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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Os Grandes Esquadrões da Placar (1970/2005)


Nos 35 anos da revista Placar, em 2005, ocorreram várias edições especiais. Em uma delas, um colégio eleitoral de 35 pessoas ligadas ao futebol escolheu os melhores times da história da revista (1970/2005).

Cada eleitor escolheu 10 times, por ordem de importância, que receberam a seguinte pontuação:
1º 20 pontos
2º 15 pontos
3º 12 pontos
4º 9 pontos
5º 7 pontos
6º 5 pontos
7º 4 pontos
8º 3 pontos
9º 2 pontos
10º 1 ponto

O Internacional teve duas equipes citadas pelos eleitores: o time de 1975/1976 e o de 1979/1980. Nosso maior rival foi lembrado pelo time de 1983 e de 1995/1996. No total, 35 equipes foram lembradas. Os 15 times mais votados foram:

1º Flamengo 1980/1983 - 559
2º São Paulo 1991/1993 - 369
3º Internacional 1975/1976 - 344
4º Palmeiras 1993/1994 - 168
5º Corinthians 1998/2000 - 156
6º Palmeiras 1996 - 143
7º Cruzeiro 1975/1976 - 134
8º Santos 2002/2004 - 119
9º Palmeiras 1972/1974 - 102
10º Grêmio 1983 - 74
11º Santos 1970 - 69
12º Fluminense 1975/1976 - 68
13º Vasco da Gama 1997/1998 - 56
14º Internacional 1979/1980 - 43
15º São Paulo 1985/1987 - 42

Os votos de cada eleitor (seu 1º colocado e as posições em que votou no Internacional e no Grêmio):

Alberto Helena Júnior (colunista do Diário de São Paulo)
1º Internacional 1975/1976

Álvaro Almeida (editor contribuinte da Placar)
1º Flamengo 1980/1983
2º Internacional 1975/1976
8º Internacional 1979/1980
10º Grêmio 1995/1996

André Fontenelle (editor da Veja)
1º Palmeiras 1996
5º Internacional 1979/1980
9º Grêmio 1995/1996

Arnaldo Ribeiro (editor da Placar)
1º Flamengo 1980/1983
não votou em equipes gaúchas

Carlos Eugênio Simon (árbitro da FIFA)
1º Santos 1970
3º Internacional 1975/1976
5º Grêmio 1983

Celso Kinjô (diretor de redação do Jornal da Tarde)
1º Flamengo 1980/1983
2º Internacional 1975/1976
7º Grêmio 1983

Celso Unzelte (autor dos Almanaques do Corinthians e do Palmeiras)
1º Flamengo 1980/1983
3º Grêmio 1983
4º Internacional 1975/1976

Cláudio Arreguy (editor do Estado de Minas)
1º Flamengo 1980/1983
4º Internacional 1975/1976

Djalma (motorista da Placar)
1º Corinthians 1998/2000
6º Grêmio 1995/1996

Eduardo Zerbine (diretor de esportes da TV Record)
1º São Paulo 1991/1993
4º Grêmio 1983

Fábio Sormani (comentarista da Rádio Bandeirantes)
1º Flamengo 1980/1983
4º Grêmio 1995/1996
7º Grêmio 1983
8º Internacional 1975/1976

Falcão (comentarista da TV Globo)
1º Atlético MG 1980
4º Internacional 1975/1976
5º Internacional 1979/1980
10º Grêmio 1995/1996

Flávio Prado (comentarista da Rádio Jovem Pan)
1º São Paulo 1991/1993
4º Internacional 1975/1976

Jorge Luiz Rodrigues (colunista de O Globo)
1º Flamengo 1980/1983
4º Internacional 1975/1976
7º Grêmio 1983

José Geraldo Couto (colunista da Folha de São Paulo)
1º Flamengo 1980/1983
4º Internacional 1975/1976

Juca Kfouri (apresentador da Rádio CBN)
1º Palmeiras 1996
5º Internacional 1975/1976

Lemyr Martins (colunista da Quatro Rodas)
1º Flamengo 1980/1983
2º Internacional 1979/1980
4º Grêmio 1983

Luís Roberto (narrador da TV Globo)
1º Flamengo 1980/1983
4º Internacional 1975/1976

Marcelo Duarte (apresentador da ESPN Brasil)
1º Internacional 1975/1976
7º Grêmio 1983

Mário Andrada e Silva (diretor da Reuters)
1º Flamengo 1980/1983
2º Internacional 1975/1976
7º Grêmio 1983

Mauro Beting (comentarista da TV Bandeirantes)
1º Flamengo 1980/1983
4º Internacional 1975/1976
10º Grêmio 1995/1996

Max Gehringer (escritor e colunista)
1º Internacional 1975/1976
4º Internacional 1979/1980
8º Grêmio 1983

Michel Laurence (chefe de redação da TV Record)
1º Flamengo 1980/1983
2º Internacional 1975/1976

Mílton Neves (apresentador da TV Record)
1º Internacional 1975/1976
10º Grêmio 1995/1996

Paulo César Vasconcelos (chefe de redação do Sportv)
1º Santos 1970
6º Internacional 1975/1976

Paulo Nogueira (diretor da Editora Abril)
1º Santos 1970
3º Internacional 1975/1976

Paulo Vinícius Coelho (comentarista da ESPN Brasil)
1º Flamengo 1980/1983
2º Internacional 1975/1976
7º Grêmio 1995/1996

Renato Maurício Prado (comentarista da Sportv)
1º São Paulo 1991/1993
3º Internacional 1975/1976
7º Grêmio 1983

Roberto Assaf (comentarista da Sportv)
1º Fluminense 1975/1976
2º Internacional 1975/1976
8º Grêmio 1995/1996

Roberto Avallone (apresentador da TV Bandeirantes)
1º Flamengo 1980/1983
6º Grêmio 1983
10º Internacional 1975/1976

Sérgio Xavier Filho (diretor de redação da Placar)
1º Palmeiras 1996
3º Internacional 1975/1976
6º Internacional 1979/1980

Sidney Garambone (editor do Globo Esporte)
1º Flamengo 1980/1983
5º Internacional 1975/1976
7º Grêmio 1995/1996

Soninha Francine (apresentadora da ESPN Brasil)
1º Palmeiras 1996
4º Internacional 1975/1976

Walter Mattos Júnior (presidente do Lance!)
1º Flamengo 1980/1983
5º Internacional 1975/1976
8º Grêmio 1983

Wilson Baldini Júnior (repórter do Estado de São Paulo)
1º Flamengo 1980/1983
2º Internacional 1975/1976
9º Grêmio 1983

Considerando a visão "eixocêntrica" da maioria dos jornalistas, o desempenho do Internacional foi espetacular. O Internacional foi lembrado por 32 dos 35 eleitores (o Grêmio por apenas 23) e foi apontado como melhor time por 4 deles (a melhor colocação gremista foi um 3º lugar). O Intrnacional também foi o 1º clube fora do Eixo em 24 listas, o único clube fora do Eixo entre os cinco primeiros colocados em 17 listas e o único clube fora do Eixo em uma lista.

O voto do Falcão pode causar estranheza, mas é compreensível. Único ex-jogador entre os 35 eleitores, atuou em e das equipes citadas na eleição: Internacional 1975/1976, Internacional 1979/1980 e São Paulo 1985/1987. Isso talvez o tenha constrangido a não votar no Internacional 1975/1976 como o melhor time do período. Por outro lado, foi o único a apontar um clube fora do Eixo, além do Internacional, em 1º. Em sua lista, 4 esquadrões entre os 5 primeiros são de fora do Eixo, assim como metade dos 10.

Por fim, algumas considerações sobre alguns esquadrões votados (por ordem de classificação). O Santos 1970 (69 pontos) não conquistou nada, provavelmente foi uma concessão da revista à equipe de Pelé, que viveu seu auge antes da existência da revista. O Fluminense 1975/1976 (68 pontos), a Máquina Tricolor, aparece muito bem votada para uma equipe que venceu apenas estadual. E o Botafogo 1970/1972 (24 pontos) não ganhou nenhum título, sua melhor campanha foi um vice-campeonato brasileiro. O Internacional, entre 1987 e 1989, por exemplo, teve um desempenho muito melhor, com dois vices brasileiros e uma semifinal de Libertadores. Por fim, o Guarani 1978 (10 pontos) foi subestimado. Uma equipe do interior que chegou ao título brasileiro, e detém até hoje o recorde de vitórias consecutivas do Brasileirão (11 jogos) merecia um destaque maior.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Seleção Placar 2006


Em 2006 a revista Placar lançou uma edição especial, chamada "Meu Time dos Sonhos". Um colégio eleitoral formado por 20 jornalistas, dirigentes e personalidades escolheram a seleção de todos os tempos dos 12 grandes clubes brasileiros.

Os eleitores da seleção colorada (nem todos colorados), e como votaram:

Álvaro Almeida - jornalista - 42 anos
Taffarel; Luiz Carlos Winck, Figueroa, Gamarra e Rodrigues Neto; Batista, Tinga e Falcão; Valdomiro, Rafael Sobis e Daniel Carvalho. Técnico: Rubens Minelli

Arthur Dallegrave - vice-presidente do Internacional - 80 anos
Manga; Paulinho, Figueroa, Gamarra e Oreco; Salvador, Falcão e Carpegiani; Tesourinha, Claudiomiro e Carlitos. Técnico: Rubens Minelli

Cláudio Dienstmann - jornalista - 63 anos
Taffarel, Cláudio Duarte, Figueroa, Florindo e Oreco; Falcão, Dunga e Carpegiani; Valdomiro, Claudiomiro e Tesourinha. Técnico: Rubens Minelli

David Coimbra - jornalista - 43 anos
Manga; Paulinho, Figueroa, Mauro Galvão e Oreco; Salvador, Falcão e Carpegiani; Valdomiro, Claudiomiro e Tesourinha. Técnico: Ênio Andrade

Divino Fonseca - jornalista - 64 anos
Manga; Zangão, Figueroa, Gamarra e Oreco; Falcão, Carpegiani e Chinesinho; Valdomiro, Fernandão e Claudiomiro. Técnico: Rubens Minelli

Neto Fagundes - músico - 38 anos
Taffarel; Ceará, Figueroa, Fabiano Eller e Jorge Wagner; Edinho, Tinga e Falcão; Alex, Fernandão e Rafael Sobis. Técnico: Abel Braga

Fernando Carvalho - presidente do Internacional - 53 anos
Manga; Cláudio Duarte, Figueroa, Gamarra e Vacaria; Falcão, Carpegiani e Jair; Valdomiro, Fernandão e Lula. Técnico: Rubens Minelli

Hugo Amorim - ex-dirigente e jornalista - 68 anos
Manga; Paulinho, Figueroa, Nena e Oreco; Salvador, Carpegiani e Jair; Tesourinha, Claudiomiro e Lula. Técnico: Teté

Ibsen Pinheiro - ex-dirigente e deputado federal - 71 anos
Manga; Paulinho, Figueroa, Florindo e Oreco; Salvador, Falcão e Carpegiani; Valdomiro, Larry e Tesourinha. Técnico: Teté

Kenny Braga - jornalista - 62 anos
Manga; Luiz Carlos Winck, Figueroa, Nena e Oreco; Salvador, Falcão e Carpegiani; Tesourinha, Larry e Carlitos. Técnico: Rubens Minelli

Leandro Silvello - produtor musical - 31 anos
Manga; Luiz Carlos Winck, Figueroa, Gamarra e Jorge Wagner; Falcão, Tinga e Carpegiani; Valdomiro, Fernandão e Tesourinha. Técnico: Ênio Andrade

Luciano Potter - jornalista - 27 anos
Taffarel; Alpheu, Figueroa, Gamarra e Abigail; Falcão, Dunga e Carpegiani; Valdomiro, Fernandão e Carlitos. Técnico: Rubens Minelli

Mário Marcos de Souza - jornalista - 58 anos
Taffarel; Paulinho, Figueroa, Florindo e Oreco; Salvador, Falcão e Carpegiani; Valdomiro, Carlitos e Tesourinha. Técnico: Rubens Minelli

Markus Vitorino - radialista e historiador - 37 anos
Manga; Luiz Carlos Wink, Figueroa, Gamarra e Mauro Galvão; Batista, Falcão e Jair; Valdomiro, Fernandão e Mário Sérgio. Técnico: Abel Braga

Nico Noronha - jornalista - 47 anos
Manga; Cláudio Duarte, Figueroa, Pinga e Jorge Wagner; Falcão, Tinga e Carpegiani; Valdomiro, Claudiomiro e Lula. Técnico: Ênio Andrade

Nobrinho - assessor de imprensa do Internacional - 46 anos
Manga; Cláudio Duarte, Figueroa, Mauro Galvão e Jorge Wagner; Falcão, Carpegiani e Fernandão; Valdomiro, Claudiomiro e Rafael Sobis. Técnico: Rubens Minelli

Renato Alexandrino - jornalista - 31 anos
Taffarel; Luiz Carlos Winck, Figueroa, Gamarra e Oreco; Falcão, Tinga e Ruben Paz; Tesourinha, Fernandão e Carlitos. Técnico: Abel Braga

Ricardo Stefanelli - jornalista - 44 anos
Manga; Gamarra, Figueroa, Scala e Oreco; Falcão, Carpegiani e Fernandão; Valdomiro, Carlitos e Tesourinha. Técnico: Rubens Minelli

Ruy Carlos Ostermann - jornalista - 72 anos
Manga; Paulinho, Figueroa, Nena e Oreco; Salvador, Falcão e Carpegiani; Tesourinha, Sylvio Pirillo e Chinesinho. Técnico: Rubens Minelli

Sérgio Kapustan - jornalista - 45 anos
Manga; Cláudio Duarte, Figueroa, Bolívar e Jorge Wagner; Falcão, Carpegiani e Jair; Rafael Sobis, Fernandão e Lula. Técnico: Abel Braga

A seleção final ficou assim composta:
Manga; Paulinho, Figueroa, Gamarra e Oreco; Salvador, Falcão e Carpegiani; Valdomiro, Fernandão e Tesourinha. Técnico: Rubens Minelli

O time ficou um pouco torto, com a eleição de dois ponteiros-direitos para o ataque, embora Tesourinha, em suas origens na várzea, fosse ponteiro-esquerdo. E apenas Figueroa foi unanimidade, pois Hugo Amorim não votou em Falcão.

Por curiosidade, como ficaria a "seleção reserva":

Taffarel; Cláudio Duarte (Luiz Carlos Winck), Florindo, Nena e Jorge Wagner; Tinga, Batista (Dunga) e Jair; Carlitos, Claudiomiro e Lula. Técnico: Abel Braga

Ocorreu empate na lateral direita e nos meias. E assim como o time titular, o reserva ficou "torto" para um lado, dessa vez o esquerdo.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Jogadores do passado: Nílson Dias


Nílson Severino Dias nasceu em 25/01/1952, no Rio de Janeiro.

Torcedor rubro-negro, Nílson Dias tentou ingressar nas categorias de base do Flamengo em 1967, mas não teve êxito. No ano seguinte ingressou nos juvenis do Botafogo. No time principal, o centroavante estreou em abril de 1970.

Em março de 1971 Nílson Dias foi convocado para a Seleção Brasileira que disputaria o Torneio da Juventude (atual Campeonato Sul-Americano de Juniores), no Paraguai. O Brasil foi eliminado na 1ª fase, com duas vitórias e duas derrotas. Em abril, disputou o Torneio de Cannes, onde o Brasil foi campeão tendo Abel Braga como capitão da equipe. Em novembro foi novamente convocado para disputar o Torneio Pré-Olímpico, na Colômbia. O Brasil foi campeão e Nílson Dias marcou três gols. Em 1972 chegou a disputar dois amistosos pela seleção olímpica em junho. Em 13/06 um empate em 0x0 com o Atlético, no Mineirão, e em 17/06 uma vitória por 4x1 sobre o Hamburgo (ALE) no Beira-Rio, em jogo que o colorado Falcão marcou dois gols.

Mas Nílson Dias não foi convocado para os Jogos Olímpicos, sendo emprestado, no mesmo mês de junho, para o Deportivo Cali. Lá conquistou o Torneio Finalización, equivalente ao 2º turno. No Triangular Final, entretanto, o Deportivo Cali ficou com o vice-campeonato.

Em fevereiro de 1973 Nílson Dias retornou ao Botafogo, assumindo a titularidade e sendo o responsável pela maioria dos gols do clube. Em 13/11/1975 Nílson Dias rompeu os ligamentos do tornozelo direito e fraturou a fíbula, em uma dividida com Zé Maria, do Corinthians. Ele retornaria aos gramados em 06/06/1976, em um amistoso com o Grêmio, no Olímpico. A partida terminou 1x1 e Nílson Dias fez o gol do Botafogo.

No início de 1977 Nílson Dias foi convocado para a Seleção Brasileira, disputando cinco amistosos (Bulgária, Seleção Paulista, Combinado Flamengo/Fluminense, Millonarios e Combinado Vasco/Botafogo). Marcou seu único gol na vitória por 6x1 sobre o Combinado Vasco/Botafogo. Entre setembro de 1977 e julho de 1978 participou da sequência de 52 partidas invictas do Botafogo, recorde nacional. Nílson Dias tornou-se um dos maiores artilheiros do alvi-negro carioca, com 127 gols marcados. Em setembro de 1978, sofrendo grave crise financeira, o Botafogo negociou Nílson Dias com o Universidad Guadalajara, do México. Em sua primeira temporada em terras mexicanas marcou 17 gols, sendo o 8º artilheiro do campeonato. Nas duas temporadas seguintes, porém, lesões e poucas sequências de jogos o levaram a marcar apenas três gols.

Em março de 1981 o Internacional enfrentava problemas no comando do ataque. Bira, um dos heróis do título brasileiro de 1979 enfrentou lesões e más atuações em 1980 e já não contava com a confiança da torcida. E Internacional e Universidad Guadalajara acertaram as trocas por empréstimo de seus centroavantes, por quatro meses. Bira saiu magoado, dizendo que preferia jogar no Rio ou em São Paulo, na volta. Nílson Dias chegou esperançoso, falando em voltar à Seleção Brasileira.

A estreia de Nílson Dias no Colorado ocorreu em 08/03/1981. O Internacional enfrentava o Goiás, no Beira-Rio. Nílson Dias entrou no time substituindo Cléo e marcou o único gol do jogo, aos 34'. Em 15/03, outra vez saindo do banco de reservas, substituiu Jones e marcou dois gols contra o Sport. Mas os pernambucanos reagiram e empataram a partida em 2x2. Em 21/03 ele seria titular pela primeira vez, no Serra Dourada, em partida que terminou 0x0, contra o Goiás. Na histórica goleada de 6x0 sobre o Palmeiras, em 28/03, Nílson Dias marcou o 5º gol colorado, após assistência de Batista. Em 05/04, na partida contra o Sport, Nílson Dias foi expulso, ficando de fora da 1ª partida das oitavas-de-final, contra o Atlético MG, no Mineirão. Mas voltou para o jogo no Beira-Rio, onde fez o gol salvador do empate em 1x1, que classificou o Colorado. Nas quartas-de-final o Internacional foi batido nos dois jogos pelo São Paulo, sem marcar gols. Nílson Dias disputou 9 partidas no campeonato brasileiro, marcando 5 gols.

Nílson Dias disputou os 4 amistosos realizados entre o campeonato brasileiro e o campeonato gaúcho, marcando um gol contra o Mixto. No Gauchão, o primeiro gol colorado foi de Nílson Dias, na vitória de 2x1 sobre o São Gabriel, em 07/06. Mas começava também um momento de angústia para a torcida e jogador. Seu empréstimo se encerrava em 30/06. Apesar do centroavante cair nas graças da torcida e do técnico Cláudio Duarte, o presidente José Asmuz não se mostrava disposto a pagar os 23 milhões de cruzeiros pedidos pelos mexicanos para negociá-lo em definitivo. Apesar de uma enquete realizada pela rádio Gaúcha indicar que 65% dos torcedores ouvidos queriam a contratação do atacante o negócio não se concretizou. Em 28/06, dois dias antes do fim do contrato, Nílson Dias entrou em campo pela última vez com o manto colorado. O Internacional enfrentava o Brasil de Pelotas, no Beira-Rio, e penava em um empate em 1x1, quando Nílson Dias, aos 40' do 2º tempo, como presente de despedida, fez o gol da vitória.

O contrato com o Internacional encerrou-se, mas Nílson Dias não voltou ao México, sendo negociado com o Santos. Sua carreira, a seguir, foi esta: Santos (1981/1982), Santa Cruz (1982), São Cristóvão (1983), Santos (1983), Acadêmica Coimbra POR (1983/1985), Olaria (1985), Al Riffa BAR (1985/1987), Central RJ (1988) e Sobradinho (1989). No seu último clube, chegou em maio de 1989, para um contrato de 4 meses. Em sua estreia marcou dois gols na vitória sobre o Taguatinga, por 3x1. Nílson Dias jogou mais três partidas e pediu a rescisão do contrato, alegando problemas particulares e falta de campo de treinamento.

Seus números pelo Internacional:
19 partidas
8 vitórias
7 empates
4 derrotas
8 gols marcados
campeão gaúcho em 1981 (participou dos seis primeiros jogos)

domingo, 24 de janeiro de 2021

Abelão, o predestinado

Foto: Ricardo Duarte (site oficial do clube)

No final da década de 1980, Abel Braga era a grande revelação dos técnicos brasileiros. Começou a treinar em 1985, e após comandar Goytacaz, Rio Ave, Vitória, Galícia e ter uma breve passagem pelo Botafogo, estava fazendo um bom trabalho no Santa Cruz, ganhando o estadual em 1987. Em outubro de 1988 foi contratado pelo Internacional.

A chegada de Abel mudou bastante a forma de jogar. O Colorado passou a ser mais ofensivo (desagradando alguns nomes da imprensa esportiva da aldeia) e a avançar nas competições. No Brasileiro de 1988, após vencer o dramático "Gre-Nal do Século" acabou tropeçando contra o Bahia, na final, quando era apontado como favorito. Na Libertadores de 1989, após um começo confuso, o time avançou firmemente em direção ao título, mas no jogo de volta da semifinal, quando ninguém acreditava em uma eliminação, após a vitória sobre o Olimpia no Paraguai, o Colorado caiu fora. Pouco depois, Abel também deixaria o Internacional, com a sensação de duas obras incompletas.

Mas veio o ano de 2006, e Abel mais uma vez comandava o Internacional. Recebia dos céus uma segunda chance de conquistar a América. Pela Libertadores, novamente o clube chegou na semifinal contra uma equipe paraguaia (Olimpia em 1989, Libertad em 2006). Exorcizamos o fantasma daquela semifinal trágica, empatando no Defensores del Chaco e vencendo no Beira-Rio, os dois palcos da tragédia de 1989. Resultado? Conquistamos a Libertadores e o Mundial.

Uma fase de conquistas se abriu para o Colorado, mesmo com outros técnicos. Conquistamos mais uma Libertadores, uma Sul-Americana e duas Recopas. Mas faltava um título brasileiro. Clubes que nunca haviam vencido o Brasileiro chegavam ao título, mas o Colorado no máximo chegava perto. Após os tempos sombrios da década de 1990 e início do século XXI, o Internacional iniciou vários campeonatos brasileiros apontado como o favorito ao título, mas não confirmava em campo. O próprio Abel, em 2006, foi vice-campeão, mas em uma temporada que o clube abriu mão de disputar o título para focar no Mundial.

E veio 2020, e veio a pandemia de COVID-19. O Internacional começou o ano com grandes expectativas, mas sofreu com lesões (Guerrero, Saravia, Boschillia), com crises políticas internas e com a perda do técnico que liderava o campeonato brasileiro. Abel chegou desacreditado, e seus primeiros resultados não mudaram esse cenário. Mas...

Parece que novamente os deuses do futebol preparam uma redenção. Assim como em 2006 expurgamos o fantasma de 1989, parece que em 2020 será a vez do fantasma de 1988. A torcida colorada expiou qualquer pecado que tivesse em anos e anos de tropeços no campeonato brasileiro. Hoje, a maior parte da torcida colorada não sabe o que é comemorar um título brasileiro. Na primeira década do século, chegamos perto em 2005, 2006 e 2009. Mas na última década sofremos inclusive um inédito rebaixamento.

E a volta por cima trás vários detalhes interessantes. O Internacional, sob o comando de Abel, igualou seu recorde de vitórias consecutivas no campeonato brasileiro (8) estabelecido lá no distante ano de 1978, por Cláudio Duarte. E tem boas chances de ampliar esse recorde. Assim como em 1988, o campeonato brasileiro de 2020 avançou pelo ano seguinte. E assim como em 1988, o confronto com o Grêmio surgiu em um momento decisivo do campeonato. E como no campeonato de 1988, o rival estava invicto a vários clássicos (12 em 1988/1989, 11 em 2020/2021). Novamente como naquele ano fatídico, saímos perdendo o clássico e viramos o jogo quando ninguém mais acreditava. Em 1989 (campeonato de 1988), com um jogador a menos. Em 2021 (campeonato de 2020) nos minutos finais.

Mais alguns detalhes derrubam qualquer cético em relação ao que os deuses do futebol prepararam. Será um resgate incrível de todo esse tempo sem títulos brasileiros. Abel vai se redimir do título de 1988, nos vingaremos de 2009 e comemoraremos o título contra o Corinthians. Alguém esqueceu 2005? Eu não.

Em 2009 o Grêmio entregou para o Flamengo. Esse ano vai entregar novamente, mas não vai adiantar. Como dizia aquele grande pensador, a história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.

Vai lá, Abel! Segue os planos elaborados pelos deuses do futebol e cumpre teu destino!

Jogadores do passado: Guilherme Noé


Em 5 de abril de 1992 nascia em São Paulo Guilherme Afonso Noé.

Guilherme Noé, que jogaria como volante e meia, começou a jogar futebol nas categorias de base do Corinthians, em 2010. No ano seguinte transferiu-se para o Osasco e ainda em 2011 foi emprestado ao Internacional, para jogar na equipe sub-23. Defendendo o Rolinho disputou, entre outras competições, a Copa Pantanal e a Copa FGF. No final do ano foi contratado em definitivo.

No time principal colorado, porém, Guilherme Noé atuaria apenas uma vez, em 26/01/2012, no Beira-Rio. O Internacional havia atuado contra o Once Caldas, pela Taça Libertadores, no dia anterior, e pelo Gauchão, contra o Cerâmica, escalou a equipe sub-23, sob o comando de Osmar Loss. Guilherme Noé foi a campo ao lado de Agenor, Cláudio Winck, Fred e Eduardo Sasha. O Colorado perdeu por 2x1 e Guilherme Noé foi substituído por Rodrigo Dourado. Apesar do mau resultado, Guilherme Noé inscreveu seu nome entre os campeões gaúchos de 2012.

A partir de 2013, Guilherme começaria uma peregrinação por vários clubes brasileiros: Audax Rio (2013), Tombense (2014), Nacional de Muriaé (2014), Tupi MG (2015), Tombense (2015), Mirassol (2015), Batatais (2016), Caldense (2016), Rio Preto (2017), São Bernardo (2017/2018), Ipatinga (2019), Palmas (2019), Nacional SP (2020), Democrata GV (2020) e Palmas (2020/2021).

No dia 24/01/2021 pela manhã, um avião partiu de Palmas, no Tocantins, tendo a bordo o piloto, comandante Wagner, o presidente do Palmas, Lucas Meiras, e quatro atletas da equipe: Guilherme Noé, Lucas Praxedes, Ranule e Marcus Molinari. O destino era a cidade de Goiânia, onde o Palmas enfrentaria o Vila Nova no dia seguinte, pela Copa Verde. Mas logo após decolar o avião caiu, sem deixar sobreviventes.

 

sábado, 23 de janeiro de 2021

Um clássico - Internacional 2x0 Grêmio - 05/03/1967


Em 1967 as federações carioca e paulista decidiram ampliar o Torneio Rio-São Paulo para os estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná. A competição, que oficialmente se chamava Torneio Roberto Gomes Pedrosa, caiu no gosto popular como "Robertão". E logo na primeira rodada estava marcado o clássico Gre-Nal, no estádio Olímpico, em 05/03/1967.

A organização do torneio decidiu que todos torcedores deveriam pagar ingresso nas partidas, inclusive os sócios, o que afetou a torcida gremista principalmente, pois o jogo seria disputado no estádio Olímpico. Mesmo assim, a partida entusiasmou a cidade e havia o temor de que não houvesse espaço para todos os torcedores interessados em assistir o jogo.

O regulamento do torneio determinava que torcedores que jogassem saquinhos de urina ou dirigissem gracejos inconvenientes às mulheres fossem retirados do estádio.

As duas equipes organizaram-se com poucos desfalques. O Grêmio não contaria com Ortunho, mas o jovem Everaldo o substituiria. No Internacional, Joaquim desfalcaria o time, entrando em seu lugar David.

Mais de 30 mil torcedores compareceram ao Olímpico, para assistir o clássico, o primeiro Gre-Nal válido por uma competição nacional. O Grêmio começou a partida pressionando o Internacional, tentando resolver o jogo logo. O Colorado começou com uma postura mais defensiva. Elton apoiava os quatro defensores. Lambaria cobria o meio campo, ao lado de Dorinho, e Bráulio recuava para fazer a ligação. Apenas Carlitos e David ficavam no ataque. Para conter a força ofensiva gremista, o Internacional recorria a faltas, algumas próximas à área, onde as cobranças de Alcindo assustavam a torcida. Como reação, o Colorado contra-ataque pela direita, com Carlitos, mas Everaldo anulava o esforço alvi-rubro.

Buscando modificar o quadro da partida, o técnico colorado Sérgio Moacir Torres decidiu atacar pela esquerda. David recuava e lançava Bráulio nas costas de Áureo. Esse lance levou perigo duas vezes ao setor defensivo gremista. E aos 22', um ataque parecido começou a mudar a história do jogo. Carlitos lançou David, que avançou, driblou Aírton e Áureo e atrasou para Bráulio chutar de pé direito, à meia altura, no canto direito. Internacional 1x0! O gol abalou o Grêmio, que não conseguia reagir. A jogada clássica do Tricolor, os lançamentos para Alcindo, foi anulada quando Sérgio Moacir determinou que o zagueiro colorado Scala se antecipasse na jogada. O outro atacante perigoso gremista, Volmir, era marcado de perto por Laurício, apoiado por Elton ou Lambari. O lateral direito gremista Altemir ficou livre, pois o ponteiro-esquerdo colorado Dorinho jogou toda a partida recuado. Mas por falta de orientação do técnico gremista Carlos Froner, não aproveitou a liberade para apoiar.

No 2º tempo o Grêmio voltou novamente propondo o jogo, mas sem levar perigo ao gol colorado. Os gremistas imaginavam que esse seria o cenário da partida, e que com o passar do tempo chegariam ao empate. Mas depois dos 30' a situação se inverteu. Sérgio Moacir Torres mudou a atitude do time, que passou a pressionar o Grêmio em busca do segundo gol. E aos 35' Carlitos desceu pela direita, cruzou para Bráulio, que serviu a Carlinhos (que havia substituído David). O atacante chutou da intermediária, fraco, sem muitas pretensões, mas Alberto pulou tarde, a bola passou por baixo de seu corpo, em um "frango". Internacional 2x0!

Depois do 2º gol do Internacional, os jogadores gremistas começaram a cometer erros sucesssivos, nas tentativas de atacar, enquanto os colorados limitavam-se a prender a bola e deixar o tempo passar. Ao final da partida, o Internacional venceu o clássico com méritos, assumindo a liderança do Robertão.

Equipes:
IN: Gainete; Laurício, Scala, Luiz Carlos e Sadi; Lambari e Elton; Carlitos, Bráulio (Wanderley), David (Carlinhos) e Dorinho
Técnico: Sérgio Moacyr Torres Nunes
GR: Alberto; Altemir, Aírton, Áureo e Everaldo; Cléo e Sérgio Lopes; Babá (Paulo Lumumba), Joãozinho, Alcindo e Volmir
Técnico: Carlos Benevenuto Froner

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

TORNEIOS - Copa Cidade de Bogotá


O Internacional foi convidado para disputar, no início de 1972, o Torneio Quadrangular Copa Alcadía de Bogotá, ou simplesmente, Copa Cidade de Bogotá. Além do Internacional, participariam os colombianos Independiente Santa Fé e Millonarios, e o iugoslavo Estrela Vermelha.


A equipe iugoslava era a grande sensação para a imprensa colombiana, principalmente devido a Dragan Dzajic, melhor jogador do país e quarto melhor da Europa. Entretanto, o craque iugoslavo, lesionado em um amistoso contra o Sevilla, não jogou na Colômbia. O Colorado era considerado um representante do veloz futebol brasileiro. A primeira rodada estava marcada para o dia 16 de janeiro de 1972, em El Campín. O Internmacional recém havia voltado das férias, e o time de Dino Sani só havia disputado um amistoso (2x0 Novo Hamburgo).

Na primeira rodada, na preliminar, o Estrela Vermelha bateu o Millonarios por 4x3. Na partida de fundo o Colorado enfrentou o Independiente Santa Fé. Chovia muito em Bogotá, atrapalhando a qualidade do jogo. Claudiomiro e Árlem foram os melhores atacantes colorados no 1º tempo, mas a chuva e a falta de preparo físico adequado impediram uma boa atuação do Internacional. No início do 2º tempo o Internacional, alternando toques longos e curtos, tentou levar perigo ao gol colombiano, destacando-se Carbone. Mas o esforço não durou muito tempo. Depois de um período de domínio colombiano, onde o goleiro Schneider destacou-se, a partida parecia encaminhar-se ao empate. Mas aos 44' do 2º tempo, o lateral Vazques cruzou para a área, Ernesto Díaz dominou e chutou no canto esquerdo de Schneider, marcando o único gol da partida.



O tempo ruim continuou sobre Bogotá. A segunda rodada, marcada para o dia 20, foi transferida para o dia 21 e novamente para o dia 22, devido à chuva. No dia 22 a bola rolou, mesmo abaixo de mau tempo. A imprensa colombiana considerou que o gramado estava impraticável. Independiente Santa Fé e Estrela Vermelha ficaram no 0x0. No jogo de fundo, o Internacional começou melhor, dominando o Millonarios, apesar do campo pesado. Jogando pelas pontas, o Colorado levava pânico à defensiva adversária, com Valdomiro e Árlem, mas pecava na hora de finalizar. Nos minutos finais do 1º tempo, Claudiomiro foi derrubado na área. O próprio centroavante cobrou o pênalti, mas o goleiro Cañón, adiantado, defendeu. Na sequência, Edison Scott cometeu pênalti em Brand. Vilano cobrou, mas Schneider espalmou para escanteio. No 2º tempo, a partida ficou parelha, com as duas equipes lutando bravamente contra as condições do gramado. Aos 21', após uma confusão na área colorada, a bola sobrou para Ortiz, que chutou para marcar. Depois do gol, praticamente não teve mais jogo, devido às condições do gramado, embora o Internacional fosse mais agressivo que seu adversário.


No dia 23 ocorreria a última rodada, tendo na preliminar o clássico colombiano e no jogo de fundo o confronto entre Internacional e Estrela Vermelha. Aos 10 minutos de jogo da partida preliminar começou a chover, de início fraco, mas l,ogo em seguida um temporal. No início do 2º tempo, com a partida ainda 0x0, o árbitro Mário Canessa advertiu os jogadores da falta de condições de jogo, mas os atletas preferiram continuar jogando. Porém, aos 2' o juiz paralisou a partida, que não voltou a ser realizada. No horário da partida de fundo a chuva havia parado, mas o árbitro Guillermo Velázquez considerou que não havia condições de jogo e cancelou a partida, embora os dirigentes brasileiros e iugoslavos quisessem jogar. Mais tarde, as direções dos quatro clubes, os organizadores do torneio e a liga colombiana se reuniram para decidir o futuro da competição. A chuva estava afastando o público dos jogos e os organizadores estavam tendo prejuízo. A proposta de realizar a rodada em outra data obrigaria os organizadores a terem mais despesas com a estadia dos clubes estrangeiros e o tempo continuava instável. Com isso, foi decidido pelo encerramento do torneio, sem a realização da última rodada.