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quinta-feira, 15 de abril de 2021

Os gols "milenares" do Internacional


O Internacional, ao longo de sua história, já marcou mais de 11 mil gols. Do primeiro gol, de Vignoles, ao gol 11.000, de Thiago Galhardo, a lista dos gols "milenares" do clube.

Gol 00001 - Vignoles
10/10/1909 2x1 Militar - Amistoso - Campo da Várzea (Porto Alegre)
1º gol colorado na partida - 1º gol do jogo - 3ª partida do clube

Gol 1.000 - Nenê
08/07/1928 2x3 Concórdia - Campeonato Municipal - Campo da Av. Benjamin Constant (Porto Alegre)
2º gol colorado na partida - 2º gol do jogo - 265ª partida do clube

Gol 2.000 - Ávila
18/12/1941 6x3 São José - Amistoso - Eucaliptos (Porto Alegre)
4º gol colorado na partida - 5º gol do jogo - 561ª partida do clube

Gol 3.000 - Carrion (contra)
21/10/1950 3x1 Cruzeiro - Campeonato Municipal - Montanha (Porto Alegre)
3º gol colorado na partida - 3º gol do jogo - 874ª partida do clube

Gol 4.000 - Larry
16/11/1958 2x2 Renner - Campeonato Metropolitano - Eucaliptos (Porto Alegre)
2º gol colorado na partida - 3º gol do jogo - 1.226ª partida do clube

Gol 5.000 - Claudiomiro
08/02/1968 3x1 Guarany (Bagé) - Campeonato Gaúcho - Estrela D'Alva (Bagé)
1º gol colorado na partida - 1º gol do jogo - 1.731ª partida do clube

Gol 6.000 - Escurinho
02/05/1976 4x0 Gaúcho - Campeonato Gaúcho - Beira-Rio (Porto Alegre)
3º gol colorado na partida - 3º gol do jogo - 2.329ª partida do clube

Gol 7.000 - Sílvio
26/01/1984 2x4 Grêmio - Amistoso - Olímpico (Porto Alegre)
1º gol colorado na partida - 1º gol do jogo - 2.907ª partida do clube

Gol 8.000 - Marquinhos
01/02/1993 2x2 Guarani (Venâncio Aires) - Amistoso - Beira-Rio (Porto Alegre)
1º gol colorado na partida - 2º gol do jogo - 3.561ª partida do clube

Gol 9.000 - Fábio Pinto
02/06/2002 2x0 15 de Novembro - Campeonato Gaúcho - Beira-Rio (Porto Alegre)
1º gol colorado na partida - 1º gol do jogo - 4.186ª partida do clube

Gol 10.000 - Bolatti
16/02/2011 1x1 Emelec - Taça Libertadores da América - George Capwell (Guayaquil)
1º gol colorado na partida - 1º gol do jogo - 4.811ª partida do clube

Gol 11.000 - Thiago Galhardo
14/04/2021 6x1 Aimoré - Campeonato Gaúcho - Cristo Rei (São Leopoldo)
4º gol colorado na partida - 5º gol do jogo - 5.498ª partida do clube

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Jogadores do passado: Paulo Santos


Paulo Santos nasceu em Porto Alegre, em 14 de abril de 1960.

Paulo Santos começou a jogar no Ouro Verde, time de várzea do Passo das Pedras. Em 1979 ele fez um único treino nos juniores do Internacional e foi contratado para as categorias de base. O ponteiro-direito Paulo Santos fez sua estreia no time principal em 31 de agosto de 1980, contra o Pelotas, pelo campeonato gaúcho. O Colorado excursionava na Europa e deixou uma equipe de reservas e juniores disputando o estadual. O time comandado pelo técnico Pedro Ário Figueró disputou cinco partidas e Paulo Santos jogou a última, quando no Beira-Rio o Colorado foi derrotado pelo Pelotas por 1x0.

Em dezembro de 1980, novamente comandado por Pedro Figueiró, Paulo Santos disputou a Copa São Paulo de Juniores. Nas quartas de final o Internacional bateu o Matsubara por 2x1 e Paulo Santos fez um dos gols. Na semifinal o Colorado perdeu para a Ponte Preta por 3x1, mas Paulo Santos mais uma vez marcou. E na decisão do 3º lugar o Internacional bateu o Santos por 2x0, com dois gols dele. Mesmo tendo jogado apenas metade do torneio, foi o artilheiro colorado com 4 gols.

Seu bom desempenho na Copa São Paulo chamou a atenção de Mário Juliato, técnico que estava assumindo o Internacional em 1981. A direção colorada estava trocando Toninho e Bagatini pelo ponteiro-direito Capitão, do Guarani, mas Mário Juliato desaconselhou o negócio, pois atrapalharia a ascensão de Paulo Santos. No primeiro jogo do ano, em 18 de janeiro, contra a Ponte Preta, no Beira-Rio, Paulo Santos foi titular. O Colorado venceu por 4x2, em partida válida pelo campeonato brasileiro, e Mário Juliato anunciou que o ponteiro-direito, destaque do time de juniores, seria escalado por 20 partidas consecutivas. No jogo seguinte, contra o Vila Nova, no Serra Dourada, o Internacional venceu por 2x0 e Paulo Santos fez seu primeiro gol. Até a revista Placar passou a ver o jogador como grande promessa, e na capa da edição de 30 de janeiro de 1981 Paulo Santos aparecia com a legenda: "nasceu o ponta da Copa de 1982". Mas os resultados seguintes não foram bons e a promessa de Mário Juliato não se cumpriu. Na 8ª partida ele substituiu Paulo Santos pela primeira vez e não o escalou na 9ª partida. O técnico não chegou ao 10º jogo, demitido e substituído por Cláudio Duarte.


Com Cláudio Duarte, Paulo Santos não teria muitas chances. Disputou apenas quatro partidas no campeonato gaúcho, mas foi campeão. Também disputou o amistoso com a Roma, na comemoração de um ano de Falcão no clube italiano. No início de 1982 foi emprestado ao Coritiba. A temporada de 1982 não foi boa para o Coxa. O clube não havia conseguido se classificar nem para a Taça de Prata, e no estadual ficaria em 10º lugar.

Em 1983, de volta ao Internacional, foi titular em quatro partidas do campeonato brasileiro, com o técnico Ernesto Guedes e depois Dino Sani. Com Dino, Paulo Santos voltaria ao banco de reservas, atuando poucas vezes. Disputou mais uma vez quatro partidas no estadual e também o Troféu Naranja, na Espanha.

Em 1984, ainda com Dino Sani no comando do Internacional, Paulo Santos começou o campeonato brasileiro como titular, e logo em seguida como um reserva que entrava com frequência no time. No Torneio Heleno Nunes, foi titular de Otacílio Gonçalves. Na 2ª partida no torneio garantiu a vitória colorada por 1x0 sobre o Atlético MG de Rubens Minelli, em pleno Mineirão. Contra o Cruzeiro, no Beira-Rio, nova vitória de 1x0 com gol de Paulo Santos. Na goleada de 4x0 sobre o Sport, na Ilha do Retiro, mais uma vez ele deixou sua marca. No dia 17 de maio, no Beira-Rio, o Internacional enfrentava o Santa Cruz, em seu último jogo pelo torneio. O Colorado tinha a mesma pontuação do Bahia, que ainda jogaria com o Santa Cruz. Precisava vencer para sonhar com o título. Aos 41' do 2º tempo a partida estava 1x1, quando Paulo Santos marcou o gol da vitória. No dia 20 o Bahia empatou com o Santa Cruz e o Colorado foi campeão do Torneio Heleno Nunes.

Foi titular também na excursão à Ásia, conquistando a Copa Kirin. Em seguida, fez parte dos atletas colorados convocados para disputar as Olimpíadas de 1984. Jogou apenas uma partida, em 6 de agosto de 1984, quando o Brasil empatou em 1x1 com o Canadá e venceu nos pênaltis. No final da competição conquistou a medalha de prata, a primeira que o Brasil conquistou no futebol. No campeonato gaúcho também foi titular em várias partidas, conquistando seu terceiro título estadual. Paulo Santos marcou duas vezes, contra Esportivo e Pelotas. Em 25 de novembro de 1984, o Internacional bateu o Grêmio por 2x0, no Beira-Rio. Com essa vitória o Internacional estabeleceu a maior vantagem no clássico: 31 vitórias a mais (112 vitórias contra 81 derrotas e 78 empates). No primeiro gol colorado, Paulo Santos avançou pela direita, ganhou da marcação e cruzou para Mauro Galvão, de voleio, marcar.

Em 1985 Paulo Santos começou como titular, mas logo passou a ter a concorrência de Tita. Mesmo assim, entrava em várias partidas. Mas nessa temporada os títulos não vieram Mesmo assim, em 20 de outubro de 1985, no Beira-Rio, o Internacional bateu o Grêmio por 2x0 e Paulo Santos fez o primeiro gol, seu único gol em Gre-Nal. Em 8 de dezembro de 1985, no Olímpico, o Internacional foi derrotado pelo Grêmio por 2x1, na decisão do campeonato gaúcho. Essa foi a última partida de Paulo Santos pelo Internacional.

A partir de 1986 ele começaria uma peregrinação por vários clubes. Atuou na Ferroviária (1986), América RJ (1987), Glória (1989), Marcílio Dias (1990), Passo Fundo (1991), Caxias (1992) e Palmeirense (1993/1994). A seguir, Paulo Santos ainda jogaria no Cruzeiro de Porto Alegre em 1998 e 1999, onde encerrou a carreira.

O Cruzeiro na Segundona de 1998 no Estrelão: em pé massagista Mario Cigano, diretor de futebol Celso Vivian, Jairo, Tile, Leão, Diego, João Alberto e Moisés; agachados Paulo Santos, Everton, Cachorrão, Marreta e Paulo Renato. Contribuição de Ernani Campelo.

Seus números no Internacional:
114 partidas
55 vitórias
38 empates
21 derrotas
11 gols marcados
Campeão gaúcho em 1981, 1983 e 1984
Campeão do Torneio Heleno Nunes em 1984
Campeão da Copa Kirin em 1984

Suas vítimas:
Vila Nova, Atlético MG, Cruzeiro, Sport, Santa Cruz, Grêmio, Esportivo, Pelotas, Brasil de Pelotas, Internacional SM e São Borja - 1 gol

Pela seleção brasileira foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1984.

terça-feira, 13 de abril de 2021

O Torcedor - Eduardo Galeano



No dia em que se completa 6 anos do falecimento do escritor uruguaio Eduardo Hughes Galeano, uma homenagem a esse grande nome da cultura latino-americana, com um de seus textos sobre futebol, uma de suas grandes paixões.


O Torcedor

Uma vez por semana o torcedor foge de casa e vai ao estádio.

Ondulam as bandeiras, soam mas matracas, os foguetes, os tambores, chovem serpentinas e papel picado: a cidade desaparece, a rotina se esquece, só existe o templo. Neste espaço sagrado, a única religião que não tem ateus exibe suas divindades. Embora o torcedor possa contemplar o milagre, mais comodamente, na tela de sua televisão, prefere cumprir a peregrinação até o lugar onde possa ver em carne e osso seus anjos lutando em duelo contra os demônios da rodada.

Aqui o torcedor agita o lenço, engole saliva, engole veneno, come o boné, sussura preces e maldições, e de repente arrebenta a garganta numa ovação e salta feito pulga abraçando o desconhecido que grita gol ao seu lado. Enquanto dura a missa pagã, o torcedor é muitos. Compartilha com milhares de devotos a certeza de que somos os melhores, todos os juízes estão vendidos, todos os rivais são trapaceiros.

É raro o torcedor que diz: "Meu time joga hoje". Sempre diz: "Nós jogamos hoje". Este jogador número doze sabe muito bem que é ele quem sopra os ventos de fervor que empurram a bola quando ela dorme, do mesmo jeito que os outros onze jogadores sabem que jogar sem torcida é como dançar sem música.

Quando termina a partida, o torcedor, que não saiu da arquibancada, celebra sua vitória, que goleada fizemos, que surra a gente deu neles, ou chora sua derrota, nos roubaram outra vez, juiz ladrão. E então o sol vai embora, e o torcedor se vai. Caem as sombras sobre o estádio que se esvazia. Nos degraus de cimento ardem, aqui e ali, algumas fogueiras de fogo fugaz, enquanto vão se apagando as luzes e as vozes. O estádio fica sozinho e o torcedor também volta à sua solidão, um eu que foi nós; o torcedor se afasta, se dispersa, se perde, e o domingo é melancólico feito uma quarta-feira de cinzas depois da morte do carnaval.

Este texto faz parte do livro Futebol ao sol e à sombra.

No livro Fechado por motivo de futebol, também de Galeano, há uma entrevista do autor ao jornal El Grafico, concedida em 1995, logo depois da publicação de Futebol ao sol e à sombra. Uma das perguntas é muito interessante:

- Por que escreveu um livro sobre futebol?

- Porque o futebol é o espelho do mundo e em meus livros eu me ocupo da realidade. A realidade é uma senhora muito louca, que fala de dia e de noite tmabém; em suas horas de vigília e enquanto dorme ou se faz de adormecida; nas horas do sonho e do pesadelo. Eu sou um ouvinte das suas vozes; quero escutar o que ela conta para contar para os outros. Por isso me interessa a realidade que foi, a que é e a que será. E o futebol é uma parte fundamental da realidade, sempre achei muito indignante que a história oficial ignorasse essa parte da memória coletiva que é o futebol em países como os nossos. Os livros de história do século XX nunca mencionaram o futebol, jamais, não existe; e foi fundamental para as pessoas de carne e osso. Como que não existe?



segunda-feira, 12 de abril de 2021

Jogadores do passado: Woebcke


Ernesto Woebcke era filho de uma tradicional família teuto-riograndense. Seu tio materno, Rudolph Ahrons, foi para a Alemanha, onde se formou engenheiro civil pela Escola Politécnica de Berlim. Em seguida cumpriu um estágio em São Petersburgo, na Rússia, onde participou da reforma do palácio de verão do czar Nicolau II.
O menino Ernesto Woebcke ao lado dos pais, avós e primas

O zagueiro Ernesto Woebcke começou a jogar futebol no Frisch Auf, em 1914. Seu primeiro confronto contra o Internacional ocorrreu em 14 de novembro de 1915, um amistoso onde o Colorado bateu o Frisch Auf por 7x2. Nessa época, Woebcke residia na rua Coronel Vicente, nº 2. Em 1916 Woebcke ingressou em outro clube da comunidade teuto-riograndense, o Fussball. Pelo novo clube sofreu uma impiedosa derrota 13x1 para o Internacional, em 10 de setembro de 1916.

No Fussball Woebcke enfrentou os tensos meses de 1917. Em 16 de abril de 1917, em virtude do torpedeamento do navio brasileiro Paraná (em 5 de abril) por submarinos alemães, começaram a ocorrer ataques a lojas e residências de alemães e seus descendentes, na capital. Diante do clima tenso e instável, a Federação Sportiva Rio Grandense, que controlava o futebol da capital, decidiu adiar por algumas semanas o início do campeonato de 1917.

Se a situação política acalmou-se um pouco, os ataques a navios brasileiros continuariam. Em 20 de maio, o navio Tijuca foi torpedeado perto da costa francesa. E no dia 23 de outubro de 1917, o cargueiro Macau foi torpedeado por um submarino alemão perto da costa da Espanha. Diante da crescente pressão popular, o Brasil declarou guerra à Alemanha e aos países da Tríplice Aliança no dia 26 de outubro.

A pressão anti-germânica atingiu todos os setores da vida nacional, inclusive o futebol. na capital gaúcha, clubes como Grêmio, São José, Fussball e Frisch Auf tinham suas origens na comunidade teuto-riograndense. Grêmio e São José, que não ostentavam sua "germanidade" nos nomes, ficaram em silêncio. Mas Fussball e Frisch Auf foram cobrados a assumir uma postura nacionalista.

Em 19 de novembro de 1917, a Assembleia Geral do Fussball aprovou por unanimidade a mudança do nome do clube de Fussball Club Porto Alegre (conhecido como Fussball) para Football Club Porto Alegre (conhecido como Porto Alegre). No dia seguinte, Assembleia Geral da FSRG aceitou a mudança de nome do Fussball, mas não aceitou a transformação do Frisch Auf em Grêmio Sportivo Rio Grandense. O Frisch Auf apresentou forte resistência à nacionalização de seu nome, e segundo informações divulgadas na assembleia, os sócios do clube pretendiam apenas fazer uma mudança de fachada, voltando ao antigo nome assim que possível. O dirigente colorado Antenor Lemos propôs que a votação para a expulsão do Frisch Auf fosse nominal, mas Walter Graf, do São José, sugeriu que votação ocorresse por aclamação, o que foi aceito por todos os demais. Após a expulsão do Frisch Auf ter sido aprovada, também foi aprovada por aclamação a elaboração de uma lista dos sócios do clube que votaram contra a nacionalização, e que os mesmos fossem considerados suspeitos de traição à Pátria e proibidos de ingressarem em outros clubes da FSRG.

Voltando aos gramados, formando a dupla de zaga com Viana, Lenz e Mena, Woebecke enfrentou o Colorado nas temporadas de 1916, 1917 e 1918. Viu o grande esquadrão colorado chegar ao pentacampeonato da cidade, com os títulos de 1916 e 1917, e o Cruzeiro surpreendentemente conquistar a taça, em 1918.
Woebcke, no destaque, atuando pelo Porto Alegre

Na reta final do campeonato municipal de 1918 Woebcke transferiu-se para o Internacional. Sua estreia ocorreu em 1º de setembro de 1918, em um amistoso na Chácara dos Eucaliptos, no qual o Internacional bateu o Juvenil de Caxias do Sul por 5x2. Desde que Simão, titular desde 1912, trocou Porto Alegre por Santana do Livramento, o clube vinha buscando um companheiro de zaga para Bello. Testou Zé Luís, Mascarello e Dorval, mas sem convencer o técnico (que era o próprio João Bello).

Woebcke disputou dois amistosos em 1918, mas em 1919 o Colorado começou a temporada com Bello e Dorval fazendo a zaga. Mas na primeira partida do campeonato, por razões não muito claras, Dorval foi punido pela liga com uma suspensão de 90 dias. Ele ainda jogaria pouco depois um amistoso contra o Militar, um clube não filiado, tendo Woebcke como companheiro de zaga. Com a saída de Dorval, seriam testados Guimarães e Só na zaga, mas em 13 de julho de 1919, em partida contra o Tabajara, Woebcke assumiu a titularidade. O Internacional venceu a partida por 11x0.
Equipe que venceu o Tabajara, com Woebcke em destaque

Dorval foi o titular no campeonato de 1919, mas o Internacional não conquistou o título da cidade, perdendo o último clássico por 3x2, em 14 de setembro de 1919, na Baixada.
Woebcke no Gre-Nal de 14/09/1919

Em 1920 novamente Woebcke formaria a zaga com Bello na maioria dos jogos, conquistando o campeonato municipal. Mas já surgia no clube um zagueiro que faria história, Reynaldo Meneghetti. Woebcke participaria de jogos marcantes, como as goleadas sobre o Municipal (14x2) e Tabajara (12x0). Também jogou na primeira partida do Internacional contra uma equipe europeia, vitória de 5x2 sobre  HMS Petersfield, equipe de um navio da marinha britânica. Mas nem Woebecke nem Bello jogaram a final do campeonato, quando o Colorado derrotou o São José em um jogo-extra, por 5x4. Nesse dia a zaga colorada foi formada por Pires e Meneghetti.

Em 1921 Woebcke começou a temporada como titular ao lado de Meneghetti, embora Pires e Rivadávia atuassem com frequência, também. Era também o capitão da equipe. Mas o zagueiro colorado já tinha outros planos de vida. Pretendia seguir os passos do tio e estudar engenharia na Alemanha. Em 3 de julho de 1921 Woebecke fez sua última partida pelo Colorado, uma derrota de 3x2 para o Cruzeiro, que seria o campeão daquele ano. No dia 14 de agosto de 1921 Woebcke embarcou rumo à Alemanha.
A Federação, 15/08/1921

Além do futebol, Woebcke também se dedicou ao remo e ao tênis, conquistando vitórias nos dois esportes. Na Alemanha, jogou futebol no Preussen Fussball, em 1922. Após completado o curso universitário retornou ao Brasil em 1928.

Seus números no Internacional:
26 partidas
18 vitórias
3 empates
5 derrotas
Campeão municipal em 1920

Colaboração: Luiz Pissutti

sábado, 10 de abril de 2021

Jogadores do passado: Abigail


Abigail Conceição de Souza nasceu em Porto Alegre em 10 de abril de 1921 (ou, segundo algumas fontes, em 12 de outubro de 1921).

Abigail começou a jogar na várzea porto-alegrense ainda adolescente. Em 1939 ingressou no Força e Luz, atuando de lateral-esquerdo. Nos princípios do profissionalismo, ele trabalhava como lustrador na fábrica Miguel Stanckiewics, para complementar seu salário. Suas boas atuações pelo Forcinha chamaram a atenção do Internacional. Em janeiro de 1942 Abigail foi contratado pelo Colorado. No Internacional finalmente pode abrir mão do seu emprego de lustrador de móveis.

Sua estreia ocorreu em 4 de fevereiro de 1942, no empate em 2x2 com o Sport, nos Eucaliptos. Abigail começou a partida e depois foi substituído por Ávila. E logo em seu ano de estreia Abigail formaria aquela que é considerada a escalação clássica do Rolo Compressor: Ivo; Alpheu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Russinho, Villalba, Ruy e Carlitos. Uma equipe capaz de resultados incríveis, como a vitória sobre o Pelotas, em 17 de maio de 1942. O Internacional venceu por 8x6 uma partida que perdia por 6x4. E a própria viagem a Pelotas foi uma aventura. Chovia muito e o ônibus que levava a delegação colorada ficou sem gasolina, durante a madrugada. Isaac Cruz, dirigente colorado, entregou um litro de uísque para os jogadores e depois eles foram empurrar o ônibus, na época em que a estrada Porto Alegre-Pelotas ainda era de terra. Por volta das 4 horas da manhã encontraram um armazém de beira de estrada, onde foram recepcionados com um 38 na mão do proprietário. Após as devidas explicações, compraram bolachas, sardinha e vinho, ficando no local até que um ônibus de Pelotas veio buscá-los. Em campo, o Pelotas vencia e alguns jogadores começaram a provocar, perguntando onde estava o poderoso Internacional. A provocação mexeu com os brios dos atletas colorados, que viraram a partida.

No livro Meu Coração é Vermelho, Carlitos descreveu assim a partida:
"Chovia que era uma coisa louca, nós estávamos perdendo pro Pelotas de 6x4, faltavam oito minutos para terminar a partida. Nós viramos o jogo para 8x6, fizemos quatro gols em 8 minutos, mas também tu dava um chute e a bola deslizava na água".

Na mesma obra, o próprio Abigail falou sobre essa partida:
"A bola caiu dentro de uma poça d'água e o Villalba não queria se molhar. Fez a volta, agarrou, puxou a bola, tirou por um lado e saiu. Carlitos entrou pela ponta e o Rui já tinha dado uma bofetada naquele lateral direito deles, o Rui era bandido também..."

Em 27 de setembro de 1942 o Internacional empatou com o Força e Luz por 2x2 e conquistou o título municipal, o primeiro de Abigail. No dia 25 de outubro, após vencer o Floriano por 4x1, veio o título gaúcho. Mesmo não sendo um jogador ofensivo, Abigail marcou dois gols na campanha do título gaúcho, contra o Internacional SM (8x1) e contra o Armour (7x3). Das 27 partidas que Abigail disputou em 1942, só saiu derrotado de campo uma única vez.

Em 1943 o Colorado começou a temporada perdendo o Torneio Triangular de Porto Alegre, vencido pelo Cruzeiro. Mas na mesma competição goleou o Grêmio duas vezes por 5x1. No Campeonato de Honra, disputado antes do Municipal, novamente o Internacional ficou com o vice e o Cruzeiro com o título. Entretanto, Abigail marcou o primeiro gol do Gre-Nal que terminou empatado em 3x3. Mas depois o Rolo Compressor arrasou os adversários e Abigail pode comemorar os títulos municipal e gaúcho outra vez. Na primeira partida da decisão do campeonato gaúcho, contra o Guarany de Cachoeira do Sul, na Timbaúva, Abigail fez o primeiro gol da vitória colorada por 3x0. Logo após o terceiro gol colorado, o goleiro Benito, do Guarany, agrediu o ponteiro colorado Didi, iniciando uma confusão. Benito foi expulso e saiu do estádio preso, enquanto Abigail, que saiu em defesa de Didi, também foi expulso. Curiosamente Abigail já havia marcado um gol no Guarany em um amistoso, em agosto. A equipe de Cachoeira do Sul foi a única a sofrer dois gols de Abigail.

Seus companheiros o chamavam por vários apelidos: Magrela, Fiapo e Seco, por ser magro, e Velho porque perdeu os cabelos e a pele do rosto secou, após beber água contaminada, lhe dando uma aparência de ter muito mais idade do que realmente tinha. Ele não se destacava pelo apoio, mas era um marcador implacável e determinado. Era chamado de "o campeão da regularidade" porque jogava sempre com grande disposição, correndo muito, sem cansar.

Em 1944 a rotina de títulos prosseguiu. O campeonato municipal foi conquistado em uma dramática vitória por 2x1 sobre o Grêmio, onde o Colorado terminou a partida com apenas 7 jogadores inteiros (na época não existiam substituições nos jogos oficiais). O título gaúcho, em 22 de outubro de 1944, veio com uma goleada de 9x0 sobre o Bagé.

Em 1945 o Rolo Compressor chegava ao seu auge. O hexacampeonato municipal (quarto título de Abigail) veio em 4 de outubro de 1945, na vitória de 2x1 sobre o Renner. Depois do título municipal o Internacional foi excursionar pela Bahia e São Paulo, voltando ao Rio Grande do Sul para conquistar o hexa gaúcho com duas vitórias sobre o Pelotas (4x2 e 3x1).
Origem da foto: https://1909emcores.blogspot.com/

A temporada de 1946 começou com o título do Torneio Extra, ao vencer o Grêmio por 1x0, em 5 de maio. Mas foi o único título colorado em uma temporada que Abigail pouco jogou, atuando em apenas 13 partidas. Ilmo o substituiu em vários jogos.

Em 1947 os resultados voltariam a ser positivos, embora o clube perdesse a primeira competição, o Torneio Extra, vencido pelo Renner. Mas nessa mesma competição o Internacional conseguiu a maior virada de sua história. Enfrentando o futuro campeão Renner, o Internacional perdia por 4x0 e virou o jogo para 5x4. Mas com vitória sobre Força e Luz (2x1) e empate com o Floriano (2x2) vieram os títulos municipal e estadual.

A temporada de 1948 começou parecida com a anterior. No Torneio Extra o Colorado ficou em 3º lugar, atrás de Grêmio (campeão) e Cruzeiro (vice). No Gre-Nal de 30 de maio, na Timbaúva, uma arquibancada de madeira com milhares de colorados desabou, antes do início da partida. Trinta e oito pessoas com ferimentos leves foram atendidas no Hospital de Pronto Socorro. Ruy Vieira da Silva, de 17 anos, morreu algumas horas depois, em decorrência de uma fratura na base do crânio. A FRGF arcou com as despesas do funeral e o Internacional decretou luto de 3 dias. No campeonato municipal, o Internacional voltou a vencer com antecipação. Em 3 de outubro o Colorado bateu o Nacional por 6x1, conquistando o título. No Gre-Nal de 17 de outubro de 1948 o Internacional bateu o Grêmio por 7x0, na maior goleada do clássico na era do profissionalismo. Mesmo sem ser um lateral ofensivo, Abigail deu a assistência para o 1º e 4º gol, e participou da jogada do 3º gol.

Em 4 de novembro de 1948 o Colorado bateu o Santanense por 5x0 e conquistou o bicampeonato gaúcho.

Em 1949 Abigail perdeu a titularidade para Ruaro. Mesmo assim, ainda marcaria um gol pelo campeonato municipal, contra o Corinthians (ex-Força e Luz), na vitória por 4x3 em 12 de junho. Com a contratação de Oreco, no início de 1950, Abigail perdeu mais espaço, e em abril do mesmo ano, transferiu-se para o Nacional. Seu último jogo pelo Colorado ocorreu em 15 de abril de 1950, um amistoso onde o Internacional bateu o Cachoeira por 5x2. Seu último gol ocorreu contra o Floriano, em um amistoso em 25 de fevereiro de 1950.

Saindo do Internacional, Abigail ingressou no Nacional. Lá fez parte do maior esquadrão do clube ferroviário, jogando ao lado dos futuros colorados La Paz, Florindo, Lindoberto, Luizinho, Bodinho e Camargo, além do ex-colorado Eliseu. Em 1954 Abigail trocou o Nacional pelo Aimoré. Em 1955 jogou no Guarany de Cachoeira do Sul, o mesmo clube que sofreu dois gols dele. Em 1956 Abigail jogou no Veronese, de canoas, onde encerrou a carreira. Em 1958, depois de um ano parado, voltou a atuar pelo Igrejinha, na condição de amador. Depois ainda teria uma rápida passagem como técnico em Estrela.

Encerrada a carreira de jogador, Abigail foi trabalhar no Departamento Estadual de Estradas e Rodagem (DAER), onde se aposentou.

Espírita, Abigail atuou como médium por alguns anos. Como diversão, gostava de longas conversas sobre o tempo do Rolo Compressor, principalmente com seu grande amigo Carlitos.

 Em 1999 Abigail e Carlitos tiveram um encontro para deixarem um depoimento sobre o Rolo Compressor, para o livro Meu Coração é Vermelho, de Ruy Carlos Ostermann (o título do livro não é uma declaração de paixão clubísitica do autor, mas sim o trecho da música "Vermelho", gravada pela Fafá de Belém e que fazia sucesso entre a torcida colorada no final dos anos 1990). A foto acima registra esse encontro.

Em 2001 Carlitos, o grande amigo de Abigail, faleceu. O lateral também deixa de ser lembrado. No início de setembro de 2006 os médicos do HPS atenderam um senhor com o corte na testa. Feito o curativo simples, ele foi liberado, mas pouco depois foi trazido ao hospital por uma pessoa que o encontrou perdido e desorientado em uma rua próxima ao hospital. Até que pudessem localizar os familiares, o senhor ficou internado, e surpreendeu os médicos contando história do tempo em que era um ídolo do futebol. Dessa forma se descobriu sua identidade, Abigail, o lateral-esquerdo do Rolo Compressor. Abigail havia sofrido uma isquemia em 2002 e vivia com uma filha de criação em situação financeira difícil, na Vila Farrapos.

O ex-atleta esquecia rápido as coisas do cotidiano, mas tinha uma memória lúcida sobre os grandes feitos do passado. E naquele setembro de 2006, poucos dias depois da conquista da Taça Libertadores pelo Colorado, a família de Abigail passava por grandes dificuldades, com a filha e o genro desempregados. Mas a torcida colorada rapidamente se mobilizou, demonstrando sua solidariedade e socorrendo o ídolo em dificuldades.

O clube também se mobilizou para auxiliar seu ex-atleta, e em 10 de setembro de 2006, quando o Internacional bateu o Athlético PR por 2x0, pelo campeonato brasileiro, Abigail pode relembrar suas antigas glórias, desfilando pela pista olímpica com uma bandeira do clube e sendo aplaudido de pé pela nação colorada.

No dia 27 de dezembro de 2007, porém, chegou ao fim a jornada de Abigail, convocado para reforçar o Rolo Compressor celestial.

Seus números pelo Internacional:
231 partidas
167 vitórias
34 empates
30 derrotas
7 gols marcados
Campeão gaúcho em 1942, 1943, 1944, 1945, 1947 e 1948
Campeão municipal em 1942, 1943, 1944, 1945, 1947 e 1948
Campeão do Torneio Extra em 1946




sexta-feira, 9 de abril de 2021

Taça Libertadores da América 2021 - Adversários



Histórico do Internacional contra seus adversários na fase de grupos da Taça Libertadores da América 2021.

Confrontos:

14/03/1976 Internacional 1x0 Olimpia
Beira-Rio (Porto Alegre/BRA)
Taça Libertadores da América
Gol: Ramón 10' do 2º
IN: Manga; Cláudio Duarte, Figueroa, Hermínio e Vacaria; Caçapava e Falcão; Valdomiro, Ramón, Escurinho (Batista) e Lula
Técnico: Rubens Minelli

13/04/1976 Internacional 1x1 Olimpia
Defensores del Chaco (Assunção/PAR)
Taça Libertadores da América
Gols: Ramón 22' e Talavera 45' do 1º
IN: Manga; Valdir, Figueroa, Marinho Peres e Vacaria; Caçapava e Falcão; Valdomiro (Jair), Ramón, Tadeu (Batista) e Lula
Técnico: Rubens Minelli

10/05/1989 Internacional 1x0 Olimpia
Defensores del Chaco (Assunção/PAR)
Taça Libertadores da América
Gol: Luís Fernando Flores (bicicleta) 12' do 1º
IN: Taffarel; Norberto, Nórton, Aguirregaray e Casemiro; Bonamigo, Luís Carlos Martins e Luís Fernando Flores; Heyder, Nílson e Dacroce
Técnico: Abel Braga

17/05/1989 Internacional 2x3 Olimpia
Beira-Rio (Porto Alegre/BRA)
Taça Libertadores da América
Gols: Mendoza 8', Dacroce 11' e Raúl Amarilla 37' do 1º; Luís Fernando Flores 7' e Neffa 25' do 2º
IN: Taffarel; Norberto (Leomir), Nórton, Aguirregaray e Casemiro; Bonamigo, Dacroce (Diego Aguirre) e Luís Fernando Flores; Heyder, Nílson e Edu Lima
Técnico: Abel Braga

25/01/1997 Internacional 1x1 Olimpia
Antônio Sessim (Cidreira/BRA)
Amistoso
Gols: Arílson 42' e Paredes 44' do 2º
IN: André; Gustavo, Gamarra, Régis e Paulo Roberto; Ânderson (Marcelo), Fernando, Luiz Gustavo (Christian) e Arílson; Fabiano e Alberto (Murilo)
Técnico: Celso Roth

Confrontos:

13/04/1980 Internacional 1x0 Deportivo Táchira
Pueblo Nuevo (San Cristobal/VEN)
Taça Libertadores da América
Gol: Falcão 18' do 1º
IN: Gasperin; João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista (Toninho), Cléo, Falcão e Jair (Adavílson); Adílson e Mário Sérgio
Técnico: Ênio Andrade

27/04/1980 Internacional 4x0 Deportivo Táchira
Beira-Rio (Porto Alegre/BRA)
Taça Libertadores da América
Gols: Cláudio Mineiro (pênalti) 21' e Bira 38' do 1º; Adílson 35' e Adavílson 44' do 2º
IN: Gasperin; João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Cléo, Falcão e Jair (Adavílson); Bira (Adílson) e Mário Sérgio
Técnico: Ênio Andrade

24/02/1989 Internacional 0x1 Unión Táchira
Pueblo Nuevo (San Cristobal/VEN)
Taça Libertadores da América
Gol: Jaimes 43' do 1º
IN: Taffarel; Luís Carlos Winck, Aguirregaray, Nenê e Casemiro; Dacroce (Diego Aguirre), Leomir, Luís Carlos Martins e Luís Fernando Flores; Nílson e Edu Lima (Ado)
Técnico: Abel Braga

28/03/1989 Internacional 3x1 Unión Táchira
Pueblo Nuevo (San Cristobal/VEN)
Taça Libertadores da América
Gols: Diego Aguirre 12' do 1º; Luís Fernando Flores 6' e Edu Lima 32' do 2º
IN: Taffarel; Casemiro (Dacroce), Aguirregaray, Norberto e Paulo Afonso; Luís Carlos Martins, Luís Fernando Flores (Edu Lima) e Diego Aguirre; Marcelo Vita, Nílson e Ado
Técnico: Abel Braga

O Deportivo Táchira possui uma história de muitos nomes. O clube foi fundado em 1974 como Deportivo San Cristobal FC, mudando a denominação para Deportivo Táchira FC em 1978. Em 1985 o clube fundiu-se com o  Atlético San Cristóbal, dando origem ao Unión Atlético Táchira. Em 1999 o clube passou a se chamar Unión Deportivo Táchira e finalmente Deportivo Táchira FC.

Confrontos:

Será o primeiro confronto na história contra o atual campeão boliviano.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Craques: Adãozinho


 Adão Nunes Dornelles nasceu em 2 de abril de 1923, em Porto Alegre.

Adãozinho, como ficaria conhecido, foi descoberto por Abelard Jacques Noronha, presidente colorado, jogando no Diário Oficial Futebol Clube, da várzea porto-alegrense, no início de 1943.

Centroavante com faro de gol, habilidoso, mas de baixa estatura (1,60m), inicialmente ficaria na equipe de aspirantes. Mas em março de 1943 acompanhou a delegação colorada a uma excursão a Santa Catarina, estreando no time principal no dia 28, na vitória de 5x3 sobre o Avaí. Adãozinho entrou no time durante a partida, substituindo Ezequiel.

Adãozinho só voltaria a defender o time principal em 10 de outubro de 1943, em partida do campeonato gaúcho. O Internacional enfrentaria o Farroupilha, na semifinal do campeonato, e o titular Villalba não poderia jogar. No Passo da Areia o Colorado venceu por 8x5. Adãozinho marcou o último gol colorado, o primeiro da sua carreira. Ele jogaria também a primeira partida da final, contra o Guarany de Cachoeira do Sul, no dia 14. Na Baixada, o Internacional venceu por 3x0 e novamente Adãozinho deixou sua marca.

Em março de 1944 Adãozinho voltaria a jogar pelo time principal e marcar seus gols. Mas somente em julho ele conquistaria a titularidade. Villalba havia saído do clube e os jogadores testados para substituí-lo não agradaram. Seu primeiro Gre-Nal ocorreu em 13 de agosto de 1944, na Baixada. O Internacional perdeu por 4x3, mas Adãozinho deixou sua marca. Esse resultado foi raro na carreira do atacante: em 30 clássicos disputados, Adãozinho perdeu apenas 4. No início de 1944 ele era chamado pela imprensa de "mignon colored" e "negrinho do pastoreio". E tinha um hábito que irritava os dirigentes colorados: a preguiça, que o levava a faltar a treinos e obrigar os cartolas do clube a buscá-lo em casa.

Em 10 de setembro de 1944, na Timbaúva, o Internacional bateu o Nacional por 9x0, pelo campeonato municipal. Adãozinho marcou 6 gols, seu recorde em uma única partida. Ainda na Timbaúva, em 8 de outubro participou do histórico clássico Gre-Nal vencido pelo Colorado por 2x1, que deu ao clube o pentacampeonato municipal. Também na Timbaúva, em 22 de outubro, o Internacional bateu o Bagé por 9x0 e conquistou o pentacampeonato gaúcho. Adãozinho fez 3 gols na partida.

Em 1944 Adãozinho conquistaria a admiração do centro do país, defendendo a Seleção Gaúcha. No dia 19 de novembro de 1944, nas Laranjeiras, o Rio Grande do Sul conseguiu uma surpreendente vitória sobre a poderosa seleção paulista por 2x1, com dois gols de Adãozinho, que virou capa do carioca Jornal dos Sports.

Na temporada de 1945 os títulos colorados se repetiram. No clássico Gre-Nal de 24 de junho de 1945 Adãozinho fez história. Logo aos 3 minutos de jogo Carlitos cruzou para a área gremista, onde formou-se uma confusão. A bola sobrou para Adãozinho, que chutou para as redes, abrindo o placar. Aos 21, o lateral gremista Vinícius afastou um cruzamento, cabeceando a bola nos pés de Adãozinho, que chutou para marcar 2x0. Com esse gol, o Internacional passaria na frente no saldo de gols no clássico pela primeira vez na história. O Colorado venceria o jogo por 4x1. Em 1º de julho o Internacional enfrentou o poderoso Flamengo, tricampeão carioca. A partida marcava a inauguração das novas arquibancadas da Gávea. O jogo terminou 2x2 e Adãozinho deixou sua marca ao fazer o 2º gol colorado, driblando o lateral Newton e chutando forte, no canto direito de Jurandir. O cronista carioca Antônio Cordeiro o chamaria de "o endiabrado centroavante dos pampas". Ary Barroso já o havia definido como o "satânico Adãozinho". 


Em 4 de outubro de 1945, na Baixada, o Internacional bateu o Renner por 2x1, conquistando o hexacampeonato municipal. Adãozinho fez os dois gols colorados. Em 18 de novembro, na Timbaúva, o Colorado conquistou o hexacampeonato gaúcho, batendo o Pelotas por 3x1.
Em 5 de maio de 1946 o Internacional conquistou o Torneio Extra ao derrotar o Grêmio por 1x0, na Timbaúva. Mas esse seria o único título conquistado nessa temporada.

Em 1947 o argentino Villalba voltou ao Internacional, mas o técnico Carlos Volante armou um esquema para que os dois atacantes atuassem juntos. Na estreia de Villaba, em 5 de março de 1947, o Colorado bateu o paraguaio Sol de América por 5x0, com um gol de Adãozinho.

Em 1º de maio, no Gre-Nal do Torneio Extra, disputado na Timbaúva, O Internacional venceu por 4x0, em um show de Adãozinho, que fez a assistência para o 1º e 3º gol, participou da jogada do 2º e marcou o 4º gol. O Correio do Povo assim o definiu nesse jogo: "Adãozinho, o Negrinho Serelepe de sempre, difícil de ser marcado e perito no se desmarcar."

O título do Torneio Extra não seria colorado, pois o Renner venceria o jogo-extra entre os dois clubes, ficando com a taça. Mas entre o Gre-Nal e a decisão do Torneio Extra o Internacional encontrou tempo para massacrar o Flamengo de Zizinho e Sylvio Pirillo por 6x2, no dia 11 de maio. Adãozinho não marcou, mas fez a assistência para dois gols e participou da jogada de mais um. O Correio do Povo descreveu assim a partida:  "O Internacional passou livremente pela cancha as suas camisetas, para gaudio da imensa e cada vez mais barulhenta família colorada".

No Gre-Nal do 1º turno do campeonato municipal, em 20 de julho, nos Eucaliptos, o Internacional venceu por 3x0 e Adãozinho fez o seu. Segundo o Jornal do Dia, "Júlio [goleiro gremista] evitou que a goleada fosse maiúscula." No dia 9 de novembro o Colorado bateu o Força e Luz por 2x1 e conquistou o título municipal. No dia 23 de novembro, na Timbaúva, ocorreu o último Gre-Nal do campeonato. Com o título já conquistado o Colorado relaxou e saiu perdendo por 2x0, mas chegou ao empate, tendo Adãozinho marcado o primeiro gol. Antes da partida o Internacional recebeu as faixas de campeão da cidade. Em 7 de dezembro, com o empate em 2x2 com o Floriano o Internacional conquistou o título gaúcho.

No início da temporada de 1948 o Internacional enfrentou o Estudiantes e venceu por 3x1, com um gol de Adãozinho. Em abril de 1948 Adãozinho foi convocado para a Seleção Brasileira que enfrentaria o Uruguai pela Copa Rio Branco, em Montevidéu, jogando no dia 4 e no dia 11. No Gre-Nal do 1º turno do campeonato, em 22 de agosto de 1948, o Internacional venceu por 3x2 e Adãozinho fez o gol da vitória. Mas nas partidas seguintes o rendimento do atacante caiu bastante e o técnico Carlos Volante o tirou do time. Adãozinho não jogou as partidas finais do campeonato municipal, nem o campeonato gaúcho, todas competições vencidas pelo Internacional. Ele retornaria ao time em 7 de novembro de 1948, no amistoso com o Esportivo que terminou 2x2. No Torneio ACEPA, vencido pelo Internacional, novamente Adãozinho foi titular.

Em 1949 o primeiro jogo importante foi a decisão do Torneio Extra, em 1º de maio de 1949. O internacional precisava vencer o Grêmio para ficar com a taça, mas o clune foi abalado com uma notícia triste na madrugada que antecedeu a partida: a mãe de Tesourinha, dona Ernestina, faleceu. O jogador ficou fora da partida e o restante do elenco ficou abalado. Mesmo assim Adãozinho colocou duas vezes o Internacional em vantagem, porém por duas vezes o Grêmio empatou, ficando com o título.

Em 7 de setembro ocorreu o Gre-Nal válido pela Taça Cidade de Porto Alegre, na Montanha. O Internacional venceu por 2x0, classificando-se para a final, e Adãozinho marcou o 2º gol, de bicicleta. No dia 30 de novembro o Internacional bateu o Nacional por 1x0 e conquistou o torneio.

Na temporada de 1950 Adãozinho ficou mais tempo a serviço da Seleção Brasileira do que do Internacional. Em 11 de junho de 1950 defendeu a Seleção Brasileira contra a Seleção de Novos de São Paulo. O seu primeiro jogo pelo Internacional ocorreria apenas em 5 de agosto de 1950, um amistoso em que o Colorado perceu para o Cruzeiro por 6x3. Mas o clube também havia disputado poucas partidas oficiais até ali, e o atacante teve tempo de ser campeão do Torneio Extra.

O campeonato municipal de 1950 foi disputado pela Fórmula Fraga (campeão do 1º turno x campeão do 2º turno). O Grêmio venceu o 1º turno e o Internacional o 2º. Em 27 de dezembro foi disputado o primeiro Gre-Nal decisivo, vencido pelo Internacional por 4x3. No dia 30, o jogo decisivo. Aos 23 minutos do 1º tempo Carlitos cobrou escanteio e Adãozinho cabeceou para as redes, marcando o gol do título.

Esse Gre-Nal foi a última partida de Adãozinho pelo Internacional. Pouco depois ele foi negociado com o Flamengo. Adãozinho atuaria no Flamengo até junho de 1953 e enfrentou o Internacional duas vezes. Em 7 de abril de 1951 o Internacional disputava sua primeira partida no Maracanã, um amistoso cuja renda seria parte do pagamento do passe de Adãozinho, O Flamengo venceu por 6x3 e Adãozinho fez o último gol do jogo. Em 22 de março de 1963 os dois clubes voltaram a se enfrentar na Fonte Nova, pelo Torneio Régis Pacheco. O jogo terminou 2x2 e o Colorado ficou com a taça. No Flamengo, Adãozinho jogou 103 partidas e marcou 47 gols, mas não conquistou títulos.

Depois do Flamengo, Adãozinho jogou no XV de Novembro de Jaú (1953/1954) e Garça (1955). Acabou radicando-se na cidade paulista de Garça, onde faleceu em 30 de agosto de 1991.

Seus números no Internacional:
195 partidas
131 vitórias
30 empates
34 derrotas
113 gols marcados

Suas vítimas:
1º Nacional - 18 gols
2º Grêmio - 16 gols
3º Força e Luz/Corinthians - 15 gols
4º São José - 14 gols
5º Renner - 13 gols
6º Cruzeiro - 9 gols
7º Bagé e Botafogo BA - 3 gols
9º Pelotas, Seleção de Pelotas, Ypiranga BA e 14 de Julho PF - 2 gols
13º Farroupilha, Guarany (Cachoeira do Sul), Americano (Cachoeira do Sul), Esperança, Flamengo RJ, América RJ, Botafogo RJ, Juventude, Flamengo (Caxias do Sul), Lajeadense, Floriano, Rio Grande, Sol de América PAR e Estudiantes ARG - 1 gol