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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Jogadores do passado: Luís Carlos Winck


Luís Carlos Coelho Winck nasceu em Portão (RS) em 5 de janeiro de 1963.

Luís Carlos Winck foi revelado pelas categorias de base do Internacional. Originalmente jogava no meio campo.

Sua estreia no time principal ocorreu em 13 de setembro de 1981. No Beira-Rio o Internacional venceu o Guarany de Bagé por 4x0, pelo campeonato gaúcho. Luís Carlos entrou no time durante a partida, substituindo Jaiminho. No dia 20, seria titular na vitória de 1x0 sobre o São Paulo de Rio Grande. Na temporada de 1981 Luís Carlos Winck disputaria cinco partidas, todas pelo campeonato gaúcho, ajudando o clube a conquistar o título estadual.

Em 1982 as chances só viriam no Torneio dos Campeões e nos amistosos entre o campeonato brasileiro e o gaúcho, ainda como meio campo. No campeonato gaúcho, inicialmente Luís Carlos Winck disputou apenas três partidas, contra Esportivo (1x0), Internacional SM (2x2) e Caxias (1x0). Mas a partir da segunda quinzena de setembro Luís Carlos Winck ganhou um lugar no time. Mauro Galvão, que vinha jogando no meio campo, foi deslocado para a lateral-esquerda e Luís Carlos Winck entrou em seu lugar. Pouco depois, com a lesão do zagueiro Geraldo, Mauro Galvão voltou para a zaga e Luís Carlos Winck ocupou a lateral-esquerda, jogando sete partidas consecutivas, incluindo dois Gre-Nais: 2x2 no Olímpico e 3x1 no Beira-Rio. Depois do segundo Gre-Nal, André Luís tomaria conta da lateral-esquerda e Luís Carlos Winck não jogaria mais no ano, mas foi bicampeão gaúcho.

Em 1983 Luís Carlos Winck começou a disputar posição na lateral-direita com Edevaldo. Foi titular na maior parte do campeonato brasileiro e do Torneio APLUB, jogando nas duas laterais. Em junho o lateral foi convocado para a Seleção Brasileira de Novos, sendo campeão do Torneio de Toulon. Mas Winck não atuou na excursão colorada à América do Norte e Europa, ficando fora do time em agosto e parte de setembro. Mas depois da saída de Edevaldo, Luís Carlos Winck toma conta da posição. No dia 23 de novembro ele estava em campo quando o Colorado derrotou o São Borja por 2x0 e conquistou o tricampeonato.

Na temporada de 1984, porém, Luís Carlos Winck começa no banco, pois Alves, contratado junto ao Atlético Mineiro, assume a lateral-direita. No campeonato brasileiro, Luís Carlos Winck, contra o Operário (2x2). No Torneio Heleno Nunes Luís Carlos Winck disputou algumas partidas. Logo depois Alves sai do clube e Luís Carlos Winck assume a titularidade. Em julho foi convocado para a Seleção Olímpica Brasileira que disputou os Jogos Olímpicos, a SeleInter. Mas nas Olimpíadas disputou apenas uma partida, contra o Marrocos (2x0). Mesmo assim, foi medalha de prata.

Na Ásia, com o Colorado, conquistou a Copa Kirin. De volta ao Brasil, foi titular na campanha do tetracampeonato gaúcho.

Em 1985 novamente Luís Carlos Winck foi titular no campeonato brasileiro e no gaúcho, mas desta vez os títulos não vieram. Mas em abril foi convocado pelo técnico Evaristo de Macedo, jogando duas partidas pela Seleção Brasileira, contra Colômbia (2x1) e Peru (0x1).

Em 1986 outra vez Winck foi o dono da lateral-direita colorada no brasileiro e estadual, novamente sem conquistar títulos.

Em 1987 outra vez o clube perdeu o estadual. Mas na excursão à Europa Winck foi campeão do Torneio Internacional de Glasgow e do Torneio Cidade de Vigo. De volta ao Brasil, foi titular na campanha do vice-campeonato brasileiro, perdendo o título para o Flamengo.

Em 1988, no primeiro semestre, Luís Carlos Winck disputou o Gauchão, onde novamente o Internacional perdeu o título. Em julho ele foi convocado pelo técnico Carlos Alberto Silva para a Seleção Brasileira, onde disputou o Torneio Bicentenário da Austrália, enfrentando Argentina (0x0), Arábia Saudita (4x1) e Austrália (2x0), além de disputar um amistoso com a Noruega (1x0). Em seguida, pelo mesmo técnico, foi convocado para a Seleção Olímpica. Na preparação participou da vitória sobre a Seleção Alagoana (6x1) e da Copa das Nações, onde empatou com a Argentina (1x1), marcando um gol na vitória brasileira na decisão por pênaltis, e venceu o América do México por 3x0. Em seguida, mais dois amistosos contra América (3x2) e Guadalajara (2x0). Nos Jogos Olímpicos, Luís Carlos Winck enfrentou a Nigéria (4x0), Austrália (3x0), Iugoslávia (2x1), Argentina (1x0), Alemanha Ocidental (1x1, marcando um gol na decisão por pênaltis) e União Soviética (1x2), sendo novamente medalha de prata. Ainda jogaria mais um amistoso com a seleção principal, contra a Bélgica (2x1). Por suas convocações, ficou de junho a outubro fora da equipe colorada.

No campeonato brasileiro de 1988, embora fosse titular, desfalcou o time em algumas partidas, quando João Luís entrou na esquerda e Casemiro passou para a direita. No final, o Internacional foi vice-campeão brasileiro, perdendo o título para o Bahia.

Em 1989 Luís Carlos Wink participava da campanha da Taça Libertadores quando, em 11 de abril de 1989, o jogador fraturou a tíbia, na vitória de 2x1 sobre o Peñarol.

Winck só voltaria a jogar em 16 de julho de 1989, em um amistoso contra o Brasil de Farroupilha (2x0). Mas ele jogaria apenas cinco partidas em seu retorno. No dia 29 de julho o Internacional perdeu por 4x0 para o Goiás e foi eliminado da Copa do Brasil. Foi a despedida de Luís Carlos Winck em sua primeira passagem pelo clube. A direção decidiu mudar a fotografia do grupo e Winck, um dos jogadores com mais mercado, foi negociado. Inicialmente o Flamengo tentou contratá-lo, mas no dia 9 de agosto Luís Carlos Wink foi contratado pelo Vasco da Gama, por NCz$ 900 mil (2,1 milhões de dólares).

Luís Carlos Winck reencontraria o Internacional em 10 de dezembro de 1989, no Beira-Rio. O Vasco venceu por 2x0 e se classificou para a final do campeonato brasileiro. No dia seguinte ao jogo o volante colorado Norberto deu uma entrevista forte, criticando algumas decisões da direção, entre elas a venda de Winck: "ele foi jogar aquele bolão pelo Vasco". No dia 16 o Vasco venceu o São Paulo por 1x0 e conquistou o título nacional.

A temporada de 1990 entrentando não foi tão vitoriosa. No campeonato carioca o Vasco venceu a Taça Guanabara, mas perdeu o título para o Botafogo. No campeonato brasileiro o clube ficou apenas em 14º lugar. No final de novembro surgem notícias de que o lateral poderia voltar ao Internacional.

No início de janeiro de 1991 é noticiada a negociação do Grêmio para contratar Luís Carlos Winck. O jogador chega a ser anunciado como atleta gremista, em 11 de janeiro.

Mas seis dias depois Luís Carlos Winck assinava contrato com o Internacional.

Luís Carlos Winck reestreou no Internacional em 29 de janeiro de 1991, na derrota por 1x0 para o Hamburgo, em amistoso no Beira-Rio. No campeonato brasileiro o Internacional ficou em 7º lugar, em uma temporada que apenas os quatro primeiros classificavam-se para a fase seguinte. Mas foi nesse ano que o Grêmio foi rebaixado pela primeira vez. No final do campeonato o técnico Ênio Andrade foi dispensado e, em solidariedade, Winck, que era o capitão do time, pediu publicamente para deixar o clube. Mas a crise foi resolvida pelo novo técnico, Abel Braga, que conversou com Winck e o manteve como capitão.

Com Abel, Luís Carlos Winck conquistou a Copa Governador do Estado, ao bater o São Luiz, na final, por 2x0. Na excursão à Europa, o Internacional perdeu para o Olympique de Marselha por 2x1, na abertura da Copa Joan Gamper. Mas na decisão do 3º lugar venceu o Rapid Viena por 2x0 com um show de Luís Carlos Wink, que marcou o primeiro gol e fez a assistência para o gol de Cuca. No Gauchão, Luís Carlos Winck continuou apresentando bom futebol, o que lhe rendeu uma convocação de Carlos Alberto Parreira para um amistoso contra a Iugoslávia (3x1). No dia 15 de dezembro de 1991, após o empate em 0x0 com o Grêmio, o Internacional conquistou o título gáucho. Winck foi convocado para um amistoso com a Tchecoslováquia, no dia 18, mas lesionado não pode atuar.

Em seguida começou a negociação para manter Luís Carlos Winck em Porto Alegre. O jogador queria ficar, mas o Vasco só aceitava vendê-lo, não queria renovar o empréstimo. Winck estava avaliado em 370 mil dólares, mas o Vasco aceitava negociá-lo por 200 mil, mas Asmuz achou o valor elevado. O jogador chegou a pensar na possibilidade de não renovar o contrato com o Vasco, esperar o passe ser depositado na Federação Carioca, comprá-lo e depois revender ao Internacional. Mas Winck acabou retornando ao Vasco da Gama.
Em 1992 Luís Carlos Winck foi campeão carioca com o Vasco da Gama. No campeonato brasileiro o Vasco foi a melhor equipe da fase de classificação, mas terminou o campeonato em 3º lugar. Pela Seleção Brasileira, Winck disputou seis partidas: Finlândia (3x1), Uruguai (0x1), Inglaterra (1x1), México (5x0), Costa Rica (4x2) e Uruguai (1x2).

Em 1993 Luís Carlos Winck foi negociado com o Grêmio, onde foi campeão gaúcho. Também disputou duas partidas pela seleção brasileira, contra Polônia (2x2) e Estados Unidos (2x0), marcando um gol nessa última partida. Também foi convocado para a Copa América, mas lesionou-se durante os treinos e foi substituído pelo colorado Gil Baiano. Após o Gauchão o Grêmio trocou Winck e Mabília por Adil, do Corinthians. No Timão, Winck foi vice-campeão do Torneio Rio-São Paulo e ficou em 3º lugar no campeonato brasileiro.

Em janeiro de 1994 Luís Carlos Winck foi contratado pelo Atlético Mineiro, onde foi vice-campeão. Em julho, o jogador foi novamente contratado pelo Internacional, como reforço para o campeonato brasileiro. Além do campeonato nacional, Winck também disputou as últimas rodadas do Gauchão de 1994, que ficou conhecido como o "Interminável", por ser disputado em turno e returno com 23 clubes. Ele estava em campo no dia 13 de dezembro de 1994, quando o Colorado venceu o Veranópolis por 1x0 e conquistou o título gaúcho. Sua última partida pelo Internacional ocorreu em 15 de dezembro de 1994, derrota por 1x0 para o Juventude.

Em novembro de 1994 Luís Carlos Winck já era citado como possível reforço do Fluminense, mas na segunda quinzena de janeiro de 1995 o jogador foi emprestado por seis meses para o Botafogo. Ficou em 3º lugar no campeonato carioca e foi dispensado ao final do contrato. pouco depois foi contratado pelo Flamengo, mas disputou apenas 10 partidas, todas pelo campeonato brasileiro. O Flamengo terminou em 21º lugar, seis pontos a frente do último rebaixado.

Após sair do Flamengo, Luís Carlos Winck jogou no Glória (1996) e no São José de Porto Alegre (1997), onde encerrou a carreira de jogador e começou a carreira de técnico de futebol.

Seus números pelo Internacional:
453 partidas
235 vitórias
139 empates
79 derrotas
21 gols marcados
Campeão gaúcho em 1981, 1982, 1983, 1984, 1991 e 1994
Campeão do Torneio Heleno Nunes em 1984
Campeão do Torneio Quadrangular de Campo Grande em 1987
Campeão do Torneio Internacional de Glasgow em 1987
Campeão do Torneio Cidade de Vigo em 1987
Campeão da Copa Governador em 1991

Suas vítimas:
3 gols
Brasil de Pelotas
2 gols
Fluminense
1 gol
Grêmio, São Paulo RG, Internacional SM, Lajeadense, São Borja, Caxias, Toledo, Ferroviário RO, Operário MS, CSA, Argentinos Juniors ARG, Marítimo VEN, Celta ESP, Rapid Viena AUS, Seleção da Martinica e Seleção do Paraguai 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Jogadores do passado - André


André Moreira Neles nasceu em 4 de janeiro de 1978, em Patrocínio (MG).

Centroavante, começou a carreira no Atlético Mineiro, em 1998, e passou por vários clubes antes de chegar ao Colorado: Uberlândia (1998), Anápolis (1998), Uberlândia (1999), Villa Nova (1999), Atlético MG (2000/2001), Benfica POR (2001), Marítimo POR (2001) e Vitória (2002).

Em 2003 André foi contratado pelo Internacional. Ele estreou no Colorado em 23 de janeiro de 2003, em um amistoso com o Pelotas, em Tramadaí. A partida terminou 0x0. O seu primeiro gol ocorreria duas partidas depois, em um amistoso contra o Cerro Porteño. Aos 7 minutos do 1º tempo a partida seria interrompida para a observação de um minuto de silêncio em homenagem a Mahicon Librelato, camisa sete colorado falecido em acidente automobilístico. Por coincidência, no momento da paralisação Nuñes interceptou com a mão um chute de André Cruz, dentro da área, cometendo pênalti. Após o minuto de silêncio André cobrou o pênalti e marcou o único gol do jogo.

A seguir, André marcou contra o Caxias (1x0), pelo campeonato gaúcho, e contra o Brasil de Pelotas, em um amistoso. No dia 9 de março, no Gre-Nal do Beira-Rio, André garantiu a vitória colorada. Aos 37' do 1º tempo André Cruz cobrou falta no travessão. André aproveitou o rebote e cabeceou para as redes.
 Em 26 de março, pela Copa do Brasil, André abriu o placar na vitória colorada por 2x1 sobre o Remo. Mas como havia perdido em Belém por 1x0, o Internacional foi eliminado.

No campeonato brasileiro, no dia 16 de abril o Internacional perdeu por 3x1 para o Fluminense, mas André marcou seu gol. Na partida seguinte, contra o Corinthians, o Colorado venceu por 2x1, de virada, com dois gols de André. O atacante lesionou-se no final da partida, sendo substituído por Nilmar.

Inicialmente André ficaria 20 dias fora da equipe. Mas a lesão demonstrou ser mais grave que aparentava no início. E para seu azar, em campo os jovens Daniel Carvalho, Diego e Nilmar não deixavam a torcida sentir sua falta.

André tinha um histórico de problemas extra-campo.  No Internacional, enquanto estava jogando e marcando gols, chegou a ser advertido. Mas a situação chegaria a um ponto de ruptura com a lesão. No dia 30 de maio o jogador operou o joelho. No dia 1º de junho, um domingo, André foi a um bar, bebeu e na volta para casa bateu o carro, em um acidente sem maiores consequências. Mas foi o que bastou para a direção colorada. No dia 3 de junho o jogador teve seu contrato rescindido, apesar dos pedidos do atleta de jogar até sem salário, para se recuperar.

Depois do Internacional, André atuou por Palmeiras (2003), Atlético MG (2004), Figueirense (2004), Fortaleza (2005), Al-Etiffaq ARS (2006/2007), Ipatinga (2007), Grêmio Barueri (2008/2009), Botafogo SP (2009), Ceará (2009), Botafogo SP (2010), Oeste (2010), Icasa (2010), América RN (2011), Marcílio Dias (2012), Uberlândia (2012), São Carlos (2013), Operário MT (2014), Auto Esporte PB (2016) e Alecrim (2017).

Em 2007, quando atuava pelo Ipatinga, recebeu uma proposta para naturalizar-se cidadão da Guiné Equatorial, jogando seis partidas pela seleção local, entre 2007 e 2011. Na mesma época, para fugir do apelido "André Balada" e de seus problemas extra-campo, o jogador tornou-se evangélico e até tentou uma carreira de cantor gospel.

Em 6 de fevereiro de 2020, morando em Uberlândia, André sofreu um infarto e faleceu.

Seus números no Internacional:
16 partidas
10 vitórias
3 empates
3 derrotas
8 gols marcados
Campeão gaúcho em 2003

Jogadores do passado - Bob


Robson Machado nasceu em Brusque, em 4 de janeiro de 1959.

No futebol, Robson ficaria conhecido como Bob. Estreou na equipe profissional do Carlos Renaux em 1978, disputando o campeonato catarinense.

Suas boa atuações chamaram a atenção do Internacional e ele foi contratado pelo Colorado.

Bob estreou em 29 de janeiro de 1979. O Colorado abria sua temporada enfrentando a Tchecoslováquia, no Beira-Rio. Os tchecos eram os campeões europeus, mas foram goleados por 4x0. Bob entrou no time durante a partida, substituindo Batista. Logo depois o Internacional foi excursionar na Argentina, e Bob foi junto.

Bob era reserva, mas na segunda partida colorada no Torneio de Mar de Plata, poucos minutos antes da partida, Beliato sentiu uma lesão e Bob foi escalado. O veterano Hermes o aconselhou a jogar como nos treinos, não enfeitar, marcar de cima e, fora da área, se preciso, "baixar o pau" nos adversários. Bob fez uma grande partida, anulando o centroavante argentino Avallay. Mas aos 33' do 2º tempo, o Colorado vencendo por 1x0, Bob teve um lance infeliz. O lateral Barbas invadiu a área tabelando e, na linha da pequena área, preparou-se para chutar em gol. Bob entrou no lance com disposição, deu um carrinho e tentou cortar a jogada com uma bicicleta, mas acabou encobrindo Gasperin e marcando contra (o árbitro assinalou, na súmula, gol de Barbas). O jogo terminaria 1x1.

Bob voltaria a campo contra o Boca Juniors, quando o Colorado perdeu por 3x2. Contra o Newell's Old Boys, um amistoso fora do torneio, Bob entrou no time durante o jogo, no lugar de Beliato. O Internacional venceu por 3x2.

Em março, Bob teve três oportunidades seguidas como titular, contra o Estrela (2x0), pelo campeonato gaúcho, contra a Seleção Amadora de Xanxerê (4x0) e novamente pelo campeonato gaúcho, contra o Novo Hamburgo (5x0). Em 1º de abril foi titular contra o São Paulo de Rio Grande (1x2). No dia 11 de abril, contra o Cachoeira (6x0), novamente titular, foi substituído durante a partida por Mauro Galvão, que estreava no Internacional.

Com Galvão, e logo depois Mauro Pastor, contratado, diminuem as possibilidades para Bob atuar. Depois de abril, somente em setembro Bob voltou ao time. Mas depois do campeonato gaúcho ele não tuaria mais no time principal. Bob fez parte do grupo colorado no campeonato brasileiro de 1979, chegando a ficar no banco contra o Figueirense, mas não jogou em nenhuma partida do tri nacional.

Bob voltaria ter chances no time principal colorado em julho e agosto de 1980. Com jogadores sendo poupados na reta final da Taça Libertadores e depois com os titulares excursionando pela Europa, em várias partidas do Gauchão o Internacional utilizou uma equipe reserva. Em 24 de agosto ele fez parte da equipe de reservas e juniores que enfrentou o time titular do Grêmio, no Olímpico, e empatou em 2x2. Em 31 de agosto Bob jogaria sua última partida pelo Internacional. No Beira-Rio o Internacional perdeu por 1x0 para o Pelotas. No jogo seguinte os titulares voltaram a atuar pelo Gauchão.

Pouco depois, Bob foi emprestado ao Joinville, onde ficaria até 1981. Em seguida, atuou no Coritiba, em 1982 e 1983. Neste mesmo ano transferiu-se para o Novo Hamburgo, onde encerraria a carreira em 1986, após sofrer quatro cirurgias no joelho direito.

Seus números no Internacional
27 partidas
14 vitórias
7 empates
6 derrotas
Campeão brasileiro em 1979

Títulos Colorados na Copa São Paulo


Os títulos colorados na Copa São Paulo Sub-20

1974
1ª Fase
20.10.1973 6x0 Estrela da Saúde (SP)
??.??.???? ?x? Goytacaz (RJ)
2ª Fase
11.01.1974 4x1 Olaria (RS)
18.01.1974 1x0 Fluminense (RS)
Semifinal
21.01.1974 3x1 Campo Grande (RJ)
Final
25.01.1974 2x1 Portuguesa de Desportos (SP)

1978
1ª Fase
11.01.1978 4x2 São Paulo (SP)
15.01.1978 1x0 Fluminense (RJ)
18.01.1978 0x1 América (SP)
Semifinal
22.01.1978 0x0 Palmeiras (SP) 5x3 nos pênaltis
Final
25.01.1978 0x0 Corinthians (SP) 5x4 nos pênaltis

1980
1ª Fase
06.01.1980 2x0 Santos (SP)
09.01.1980 1x0 Providencia (MEX)
12.01.1980 1x0 Marília (SP)
Quartas de Final
15.01.1980 4x3 Palmeiras (SP)
Semifinal
17.01.1980 1x0 Matsubara (PR)
Final
20.01.1980 3x0 Atlético (MG)

1998
1ª Fase
04.01.1998 2x0 Rio de Janeiro (RJ)
07.01.1998 0x1 Garulhos (SP)
11.01.1998 2x1 Portuguesa de Desportos (SP)
Oitavas de Final
14.01.1998 1x0 Santos (SP)
Quartas de Final
18.01.1998 2x1 Desportiva (ES)
Semifinal
21.01.1998 5x4 Cruzeiro (MG)
Final
25.01.1998 1x1 Ponte Preta (SP) 4x3 nos pênaltis

2020
1ª Fase
03.01.2020 3x0 Confiança (SE)
06.01.2020 3x0 Linense (SP)
09.01.2020 0x0 Capivariano (SP)
2ª Fase
11.01.2020 1x0 Volta Redonda (RJ)
3ª Fase
13.01.2020 2x1 Desportivo Brasil (SP)
Oitavas de Final
15.01.2020 1x1 Red Bull Brasil (SP) 6x5 nos pênaltis
Quartas de Final
17.01.2020 2x0 Botafogo (SP)
Semifinal
21.01.2020 3x1 Corinthians (SP)
Final
25.01.2020 1x1 Grêmio (RS) 3x1 nos pênaltis

domingo, 2 de janeiro de 2022

Foot-Ball Club Porto Alegre


O Rio Grande fez partida-exibição do Rio Grande em Porto Alegre em 7 de julho de 1903 que influenciaria os destinos do esporte na cidade.

Um grupo de amigos, influenciado por essa apresentação, resolveu fundar um clube de futebol, chamando-o de Fussball Club Porto Alegre. Seus fundadores foram Leopoldo Rosenfeld (presidente), J. Brenner (secretário), Oscar Becker (tesoureiro), Hugo Brenner, Oscar Schaitza, Guilherme Trein, Rodolpho Schoeller, Eugênio Sattler, Oscar Matte, Rodolpho Antônio Campani, Walter Heckmann, Ernesto Oswaldo Schmitt, Otto Niemeyer, Reynaldo Schoeller, Hugo Gerdau, Alfredo Stumpf, Hugo Becker e Francisco Strattmann. Todos eles faziam parte do clube ciclista Rudfverein Blitz. O clube adotou as cores verde e branco. (1) Curiosamente, na mesma data outro grupo da comunidade teuto-riograndense fundou um clube, o Grêmio.

Para conseguirem o primeiro campo seus fundadores alugaram um terreno nos fundos da sede do Blitz, de propriedade de Luiz Englert, por 15$000 mensais, gastando mais 300$000 nas obras de nivelamento. Em 09 de novembro de 1903 era inaugurado o campo com um "match" interno. Como não havia bola, foi confeccionada uma esfera de couro, recheada de palha, sendo apelidada pelos atletas de "ameixa". O campo localizava-se na rua Voluntários da Pátria e ficou assim conhecido: "ground" da rua Voluntários da Pátria ou do Velódromo da Blitz.

A primeira partida do Fussball (como o clube ficaria conhecido em seus primeiros anos) ocorreu em 6 de março de 1904, na rua Voluntários da Pátria. O clube enfrentou o Grêmio, pelo Troféu Wanderpreiss, e perdeu por 1x0. No seu segundo jogo, em 10 de abril de 1904, venceu o Grêmio por 4x1.

Entre 1904 e 1909 o Porto Alegre limitou-se a enfrentar o Grêmio. Nesse período o clube conquistou o Troféu Wanderpreiss em 1904, 1908 e 1909, e o Troféu Gutschow em 1904.

Em 12 de abril de 1910 o Fussball participou da fundação da Liga de Foot-Ball Porto Alegrense, disputando o campeonato municipal. O primeiro confronto com o Internacional ocorreu em 9 de outubro de 1910, válido pelo campeonato municipal. Disputado na Blitz, o Colorado venceu por 2x1.

Em 1911 o Porto Alegre foi vice-campeão da cidade, ao lado do Internacional. Ao final do campeonato, em julho de 1911, o clube perdeu seu "ground" na rua Voluntário da Pátria. A Sociedade Blitz já não existia, e a Prefeitura estava abrindo várias ruas novas transversais à Voluntários da Pátria, entre elas a Almirante Tamandaré , que cortou o campo do Fussball ao meio. Em 30 de julho, já sem campo, o Fussball enfrentou o Internacional na Baixada. O jogo terminou 3x3, com Kluwe perdendo um pênalti para o Internacional. Quando a partida estava 1x1, uma briga entre um torcedor colorado e um funcionário gremista, próxima ao portão de entrada do campo, levou à paralisação da partida por 10 minutos. O Fussball chegou a retirar-se do gramado, mas depois retornou. No final da partida, torcedores brigaram a bengaladas.

Com a perda do campo, o Fussball transferiu-se para um terreno na rua Benjamin Constant, nos arrabaldes de São João. Com a nova sede distante do centro, o Fussball passou dificuldades.

Em 13 de julho de 1913 o Fussball enfrentou o Internacional, pelo campeonato municipal. A partida terminou 1x1 e os jogadores colorados reclamaram muito do árbitro, sócio do Grêmio. Dias depois o Grêmio, declarando-se ofendido, abandonou a Liga de Foot-Ball Porto Alegrense. O Fussball tomou o mesmo caminho em assembleia realizada em 23 de julho de 1913. Após a cisão o Fussball excursionou pelo sul do estado, enfrentando o Riograndense (1x2), Rio Grande (1x1) e Pelotas (1x2).

Em 1914, juntamente com Grêmio, Americano e Frisch Auf, o clube fundou a Associação de Foot-Ball Porto Alegrense. A nova liga contava também com São José e Sportivo. Ainda neste ano o Fussball adquiriu de dona Maria Maia Braga e filhos a Chácara das Camélias, que viria a ser o melhor estádio da cidade até o surgimento do Eucaliptos, em 1931. As obras de construção do estádio começaram em janeiro de 1915.

A AFBPA era quase um torneio alemão. Além dos germânicos Grêmio, Fussball e Frisch Auf, o Sportivo contava entre seus atletas com Pfeifer, Schwamback e Brenner, e o São José apresentava quase um time inteiro: Jung, Graf, Haushahn, Vielitz, Endler, Fett, Schilling e Stratmann.

Encerrados os campeonatos de 1915, ocorreu a unificação do campeonato da cidade, com a fundação da Federação Sportiva Riograndense. O acordo que acabou com a divisão do futebol na capital foi comemorado com um amistoso entre Internacional e Fussball, em 26 de setembro de 1915. O Internacional venceu por 10x2, com sete gols de Bendionda.

O ano de 1917 ficaria marcado na história do Fussball por situações extra-campo. Desde 1914 o mundo sofria com a I Guerra Mundial, mas o Brasil mantinha-se neutro. Os ataques a navios brasileiros por parte das forças alemãs, porém, minaram a neutralidade em 1917. No dia 11 de abril de 1917 o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha e seus aliados. No dia 26 de outubro, com a continuidade dos ataques e forte pressão popular contra a Alemanha, o Brasil declarou-se em estado de guerra. Finalmente, em 16 de novembro veio a declaração de guerra à Alemanha. Um sentimento anti-germânico espalhou-se pelo Brasil. Em 19 de novembro de 1917, em assembleia geral, o clube decidiu mudar seu nome para Football Club Porto Alegre, deixando de ser conhecido como Fussball e passando a ser chamado de Porto Alegre. No dia seguinte a Federação Sportiva Riograndense reconheceu a mudança.

Em 1918 o Porto Alegre foi um dos fundadores da Associação Porto Alegrense de Desportos. Em 1920 o Grêmio formou mais um racha no futebol da capital, mas o Porto Alegre não o acompanhou. Em 1923 o clube teria um grande ano. Em 8 de maio de 1923 o Porto Alegre reinaugurou a Chácara das Camélias, após reformas. O novo campo passou a contar com um pavilhão com capacidade para 2.500 pessoas, ao lado esquerdo, na frente, 31 camarotes para 5 pessoas. A Tribuna de Honra localizava-se no torreão central. Foram realizadas duas partidas: na preliminar o Cruzeiro bateu o São José por 3x0. O jogo de fundo, entre Porto Alegre e Internacional, começou com atraso, e teve apenas dois tempos de 20 minutos. O Porto Alegre venceu por 2x1. No início da temporada o Porto Alegre venceu o Torneio Início. Depois de iniciado o campeonato municipal a APAF (liga dissidente gremista) unificou-se com a APAD. Cada campeonato municoipal virou um grupo: Torneio Ruy Barbosa e Torneio Rio Branco. Os vencedores decidiriam o título municipal. O Porto Alegre venceu também o Torneio Ruy Barbosa, o que lhe deu o direito de disputar o título citadino com o Grêmio, vencedor do Torneio Rio Branco, mas esta final jamais ocorreu.

Em 1924 a temporada do Porto Alegre seria terrível. O clube terminou o campeonato em último lugar. Pelo regulamento deveria enfrentar o Ruy Barbosa, campeão da Série B, em disputa de uma vaga na elite. O Porto Alegre se recusou a disputar o acesso com o Ruy Barbosa e foi rebaixado. Contudo, em reunião do Conselho da APAD, no início de 1925, o Grêmio comanda uma virada de mesa que manteve o Porto Alegre na Série A. Em 1927 o clube conquistou a Taça 14 de Julho, vencendo o Grêmio na final.

Em 1928 o Porto Alegre resolveu montar uma seleção. Mesmo o futebol gaúcho sendo oficialmente amador, o clube passou a contratar jogadores pagando salários. Tirou o famoso goleiro Eurico Lara do Grêmio, trouxe o lateral Risada (que depois foi ídolo no Internacional) do futebol de Cruz Alta, o médio Ernesto Delvaux de Passo Fundo e chegou a sonhar com Araken, atacante do Santos e considerado o melhor jogador brasileiro da época. voltou a vencer o Torneio Início. O clube venceu o Torneio Início, mas desandou durante o campeonato municipal. Lara voltou ao Grêmio, Risada foi para o Internacional e o Porto Alegre ainda perdeu bons jogadores que já eram do clube, como Dante Marroni (Internacional) e Dario (Grêmio).

Em 1929 a dupla Gre-Nal rompeu com a APAD e fundou a Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Atléticos (AMGEA), mas o Porto Alegre permaneceu fiel à antiga liga até 1930. Somente em 1931 o clube ingressa na AMGEA, mas depois de iniciado o campeonato. Só voltaria a enfrentar os grandes da cidade em competições oficiais em 1932. Cada vez mais enfraquecido, o clube atravessou a década de 1930 ocupando as últimas colocações nos campeonatos municipais. Em dezembro de 1936 chegou a ser noticiada uma possível fusão entre Grêmio e Porto Alegre.

Em 1937 ocorreu nova cisão na capital: a dupla Gre-Nal fundou a AMGEA "especializada", aderindo ao profissionalismo. Porto Alegre e Americano mantiveram viva a AMGEA "cebedense", amadora. Mesmo sem a presença dos grandes clubes o Porto Alegre não faz boas campanhas nos dois campeonatos organizados pela liga amadora. Além disso, sofreu com a falta de dinheiro e com a tentativa do Cruzeiro de tentar tomar seu estádio. No final de 1938 os dois tradicionais clubes de Porto Alegre travaram uma briga judicial pela posse da Chácara das Camélias. O Cruzeiro, que utilizara o estádio durante o campeonato de 1938, perdeu a posse em 23 de dezembro de 1938, que voltou ao antigo dono, o Porto Alegre. No dia 29 de dezembro de 1938, sócios do Cruzeiro invadiram a Chácara das Camélias, em uma tentativa de retomar o estádio. Ficaram no local das 14 horas até às 17 horas, quando foram retirados pela polícia.

Em 1939, com a unificação das ligas, realizou-se o Campeonato Relâmpago, com dez clubes, que classificaria os cinco primeiros para a Série A. O Porto Alegre novamente não foi bem e teve de disputar a Série B, ainda em 1939. Em 1940 o clube terminou o campeonato da Série B empatado com o Renner, e venceu a decisão em uma melhor-de-três. Em 1941 o clube disputou novamente a Série A. Para essa temporada o clube teve um reforço. A Ala Universitária, que já havia feito uma parceria com o Americano entre 1935 e 1940, repetiu o feito com o Porto Alegre em 1941. Porém, já no Torneio Início os universitários tiveram desavenças com o restante do clube. Apenas o atleta Pipoca, dos universitários, atuou na competição. Rubem Medeiros, ex-presidente do Americano-Universitário e líder da Ala Universitária, chegou a ameaçar com o rompimento da parceria, mas na partida seguinte, contra o Internacional, outros atletas “universitários” foram utilizados.

O último confronto entre Internacional e Porto Alegre ocorreu em 31 de agosto de 1941, pelo campeonato municipal. Nos Eucaliptos o Colorado venceu por 7x1. Rebaixado, não jogou nenhum campeonato em 1942.

Em 1944 o clube ficou ameaçado de perder seu estádio. Em 19 de abril de 1944 o protesto do Porto Alegre contra a venda da Chácara das Camélias, em leilão judicial, entrou no Tribunal de Apelação. Mas os juízes decidiram que o leilão foi legal, não acatando o protesto. No leilão, o Nacional adquiriu o estádio por Cr$ 178.000,00.

Depois da perda do estádio, ainda em 1944 o clube fechou as portas definitivamente. Em 1945 já era citado em uma matéria do Correio do Povo sobre clubes extintos. 

Porto Alegre x Internacional
49 partidas
37 vitórias do Internacional
6 empates
6 derrotas
213 gols do Internacional
66 gols do Porto Alegre

(1)Algumas fontes citam suas cores originais como sendo o preto e branco. Mas na primeira partida do Fussball seu uniforme já era verde e branco. Se realmente teve o preto e branco como cores da sua fundação, as trocou antes de jogar.

O Internacional e a I Guerra Mundial: discurso de Antenor Lemos na reunião da Federação Sportiva Riograndense, em 20/11/1917


Em 20 de novembro de 1917 a Federação Sportiva Riograndense, que comandava o futebol de Porto Alegre, reuniu-se para discutir a situação de dois filiados: o Fussball Club Porto Alegre e o Fussball Club Manschaft Frisch Auf. Poucos dias antes o Brasil havia declarado guerra à Alemanha e havia uma pressão popular pela nacionalização dos clubes germânicos. A reunião ocorreu no Clube Caixeiral.

O primeiro deles, um dia antes da reunião, decidiu mudar seu nome para Football Club Porto Alegre, mas o Frisch Auf recusou-se a nacionalizar seu nome. Seus sócios, em maioria, decidiram que era melhor fechar as portas do clube do que mudar o nome, o que foi considerado uma ofensa pela comunidade esportiva gaúcha.

Em 9 de novembro de 1917 ocorreu uma assembleia do Frisch Auf, onde Jorge Eichenberg apresentou uma proposta de nacionalização do clube. Mas a maioria dos sócios foram contrários à proposta, entre eles Paulo Ritter e Alexandre Hertzog, voluntários de manobras do Exército Brasileiro, e que estavam fardados na assembleia. Os dois militares também estavam entre os organizadores de uma nova reunião, para reafirmar a decisão de não nacionalizarem o nome do clube. Em 16 de novembro os dois militares foram presos. Mais tarde, em 16 de dezembro, eles foram expulsos do Exército e postos em liberdade. (1)

No dia da reunião da FSR, chegou aos dirigentes da entidade uma carta de sócios do Frisch Auf, que diziam ter sido o clube extinto e sido fundada uma nova instituição, o Grêmio Sportivo Rio Grandense (2). Mas havia uma informação de bastidores de que isso se tratava de uma ação dos sócios do Frisch Auf  para enganar a Federação, e assim que a situação permitisse voltariam a erguer a bandeira do velho clube.

O representante do Internacional, Antenor Lemos, pediu a palavra e fez o discurso que resolveu a questão:

"Pedi preferencia de palavra na discussão do momentoso caso em debate pelo motivo de representar nesta assembléa o club de onde partiu o primeiro grito de protesto e desaggravo ante a ofensa que nos foi atirada pela maioria do 'Fussball Frisch-Auf''.

Permitti, sr´. presidente, que á margem do assumpto em discussão eu borde ligeiros comentarios fortalecendo assim a legitimidade da nossa causa e relembrando um facto historico na formação da cultura physica da mocidade portoalegrense. Muitos annos antes de estalar a formidavel conflagração européa iniciamos nós do Internacional, a campanha de nacionalisação do sport de foot-ball, na capital do Rio Grande do Sul. Em 1909 lançámos a idéa de fundação de uma sociedade onde predominassem elementos nacionaes, para o cultivo do foot-ball association, então de uso quasi exclusivo dos extrangeiros, com especialidade dos allemães, natos ou de origem. Grandes difficuldades tivemos de remover, soffrendo tambem grandes revezes.

Adestrando-nos porém para a lucta e apurando sempre e cada vez mais as invejaveis qualidades physicas que caracterizam os filhos deste pedaço de nosso amado Brasil, conseguimos impor a nossa superioridade, glorificando assim o typo de sportman legitimamente nacional.

Nossa, portanto, muito nossa é a campanha na qual vamos ter agora o epílogo com a expulsão da <Fuss-Ball Mannschaft Frisch-Auf,> cuja existencia, mesmo nos risonhos tempos de paz, constituia uma affronta á sociedade brasileira.

Agremiação allemã, formada de elementos brasileiros em sua maioria, era o Frisch Auf regido por estatutos e trabalhos de secretaria em lingua allemã.

E os nossos patrícios não se sentiam vibrados pelo culto da patria.

Desfibrados ou trahidores, certo é que não podem mais pertencer a esta Federação e neste sentido proponho a expulsão, como medida patriotica, da sociedade F. B. M. Frisch-Auf e mais que seja aberto rigoroso inquerito para apurar a culpabilidade dos nossos patricios socios da mesma sociedade, organisando-se uma lista negra, na qual deverão ser incluidos como suspeitos á patria brasileira." (3)

Ao terminar o discurso, Antenor Lemos foi muito aplaudido. A proposta de expulsão do Frisch Auf foi aprovada por unanimidade e foi formada uma comissão de inquérito para investigar quais sócios do clube haviam votado contra a nacionalização da entidade. Esses sócios ficariam proibidos de ingressarem em outros clubes filiados à FSR. (4)

No encerramento da Assembleia, discursou o delegado do Sport Club Internacional, 2º tenente Adalberto da Rocha Moreira, congratulou-se com FSR, "pelo modo com que haviam sabido desaffrontar a offensa lançada á bandeira da nossa pátria, cujos filhos, amanhã, saberão derramar o seu sangue contra um inimigo, repudiado por todo o mundo civillizado." (5)

Contextualizando a situação: quando o Internacional foi fundado, em 1909 (Antenor Lemos foi um dos fundadores do clube), o futebol da capital era dominado por dois clubes teuto-riograndenses, Grêmio e Fussball. Ambos jogavam apenas entre si e era muito difícil pessoas de fora da comunidade germânica conseguirem ingressar nos mesmos. Suas atas e documentos costumavam ser escritos em alemão, ou nas duas línguas.

Em 1910 surgiu o Frisch Auf, o mais "germânico"dos clubes teuto-riograndenses. Enquanto o Fussball e o Grêmio foram abrandando aos poucos sua "germanidade" (embora sem abandoná-la), o Frisch Auf mantinha-se arraigado. Quando ocorreu a declaração de guerra do Brasil à Alemanha e a decisão de nacionalizar os nomes de entidades relacionados ao inimigo, o Frisch Auf recusou-se a aceitar a nova realidade.

Quanto ao discurso de Antenor Lemos, sobre a luta para constituir clubes de predomínio de brasileiros, o que parece estranho em um clube chamado Internacional, não deve ser visto como um comportamento xenófobo (o Internacional teve vários sócios e atletas estrangeiros em seus primeiros anos, inclusive alemães) e sim uma luta contra clubes fechados em determinadas comunidades étnicas.

Era comum na imprensa o Internacional ser apontado como a primeira equipe de Porto Alegre “inspirada e fundada por elementos puramente nacionaes”. Essa informação pode ser encontrada, entre outras fontes, no Correio do Povo, 4 de abril de 1922; Correio do Povo, 4 de abril de 1924, p. 6; Correio do Povo, 3 de abril de 1927,  p. 12; Correio do Povo, 4 de abril de 1937, p. 17.

(1) O Estado, Florianópolis, 23 de dezembro de 1917, capa.
(2) Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1917, pág. 2.
(3) A Federação, Porto Alegre, 21 de novembro de 1917, pág. 3.
(4) O Paiz, Rio de Janeiro, 25 de novembro de 1917, pág. 8.
(5) Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 de novembro de 1917, pág. 6.











sábado, 1 de janeiro de 2022

Jogadores do passado - Wilsinho


Wílson Aparecido Acedo nasceu em Bragança Paulista, em 1º de janeiro de 1942.

Wilsinho, como ficaria conhecido no mundo do futebol, começou a jogar no Virtus, clube amador de sua cidade, em 1950. Pouco depois passou para as categorias de base do Legionário, outro clube de Bragança Paulista. Em 1959 ele ingressou no Bragantino. Nesse mesmo ano, o Bragantino foi vice-campeão de um torneio de acesso à Segunda Divisão.

Em 1965 o Bragantino venceu a Segunda Divisão, com Wilsinho sendo um dos destaques. Em 1966, o Bragantino foi rebaixado, mas Wilsinho marcou 12 gols. Na temporada de 1967, foi emprestado à Portuguesa de Desportos, para disputar o Robertão.

No segundo semestre de 1967 o Internacional interessou-se pelo jogador. No dia 31 de julho de 1967, Wilsinho foi contratado pelo Internacional, junto com Toninho. Em troca, o Internacional enviou para o Bragantino os jogadores Chorinho, Wanderley e Joaquim.

Wilsinho estreou no Internacional em 6 de agosto de 1967, nos Eucaliptos, contra o Aimoré, junto com Toninho. Pelo campeonato gaúcho, a partida terminou 1x1. Sua primeira participação importante ocorreu em 7 de setembro. Contra o Pelotas, o Colorado já vencia por 1x0 quando Wilsinho invadiu a área e foi derrubado por Osmar e Flávio. Claudiomiro cobrou o pênalti e marcou. No jogo seguinte, no dia 10, o Internacional perdia para o Floriano por 1x0 quando Wilsinho driblou o zagueiro Beiço e chutou para o gol. Depois Sérgio Galocha viraria o jogo.

No dia 17 de setembro ocorreu o famoso "Gre-Nal do Ministro", quando Tarso Dutra, ministro da Educação da ditadura militar, ordenou que a FGF autorizasse a participação de Alcindo, jogador gremista suspenso por expulsão, no clássico. (para ver a história desse clássico:  https://futeboloutrahistoria.blogspot.com/2020/09/um-classico-internacional-1x0-gremio.html ) Wilsinho começou o jogo, mas lesionou-se ainda no 1º tempo e foi substituído por Lambari. No 2º tempo Claudiomiro marcou e o Colorado venceu por 1x0.

Após a lesão, Wilsinho ficou de fora do time por vários meses. Voltou a atuar em 3 de dezembro, na derrota para o Guarany de Bagé por 1x0, no Estrela D'Alva. Com esse resultado o Grêmio conquistou o título gaúcho. O jogo seguinte era o Gre-Nal, em 17 de dezembro. Aos 23' do 1º tempo, Wilsinho cruzou para a área, Ortunho falhou ao tentar cortar e a bola sobrou para Claudiomiro, que chutou fraco. A bola ficou com Dorinho, que chutou no ângulo. O Colorado venceu o Gre-Nal por 1x0.

Na abertura da temporada de 1968 o Internacional enfrentou o Veterano, em Carazinho. O Colorado venceu por 2x0 e Wilsinho marcou o 2º gol. O jogo seguinte, em 25 de janeiro, foi contra o Flamengo de Caxias do Sul, pelo Torneio Imprensa. O Internacional venceu por 5x0 e Wilsinho marcou o seu. No dia 30, vitória de 2x1 sobre o Juventude e o título do Torneio Imprensa. Em seguida, Wilsinho foi titular nos quatro primeiros jogos do campeonato gaúcho.

Mas Wilsinho tinha um problema. Em Bragança Paulista ele trabalhava em um emprego público, como oficial do Cartório de Registro de Imóveis. Em fevereiro de 1968 ele viajou ao interior paulista para tentar resolver sua situação. Em 22 de fevereiro, o diretor de futebol colorado, Nestor Ludwig, anunciou a rescisão do contrato do jogador, que ainda estava em São Paulo. Wilsinho retornaria ao Colorado e treinaria no clube, no mês de março. Mas sem condições de manter os dois empregos, optou pela estabilidade do cargo público. Seu último jogo pelo Internacional foi em 18 de fevereiro, derrota por 1x0 para o Juventude.

Em 1970 Wilsinho voltou a jogar, pelo Bragantino. Disputaria a Segunda Divisão paulista até 1973. No ano seguinte o Bragantino fechou o departamento de futebol e Wilsinho ficou sem time. Em 974 e 1975 Wilsinho jogou no Legionário, na categoria amadora. Mas em 1976 o Legionário profissionalizou-se para disputar a Terceira Divisão e Wilsinho voltou a ser profissional. Em 1977 ele teria uma rápida passagem pelo Goytacaz. Em 1978 voltou ao Legionário, mas logo ficou novamente sem time, com o encerramento do futebol profissional do clube. Wilsinho jogaria ainda as temporadas de 1979 e 1980 pelo Bragantino, quando encerrou a carreira profissional.

No mesmo ano de 1980, Wilsinho passou a atuar pelo Legionário, no campeonato amador de Bragança Paulista, sagrando-se campeão em 1980 e 1984.

Seus números pelo Internacional:
15 partidas
11 vitórias
2 empates
2 derrotas
3 gols marcados
Campeão do Torneio Imprensa