Total de visualizações de página

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Jogadores do passado - Gainete


Carlos Gainete Filho nasceu em Florianópolis, em 15 de novembro de 1940.

O goleiro Gainete começou a jogar futebol no Guarany de Florianópolis. Em 1959 chergou ao Paula Ramos, também da capital catarinense. Em 1960, defendendo a seleção catarinense, chamou a atenção dos gaúchos. Internacional, Grêmioe Cruzeiro, além do Santos, tentaram contratá-lo, mas em junho de 1960 Gainete acertou-se com o Guarany de Bagé. Em março de 1961 o Grêmio voltou a tentar contratar Gainete, mas ele disputaria o campeonato gaúcho pelo Guarany. Mas em 5 de janeiro de 1962 o Internacional contratou o goleiro.

Gainete estreou no Internacional em 13 de fevereiro de 1962, em um Gre-Nal válido pelo campeonato sul-brasileiro, no Olímpico. O Colorado saiu na frente, mas Elton empatou para o Grêmio, cobrando falta. Aos 42' do 2º tempo Gainete se chocou com Marino, do Grêmio, e teve que ser substituído. O Internacional ficaria com o vice do Sul-Brasileiro, mas logo começaria boas campanhas no campeonato gaúcho e na Taça Brasil. Em 8 de julho, contra o Brasil de Pelotas, o Internacional venceu por 4x0 e Gainete defendeu um pênalti cobrado por Spillmann. E também na temporada de 1962 ocorreu uma das características negativas de sua carreira: o golpe de vista. Em muitas jogadas o goleiro não pulava na bola, apenas a observava, esperando que fosse para fora. Mas em 6 de outubro, contra o Juventude, José cruzou para a área, o goleiro acompanhou com o olhar e a bola foi morrer no fundo das redes. Ao longo de sua carreira no Internacional, pelo menos dez gols foram apontados pela imprensa como "golpe de vista". Mas a temporada de 1962 continuava positiva. O Internacional rumava ao bicampeonato gaúcho e avançava na Taça Brasil. No dia 30 de novembro, porém, a situação mudaria. Após dois empates com o Botafogo, o Colorado perdeu a terceira partida, por 2x0, e foi eliminado na semifinal da Taça Brasil. No jogo seguinte, perdeu para o Aimoré, quando precisava apenas empatar para ser campeão gaúcho antecipadamente. Em seguida perdeu o Gre-Nal, e no início de 1963 perdeu outro clássico, extra, para decidir o título estadual.

Na temporada de 1963 Gainete continuou como titular do arco colorado, mas em várias partidas Beno, e depois Silveira, o substituíram. Na reta final do campeonato gaúcho, em 4 de dezembro, o Internacional enfrentava o Juventude, no Beira-Rio. No final da 1ª etapa Gainete chocou-se com Ramão, atacante caxiense, e foi substituído, tendo que ser encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro, com fratura na clavícula. Ficaria de fora dos dois jogos restantes da temporada.

Em 1964 Gainete começa novamente como o dono do arco colorado. Mas em 23 de abril, em um Gre-Nal amistoso antes da abertura do campeonato gaúcho, Gainete fraturou o nariz, ficando de fora de algumas partidas. Quando se recuperava, lesionou o tornozelo em um treino, ficando mais tempo de fora do time. Voltaria a jogar apenas em agosto, em outro Gre-Nal amistoso. Mas Silveira continuaria como titular. Somente após o campeonato gaúcho Gainete recuperou o posto, conquistando o Torneio Quadrangular Porto Alegre-Pelotas, um torneio disputado pelas duplas Gre-Nal e Bra-Pel.

Apesar de atuar pouco em 1964, Gainete chamou a atenção do centro do país e foi contratado pelo Vasco da Gama. Seu último jogo pelo clube foi um empate com o Cruzeiro em 0x0, um amistoso disputado em 17 de dezembro de 1964. Para substituí-lo, o Internacional foi buscar Guaporé, no São José, e Célio, no Floriano. E a temporada de 1965 seria uma das piores do Internacional, terminando o campeonato em 5º lugar.

Em 10 de janeiro de 1966 o Internacional repatriou seu goleiro, buscando reforçar a equipe. Sua reestreia aconteceu em outro amistoso com o Cruzeiro, em 26 de janeiro. O Colorado venceu por 3x0. Com Gainete no gol, o Internacional chegou a ficar 22 partidas seguidas sem sofrer derrotas. Mas no final novamente o título não veio.

Em 1967 o clube estrearia no Robertão, uma competição nacional, chegando ao vice-campeonato. Gainete fez grandes partidas no torneio, mas também teve momentos negativos. Em 8 de março o Colorado empatava em 0x0 com o Flamengo quando Zezinho, atacante rubro-negro, chutou forte, de fora da área. Gainete tentou espalmar para escanteio mas, num "frango", tocou a bola para dentro das redes. O Colorado chegaria ao empate depois. Em 12 de abril o Internacional vencia o Palmeiras por 2x1, quando Rinaldo, atacante alvi-verde, chutou despretenciosamente, da intermediária, fraco, mas Gainete acabou aceitando. Mas nenhum dos resultados foi decisivo, pois foram na primeira fase e o Colorado classificou-se para o Quadrangular Final. Já no Gauchão, o título ficaria com o Grêmio. No dia 3 de dezembro de 1967 o Internacional foi derrotado pelo Guarany, em Bagé, por 1x0, resultado que deu o título ao rival. No final da partida, Gainete partiu para cima de um fotógrafo que passou todo o 2º tempo dizendo piadinhas para o goleiro, atrás do gol. Seguro por dirigentes e policiais, Gainete teve uma crise nervosa e desmaiou. Um outro fotógrafo tentou enquadrar a cena e foi agredido por Scala. O jogo seguinte era o Gre-Nal, que já não valia nada. O Internacional venceu por 1x0. No final da partida, Ortunho recusou-se a cumprimentar Gainete e logo depois agrediu o goleiro colorado, dando início a uma briga generalizada, envolvendo jogadores e dirigentes. No meio da confusão, Rafael Estrougo, vice-presidente colorado, acertou um soco no presidente gremista, Rudi Armin Petry.

Na temporada de 1968 novamente Gainete reinava no gol colorado. Mas em 11 de julho Gainete lesionou-se em um amistoso contra o Andradina, no interior de São Paulo. Voltaria a disputar um amistoso no final de agosto, mas só recuperaria a titularidade em novembro, na reta final do Robertão, onde o clube foi novamente vice-campeão.

Em 1969 Gainete não jogou nas primeiras seis partidas da temporada (dois amistosos e quatro partidas pelo Gauchão). Mas depois retomou seu posto, embora em várias partidas da temporada tenha sido substituído por Schneider e Waldir. No dia 6 de abril de 1969 estava em campo, na inauguração do Beira-Rio, quando o Colorado bateu o Benfica por 2x1. No dia 20 de abril, no primeiro Gre-Nal do Beira-Rio, Gainete teve participação ativa na pacandaria que começou perto do fim do jogo. E no dia 17 de dezembro Gainete também estava em campo quando após o empate em 0x0 com o Grêmio o Internacional reconquistou a hegemonia estadual.

Em 1970 Gainete foi novamente titular, também sendo algumas vezes substituído por Schneider e Waldir. Mas estabeleceu um recorde mundial: 1202 minutos sem levar gol. Após sofrer o segundo gol do Guarany de Bagé em 31 de maio de 1970 (partida que o Internacional venceu por 4x2), passou treze partidas sem ser vazado. Somente em 6 de setembro, em um amistoso contra o Botafogo, Jairizinho acabou com a invencibilidade do goleiro. No Robertão, em 20 de outubro, contra o Fluminense, Gainete defendeu um pênalti cobrado pelo centroavante Flávio. E no final do ano comemorou mais um título gaúcho.

Na temporada de 1971 Gainete jogou a primeira partida da temporada, um amistoso contra a Seleção da França, no qual o colorado foi derrotado por 3x1. Mas nas 21 partidas seguintes Waldir e Schneider jogaram. Gainete só reapareceu em 11 de abril de 1971, quando o Colorado bateu o Farroupilha por 2x1. No final da temporada, mais um título gaúcho, o tricampeonato.

Em 1972 Gainete começou o ano disputando a reserva com Rafael, sendo Schneider o titular. No campeonato gaúcho jogou apenas uma partida na campanha do tetra, e ainda assim saindo do banco para substituir Schneider. Em agosto, após o estadual, o Internacional disputou o Torneio Cidade de Porto Alegre, um quadrangular em turno e returno contra Grêmio, São José e Cruzeiro. O colorado usou uma equipe reserva nos primeiros jogos. Gainete foi titular nas duas primeiras partidas, mas se envolveu em uma polêmica: apesar de advertido pela direção, insistiu em jogar com a camiseta da seleção da França contra o Cruzeiro e o São José. A camiseta, além de não ter o escudo colorado, apresentava a cor azul em sua gola. Essa camisa lhe fora presenteada pelo goleiro Georges Carnus, no amistoso de 1971. Em 21 de agosto de 1972 Gainete foi suspenso pelo vice-presidente de futebol, Gildo Russowki. Em seguida foi multado e teve o contrato rescindido, nunca mais jogando no Colorado.

Saindo do Internacional, Gainete ingressou no Atlético Paranaense, onde ficaria até 1974, quando voltou ao Rio Grande do Sul, para jogar no Atlético de Carazinho, onde encerrou a carreira no final do ano.

Seus números no Internacional:
410 partidas
241 vitórias
103 empates
66 derrotas
campeão gaúcho em 1969, 1970, 1971 e 1972
campeão do Torneio Cidade de Porto Alegre em 1972
campeão do Torneio Quadrangular Porto Alegre-Pelotas em 1964

Encerrada a carreira de jogador, Gainete tornou-se técnico de futebol. Assumiu o Internacional no jogo decisivo do campeonato gaúcho de 1977, quando o Colorado perdeu por 1x0. Dirigiu o time no campeonato brasileiro e continuou no comando do time no início de 1978. A temporada começou com a conquista do Torneio de Viña del Mar, mas os sucessivos tropeços nos amistosos de pré-temporada levaram à sua demissão em 18 de março de 1978, quando perdeu em casa por 2x0 para o Palmeiras. Em 1988 voltaria ao comando do Internacional, estreando em 22 de março, vitória de 3x1 sobre o Cerro Porteño. Mas caiu em 7 de maio, ao perder por 1x0 para o Pelotas.

Seus números no Internacional como técnico:
34 partidas
15 vitórias
8 empates
11 derrotas
campeão do Torneio de Viña del Mar em 1978

Fora do Internacional, Gainete foi campeão baiano em 1985 e 1990, dirgindo o Vitória e campeão goiano em 1989, dirigindo o Goiás. E foi vice-campeão brasileiro em 1986, com o Guarani.

domingo, 14 de novembro de 2021

Jogadores do passado - Adavílson

Adavílson jogando no Mixto

Adavílson da Cruz nasceu em Cuiabá, em 14 de novembro de 1956, em Cuiabá.

Adavílson começou sua carreira esportiva no Canarinho, de Cuiabá. Era um clube amador, mas sua habilidade lhe rendeu o apelido de Pelezinho. Em 1972 o jovem atleta foi contratado pelo Mixto. Em 1973 sagrou-se campeão do Torneio Integração e em seguida se transferiu para o União Rondonópolis. Em 1976 foi contratado pelo Operário de Várzea Grande, mas em agosto do mesmo ano foi emprestado ao Mixto, para a disputa do campeonato brasileiro. No dia 15 de setembro de 1976 o Mixto venceria o Vasco da Gama por 1x0, gol de Adavílson, na época ainda chamado de Pelezinho. O Mixto não teve boa campanha na 1ª fase e teve que disputar a repescagem, onde os clubes eram divididos em grupos de cinco onde apenas o campeão seguia adiante. O Mixto venceu seus três primeiros jogos, contando com mais um gol de Adavílson nos 3x1 sobre o América Mineiro, em Belo Horizonte. Na última rodada o clube enfrentava o Vasco da Gama no Rio de Janeiro, jogando por um empate. mas perdeu por 1x0 e foi eliminado.

Em 1977 Adavílson voltou ao Operário. Chegou a ser negociado com o Cruzeiro, mas ficou pouco tempo em Minas. De volta ao Operário, foi emprestado ao Dom Bosco para a disputa do campeonato brasileiro. Em 1978 a história se repetiu: regresso ao Operário e transferência para o Mixto, para jogar o campeonato brasileiro. Em 13 de junho de 1978, enfrentando o Internacional, em Cuiabá, Adavílson abriu o placar do jogo logo aos 7' de partida, mas o Colorado venceria por 2x1.

Em 1979 Adavílson teve uma passagem pelo Goiás, retornando ao Mixto. No dia 28 de fevereiro de 1980, no Beira-Rio, novamente enfrentou o Colorado. O Internacional venceu por 3x1, mas Adavílson mais uma vez deixou sua marca. Antes do fim do campeonato brasileiro o Internacional contratou o ponta-direita. Sua missão era ingrata: substituir Valdomiro.

Sem pode jogar pelo campeonato brasileiro, Adavílson estreou pela Taça Libertadores da América. Em 23 de março de 1980 o Internacional enfrentou o Vasco da Gama, no Maracanã, e Adavílson começou como titular, sendo mais tarde substituído por Toninho, A partida terminou 0x0. No jogo seguinte, em San Cristóbal, Adavílson começou no banco, mas entrou no time no lugar de Jair. O Colorado venceu o Deportivo Táchira por 1x0. Ainda na Venezuela, em Caracas, o Internacional perdeu para o Deportivo Galicia por 2x1. Adavílson entrou no time substituindo Cléo.

O campeonato brasileiro seguia, mas Adavílson não podia jogar. Por isso, continuava atuando apenas na Taça Libertadores. Em 27 de abril o Internacional bateu o Deportivo Táchira por 4x0, no Beira-Rio. Novamente Adavílson entrou no time, substituíndo Jair. Nesse jogo ele marcou seu primeiro gol, o quarto gol colorado. Em 30 de abril, contra o Deportivo Galicia, quando a partida estava 0x0, Adavílson entrou no lugar de Cléo e deu maior velocidade ao time. O Colorado venceu por 2x0. Na 1ª Fase da Taça Libertadores, Adavílson só não atuou contra o Vasco da Gama, no Beira-Rio.

Depois de mais de um mês sem jogar, Adavílson voltou ao time contra o São Paulo de Rio Grande, em um amistoso. Ênio Andrade usou vários reservas no Beira-Rio, e o Colorado venceu por 3x1. Adavílson marcou um dos gols. No dia 29 de junho, no Beira-Rio, contra o Gaúcho de Passo Fundo, Adavílson fez sua melhor partida pelo Internacional. Abriu o placar no 1º tempo e na 2ª etapa cobrou falta na cabeça de Popéia, que fechou o placar em 2x0.

Pelo campeonato gaúcho, Adavílson voltaria a atuar contra Pelotas, Internacional SM, Farroupilha, Guarany de Bagé e Esportivo. No dia 30 de julho de 1980 participou do jogo mais importante da sua vida, a primeira partida da decisão da Taça Libertadores, contra o Nacional. Entrou na equipe no segundo tempo, no lugar de Chico Espina, e deu mais velocidade ao time, insuficiente, porém, para evitar o 0x0. A seguir, pelo Gauchão, enfrentou Caxias e Bagé.

Na sequência do mês de agosto, o Internacional foi excursionar na Europa, deixando em Porto Alegre uma equipe formada por reservas e juniores, com Adavílson entre eles. Após enfrentar São Paulo de Rio Grande e Brasil de Pelotas, veio o Gre-Nal. No dia 24 de agosto, no Olímpico, o badalado time titular gremista, com Leão, Paulo Isidoro, Tarciso e Baltazar, não conseguiu ir além de um 2x2 com a equipe colorada. Em 28 de agosto o Internacional perdeu por 1x0 para o São Borja, na fronteira. Foi o último jogo de Adavílson pelo Internacional. Logo depois foi emprestado ao Criciúma.

Seus números pelo Internacional:
19 partidas
8 vitórias
8 empates
3 derrotas
3 gols

Em 1º de março de 1981, Adavílson passava o feriado de carnaval em Cuiabá, antes de voltar a Criciúma. Mas o ex-atleta colorado morreu em um acidente de carro, junto com 4 amigos, na Avenida Fernando Correa da Costa, em Cuiabá.

Em 15 de novembro de 2011 o atleta recebeu, in memoriam, a Medalha do Mérito Esportivo do governo do Mato Grosso.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Jogadores do passado - Bento


Bento Martins de Oliveira nasceu eu Uruguaiana, em 1900 ou 1901.

O jovem Bento (ou Bentinho, como era chamado nos seus primeiros tempos de futebol) começou a jogar na equipe do Esperança, de sua cidade natal. Em 20 de julho de 1915 o atacante enfrentou o Internacional, que venceu o Esperança por 3x2, em amistoso disputado em Uruguaiana.

No ano seguinte Bento mudou-se para Porto Alegre, para estudar, e ingressou no Internacional. Com pouca idade, foi jogar nos filhotes (os juniores da época). No dia 7 de maio de 1916 eleestava em campo, defendendo os filhotes do Colorado contra os filhotes do Cruzeiro, campeões da cidade. O amistoso terminou 4x2 para o Cruzeiro, mas Bento foi elogiado pela imprensa.

Em 30 de setembro de 1917 Bento estreou no time principal. Na Chácara dos Eucaliptos, pelo campeonato municipal, o Internacional venceu o Fussball por 3x0, e Bento marcou o terceiro gol colorado. Foi seu único jogo pelo campeonato, mas fez parte do grupo pentacampeão da cidade.

No ano de 1918 Bento conquistou a titularidade, condição que manteve em 1919. Mas sua grande temporada foi 1920, quando mais atuou pelo Internacional e mais fez gols, destacando-se os três gols marcados na vitória de 4x0 sobre o Porto Alegre, em 13 de junho de 1920, e os quatro gols marcados nos 14x2 sobre o Municipal, em 20 de junho. 

Em 31 de outubro de 1920, Bento fez parte da Seleção Acadêmica que venceu o Grêmio por 2x1.

No dia 15 de novembro Bento não estava em campo na vitória de 5x4 sobre o São José, que deu o título da cidade ao Colorado. Mas no dia 25 jogou contra o Petersfield, equipe da marinha inglesa, no primeiro jogo do Internacional contra uma equipe europeia. O Colorado venceu por 5x2, Bento marcou um gol e ainda perdeu um pênalti. Essa seria sua última partida pelo Internacional.

Na véspera de Natal de 1920 era noticiado que Bento estava doente, e que seu médico era o ex-atleta colorado Carlos Kluwe. Devido à doença, o jogador retornaria a sua cidade natal, deixando para trás a faculdade de medicina e o Internacional. mas em 8 de junho de 1921 o jornal A Federação publicava uma boa notícia sobre o quadro de saúde do jogador.

Mas infelizmente o quadro era mais grave que o imaginado. Buscando recuperar-se, Bento chegou a mudar-se para Montevidéu. Quando ficou claro que a situação era irreversível, retornou a Uruguaiana, para esperar o fim junto dos seus. Na manhã de 12 de novembro de 1921 encerrou-se a vida de Bento Martins de Oliveira.

 No dia 18 de novembro o Internacional mandou realizar uma missa de 7º dia pela sua alma.

Seus números pelo Internacional:
33 partidas
20 vitórias
2 empates
11 derrotas
22 gols marcados
campeão municipal em 1917 e 1920

Suas vítimas:
4 gols
Porto Alegre, Municipal e São José
2 gols
Militar e União de Pelotas
1 gol
Cruzeiro, Guarany de Bagé, Brasil de Pelotas Santanense, Taquarense e Petersfield ING

Uma competição de atletismo - 1937


Em 24 de maio de 1937 a Liga Atlética Rio Grandense (LARG) iniciou suas atividades do ano com uma competição atlética de estreantes, realizada nos Eucaliptos. A competição foi disputada por atletas do Internacional, Grêmio, Americano, Turnerbund e 7º BC. Nas provas femininas, uma inovação, apenas o Turnerbund apresentou atletas.

A primeira prova do dia foi a corrida de 75 metros rasos. Como haviam 13 atletas inscritos, foram realizadas três eliminatórias e duas semifinais até a prova final. Os resultados das competições do dia foram:

75 metros rasos:
1º Cristiano Huber Filho (Turnerbund) - 8"6
2º Augusto Barcelos (Internacional) - 9"2
3º Carlos Macedo (Americano)

75 metros rasos feminino:
1º Laura Nabingerter (Turnerbund) - 11"8
2º Araci Nedel (Turnerbund)
3º Helga Schmidt (Turnerbund)

83 metros com barreira:
1º Jorge Rodrigues Carvalho (Internacional) - 13"2
2º Mário Vagner (Turnerbund) - 14"
3º Leo Kraether (Turnerbund)

Arremesso de peso:
1º Pedro H. de Oliveira (Turnerbund) - 13,35m
2º Alfredo Wald (Internacional) - 13,19m

Arremesso de peso feminino:
1º Hilda Streibell (Turnerbund) - 6,49m
2º Úrsula Altrutz (Turnerbund) - 6,29m
3º Laura Nabingerter (Turnerbund) - 6,25m

300 metros rasos:
1º Augusto Barcellos (Internacional) - 42"
2º Sílvio Blaudt (Americano) - 42"2
3º Jorge Rodrigues Carvalho (Internacional)

Lançamento de dardo:
1º João Carlos Debiase (Internacional) - 37,45m
2º Emílio Lipp Filho (Turnerbund) - 37,28m
3º Frederico Ewers (Turnerbund) - 34,72m

Salto em altura:
1º Egon Schefel (Americano) - 1,50m
2º Alfredo Wald (Internacional), Léo Kraether (Turnerbund), Afonso Ruaro e Hélio Ferreira - 1,40m
3º Valter Machado (Internacional) - 1,30m

Salto com vara:
1º José Mendes de Oliveira (Internacional) - 2m
2º Josino Timóteo da Silva (Internacional) - 1,50m

Revezamento 4x75 metros:
1º Turnerbund - 37"6
2º Americano - 38"
3º Internacional

Salto em altura feminino:
1º Laura Nabingerter (Turnerbund) - 1,15m
2º Úrsula Altrutz (Turnerbund) - 1,12m
3º Helga Schmitt (Turnerbund) - 1.10m

Lançamento de disco:
1º João Carlos Delrox (Internacional) - 31m
2º Pedro H. de Oliveira (Turnerbund) - 28,44m
3º Emílio Lipp Filho (Turnerbund) - 27,80m

Mil metros rasos:
1º Arnaldo Becker (Turnerbund)
2º José Mendes de Oliveira (Internacional)
3º Alberto Grohman

Revezamento 4x300 metros:
1º Internacional - 2'43"4
2º Turnerbund - 2'48"

Salto em distância:
1º Darci Morais (7º BC) - 5,45m
2º Oto Halton (Turnerbund) - 5,44m
3º Alfredo Wald (Internacional) - 5,25m

Arremesso de disco:
1º Emílio Lipp Filho (Turnerbund) - 34,77m
2º João Carlos Delrox (Internacional) - 32,43m
3º Max Rosemberger (Turnerbund) - 26,77m

A classificação final do torneio foi a seguinte:
1º Turnerbund - 57 pontos
2º Internacional - 54 pontos
3º Americano - 11 pontos
4º 7º BC - 10 pontos
5º Grêmio - 2 pontos

Equipe colorada no 4x75 metros: Jorge Rodrigues Carvalho, José Mendes Oliveira, Augusto Barcellos e Portugal Monteiro.

Equipe colorada no 4x300 metros: Ulisses Pereira, Alfredo Wald, Jorge Rodrigues Carvalho e Augusto Barcellos.


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Jogadores do passado - João Crescêncio


João Crescêncio nasceu em São Pedro do Sul, em 25 de dezembro de 1918. Na época a localidade ainda fazia parte de Santa Maria, só tornando-se município em 1926.

Nos anos 1930 João Crescêncio mudou-se para Porto Alegre, para estudar. Em 1937 ingressou na Polícia Militar. Crescêncio jogava futebol no quartel e foi convidado para fazer um teste no Internacional, ingressando no 2º quadro. O atleta também gostava de outros esportes, defendendo as cores coloradas no basquete e no atletismo.

Em um grupo muito qualificado, em uma época que não havia substituições, João Crescêncio não passou do 2º quadro, jamais jogando pelo time principal colorado. Mas disputou campeonatos de basquete e de atletismo. Enquanto jogava no Internacional, Crescêncio também estudava, formando-se em contabilidade.

Em 1942 João Crescêncio recebeu uma oferta de trabalho na Viação Férrea, em Santa Maria. Voltou ao interior, mas continuou jogando futebol. A cidade de Santa Maria possuía dois clubes ferroviários, o amador Guarany e o profissional Riograndense, mas João Crescêncio ingressou no Atlântico, que possuía cores similares ao Grêmio. O Atlântico era mantido pela fábrica de refrigerantes Cirila e por uma fábrica de biscoitos e balas que produzia a Bolacha Atlântica, que deu nome ao clube.

Em 1950 o Atlântico resolveu profissionalizar-se, mas para ampliar o patrimônio e o número de sócios, o clube propôs uma fusão com o Guarany, dando origem ao Guarany-Atlântico.

João Crescêncio pouco depois encerraria a carreira, mas continuaria ligado ao futebol, tornando-se massagista do clube. Em 1962 o clube conquistaria o campeonato municipal santamariense. João Crescêncio chegaria à presidência do clube, tendo que tomar uma decisão difícil em 1970: diante das dificuldades financeiras o Guarany-Atlântico fechou seu departamento de futebol profissional.

Em 1977 João Crescêncio aposentou-se na Viação Férrea. Em outubro de 2020 o ex-atleta colorado venceu o Covid-19, após passar 25 dias internado.

João Crescêncio faleceu na noite de 9 de novembro de 2021, de causas naturais, enquanto dormia em sua casa, no bairro Rio Branco, em Santa Maria. 

domingo, 7 de novembro de 2021

Conflito Internacional x FRGD


Em 1928 uma crise no Internacional acabou isolando, dentro do clube, a sua maior liderança até então, Antenor Lemos. O grande dirigente colorado, naquele momento, estava presidindo a Federação Rio Grandense de Desportos (FRGD), atual FGF.

Em abril de 1929 o distanciamento entre Antenor Lemos e o clube ficou ainda maior, pois o Colorado foi um dos líderes do movimento de clubes que abandonou a Associação Porto Alegrense de Desportos (APAD) e criou a Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Atléticos (AMGEA). A APAD organizava o campeonato de capital e era filiada à FRGD. Apesar dos principais clubes da capital ingressarem na AMGEA, a FRGD de Antenor Lemos não reconheceu a nova entidade e manteve a filiação da APAD.

Nos meses finais do ano de 1929 ocorreu o campeonato brasileiro de seleções. A Seleção Gaúcha, da FRGD, conseguiu eliminar Santa Catarina, após empatar a primeira partida por 3x3 e vencer a segunda partida por 7x0.

No dia 15 de novembro, a Seleção Gaúcha tinha que enfrentar os paulistas, em São Paulo. Os paulistas haviam eliminado os paranaenses, vencendo por 10x1. Antenor Lemos decide convocar os principais jogadores do Internacional, para reforçar a seleção. Mas o clube não era filiado à FRGD e portanto não estava submetido às suas resoluções.

Logo começaram a correr boatos de que Antenor Lemos estava usando seu prestígio e fazendo convites pessoais aos atletas, para que aceitassem a convocação. No dia 7 de novembro de 1929 a direção colorada pronunciou-se oficialmente, dizendo que não cederia atletas para a Seleção. Além de não fazer parte da FRGD, essa convocação prejudicaria o clube, que no dia 10 de novembro enfrentaria o Grêmio, na penúltima rodada do campeonato municipal. O Internacional precisava vencer, para continuar sonhando com o título. Em caso de derrota, o Americano conquistaria o bicampeonato municipal.

Apesar da recusa do clube em ceder atletas, dois deles acabaram aceitando o convite de Antenor Lemos. O centromédio Lampinha, que jamais voltaria a vestir o manto rubro, e o lateral Ribeiro, que seria perdoado e voltaria a jogar pelo clube. Ribeiro não aceitou o conveite logo de início, viajando depois, para encontrar a delegação em São Paulo. O uruguaio Ross também seguiu com a seleção, mas ele já estava afastado do Internacional desde junho.

Os reforços não foram suficientes e a seleção acabou goleada por 9x0. A partida estava 2x0 para os paulistas, ainda no 1º tempo, quando o goleiro Chico lesionou-se. Na época não existia sunstituições e o atacante Paqualito foi para o gol, sofrendo os outro sete tentos.

Em Porto Alegre, sem os dois titulares, o Internacional perdeu o clássico por 2x1. Na última rodada o Colorado ainda venceria o campeão Americano por 6x4, mas não adiantava mais nada. A torcida e sócios colorados reagiram com indignação ao ato de Antenor Lemos. Em 23 de novembro de 1929, a Assembleia Geral do Internacional considera Antenor Lemos o “maior inimigo que o clube jamais teve”. Mais tarde ele seria perdoado.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Um clássico - Internacional 2x1 Grêmio - 04/11/1981


Em 4 de novembro de 1981 foi disputado no Beira-Rio o Gre-Nal que encerrava o primeiro turno do Octogonal Final do Gauchão. O Colorado chegava ao clássico um ponto na frente do rival, que por sua vez estava invicto a 42 partidas, a maior sequência da sua história.

O resultado da partida podia apontar um novo líder do campeonato ou aumentar a vantagem colorada. Em caso de vitória do Internacional, o clube abriria três pontos de vantagem sobre o rival (na época vitória valia dois pontos). Em caso de vitória gremista, o Tricolor poderia assumir a liderança, desde que o Internacional de Santa Maria não vencesse o São Borja. Em caso de empate no clássico, o Internacional seguiria líder, também caso o Coloradinho da Boca do Monte não vencesse o São Borja.

Na véspera, as tradicionais dúvidas que surgem antes de um clássico. Rodrigues Neto e Mauro Pastor, com suspeita de lesão, eram dúvidas. No Grêmio, De Léon, poupado do treino anterior por uma batida na coxa, também era dúvida. Os três jogaram. 

O Grêmio tinha uma estreia, Geraldão, centroavante emprestado pelo Juventus de São Paulo. E havia uma tradição no Rio Grande do Sul: centroavante que estreava em Gre-Nal fazia gol. O Internacional também tinha novidades: Cláudio Duarte modificou a equipe pouco antes da partida, retirando Jaiminho do time e passando Mauro Galvão para o meio-campo, a fim de reforçar a marcação no setor.

O Gre-Nal atraiu 47.401 torcedores, que proporcionou a maior renda da história dos Gre-Nais, até então: Cr$ 12.007.450,00 (102.706,78 dólares, na cotação da época). 

Quando a bola começou a rolar, logo aos 2' e 40 segundos o estreante Geraldão confirmou a tradição e abriu o placar para o Tricolor. O esquema de Claudião diminuiu o poder ofensivo do Internacional e não conseguia  impedir os ataques gremistas.

Mas apesar de dominar a partida, o Grêmio não conseguia criar oportunidades de gol. Aos 15', o atacante colorado Sílvio chutou a gol, obrigando o goleiro gremista Leão a fazer grande defesa. A partir daí as ações começaram a se equilibrar. Cláudio Duarte ajustou a marcação colorada sobre os ponteiros gremistas Tarciso e Héber, dificultando a assistência a Geraldão e diminuindo o ímpeto ofensivo do adversário.

Aos 21', Bira cabeceou a gol e novamente Leão fez grande defesa. Aos 28', novamente Geraldão assusta a torcida colorada, acertando um chute no travessão de Benítez. A torcida colorada, descontente com a produção ofensiva do time, passou a gritar o nome de Jaiminho, nos quinze minutos finais da 1ª etapa.

 Logo no começo do 2º tempo, porém, o Internacional mostrou que a história ia ser diferente. Aos 4', Cléo quase marcou, de cabeça. Aos 8', Bira foi lançado, disputou a bola com a zaga e tocou de cabeça, vencendo Leão e acertando as redes adversárias. Estava empatada a partida.

Com Jaiminho no lugar de Sílvio, o Internacional tinha o controle da partida, embora não criasse grandes chances. Mas aos 30' Silvinho ficou sozinho na cara de Leão, mas foi afoito no lance e perdeu o gol. Aos 42', entretanto, a situação foi diferente. Jaiminho roubou a bola de China e cruzou para Bira. De cabeça, o centroavante tocou para Cléo, que emendou um chute violento no canto esquerdo. Internacional 2x1!

Escalações:
INT: Benítez; Betão, Mauro Pastor, André Luís e Rodrigues Neto; Ademir, Mauro Galvão e Cléo; Sílvio (Jaiminho), Bira e Silvinho
Técnico: Cláudio Duarte
GRE: Leão; Paulo Roberto, Vantuir, De León e Dirceu; China, Paulo Isidoro e Vílson Tadei; Tarciso, Geraldão (Baltazar) e Héber (Odair)
Técnico: Ênio Andrade

Nos minutos restantes o Internacional controlou a partida e garantiu a vitória. No início do returno a vantagem colorada chegaria a cinco pontos. O Grêmio conseguiu diminuir para um ponto, mas no último Gre-Nal um empate em 1x1 garantiu o título colorado. Geraldão não aprovou no Grêmio e foi devolvido ao Juventus. Rapidamente o Internacional foi buscá-lo e o centroavante se consagraria no Colorado.

Os gols do jogo: