jogo seguinte era o Gre-Nal, no Beira-Rio, contra um Grêmio desesperado, que precisava vencer para continuar sonhando com o título. Clemer sentiu uma lesão, momentos antes da partida, e foi substituído por Luiz Muller. Os gremistas Tinga, Rodrigo Fabri e Claudiomiro estavam suspensos automaticamente, mas o TJD descumpriu o regulamento, os julgou antes da partida e absolveu-os. Num jogo onde a garra prevalecia sobre a técnica, Diego foi o diferencial. Logo nos primeiros minutos, ele infernizou Roger, que após uma seqüência de seis faltas no garoto, recebeu o amarelo. Aos 37' do 1º tempo, André Cruz cobrou falta no travessão. André aproveitou o rebote e mandou a bola de cabeça para as redes. Na 2ª etapa, o clássico acabou para o Grêmio no primeiro minuto: Diego passou por Roger e foi derrubado. O capitão gremista foi expulso e Tite liquidou com o ataque do Grêmio, sacando Christian para colocar Amaral.

Internacional 3x3 Juventude
Em 15 de março, um sábado, o Internacional encerrou sua participação na fase inicial enfrentando o Juventude, no Beira-Rio. O jogo foi realizado em Porto Alegre, pois o Juventude perdeu o mando de campo em decorrência dos conflitos ocorridos em Caxias do Sul na partida anterior, contra o Grêmio. Com um ataque insinuante - formado por Diego e Nilmar, 17 e 18 anos -, o Internacional partiu para cima do Juventude logo no início da partida. Fernando Cardozo abriu o marcador logo aos 7' do 1º tempo. A gurizada colorada infernizava a defesa do Juventude, que passou a cometer faltas e pênaltis. Gavilán marcou aos 42' e 45', cobrando penalidades. Os colorados voltaram para a 2ª etapa com uma vantagem de 3 gols, e frouxos na marcação, permitiram o empate do Juventude, que marcou com Geufer (pênalti) aos 28', Hugo aos 37' e aos Dante 44'. Além disso, o time da Serra abusou da violência, em cima dos garotos do Internacional, com a complacência do árbitro. Mesmo assim o Internacional ficou em 1º lugar do grupo, com o Juventude em 2º. O Grêmio, eliminado, ficou na lanterna, sem nenhuma vitória nos seis jogos.

A semifinal do campeonato só seria disputada em junho, já em meio ao campeonato brasileiro. Além de Internacional e Juventude, classificaram-se para a semifinal o 15 de Novembro e o São Gabriel.

Internacional 1x0 São Gabriel
No dia 11 de junho o Internacional enfrentou o São Gabriel, no Sílvio de Faria Correia. A partida começou disputada, com o Internacional levando alguma vantagem. Na melhor chance colorada, Flávio cobrou falta e o goleiro João Scherer espalmou para escanteio. Nos minutos finais da etapa a equioe do interior conseguiu equilibrar a partida. O São Gabriel voltou elétrico para a 2ª etapa, pressionou e criou oportunidades, mas aos 27', Daniel Carvalho marcou o único gol da partida, cobrando falta.

Internacional 4x1 São Gabriel
O jogo da volta ocorreu no dia 18 de junho. O Internacional começou a vencer logo cedo. Aos 2', Nilmar sofreu falta na entrada da área. André Cruz cobrou com perfeição, no ângulo. Aos 36' Gavilán ainda perdeu um pênalti, defendido por João Scherer. Mas aos 37', Edu Silva passou para Diego, que driblou o marcador e chutou para marcar. No início do 2º tempo, uma pintura: Nilmar driblou três adversários e na saída do goleiro tocou por cobertura. Paulinho foi expulso aos 17', facilitando ainda mais as coisas para o Colorado. Aos 26', Gavilán sofreu pênalti. Flávio cobrou e converteu. Aos 41' Flavinho descontou para o São Gabriel, mas Luciano Sobrosa foi expulso logo depois do gol, deixando sua equipe com apenas 9 jogadores em campo. O Colorado estava na final!

Internacional 2x0 15 de Novembro
A adversário na final foi o 15 de Novembro de Campo Bom. O primeiro jogo foi realizado no acanhado estádio Sady Schmidt. O campo reduzido prejudicou o toque de bola das equipes no meio-campo, mas beneficiou os atacantes, que sempre estavam perto da jogada. O primeiro tempo muito movimentado, com várias chances de gol. Os primeiros 25' foram controlados pelo time da casa, mais acostumado ao gramado pequeno. Quase sempre pelo lado esquerdo da defesa do Inter, o atacante Carazinho infernizou a zaga colorada. Aos 14', Cléber acertou o travessão de Clemer. O Internacional só foi ameaçar o gol de Márcio aos 30 minutos. A partir daí, o jogo foi do Colorado. Aos 37', Diego cruzou rasteiro para a área e Nilmar marcou de calcanhar. Estava aberto o caminho da vitória. O 2º tempo começou com o Internacional dominando. Logo no início, Daniel Carvalho marcou um gol cobrando falta. Quando todos esperavam um cruzamento, ele cobrou direto, no ângulo, e surpreendeu o goleiro. O veterano Sandro Sotilli ainda teve uma oportunidade marcar para o 15, mas chutou pela linha de fundo. Pansera, que fazia marcação individual em Daniel Carvalho, acabou expulso nos minutos finais, depois de mais uma falta sobre o atacante colorado.

Internacional 1x0 15 de Novembro
No dia 3 de julho quase 35 mil colorados compareceram ao Beira-Rio, sonhando com o bicampeonato gaúcho. O Internacional começou a partida com mais disposição. O regulamento não previa saldo de gols na decisão, e qualquer vitória do 15 levaria o jogo para a prorrogação. O Internacional criou várias chances de gol na 1ª etapa. Aos 32', Daniel Carvalho partiu da intermediária, livrou-se de três marcadores e passou para Flávio, na entrada da área, que chutou forte e rasteiro para marcar o único gol do jogo. No 2º tempo o 15 de Novembro voltou melhor e emparelhou a partida. Mas aos 22' Daniel Carvalho acertou uma cobrança de falta no travessão. A melhor chance do 15 de Novembro ocorreu aos 31', quando Borges Neto cabeceou na trave. Com o final da partida, a torcida colorada invadiu o campo para comemorar, e Clemer só conseguiu levantar a taça no vestiário.

Artilheiros colorados atuais na lista geral de goleadores do clube


Os atuais artilheiros colorados e suas posições na lista geral de goleadores do clube (entre parênteses a posição na lista geral):

1º Taison - 36 gols 2008/2010 (70º)
2º Thiago Galhardo - 33 gols 2020/2021 (76º)
3º Edenílson - 32 gols 2017/2021 (82º)
4º Paolo Guerrero - 31 gols 2019/2021 (85º)
5º Patrick - 23 gols 2018/2021 (113º)
6º Yuri Alberto - 19 gols 2020/2021 (145º)
7º Rodrigo Dourado - 16 gols 2015/2018 e 2020/2021 (162º)
8º Rodrigo Moledo - 13 gols 2011/2013 e 2018/2020 (191º)
9º Victor Cuesta - 10 gols 2017/2019 e 2021 (239º)
10º Nonato - 7 gols 2019/2021 e Rodrigo Lindoso - 7 gols 2019 e 2021 (313º)
12º Boschilia - 5 gols 2020 (381º)
13º Caio Vidal - 4 gols (432º)
14º Zé Gabriel - 2 gols 2021, Johnny - 2 gols 2021, Maurício - 2 gols 2020/2021 e Heitor - 2 gols 2020/2021 (579º)
18º Luscas Ramos - 1 gol 2021 e Moisés - 1 gol 2020 (697º)



quinta-feira, 1 de julho de 2021

Um jogo - Internacional 2x2 Flamengo - 01/07/1945


Em 1945 o Flamengo construiu novas novas arquibancadas na Gávea, estádio rubro-negro. E pretendia inaugurá-las no intervalo entre o 1º e o 2º turno do campeonato carioca. Originalmente o adversário do Flamengo seria o River Plate, "La Maquina", que acabou tendo que declinar do convite. Aí os cariocas resolveram convidar o "Rolo Compressor" colorado.

A imprensa carioca recebeu positivamente a escolha do Internacional.




Os atacantes colorados encantavam a imprensa carioca. Tesourinha era reconhecidamente um dos melhores jogadores do país. Carlitos era um artilheiro implacável, mas especialmente Adãozinho chamava a atenção do centro do país. No ano anterior o endiabrado centroavante colorado havia feito o renomado Domingos da Guia sofrer, no campeonato brasileiro de seleções.



Apesar da imprensa carioca cobrir de elogios os atletas colorados, havia uma quase certeza de vitória do Flamengo. Alguns falavam até em goleada. Parte da imprensa tentava não parecer desprezar os gaúchos, dizendo que o cansaço da viagem atrapalharia o desempenho do time. Mas em campo a história foi um pouco diferente...

O Colorado começou jogando melhor, em uma partida equilibrada. Mas aos 11', o lateral-esquerdo rubro-negro Jayme chutou forte, de longe, e acertou a trave. O ex-colorado Sylvio Pirillo pegou o rebote, cabeceando para as redes. O centroavante, que ficou emocionado com a homenagem que recebeu de seu ex-clube, antes do jogo, não comemorou o gol.

Após sofrer o gol, o time do Internacional ficou perdido em campo, por alguns minutos. Mas aos 22', em um ataque despretensioso, Carlitos disputou a bola com Jacy, que falhou ao tentar rebater. Carlitos invadiu a área e chutou cruzado, empatando a partida.

Com o empate, o Colorado tomou conta da partida. Logo depois, aos 26', Adãozinho driblou Newton e chutou forte, no canto direito. Internacional 2x1! No restante do 1º tempo, o Internacional teve o domínio da partida.

No 2º tempo, o técnico colorado Hermínio de Britto recuou Rui e Elizeu, para fechar o time. Assim, o Internacional perdeu poder ofensivo e o Flamengo começou a pressionar em busca do empate. Aos 24', Bucheli invadiu a área com a bola dominada e o goleiro Ivo saiu para interceptar a jogada. Na disputa entre os dois, a bola sobrou para Sylvio Pirillo, livre, chutar para o gol vazio. Novamente o ex-atacante colorado não comemorou e ainda pediu desculpas a Ivo pelo gol.

O Flamengo ainda pressionou, buscando a virada, mas o resultado final foi 2x2. A imprensa carioca ficou impressionada com o futebol do Internacional e com o preparo físico da equipe, que mesmo com o cansaço da viagem não mudou um único jogador, enquanto o Flamengo fez três substituições.

INT: Ivo; Alpheu e Nena; Vianna, Ávila e Abigail; Tesourinha, Rui, Adãozinho, Elizeu e Carlitos
Técnico: Hermínio de Britto
FLA: Jurandir; Newton e Norival; Paulo Amaral (Jacy), Bria e Jayme; Adílson, Zizinho, Sylvio Pirillo, Tião (Bucheli) e Vevé (Jarbas)
Técnico: Flávio Costa




O gaúcho e colorado Vargas Netto, radicado no Rio de Janeiro e presidente da Federação Metropolitana de Futebol (atual Federação Carioca), criticou os que pensavam que o Internacional era uma equipe fraca.

Mas após a partida a imprensa carioca já havia sido conquistada pelo Internacional, rasgando elogios ao time e considerando-o um time de futebol técnico e bonito, diferente da "moda carioca", de marcação cerrada e futebol tosco.







domingo, 20 de junho de 2021

Jogadores do passado: Cezar Andrade

Origem da foto: https://1909emcores.blogspot.com/p/anos-10.html

Cezar Andrade foi centroavante do Internacional de 1919 a 1921.

O jovem Cezar aparece na imprensa como aluno do Ginásio Júlio de Castilhos, participando de provas atléticas. Um pouco depois mudou-se para Caxias do Sul, onde começou a jogar futebol no Juvenil.

Em 1919 voltou para Porto Alegre e ingressou no Internacional. Estreou em 24 de abril de 1919, na derrota de 0x1 para o Cruzeiro. A partida era amistosa e Cezar Andrade jogou de lateral-esquerdo. Voltaria a atuar na mesma posição no jogo seguinte, nova derrota, diante do Porto Alegre (1x2). Na partida seguinte, contra o São José, atuou como centroavante. O Colorado venceu por 7x0 e o atacante marcou seu primeiro gol com a jaqueta rubra. Mas a revista Máscara criticou Cezar Andrade por exagerar nos dribles e nos chutes do meio de campo. Nessa temporada inicial Cezar Andrade disputaria apenas mais uma partida. Pouco depois lesionou-se com gravidade, ficando vários meses sem jogar. Sua lesão acabou levando Carlos Kluwe a retornar aos gramados.

Em 1920, Cezar Andrade teria sua melhor temporada. Mas reestreou no time somente na terceira partida do clube no ano, vitória por 6x1 sobre o Militar, em amistoso, onde ele deixou sua marca novamente. No campeonato municipal ainda demoraria um pouco mais para jogar. Somente entrou em campo em 13 de junho, vitória de 4x0 sobre o Porto Alegre, com Cezar Andrade abrindo o placar.

Em 20 de junho de 1920, em amistoso, o Colorado venceu o Municipal por 14x2, e Cezar Andrade marcou sete gols, igualando o recorde estabelecido por Bendionda em 1915. No campeonato continuou marcando seus gols, com destaque para a partida contra o Tabajara. O Internacional venceu por 12x0 e Cezar Andrade marcou os quatro últimos gols. Internacional e São José terminaram o campeonato empatados em pontos e no dia 15 de novembro foi disputado um jogo-extra para decidir o título da cidade. O Colorado venceu por 5x4 e Cezar Andrade marcou um gol. Dias depois o Internacional enfrentou a equipe do Petersfield, navio da marinha inglesa. Os colorados venceram por 5x2 e Cezar Andrade marcou quatro gols. Ao todo, foram 20 gols em 13 partidas.

A temporada de 1921 também começou bem. Na estreia, vitória de 2x1 sobre o Cruzeiro, em amistoso, com um gol de Cezar Andrade. O atacante voltou a marcar mais um, na vitória de 4x0 sobre o Porto Alegre, na 1ª rodada do campeonato municipal, em 15 de maio 1921. Mas essa foi a última partida de Cezar Andrade. Pouco depois descobriu que sofria de grave doença, da qual viria a falecer meses depois, em 27 de agosto de 1922. Nesse mesmo dia jogariam pelo campeonato Internacional x Ypiranga, mas com a notícia do falecimento do ex-atleta colorado o jogo foi transferido.


Sus jogos e gols:
24.04.1919 0x1 Cruzeiro - Amistoso - C
04.05.1919 1x2 Porto Alegre - Campeonato Municipal - F
01.06.1919 7x0 São José - Campeonato Municipal - C (1)
13.05.1920 6x1 Militar - Amistoso - C (1)
30.05.1920 2x0 São José Amistoso - C
13.06.1920 4x0 Porto Alegre - Campeonato Municipal - C (1)
20.06.1920 14x2 Municipal - Amistoso - C (7)
27.06.1920 4x1 Santanense - Amistoso - C (1)
11.07.1920 5x1 Cruzeiro - Campeonato Municipal - C (1)
18.07.1920 12x0 Tabajara - Campeonato Municipal - C (4)
22.08.1920 1x2 Grêmio - Campeonato Municipal - F
23.09.1920 2x0 União - Amistoso - F
26.09.1920 2x1 Brasil - Amistoso - F
28.09.1920 0x2 Ideal - Amistoso - F
15.11.1920 5x4 São José - Campeonato Municipal - N (Chácara das Camélias) (1)
25.11.1920 5x2 Petersfield ING - Amistoso - C (4)
10.04.1921 2x1 Cruzeiro - Amistoso - F (1)
15.05.1921 4x0 Porto Alegre - Campeonato Municipal - F (1)

Seus números:
18 partidas
14 vitórias
4 derrotas
23 gols
Campeão municipal em 1920