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quinta-feira, 14 de maio de 2020

Jogadores do passado: Floriano


Em 14 de maio de 1903, nascia em Itapecerica (MG), o menino Floriano Peixoto Corrêa.

Floriano jogava na linha média, pela direita. Começou a jogar futebol na escola. Em 1916, matriculou-se no Colégio Militar de Barbacena. Nessa cidade jogou no Infantil Futebol Clube, no Mayrinck Futebol Clube e no Paisandú.

Em 1919 Floriano transferiu-se para o Colégio Militar de Porto Alegre, ingressando no Internacional, onde jogaria na equipe principal em 1920 e 1921. Na temporada de 1920 participou apenas de amistosos. No Colorado, Floriano também era conhecido pelo apelido de Carioca. 

Com a morte de seus pais, em 1920, Floriano não teve condições de prosseguir seus estudos e em 1921 desligou-se do Colégio Militar, mudando-se para Caxias do Sul onde passou a atuar pelo Juvenil. Apesar do futebol ainda ser considerado amador, pagava-se certa remuneração aos atletas. Em 1922 jogou no Porto Alegre e em 1923 no Grêmio, sendo convocado para a Seleção Gaúcha. Em seguida, assentou praça na 8ª Companhia de Metralhadoras Pesadas e foi convocado pela Liga de Esportes do Exército para a Seleção do Exército que enfrentou a Marinha, no Estádio da Gávea (Exército 2x1 Marinha).

Em 1924, transferido para o 3º Regimento de Infantaria, sediado na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, passou a jogar pelo Fluminense. Campeão carioca em 1924, os dirigentes do Fluminense o convenceram a dar baixa do Exército. Em 1925 foi campeão brasileiro de seleções pelo Rio de Janeiro. Recebeu o apelido de "Doutor da Bola" e foi convocado para disputar o Campeonato Sul-Americano de Futebol, em Buenos Aires. Em 1927 voltou a ser campeão brasileiro de seleções, pelo Rio de Janeiro. Mas no mesmo ano foi acusado de "vender-se" para o adversário, em um jogo com o América. Dispensado, ingressou no América, onde sagrou-se campeão carioca em 1928. No mesmo ano voltou a sagrar-se campeão brasileiro de seleções. Com esses títulos recebeu o apelido de "Marechal da Vitória". 

Na final do campeonato carioca de 1929, o América foi derrotado pelo Vasco da Gama e Floriano foi acusado de suborno. Em 1930 começou o  campeonato carioca pelo São Cristóvão, mas desistiu do futebol e mudou-se para Barretos, no interior de São Paulo. No mesmo ano atuou três meses pelo Barretos, até aceitar um convite do Santos, para onde transferiu-se em agosto de 1930. Em 1931 foi vice-campeão paulista pelo Santos. No final do campeonato, foi acusado de tentar subornar jogadores do Juventus, junto com o atacante Feitiço, mas os atletas santistas foram absolvidos.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, serviu como soldado no 7º BCR, dos rebeldes paulistas, participando efetivamente dos combates. Em 1933 publicou o livro "Grandezas e Misérias do nosso Futebol (Flores & Mano Editores, Rio de Janeiro), no qual contou sua atribulada vida de atleta, citando nominalmente os dirigentes que atrapalharam sua carreira. No mesmo ano transferiu-se para o Atlético MG, onde jogaria até 1935.

Em 1936, como técnico, levou o Atlético ao título do Torneio dos Campeões. Pouco depois retornou ao Rio de Janeiro, onde contraiu tuberculose. Buscando tratamento, foi para Nice, na França. Depois seguiu para uma colônia francesa, na África. Floriano faleceu no continente africano, em 19 de setembro de 1938. O local de sua morte é controverso. Fontes apontam Argel (Argélia), Dacar (Senegal) e Oran (Argélia).

Seus jogos pelo Internacional:

23.09.1920 2x0 União (Pelotas) - Amistoso - F
28.09.1920 0x2 Ideal (Pelotas) - Amistoso - F
09.06.1921 4x0 Seleção Acadêmica de Porto Alegre - Amistoso - N (Chácara das Camélias)
19.06.1921 2x1 Juvenil (Caxias do Sul) - Amistoso - F
21.06.1921 4x2 Garibaldi - Amistoso - F
29.06.1921 6x1 Ypiranga - Amistoso - C (1)
03.07.1921 2x3 Cruzeiro - Campeonato Municipal - C
31.07.1921 4x1 Americano - Campeonato Municipal - F
21.08.1921 3x4 Porto Alegre - Campeonato Municipal - C
28.08.1921 4x1 Contra-Torpedeiro Alagoas - Amistoso - C
04.09.1921 1x2 Taquarense - Amistoso - F

Resumo
11 partidas
7 vitórias
4 derrotas
1 gol marcado

quarta-feira, 13 de maio de 2020

História: antigo estatuto do Internacional


Segundo a Agenda Colorada, disponível no site do clube, o mais antigo estatuto conhecido do clube foi redigido em 5 de março de 1913, sendo aprovado em 6 de abril do mesmo ano, mas registrado apenas em 19 de abril de 1918. Creio, porém, ser um erro de redação no ano de registro, que seria 1913, e não 1918.

De qualquer forma, em 4 de fevereiro de 1916, a Assembleia Geral do clube aprovou um novo estatuto, que foi publicado no jornal O Diário, em partes, entre março e abril de 1916. Este provavelmente foi o terceiro estatuto do do clube. Infelizmente, observando as fotos que tirei do jornal, alguns anos atrás, notei que ficou faltando o artigo 7, relativo às funções do vice-presidente. A má qualidade de algumas fotos impediram a leitura de certas palavras, em poucos artigos, mas sem impedir sua compreensão. Segue o estatuto:

Capítulo I
Da sociedade e seus fins

Art. 1 - O Sport Club Internacional, fundado em 4 de abril de 1909, nesta cidade de Porto Alegre, tem por fim cultivar esportes desenvolvendo a educação física.

Capítulo II
Da direção

Art. 2 - A direção compor-se-á de um presidente, um vice-presidente, dois secretários (1º e 2º), dois tesoureiros (idem) e três membros para constituírem o conselho fiscal, eleitos todos em sessão da assembleia geral.

Art. 3 - A eleição será realizada no penúltimo domingo de dezembro.
§ 1º - No primeiro domingo do mês de janeiro, a diretoria eleita tomará posse, perante a assembleia geral.
§ 2º - Por essa ocasião, a diretoria precedente prestará contas e o presidente ou quem suas vezes fizer apresentará o relatório de sua gestão.

Art. 4 - Para dirigir os jogos a diretoria nomeará uma comissão esportiva, composta de três membros, tendo um as funções de diretor de campo e sendo os dois outros capitães dos times oficiais.
§ único - Em caso de discordância, os atos da comissão esportiva estarão sujeitos à intervenção da Diretoria.

Art. 5 - Nenhum cargo da Diretoria poderá ficar vago por mais de um mês, devendo a eleição ser feita em sessão da assembleia geral extraordinária, salvo o caso do parágrafo 1°.
§ 1º - No caso de ficar vago o 2º secretário ou 2º tesoureiro a diretoria nomeará  um membro ad-hoc, fazendo proceder a eleição na primeira assembleia geral que se realizar.
§ 2º - Essa eleição será feita sob o mesmo critério da eleição geral de dezembro.

Capítulo III
Das atribuições

Art. 6 - Ao presidente compete:
a: convocar, presidir e encerrar as sessões.
b: manter a ordem durante o seu funcionamento.
c: encaminhar os assuntos e desempatar as votações, com seu voto de qualidade.
d: rubricar os livros e assinar conjuntamente com o secretário e tesoureiro os documentos relativos às suas pastas.
e: representar a sociedade em juízo e fazê-la representar-se em todos os atos para que for convidada.
f: visar as contas, autorizando os respectivos pagamentos.

Art. 7 (falta)

Art. 8 - Ao 1º secretário compete:
a: a redação das atas, a correspondência e guarda dos arquivos do clube.
b: fazer me sessão da assembleia geral a chamada dos sócios, pela lista de presença, bem como a leitura das atas e do expediente.
c: trazer na devida ordem a correspondência do clube, para o que poderá dispor dos livros que julgar necessários.
d: fornecer ao presidente os dados necessários à confecção do relatório.
e: oficiar aos sócios, no prazo máximo de quatro dias, comunicando sua admissão, suspensão, eliminação, nomeação ou eleição para qualquer cargo ou comissão.
f: substituir o vice-presidente em seus impedimentos.
g: convocar, de ordem do presidente, as sessões de assembleia geral, fazendo o anúncio durante três dias, com a ordem do dia e em jornal oficial do clube ou a folha mais lida da capital.

Art. 9 - Ao 2º secretário compete:
§ 1º - auxiliar o 1º secretário, sempre que se torne necessário.
§ 2º - substituí-lo em seus impedimentos.

Art. 10 - Ao 1º tesoureiro compete:
a: organizar o livro de matrícula.
b: expedir os recibos de joia e mensalidade com a respectiva assinatura.
c: recolher a um estabelecimento bancário, indicado pelo presidente, os fundos sociais sempre que excedam de rs. 200$000.
d: efetuar o pagamento das contas visadas pelo presidente ou quem suas vezes fizer.
e: arrecadar os dinheiros pertencentes ao clube.
f: escriturar com precisão e clareza a receita e despesa do clube, para o que fará a aquisição dos livros que julgar necessários, devendo submetê-los à rubrica do presidente.
g: apresentar trimestralmente um balancete à Diretoria.
h: fornecer ao presidente os dados necessários à confecção do relatório.
i: organizar o balancete anual que será apresentado à assembleia geral da posse da nova diretoria.
j: avisar aos sócios sempre que estes estejam em atraso de mais de dois meses e simultaneamente avisar à diretoria, para que sejam tomadas as necessárias providências.

Art. 11 - O tesoureiro é o único membro da sociedade que pode guardar os dinheiros do clube, por isso que é o único responsável por eles.

Art. 12 - Ao 2º tesoureiro compete:
§ 1º - auxiliar o 1º tesoureiro sempre que se torne necessário.
§ 2º - substituí-lo em seus impedimentos.

Art. 13 - Ao diretor de campo compete:
a: organizar o quadro de jogadores do clube.
b: organizar os times, de acordo com os capitães, sendo líder da comissão esportiva.
c: promover "matches" de acordo com a diretoria.
d: escolher os "referees" para os "matches" extraordinários em que os quadros do clube tomem parte.
e: dirigir os "trainnings", procurando agir sempre de acordo com os capitães.
f: zelar e fazer zelar pelo material do clube, para o que indicará à diretoria um auxiliar, cujas funções serão classificadas de guarda sport.
g: marcar os "trainnings" oficiais e fazer publicar na imprensa.
h: comparecer ao campo sempre que esteja anunciado "trainning" oficial.
i: tomar parte nas reuniões de diretoria, não tendo, porém, voto nas discussões.
j: intervir nos "trainnings" ou suspendê-los, sempre que não estejam sendo feitos na devida ordem.
k: ministrar instrução aos principiantes, para o que poderá nomear, de acordo com a diretoria, um auxiliar competente.

Art. 14 - Compete ao guarda sport:
a: guardar o material do clube, inventariando de três em três meses.
b: trazer sempre em boa ordem os aparelhos de jogo, zelando pela sua conservação.
c: promover a compra do material necessário, de acordo com o diretor de campo.
d: zelar e fazer zelar pela conservação do terreno, que deve estar perfeitamente demarcado em dia de "match" oficial.
dd: para o mister acima, o guarda-sport terá pessoal competente, correndo as despesas por conta do clube.
e: comparecer ao campo em dias de "trainning" comum ou oficial, bem como em dia de "match", tendo pronto o material necessário.

Art. 15 - Aos capitães dos times oficiais compete:
a: constituir, junto com o diretor de campo, a comissão esportiva.
b: organizar os quadros que deverão treinar ou disputar "matches", submetendo-os a apreciação do diretor de campo.
c: comparecer no campo, sempre que esteja anunciado "trainning" oficial.
d: dirigir este, podendo intervir, sempre que se torne necessário, na colocação dos jogadores.

Capítulo IV
Dos sócios

Art. 16 - Haverá seis categorias de sócios.
a: Fundadores - os que assinaram a ata de fundação.
b: Beneméritos - os que tenham oferecido ao clube dádiva importante, a juízo da diretoria.
c: Honorários - os que tenham prestado relevantes serviços ao club, a juízo da assembleia geral.
d: Remidos - os que tenham contribuído, de uma só vez, aos cofres do clube, com a quantia de duzentos mil réis.
e: Efetivos - os que pagarem a joia de 10$000 e a mensalidade de 2$000.
f: Correspondentes - os que, em lugar distante, no país ou no estrangeiro, prestarem serviços ao clube.

Art. 17 - Para ser admitido como sócio do clube são condições necessárias:
a: ser maior de quinze anos.
b: ter bom comportamento civil.
c: saber ler e escrever, bem como falar o idioma do país.
d: ser proposto por um sócio, quites com a tesouraria.

Art. 18 - Para gozar os direitos de sócio é mister estar de posse do recibo de joia e mensalidade, bem como do ofício de admissão, que antecede a estes.

Art. 19 - Os sócios beneméritos e honorários são isentos de mensalidade, mas não podem'prescindir do cartão permanente que trata o art.
§ único - gozam também das mesmas regalias os sócios correspondentes, que são também obrigados a apresentação de um ingresso especial que lhes será fornecido pelo tesoureiro, quando de passeio se acharem da capital.

Capítulo V
Dos deveres e direitos dos sócios

Art. 20 - São deveres dos sócios:
a: comparecer às reuniões.
b: aceitar as comissões para que forem designados.
c: manter alta linha de moralidade, principalmente na sede da sociedade.
d: acatar as deliberações da Diretoria e assembleias.
e: comunicar por ofício quando tiverem de se ausentar da capital, sem o que não ficarão isentos do pagamento das mensalidades.
f: observar fielmente os presentes estatutos, bem como os regulamentos internos.

Art. 21: São direitos dos sócios:
a: votar e ser votado.
b: participar com sua família de todas as diversões promovidas pelo clube, mediante apresentação do ingresso permanente que lhe será dado pelo tesoureiro.
c: tomar parte nos exercícios do clube, de acordo com os regulamentos especiais.
d: utilizar-se dos jogos, canchas e aparelhos do clube, sem danificá-los e igualmente de acordo com os regulamentos especiais.
e: tomar parte nas discussões das assembleias e propor medidas que julgar convenientes à boa marcha do clube.
f: reclamar à Diretoria, quando julgar-se ofendido nos seus direitos, solicitando uma sessão de assembleia geral, em ofício assinado por 25 sócios quites com a tesouraria.
g: passar procuração a outro sócio para o representar nas eleições, com o direito de voto, de acordo com o art.

Art. 22 - Para os filhos e irmãos de sócios, até a idade de 15 anos, haverá uma seção especial, denominada Menores, isenta de qualquer contribuição.

Capítulo VI
Das penalidades

Art. 23. Perde a qualidade e o direito de sócio, seja qual for a sua categoria:
a: o que for condenado pelos tribunais do país e quando de culpabilidade notória.
b: o que, no desempenho de qualquer cargo ou comissão, defraudar os cofres do clube.
c: o que não tiver uma ocupação honesta ou compatível com os créditos da sociedade.
d: o sócio efetivo que durante o espaço de três meses deixar de fazer o pagamento de suas mensalidades.

Art. 24 - O sócio que tiver sido eliminado nas condições do art. anterior, poderá ser readmitido a juízo da diretoria e pagando ainda nova joia.

Art. 25 - A diretoria pode aplicar aos sócios infratores as penas de suspensão e eliminação, conforme a gravidade da falta cometida.

Art. 26 - Incorre nas penas de suspensão:
a: o sócios que publicamente promover o descrédito da sociedade.
b: o que perturbar ou fazer perturbar a boa ordem no recinto do clube.
c: o que propositalmente maltratar o material.
d: o que publicamente desrespeitar qualquer membro da diretoria, o diretor de campo ou os capitães, quando no exercício de seus cargos.
e: o que não se portar convenientemente nas reuniões, uma vez admoestado pelo presidente ou quem suas vezes fizer.
f: o que faltar, sem causa justificada, aos "matches" oficiais, tendo sido previamente avisado por quem de direito.
g: o que não manter uma linha de moralidade no recinto do clube.
h: o que deixar de cumprir, por sua vontade ou desídia, os presentes estatutos e regulamentos especiais.

Art. 27 - As penas de suspensão variam de 15 a 90 dias, conforme "veridictum" da diretoria.
§ único - o sócio suspenso, perdendo embora os direitos de sócio, na parte constante do art. 24, letras a, c, d e e, fica entretanto obrigado ao pagamento das mensalidades.

Art. 28 - Incorre nas penas de eliminação:
a: o sócio que deixar de satisfazer o pagamento de suas mensalidades, de acordo com o art. 26, letra d.
b: o que deixar de esforçar-se por uma vitória do clube, por sua vontade, desídia ou venalidade.
c: o que lesar, direta ou indiretamente, a sociedade, já se apossando de dinheiros ou objetos que a ela pertençam, já facultando direitos de sócios a quem o não é ou esteja incurso no art. 26, letra d.

Art. 29 - Qualquer falta grave não constante nos presentes estatutos, poderá ser punida pela Diretoria.

Art. 30 - As penas a serem aplicadas nos membros da Diretoria, eleitos ou nomeados, são da alçada da assembleia geral.

Capítulo VII
Da Diretoria

Art. 31 - Á Diretoria compete:
a: reuniões ordinariamente uma vez por mês e extraordinariamente sempre que for convocada pelo presidente ou quem suas vezes fizer.
b: fazer cumprir fielmente os presentes estatutos.
c: aceitar, nomear, suspender e eliminar sócios, quando achar de direito, (?) (?) prejudicar a apelação para a assembleia geral.
d: resolver qualquer assunto omisso nos presentes estatutos e regulamentos especiais.
e: em qualquer caso, para validade da resolução é mister que estejam presentes mais de (?) membros, inclusive o presidente ou quem suas vezes fizer.
f: interpretar as disposições dos presentes estatutos e regulamentos especiais sempre que se ofereçam dúvidas a respeito.

Art. 32 - Os assuntos tratados em sessão de diretoria são privativos de seus membros.


Capítulo VIII
Das Assembleias Gerais

Art. 33 - Haverá anualmente duas sesssões da assembleia geral ordinária. Uma no primeiro domingo de janeiro, para dar posse à diretoria eleita, (?) das contas, etc, e outra no penúltimo domingo de dezembro, para eleger-se a nova diretoria e conselho fiscal.

Art. 34 - Sempre que um grupo de 25 sócios em dia requerer em ofício à Diretoria, será convocada sessão de assembleia geral extraordinária.
§ único - para a convocação das assembleias a que se refere o presente artigo, é necessário fazer constar do ofício os motivos, para conhecimento dos sócios em geral.

Art. 35 - A Diretoria poderá convocar uma assembleia geral extraordinária, sempre que julgar de urgente necessidade.

Art. 36 - Para funcionar uma assembleia é necessário que estejam presentes à chamada mais de trinta sócios com direito a voto.
§ único - Na segunda convocação a assembleia poderá funcionar com 25 sócios e se não atingir a esse número funcionará uma hora depois com qualquer número.

Art. 37 - As assembleias gerais deverão ser convocadas com ordem do dia declarada durante três dias no jornal oficial do clube ou na folha mais lida da capital, a juízo da diretoria.

Art. 38 - A sessão de assembleia geral extraordinária é órgão competente para destituir qualquer membro de diretoria de suas funções, caso tenha sido para isso convocada.
§ único - Nas condições do artigo acima, podem ser anuladas as deliberações da diretoria julgadas claramente irrefletidas e manifestamente prejudiciais ao clube.

Art. 39 - No caso de incompatibilidade da diretoria, assumirá a presidência dos trabalhos um sócio idôneo, indicado pela maioria da assembleia.

Art. 40 - Qualquer sócio poderá fazer uso da palavra nas assembleias, contanto que, pela ordem, a tenha solicitado ao presidente.
§ único - o presidente, de acordo com a mesa, pode negar a palavra a um orador quando ela for impertinente, ou caçá-la quando for desrespeitosa.

Art. 41 - Nenhum assunto poderá entrar em discussão sem que se tenha dado por findo o que primeiro foi aventado.

Art. 42 - Os atos de uma assembleia só poderão ser revogados por outra, passados trinta dias (?).

Capítulo IX
Das eleições (o jornal não publicou o título do capítulo,, mas creio ser esse)

Art. 43 - Anualmente, no penúltimo domingo do mês de dezembro, proceder-se-á a eleição da diretoria e do Conselho Fiscal.

Art. 44 - A eleição será por escrutínio, assinando o sócio a respectiva chapa e colocando-a na urna.
§ único - As chapas podem ser impressas ou manuscritas mas não devem ter emendas nem reservas.

Art. 45 - No caso de um sócio não poder comparecer a eleição por motivo de força maior, poderá dar procuração a outro para representá-lo.
§ único - A procuração deve ser passada no verso da chapa, com o testemunho de dois sócios idôneos.

Art. 46 - Para a assembleia geral da eleição de diretoria, prevalece o art. dos presentes estatutos, não se contando as procurações.

Art. 47 - No caso de empate na eleição para qualquer cargo, a decisão será por meio de sorteio, pela forma mais prática.

Art. 48 - Terminados os trabalhos de apuração, o secretário procederá à leitura dos resultados e o presidente proclamará os eleitos.

Art. 49 - Qualquer membro da assembleia com direito a voto poderá impugnar os votos de sócios incorrentes no artigo dos presentes estatutos.

Art. 50 - Quaisquer dúvidas que se suscitarem sobre a votação ou aprovação, deverão ser imediatamente resolvidas pela assembleia.

Art. 51 - Não poderão votar nem ser votados os sócios honorários que nunca tenham sido efetivos.

Capítulo X
Do Conselho Fiscal

Art. 52 - Ao Conselho Fiscal compete:
a: auxiliar a diretoria em todos os seus atos.
b: formar, com ela, a administração do clube.
c: tomar as contas das diretorias anteriores, emitindo seu parecer, que deverá ser lido na sessão de posse da nova diretoria.
d: tomar parte nas sessões de diretoria, tendo direito de voto.

Capítulo XI
Disposições gerais

Art. 53 - As cores distintivas do clube serão branco e encarnada.

Art. 54 - Haverá regulamento para as diversas sessões do clube, e que terão força de lei, uma vez publicadas pela imprensa.

Art. 55 - Da renda líquida dos "matchs", 10% serão aplicados ao fundo de reserva da sociedade, para a aquisição de um campo.
§ único - A diretoria não poderá usar do fundo de reserva senão com licença da assembleia geral.

Art. 56 - Os cartões permanentes serão emitidos trimestralmente, tendo cada emissão sua cor especial.

Art. 57 - O Sport Club Internacional não poderá ser dissolvido se a isso se opuserem nove sócios quites com a tesouraria.
§ único - No caso de dissolução o que se apurar do acervo reverterá em favor dos sócios nas condições do artigo acima.

Art. 58 - Os presentes estatutos só poderão ser reformados dois anos após sua aprovação.

Art. 59 - Não são admitidas queixas ou reclamações a porta do "ground", em dia de "match", sendo motivo de suspensão eliminação as faltas nesse sentido.

Art. 60 - Para o ano social de 1916 a eleição de diretoria efetuar-se-á no dia 23 de maio, dando-se a posse no dia 30 do corrente.

Art. 61 - Revogam-se as disposições em contrário.

Porto Alegre, 4 de fevereiro de 1915 (1)
(1) Na última edição em que publicou os estatutos, o jornal colocou a data de 1915, mas em claro erro, pois na primeira edição em que começou a publicar os estatutos afirma que o mesmo foi aprovado em 4 de fevereiro de 1916.








































segunda-feira, 11 de maio de 2020

Jogadores do passado: Tom Mix


Ivo Ferreira nasceu em Bagé, no dia 11 de maio de 1914. Começou a jogar futebol no Independente de Bagé, em 1931, na posição de ponteiro-esquerdo, recebendo o apelido de Tom Mix. Seu bom futebol o levou ao Guarany de Bagé, onde atuou de 1932 a 1935, vencendo o campeonato municipal em 1932, 1934 e 1935.

Em 1935, Tom Mix foi convocado para a Seleção Gaúcha, e despertou interesse do Internacional. O Colorado o contratou no início de 1936. Ele permaneceu no clube até o início de 1937, disputando 26 partidas, com 17 vitórias, 3 empates e 6 derrotas. Marcou 8 gols pelo Internacional. Tom Mix foi campeão municipal de 1936 e marcou o primeiro gol colorado contra equipes argentinas. No período em que esteve no clube, só não disputou uma partida, um amistoso contra o Santa Cruz, por estar servindo à Seleção Gaúcha.

No início de 1937, o general Flores da Cunha, santanense, queria formar um time para vencer o campeonato estadual. E, apesar do amadorismo oficial, começou a contratar jogadores para o Grêmio Santanense. O alvi-rubro da fronteira, com dinheiro de sobra, levou do alvi-rubro da capital o zagueiro Alpheu e o ponteiro-esquerdo Tom Mix. Depois de levantar o título municipal e estadual pelo Santanense, Tom Mix foi para o Santos, novamente junto com Alpheu. No Santos, Tom Mix permaneceu até 1941. Depois, jogou na Portuguesa Santista (1941/1942), Jabaquara (1943/1947), Palmeiras de Franca (1948), Francana (1950) e Jabaquara (1951).

Partidas de Tom Mix pelo Internacional:

15.03.1936 1x1 Grêmio - Taça Martel - N (Timbaúva)
05.04.1936 3x1 São José - Amistoso - F
09.04.1936 3x3 Americano - Amistoso - C
21.04.1936 7x1 Porto Alegre - Amistoso - F
01.05.1936 3x0 Cruzeiro - Campeonato Municipal - F
10.05.1936 6x1 Juventude - Amistoso - F (2)
17.05.1936 2x3 Novo Hamburgo - Amistoso - F (1)
28.06.1936 4x4 Cruzeiro - Amistoso - F
15.08.1936 4x1 Americano - Campeonato Municipal - C (1)
30.08.1936 3x2 Grêmio - Campeonato Municipal - C
06.09.1936 3x0 São José - Campeonato Municipal - F (1)
20.09.1936 1x0 Força e Luz - Campeonato Municipal - F
11.10.1936 6x1 Porto Alegre - Campeonato Municipal - C
18.10.1936 3x0 Cruzeiro - Campeonato Municipal - C
25.10.1936 5x3 Americano - Campeonato Municipal - F (1)
01.11.1936 2x0 Grêmio - Campeonato Municipal - F
08.11.1936 1x2 Palestra Itália SP - Amistoso - C
15.11.1936 0x3 Palestra Italia SP - Amistoso - N (Timbaúva)
22.11.1936 3x1 São José - Campeonato Municipal - C
29.11.1936 6x2 Força e Luz - Campeonato Municipal - C (1)
13.12.1936 5x0 Porto Alegre - Campeonato Municipal - F
20.12.1936 9x0 Juventude - Campeonato Gaúcho - N (Timbaúva)
03.01.1937 3x5 Atlanta ARG - Amistoso - C (1)
10.01.1937 7x4 Riograndense SM - Campeonato Gaúcho - N (Chácara das Camélias)
17.01.1937 2x3 Rio Grande - Campeonato Gaúcho - N (Chácara das Camélias)
21.01.1937 0x2 Rio Grande - Campeonato Gaúcho - N (Timbaúva)

OBS: Optou-se por considerar campo neutro mesmo as partidas realizadas em Porto Alegre, fora dos Eucaliptos, contra adversários de outras cidades. Os números entre parênteses correspondem aos gols marcados.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Jogadores do passado: Ary



Hoje vamos relembrar um jogador que defendeu o manto alvi-rubro nos primeiros tempos do Rolo Compressor, o zagueiro Ary.

Ary disputou 5 partidas em 1941, 4 delas substituindo o titular Risada, na zaga, e a última atuando de centroavante, posição em que jogaria no Bancário:

07.09.1941 2x0 Cruzeiro - Campeonato Municipal - Montanha
21.09.1941 3x1 Força e Luz - Campeonato Municipal - Eucaliptos
12.10.1941 4x1 São José - Campeonato Municipal - Eucaliptos
19.10.1941 1x2 Grêmio - Campeonato Municipal - Baixada
18.12.1941 6x3 São José - Amistoso - Eucaliptos

Mas havia uma dúvida entre os pesquisadores. Quem seria este Ary? Nas listagens de atletas colorados, disponíveis na imprensa da época, três nomes poderiam se encaixar: Ary Cauduro Foschiera, Ary Vitória e Ary Lannes Macedo.

Via Twitter, os familiares de Ary, Paulo Roberto Fraga (filho) e Jacqueline Foschiera (neta), me localizaram, repassando as informações que aqui trago agora.

Ary Cauduro Foschiera nasceu em 25 de novembro de 1919, em Porto Alegre. Começou a jogar futebol no período em que estava surgindo o futebol profissional no Rio Grande do Sul, e os principais clubes costumavam manter equipes de profissionais e amadores, estes geralmente atletas muito jovens, o equivalente ao 2º quadro. Ary atuava nos amadores colorados quando, em 1941, foi chamado para o time principal, na ausência de Risada. Nas quatro partidas autou ao lado de um dos maiores zagueiros da história colorada, Alpheu.

Com a volta de Risada, na partida seguinte ao Gre-Nal, Ary retornou aos amadores, mas seu nome ficou gravado no grupo bicampeão municipal de 1941.

Em 1942, Ary jogou nos amadores do Internacional, e também no profissional do Bancário de Pelotas, o que gerou protestos dos gremistas em um dos clássicos do campeonato de amadores.

Ary também atuou no Cruzeiro, e após uma lesão mais grave, abandonou o futebol profissional e passou a defender o amador Theresópolis, clube que teve entre seus fundadores o pai do atleta.

Ary faleceu em 11 de fevereiro de 1994, em Porto Alegre.


Na foto a seguir, do acervo da família, Ary aparece ao lado de (da esquerda para a direita) Brandão, Assis e Niquelagem, na vitória de 4x1 sobre o São José.



Futebol em Porto Alegre - Capítulo VI - 1926-1930

Em 1926, alguns clubes da APAF decidiram voltar à APAD, para compor sua 2ª divisão. Enquanto isso, alguns clubes da LSPA. que desapareceu, ingressaram na APAF. Nos clubes da comunidade negra, continuava ativa a AAF. Os campeonatos dessas ligas ficaram assim constituídos:

APAD
1ª Divisão: Internacional, Grêmio, Cruzeiro, Porto Alegre, São José e Americano.
2ª Divisão: Brasil, Concórdia, Liége, Marechal de Ferro, Theresópolis e Ypiranga
APAF
1ª Divisão: Tiradentes, Ruy Barbosa, Municipal, Sokol e Vencedor.
2ª Divisão: Venezianos, Paulista, Mignon, Guhayba, Guarany e Boa Vista.
AAF
8 de Setembro, 1º de Novembro, Bento Gonçalves, Ford, Operário, Palmeira, Riograndense e União.

A temporada de 1926 começou problemática para o Internacional. Alguns jogadores estavam ausentes, outros doentes. O clube decidiu não disputar o campeonato de 3º quadro, por falta de atletas, decisão que mais tarde, a pedido de sócios, seria modificada. Mas o clube deixou de disputar o Torneio Início, e perdeu por WO a primeira partida do campeonato de 2º quadro, pois apenas 8 jogadores compareceram.

Para o campeonato de 1926, a APAD tomou algumas decisões: a lei do impedimento mudou, sendo necessário ter dois adversários pela frente, e não mais três, para estar em condição regular. Qualquer jogador adiantado, mesmo que fora do lance, seria considerado impedido. As mulheres não pagariam ingresso. Se uma equipe não se apresentasse completa em no máximo meia hora além do horário, seria considerada derrotada por WO. E as partidas só seriam suspensas mediante temporal na hora da partida.

Em maio, a APAF mudou o nome para Associação Gaúcha de Esportes Atléticos (AGEA).

O Grêmio venceu o campeonato da APAD, tendo o Internacional como vice. Na APAF/AGEA, o Ruy Barbosa ficou com a taça, e na AAF, o Operário, clube formado pelos funcionários do estaleiro Mabilde, sagrou-se campeão.

Em 1927, o Internacional reformulou seu plantel, com o objetivo de conquistar novamente a taça. Para o gol, veio Moeller, do Novo Hamburgo. O centroavante uruguaio Ross veio do 14 de Julho PF, e o ponteiro-esquerdo Miro trocou o Ypiranga, da 2ª divisão, pelo Colorado. Do 2º quadro subiram o zagueiro Gilberto e o atacante Nenê. Outros clubes também se reforçaram. O Americano contratou Bacalhau (ex-Rio Grande), Barulho (ex-Cachoeira) e João Lacave (veio de Pelotas). O Cruzeiro trouxe Luiz Silveira (ex-Guarany de Bagé) e Franklin Jorgens (veio de Santa Maria). Mesmo na AGEA, reforços eram comuns. O Paulista formou uma seleção, com Laminha (ex-Theresópolis), Fundunga (ex-Boa Vista), Nestor (ex-Porto Alegre), Lambique e César (ex-Brasil de Pelotas).

Os torneios estavam assim constituídos:
APAD
1ª Divisão: Internacional, Grêmio, Cruzeiro, Porto Alegre, São José e Americano.
2ª Divisão: Brasil, Concórdia, Liége, Marechal de Ferro, Theresópolis e Ypiranga
AGEA
1ª Divisão: Ruy Barbosa, Municipal, Paulista, Sokol e Vencedor.
2ª Divisão/Série A: Mignon, Guhayba, Guarany, Vasco da Gama e Boa Vista.
2ª Divisão/Série B: Treme Terra, Rio Branco, Carioca, Bello Horizonte e São Paulo.
AAF
Bento Gonçalves, Ford, Operário, Riograndense e União.

Na APAD, a preocupação com o profissionalismo tomava conta. Luiz Carvalho, do Grêmio, e Grant, do Internacional, foram acusados de profissionalismo, mas absolvidos pela liga. E o futebol já encantava a todos. obre o Gre-Nal de 8 de maio de 1927, o Correio do Povo escreveu: “Ali estavam representadas todas as classes sociaes de Porto Alegre, desde a mais alta até a mais humilde”. No final da temporada, o Internacional sagrou-se campeão. Na AGEA, o Ruy Barbosa levantou a taça, e na AAF, o Riograndense ficou com o título.


Em 1928, o Ruy Barbosa trocou a AGEA pela APAD, que aumentou para 9 o número de clubes na elite, com o acesso de Concórdia e Ypiranga. Mas logo os problemas começaram. Em 5 de março de 1928 a APAD rompeu o pacto com a FRGD, no qual se comprometia em realizar três partidas por domingo nas duas primeiras rodadas do turno e do returno, para encerrar o campeonato municipal antes do início do estadual. Além disso, a entidade anunciou que se o prazo de definição do campeão da capital não fosse prolongado até 30 de outubro, a APAD abriria mão de participar do estadual. Internacional e Ruy Barbosa votaram contra essa decisão.

Também em 5 de março de 1928, Lara, Adroaldo e Nenê, ex-atletas gremistas, ingressaram no Porto Alegre. Ainda no início de março, o Porto Alegre contratou Ernesto Delvaux (Leon III), que estava no 14 de Julho de Passo Fundo. Em 9 de março de 1928 o goleiro Moeller trocou o Internacional pelo Grêmio.

Em 12 de março de 1928 a APAD decidiu não apresentar representante para o campeonato estadual, decisão que depois seria revertida.

Em 30 de abril de 1928 a reunião da APAD apresenta duas polêmicas: a inscrição de Fagundes, ex-atleta do Americano, pelo Cruzeiro, sem respeitar a Lei do Estágio, e a transferência do Gre-Nal de 3 de maio para o fim da temporada. A denominada, pelo Correio do Povo, “facção esquerdista”, formada por Internacional, Americano, São José e Ruy Barbosa, abandona a reunião. Os “representantes direitistas” eram compostos por Grêmio, Cruzeiro, Ypiranga, Concórdia e Porto Alegre. Diante da crise, o presidente da APAD, tenente Armando Cattani, renunciou ao cargo.

Em 1º de maio de 1928 foi dada continuação à reunião da APAD, sem os clubes rebeldes. Os clubes “direitistas” aprovaram a realização do Dia do Desporto em 3 de maio. Em 13 de maio de 1928 a rodada do campeonato municipal previa a realização dos seguintes confrontos: Internacional x Ypiranga e Americano x Cruzeiro, mas os clubes rebeldes decidiram não jogar. Em 15 de maio de 1928, em reunião da APAD com a participação apenas dos clubes “direitistas”, a entidade decidiu declarar Internacional e Americano derrotados por WO. O vice-presidente da entidade, Paulo Dohms, e o 2º secretário, Orestes Leite, renunciaram a seus cargos.

Em 20 de maio de 1928 a rodada previa Internacional x Porto Alegre e Grêmio x São José. Novamente os clubes rebeldes não jogaram. Em 22 de maio de 1928 a APAD declarou Internacional e São José derrotados por WO. Somente em 2 de junho de 1928 foi pacificado o futebol da capital, as derrotas por WO anuladas e as partidas remarcadas.

Mas os ânimos continuavam exaltados. No clássico Gre-Nal de 10 de junho de 1928, o Grêmio vencia por 3x2 quando, aos 28' do 2º tempo, Maysonave, zagueiro gremista, cometeu dois pênaltis consecutivos, não marcados pelo árbitro, Carlos Froelich. A partida fica paralisada, com a reclamação de jogadores e torcedores colorados. No meio da confusão, o torcedor Farias Ortiz invadiu o campo e esbofeteou o juiz. A partida foi suspensa. Em 12 de junho de 1928, a APAD decidiu confirmar a vitória gremista e punir Lampinha com 8 jogos de suspensão, por agredir o árbitro, e Ribeiro e Barros com 4 jogos de suspensão, por ofensas ao juiz. A punição gerou revolta no meio esportivo, e em 4 de julho a APAD reduziu as penas de Ribeiro e Barros para dois jogos de suspensão. Em 16 de julho de 1928 a APAD anulou a suspensão imposta aos atletas colorados Ribeiro, Lampinha e Barros, mas este último, irritado com a punição, decidiu encerrar a carreira de jogador. Na mesma reunião, a APAD estabeleceu as regras para a Lei do Estágio: o atleta que se transferisse de clube teria que passar um ano sem disputar partidas oficiais, contando a partir da sua última partida pelo clube anterior.

Fora da liga principal, as confusões também ocorriam. Em 4 de março de 1928, na várzea, o Botafogo perdia por 4x0 para o Bloco Veranistas, na Chácara dos Taquarais, quando a torcida do clube invadiu o campo, aos 25’ do 2º tempo, paralisando a partida. Mas o pior estava por vir. Em 26 de agosto de 1928, Brasil e Tiradentes se enfrentavam na Rua Larga, pelo campeonato da 2ª divisão da APAD. Nos minutos finais da partida, com o Tiradentes vencendo por 2x1, um jogador do Brasil lesionou-se, tendo que abandonar o campo. Por esse motivo, começou uma discussão que logo virou briga generalizada entre atletas, dirigentes e torcedores dos dois clubes. No meio da confusão, Lothario Krieger, que participava ativamente da briga, foi esfaqueado no peito e morreu. Krieger era atleta do 3º quadro do Tiradentes e aluno de uma academia de boxe. Em 31 de agosto de 1928, a APAD decidiu suspender por 6 meses os dois clubes envolvidos.

O ano de 1928 também foi traumático para o Internacional, com uma briga interna entre os defensores do amadorismo puro, capitaneados por Antenor Lemos, e os que queria preparar o Internacional para os novos tempos do profissionalismo, liderados por Ildo Meneghetti. A disputa política refletiu-se em resultados desastrosos em campo.

Os campeonatos estavam assim organizados:
APAD
1ª Divisão: Internacional, Grêmio, Cruzeiro, Porto Alegre, São José, Ruy Barbosa, Concórdia, Ypiranga e Americano.
2ª Divisão: Liége, Marechal de Ferro, Theresópolis, Bancário, Brasil e Tiradentes.
AGEA
1ª Divisão: Vencedor, Guahyba, Bello Horizonte, Carioca, Flamengo e Peñarol.
Infelizmente, faltam informações sobre a 2ª divisão da AGEA (provavelmente nem foi disputada) e sobre o campeonato da AAF. Na APAD, o Americano foi o campeão.

Em 1929, novas mudanças no futebol da capital. O Internacional, agora sob influência de Ildo Meneghetti, liderou uma campanha pelo fim da Lei do Estágio, que resultou na fundação de uma nova entidade: a Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Atléticos (AMGEA).

Com a cisão entre AMGEA e APAD, e o fim da Lei do Estágio na nova entidade, os clubes “amgeanos” passaram a atrair os atletas das equipes “apadianas”. O Concórdia reforçou-se, em maio de 1929, com Astro e Mabília, ex-jogadores do São José, Léo e Alfredo Mancuso, ex-Theresópolis, Mingo, Ernesto Delvaux (Pitch) e Andrade, ex-Porto Alegre. Também reforçou-se com Barulho, ex-jogador do Americano, clube que logo viria a ingressar na AMGEA. Outro reforço foi Darte Lopes, ex-Pelotas. O Ruy Barbosa contratou Ammes e Cauduro (ex-Porto Alegre), Fernando (ex-Americano), Dinga (ex-Associação de Amadores), Grigolo (ex-Guarany de Bagé) e Edgar (ex-Grêmio Ijuhyense). O Grêmio contratou Carlos Correa da Cunha, ex-centroavante do 14 de Julho de Santana do Livramento. O Bancário reforçou-se com Ervino Crusius (ex-Nacional de São Leopoldo) e Martim Mércio Silveira (ex-Guarany de Bagé).


Também estavam em atividade na capital outras ligas, como a Associação Gaucha de Amadores de Desportos (AGAD) e Federação de Esportes Proletários do Rio Grande do Sul (FEP). Por sua vez, a AGEA foi extinta. Também em 1929 o Internacional criou seu Conselho Deliberativo.

Os campeonatos estavam assim organizados:
AMGEA
1ª Divisão: Internacional, Grêmio, Americano, Ruy Barbosa, Concórdia, Ypiranga e Bancário.
2ª Divisão: Tiradentes, Liége, Vencedor, Glória, Marechal de Ferro e Paulista.
APAD
Cruzeiro, Porto Alegre, São José e Theresópolis.
AGAD
Israelita, 14 de Julho, Villa Federal, Juvenil e Livramento (entre outros).
FEP
Sul Brasileiro, Wilson, Proletários, Caixeiral, Paladino, Tristezense e Esperança.
AAF
8 de Setembro (outros participantes desconhecidos).

Na AMGEA, o Americano venceu o campeonato. Na APAD, o Cruzeiro foi o campeão.. Na AGAD, a taça ficou com o Israelita e na AAF o 8 de Setembro ficou no 1º posto. Nõa há informações sobre o campeão da FEP. 

Em 1930, o Cruzeiro abandonou a APAD e ingressou na AMGEA. A antiga liga desapareceu, e POrto Alegre e São José ficaram filiados diretamente à FRGD. Novamente tivemos um ano conturbado, dessa vez devido à agitação política do país. Com a Revolução de 1930, o campeonato não chegou ao fim. Muitos atletas eram soldados da Brigada Militar e foram mobilizados para participar do levante contra o governo federal. O Grêmio acabou declarado campeão, por estar na frente na tabela.

Os campeonatos estavam assim organizados:

AMGEA
1ª Divisão: Internacional, Grêmio, Americano, Ruy Barbosa, Concórdia, Ypiranga, Cruzeiro e Bancário.
AAF: 1º de Novembro, Bento Gaonçalves, Riograndense e União (entre outros).
AGAD: Palácio e Uruguay (entre outros).

São desconhecidas informações sobre a 2ª divisão da AMGEA e sobre os campeões da AAF e AGAD.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Futebol em Porto Alegre - Capítulo V - 1921-1925

Após o campeonato de 1920, o São José, vice-campeão da APAD, trocou a entidade pela recém-criada APAF. Assim, os dois principais campeonatos da cidade ficaram assim organizados:

APAD
Internacional, Cruzeiro, Porto Alegre, Tabajara e Ypiranga.
APAF
1ª Divisão: Grêmio, Concórdia, São José, Municipal, Ruy Barbosa e Americano.
2ª Divisão: Endymion, Liége, Montevideo, São João, Sokol e Tiradentes.
3ª Divisão: Rio Branco, Marte, Nacional e River Plate, entre outros.

Durante as competições, porém, Americano e São José abandonaram a APAF e ingressaram na APAD. O Cruzeiro venceu o campeonato da APAD. Na APAF, o Grêmio venceu a 1ª divisão, o Liége a 2ª divisão e o Rio Branco a 3ª divisão.

Entre os clubes da comunidade negra, também ocorreu uma divisão. Na Liga Nacional de Foot-Ball Porto Alegrense, o 8 de Setembro ficou com a taça. Na dissidente Associação Sportiva de Foot-Ball, o Riograndense, clube que aceitava apenas mulatos, sagrou-se campeão.

Em 1922, as mesmas quatro ligas organizaram campeonatos, tendo a APAF as mesmas três divisões e a APAD duas divisões. Os clubes participantes eram os seguintes:

APAD
1ª Divisão: Internacional, Cruzeiro, Porto Alegre, São José, Americano, Tabajara e Ypiranga.
2ª Divisão: Caixeiral, Guahyba, Guarany, Pelotense e São Cristóvão.
APAF
1ª Divisão: Grêmio, Concórdia, Municipal, Ruy Barbosa, Liége e Tiradentes.
2ª Divisão: Montevideo, São João, Sokol, Rio Branco, Marechal Floriano e Universal.
3ª Divisão: Nacional, Força e Luz, Vencedor, Cruzeiro do Sul, Pátria e River Plate.
ASF
Riograndense, 1º de Novembro, Aquidaban, Bento Gonçalves, Operário, Palmeira e União.
LNFPA
8 de Setembro e Primavera, entre outros.

Na APAD, o Internacional sagrou-se campeão da 1ª divisão, e o Guarany venceu a 2ª divisão. Na APAF, o Grêmio venceu a 1ª divisão. O Bento Gonçalves sagrou-se campeão da ASF. O campeonato da LNFPA provavelmente não chegou ao final.

A temporada de 1923 começou novamente com quatro ligas, mas com uma novidade: nos clubes da comunidade negra, a LNFPA fechou as portas, mas a ASF passou a contar com uma rival poderosa, a Associação de Amadores de Foot-Ball. No início do ano, vários clubes da APAF filiaram-se à APAD. Nas duas principais ligas, os participantes eram:

APAD
1ª Divisão: Internacional, Cruzeiro, Porto Alegre, São José, Americano, Tabajara, Ruy Barbosa e Ypiranga.
2ª Divisão: Caixeiral, Guahyba, Guarany, Pelotense, Força e Luz, 15 de Setembro, Liége e Theresópolis. O São Cristóvão desistiu da competição.
APAF
1ª Divisão: Grêmio, Concórdia, Municipal, Tiradentes e Montevideo.

Com o andamento das competições, porém, os clubes restantes da APAF acertaram seu ingresso na APAD. Assim, os dois torneios passaram a ser chaves do campeonato unificado, e a final deveria ser realizada entre os dois vencedores de chave. Os clubes originais da APAD passaram a disputar o Torneio Ruy Barbosa, e os clubes da extinta APAF, o Torneio Rio Branco. O Porto Alegre venceu uma chave e o Grêmio a outra, mas nunca ocorreu a final entre os dois times. Na ASF, o Bento Gonçalves conquistou o bicampeonato. Na nova AAF, o Primavera ficou com a taça.

Em 1924, com a APAD unificando as duas principais ligas da capital, a entidade formou duas divisões, divididas cada uma em duas séries. Assim, os clubes ficaram divididos dessa forma:

1ª Divisão
Série A: Internacional, Grêmio, Cruzeiro, São José, Porto Alegre e Americano.
Série B: Ruy Barbosa, Concórdia, Ypiranga, Municipal, Tabajara e Tiradentes.
2ª Divisão
Série A: Caixeiral, Sokol, Força e Luz, Theresópolis, 15 de Setembro e Pelotense.
Série B: Marechal Floriano, Marechal de Ferro, Vencedor, Liége. Boa Vista e Independência (abandonou a competição).

O regulamento previa que os vencedores de cada série disputariam os títulos de suas respectivas divisões. E que na 1ª divisão, o campeão da Série B enfrentaria o último da Série A, por uma vaga na elite na temporada seguinte. Na 2ª divisão, 15 de Setembro e Marechal Floriano venceram suas séries e o 15 de Setembro conquistou a 2ª divisão. Na 1ª divisão, o surpreendente Americano ficou com a taça da Série A, tendo o Cruzeiro como vice. Na Série B, o Ruy Barbosa ficou com o título. Logo foi abandonada a ideia de um confronto entre Americano e Ruy Barbosa pelo título da cidade. Mas o confronto entre Porto Alegre e Ruy Barbosa, para definir quem jogaria a Série A em 1925, foi mardado para 7 de dezembro. O veterano Porto Alegre estava em crise, e com medo de ser rebaixado, não compareceu ao jogo. Aí a crise passou a ser do futebol da cidade. A APAD declarou o Ruy Barbosa vencedor e promovido, mas o Grêmio, em defesa de seu co-irmão germânico, propôs uma reformulação do campeonato. Pelos estatutos da APAD, apenas os cinco fundadores originais (Internacional, Grêmio, Cruzeiro, São José e Porto Alegre) poderiam modificar as regras do campeonato. E assim, por proposta gremista, foi ignorado o rebaixamento do Porto Alegre e definido que o campeonato de 1925 seria disputado pelos cinco fundadores mais um clube a ser definido pelos mesmos. Apenas o Internacional votou contra a virada de mesa. Na reunião seguinte, os clubes deveriam definir quem seria o sexto clube no torneio, Americano ou Ruy Barbosa. A maioria dos clubes, incluindo o Internacional, votaram no campeão da Série A, o Americano, enquanto o Grêmio votou no Ruy Barbosa.

Na comunidade negra, os campeonatos foram assim formados:

ASF
1º de Novembro, Bento Gonçalves, Aquidaban e Venezianos.
AAF
Ford, Primavera, Palmeira, 8 de Setembro, Riograndense, Operário, Arvoredo e União.

O campeonato da ASF não chegou ao fim, enquanto na AAF o Operário ficou com a taça.

Na temporada de 1925, houve uma diminuição de clubes na APAD. O Ruy Barbosa, descontente, abandonou a liga, refundando a APAF de 1921/1922, carregando consigo os clubes que disputavam as divisões inferiores da entidade. Também surgiu na cidade uma nova entidade, a Liga Sportiva Porto-Alegrense. Assim ficaram constituídos os campeonatos:

APAD
Internacional, Grêmio, Cruzeiro, São José, Americano e Porto Alegre.
APAF
1ª Divisão: Ruy Barbosa, Tiradentes, Ypiranga, Concórdia, Municipal (abandonou o campeonato em julho) e 15 de Setembro (foi suspenso em outubro).
2ª Divisão: Marechal de Ferro, Sokol, Boa Vista, Brasil, Vencedor e Guahyba.
AAF: Riograndense, Ford, 8 de Setembro, Operário, Bento Gonçalves, 1º de Novembro, Palmeira, Arvoredo, União e Viação Férrea.
LSPA: Porto, Bello Horizonte, Venezianos, Vasco Alves e Mignon.

Os campeões foram:
APAD: Grêmio
APAF: Ruy Barbosa
AAF: Riograndense
LSPA: Porto

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Futebol em Porto Alegre - Capítulo IV - 1916-1920

19/05/1918 Internacional 5x3 Grêmio - Chácara dos Eucaliptos

A recém fundada Federação Sportiva Rio-Grandense organizou duas divisões para o campeonato de 1916:
1ª Divisão: Internacional, Grêmio, Fussball, Cruzeiro e Colombo.
2ª Divisão: São José, São Paulo, Frisch Auf e Americano.

Sem muitas surpresas, o Internacional conquistou o tetracampeonato da cidade, enquanto o São José venceu o campeonato da 2ª divisão.

Também existia outra entidade, a Liga Sportiva Porto-Alegrense, formada por Aliança, América, Concórdia, Fixum, Flamengo, Fluminense, Municipal, Nancy e Ruy Barbosa. O Fixum venceu o campeonato.

Em 12 de dezembro de 1916 o Grêmio venceu o Fussball por 5x1 e conquistou em definitivo a Taça Rio Branco. Esta taça havia sido ofertada em 1913, pelo Bristol, para ser disputada anualmente entre Grêmio e Fussball. O primeiro a vencer três edições ficaria com a posse definitiva. O Grêmio venceu as três edições, em 1914, 1915 e 1916.

Em 13 de fevereiro de 1917, a FSRG aceitou o pedido de filiação do Municipal e do Brasil, aceitando, condicionado a atenderem as exigências regulamentares, o Tiradentes e o Ruy Barbosa. Também foi recebido o pedido de licença por um ano, do São Paulo. Na mesma reunião, a Federação aprovou a "Lei do Estágio", uma manobra para impedir o profissionalismo. Por essa determinação, só poderiam participar do campeonato jogadores que residissem em Porto Alegre no mínimo 30 dias antes da partida em que fossem atuar.

Para a temporada de 1917, a Federação Sportiva Riograndense contava com as seguintes equipes:
1ª Divisão: Grêmio, Fussball, Internacional, Cruzeiro e São José.
2ª Divisão: Frisch Auf, Americano, Brasil, Municipal, Ruy Barbosa, Ypiranga e Tiradentes

Brasil, Municipal, Ruy Barbosa, Ypiranga e Tiradentes haviam se filiado na Federação no início de 1917. O São José subiu à 1ª divisão por ter vencido a 2ª divisão em 1916, substituindo o Colombo, que extinguiu-se.

Em 2 de abril de 1917, em outra reunião da FSRG, o Cruzeiro propôs que atletas estrangeiros só pudessem atuar em jogos oficiais após um ano de residência na capital. O Grêmio, que acabara de contratar três jogadores uruguaios, se sentiu prejudicado e desligou-se da FSRG. Com a saída do Grêmio, o Americano passou para a 1ª divisão. O Internacional venceu o campeonato da 1ª divisão, tendo como vice o Cruzeiro. Na Associação Sportiva Riograndense, o América foi o campeão.

Em setembro de 1917, o Oriental de Rivera jogou em Porto Alegre. No time uruguaio, dois atletas que depois atuariam no Internacional: Lampinha e Tito Arreguy.

Em novembro de 1917, a FSRG reuniu-se para tratar da expulsão do Frisch Auf, devido aos seus sócios recusarem-se a nacionalizar o nome do clube, após a declaração de guerra do Brasil à Alemanha. A expulsão do Frisch Auf foi aprovada por aclamação, assim como a elaboração de uma lista dos sócios do clube que votaram contra a nacionalização, e que os mesmos fossem considerados suspeitos de traição à Pátria e proibidos de ingressarem em outros clubes da FSRG. Na mesma época, o Fussball Club Porto Alegre mudou seu nome para Football Club Porto Alegre, deixando de ser chamado de Fussball e passando a ser chamado de Porto Alegre.

No final de 1917, os dirigentes da Federação Sportiva Rio Grandense, Antenor Lemos (Internacional), Victor Rodrigues (Cruzeiro), Miguel Borges da Fonseca (Porto Alegre) e José Rebello (São José e presidente da FSRG) decidem transformar a entidade da capital em uma federação estadual. José Rebello declarou à imprensa que, caso se tornasse uma entidade estadual, a FSRG seria reconhecida pela Confederação Brasileira de Sports (atual CBF). Antenor Lemos viaja a Pelotas e retorna com o apoio de Brasil e Pelotas à proposta. No início de 1918 vai a Caxias do Sul, onde ganha a adesão de Juvenil e Juventude.

A ideia de uma entidade estadual empolgou o meio esportivo gaúcho. Nacional de São Leopoldo e Novo Hamburgo declaram querer ingressar na FSRG. A Liga Pelotense também demonstrou interesse em fazer parte da entidade. Na capital, Globo, Guarany, Americano, América e Fixum também sonham em filiar-se à FSRG. O Brasil, que havia pedido licença da entidade, pede o cancelamento da licença. Até mesmo o Grêmio, desfiliado desde o início de 1917, demonstrou interesse em voltar à entidade.

Em 14 de fevereiro de 1918, em Assembléia Geral realizada no salão nobre da Sociedade Leopoldina, foi decidida a extinção da FSRG e a criação da Confederação Rio Grandense de Desportos Terrestres. Seus fundadores foram Internacional, Cruzeiro, São José e Porto Alegre. No dia 20 o Grêmio ingressou na nova entidade, que decidiu convocar o I Congresso Rio Grandense de Foot-Ball.

A ideia de uma federação estadual fundada exclusivamente por clubes da capital assustou um pouco os clubes do interior. Assim, em março a CRGDT transformou-se em Associação Porto Alegrense de Desportos, ainda com a tarefa de convocar e organizar o congresso estadual, marcado para maio.

Em 9 de abril de 1918 a APAD recusou os pedidos de filiação de Americano, Ruy Barbosa e Municipal. O campeonato da entidade seria disputado por Internacional, Grêmio, Cruzeiro, São José e Porto Alegre.

A Associação Sportiva Rio Grandense convidou os clubes da extinta FSRG que não haviam sido incluídos pela APAD. Mas pouco depois, Municipal, Ruy Barbosa e Municipal fundaram a Federação Porto-Alegrense de Football, reunindo os clubes da antiga 2ª divisão da FSRG.

Em 18 de maio de 1918 foi fundada a Federação Rio Grandense de Desportos, atual Federação Gaúcha de Futebol.

No campeonato da APAD, Internacional e Cruzeiro brigavam pelo título. Mas o momento marcante do torneio foi o Gre-Nal do returno, que ficou conhecido como "Gre-Nal de Sangue". No final do 1º tempo começou uma briga, que terminou com o atleta colorado Álvaro Ribas esfaqueado pelo torcedor gremista Octávio Telles de Freitas. Apesar de vencer os dois clássicos, o Colorado viu a taça ficar com o Cruzeiro, que tinha a seguinte equipe: Barreto; Raphael e Osório; Lassance, Godinho e Raymond; Prunes, Candiota, Léo, Januário e Fontoura. Para infelicidade do clube alvi-azul, a epidemia de gripe espanhola levou ao cancelamento do campeonato estadual, impedindo outra conquista.

Ainda em 1918, a cidade contava com a Federação Porto Alegrense de Foot-Ball, formada por Americano, Concórdia, Municipal, Ruy Barbosa (campeão) e Tiradentes, Associação Sportiva Riograndense, composta por América, Globo e Marechal de Ferro, entre outros, e a Liga Sportiva de Foot-Ball, com clubes como o Juvenil e o São Cristóvão. Também existia a Liga Bancária e a Liga Colegial.

Em 1919 a APAD voltou a organizar seu campeonato com os mesmos cinco clubes do ano anterior e mais o Tabajara. O Grêmio conquistou o título municipal. 

Na Federação Porto Alegrense de Foot Ball, participavam o Municipal, Concórdia, Americano, Ruy Barbosa e Tiradentes. Os jogos eram disputados no Arrabalde de São João (campo do Municipal), no Partenon (campo do Americano) e no campo do extinto Frisch Auf (pertencente ao Turner Bund). O Ruy Barbosa seria novamente o campeão.

A Associação Sportiva Riograndense, formada por Tuyuti, Globo, Guarany e República, tinha seus jogos realizados no campo do Marechal de Ferro. O Guarany ficaria com a taça.

As ligas menores sofriam com o assédio da liga principal. Em julho de 1919 a FPAFB acusou a APAD de compactuar com o profissionalismo, permitindo que seus clubes aliciassem jogadores das equipes filiadas à Federação. Lewis, do Americano e Soló, do Municipal, transferiram-se para o Grêmio com os campeonatos das duas entidades em andamento.

Para resolver o problema entre as ligas, APAD e FPAFB assinaram um acordo, em abril de 1920. A FPAFB filiou-se à APAD como uma sub-liga, sendo proibida a transferência de jogadores entre os clubes, sem respeitar a Lei do Estágio. O acordo foi aprovado por unanimidade pelos seis clubes da APAD.

No início de 1920, os jogadores Poly e Costa, do Porto Alegre, transferiram-se para o Grêmio. Pela "Lei do Estágio", aprovada pelo próprio Tricolor, eles teriam que ficar seis meses sem atuar em partidas oficiais. O Grêmio não concordou e recorreu à FRGD, presidida pelo gremista Aurélio Py, que deu ganho de causa ao clube. Os dirigentes da APAD não aceitaram a decisão e puniram o Grêmio com perda de pontos em uma partida do 2º quadro, em que Costa atuou. A FRGD, por sua vez, puniu a APAD com uma suspensão de 30 dias, que acabou resultando em desfiliação. Antes do fim da temporada, o Grêmio retirou-se da APAD, perdendo os pontos. Internacional e São José encerraram o campeonato empatados em pontos, tendo que disputar um jogo-extra. Na primeira final da história do campeonato da cidade, o Internacional venceu por 5x4 e ficou com a taça.

A cidade contava, além da APAD, com pelo menos mais três ligas organizadas:
Federação Porto-Alegrense de Foot-Ball: Americano, Concórdia, Endymion, Municipal, Ruy Barbosa (campeão), São João e Tiradentes.
Liga de Foot-Ball Porto-Alegrense: Montevideo, River Plate, Três Estrelas, Universal e Universitário.
Liga Nacional de Foot-Ball Porto-Alegrense (a Liga da Canela Preta): 8 de Setembro, 1º de Novembro, Bento Gonçalves, Palmeira, Primavera, Riograndense, União (campeão) e Venezianos.

Com a chancela da FRGD, o Grêmio ingressou na FPAFB. Em 16 de novembro de 1920, em Assembleia Geral, a Federação Porto-Alegrense de Foot-Ball foi notificada pela Federação Riograndense de Desportos que seu pedido de filiação foi aceito, mas que deveria alterar seu primeiro nome para evitar confusões com a entidade estadual. Na mesma assembleia, mudou seu nome para Associação Porto-alegrense de Foot-Ball. Apesar de não ter sido campeão pela APAD (que proclamou o Internacional campeão), pela FPAFB (que já realizara seu campeonato) e pela APAF (que não organizou campeonato em 1920), o Grêmio foi declarado pela FRGD representante de Porto Alegre no campeonato gaúcho.