sábado, 28 de setembro de 2013

José Pinheiro Borda, o Coração do Gigante

Em 28 de setembro de 1897, há 116 anos, nascia em Portugal o menino José Pinheiro Borda. Em 1929 Pinheiro Borda mudou-se para o Brasil, estabelecendo-se em Porto Alegre. Logo tornou-se um apaixonado torcedor colorado, e ferrenho antigremista. Costumava declarar publicamente: "Jamais entrarei no estádio deles". Era daqueles torcedores que não perdia treino, e era amigo da maioria dos jogadores. Também costumava auxiliar famílias de torcedores pobres, no legítimo espírito do Clube do Povo.

Sócio do clube, acabou por ser eleito conselheiro. Na década de 1950 chegou à presidência do Conselho Deliberativo do clube. Várias vezes foi convidado para concorrer à presidência do clube, mas jamais aceitou. Para ele, bastava ser colorado. O próprio Borda definia esse sentimento: "Eu me sinto orgulhoso de ser colorado. Apenas isso. Para mim, ser colorado é a maior coisa do mundo. Maior ainda porque eu posso falar e falando eu posso dizer isso." Mesmo depois de tornar-se dirigente, continuou sem frequentar o estádio gremista. Em dia de Gre-Nal no Olímpico, ficava com os jogadores, na concentração, até a hora da partida para o estádio. Aí ele se dirigia para a colina dos cemitérios da cidade, e de dentro de um deles, conseguia vislumbrar, ao longe, alguns lances da partida.

Quando o clube decidiu construir o Beira-Rio, José Pinheiro Borda foi o nome lembrado para ser presidente da Comissão de Obras. Turfista apaixonado, foi ele o responsável pela construção do Hipódromo do Cristal, o que lhe credenciava para a função. Mesmo assim, foi necessário um grande esforço para convencê-lo de assumir esse cargo, pois se achava velho demais para a função. Somente após uma longa sessão do CD, com discursos emocionados de tradicionais colorados, Borda aceitou a missão.

Em pouco tempo, Pinheiro Borda organizou a Comissão do Estádio, e começou a lutar para conseguir fundos para a obra. Enfrentava com orgulho e confianças as provocações gremistas de que estava vendendo boias cativas, quando lançou a venda de cadeiras cativas e títulos patrimoniais do futuro estádio. Borda percorreu boa parte do interior do estado, conclamando todos os colorados a colaborarem com a construção do Gigante. Também era presença constante na imprensa, divulgando o estádio e pedindo colaborações. Após o lançamento da pedra fundamental do estádio, em julho de 1963, Borda costumava passar várias horas por dia junto ao gigante que nascia.

Infelizmente, esse grande colorado não conseguiu realizar seu maior sonho: ver o estádio inaugurado. A sua última entrevista parecia antever o que aconteceria, quando Borda declarou: "Eu tenho três coisas que amo profundamente, a minha esposa, o Internacional e o Gigante da Beira-Rio. Nunca cometi pecados graves. Por isso, peço a Deus que me dê a graça de ver construído o Gigante". Mas uma doença surgida repentinamente derrubou rapidamente o grande colorado. Em 25 de abril de 1965 falecia José Pinheiro Borda. Velado nos Eucaliptos, seu enterro atraiu uma grande multidão. Após o corpo sair dos Eucaliptos, foi levado até às obras do Beira-Rio, para a triste despedida, antes de ser levado para o sepultamento.

Em 4 de maio de 1965, a diretoria do Internacional, presidida por Manoel Braga Gastal e tendo José Asmuz como vice-presidente de patrimônio – ad referendum do Conselho Deliberativo, conforme permitia o estatuto – nomeou ao novo estádio do clube como José Pinheiro Borda. Mas nunca houve a oficialização do nome, que segundo o próprio Braga Gastal, “não pegou”. Mas conhecendo a simplicidade e humildade de Pinheiro Borda, ele próprio certamente preferiria Gigante da Beira-Rio como nome do estádio.

Em homenagem a esse grande colorado, sem o qual dificilmente teríamos o Gigante, foi erguido um busto, na entrada do estádio, próximo ao Portão 1. No dia da inauguração do Beira-Rio, inúmeros foram os colorados que ajoelharam-se e rezaram junto ao busto, agradecendo ao abnegado colorado que deu a vida pelo estádio. Em 6 de abril de 2009, quando o estádio completou 40 anos, o busto de José Pinheiro Borda foi "reinaugurado". No local, além do busto do dirigente colorado, estão placas de cimento com os nomes escritos à mão dos jogadores de Benfica, Peñarol e Seleções do Brasil, Hungria e Peru, que participaram do festival de inauguração do estádio. E em 2009 foi acrescentada uma urna acrílica com inúmeros documentos do Centenário colorado (fotos, revistas, jornais, livros, etc), que ficarão lá até o bicentenário, em 4 de abril de 2109.


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