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terça-feira, 11 de março de 2014

HISTÓRIA - Ano a Ano - 1910

Em 12 de abril de 1910 foi fundada a Liga de Foot-Ball Porto Alegrense, com o objetivo de organizar um campeonato municipal. Dias depois, em em 17 de abril de 1910 foi eleita a seguinte direção para o Internacional:

Presidente: Henrique Poppe Leão
Vice-presidente: Benjamin Vignoles
1º Secretário: Argemiro Dornelles
2º Secretário: Arthur Correa Atte
1º Tesoureiro: Tancredo Macalão
2º Tesoureiro: Antônio Heinzelmann
1º Capitão: Carlos Kluwe
2º Capitão: Horácio S. Carvalho
1º Guarda-Sport: Edelberto Mendonça
2º Guarda-Sport: Leopoldo Gesta

O primeiro campeonato de Porto Alegre, disputado em 1910, teve como participantes o Internacional, Militar, Grêmio, Fussball, Nacional, 7 de Setembro e Frisch Auf.

Os clubes enfrentaram-se em turno único, e a classificação final ficou assim:

1º Militar - 12 pontos
2º Grêmio - 10 pontos
3º Internacional - 8 pontos
4º Fussball - 6 pontos
5º Nacional - 4 pontos
6º Frisch Auf e 7 de Setembro - 1 ponto

O Militar também conquistou o campeonato de 2ºs quadros (reservas), denominado Taça 12 de Abril.

E o Colorado não era só futebol, naquela época. Em 4 de julho de 1910, o atleta colorado Juvenalino Cezar proferiu uma conferência literária no Salão Leopoldina, com o tema “Como se deve amar”.

Resumo de 1910

Competição disputada:
Campeonato Municipal - 3º lugar

HISTÓRIA - Ano a Ano - 1909

Em abril de 1909, aproveitando a agitação que causava nos meios esportivos a divulgação de uma excursão do Sport Club Rio Grande à capital, os irmãos Poppe passaram a buscar os marginalizados do futebol porto-alegrense, que não conseguiam espaço no Grêmio e Fussball, com o intuito de fundar um novo clube.

Assim, foi marcada uma reunião visando a fundação de um clube para o dia 4 de abril, domingo, na Avenida Redenção, 141, que mais tarde seria Avenida João Pessoa, 1025. Todos os convidados e mais alguns amigos apareceram, sendo levados para o porão da casa pelos irmãos Henrique, José e Luís Poppe. Eram cerca de quarenta pessoas, em sua maioria funcionários do comércio e estudantes. Nessa reunião os irmãos Poppe, juntamente com Antônio Coiro, João Leopoldo Seferin, Legendre de Chagas Pereira, Breno Dornelles, Alfredo Wetternick e outros, fundaram o Clube do Povo. O nome do clube ainda não havia sido decidido, mas suas cores sim. Na época, existiam duas grandes sociedades carnavalescas em Porto Alegre: os Venezianos, de cores vermelha e branca, e a Sociedade Esmeralda, de cores verde e branca. Como a maioria das pessoas na reunião era veneziana, as cores escolhidas foram o vermelho e branco. Algumas versões dizem que os irmãos Poppe queriam que o clube tivesse as cores vermelho, preto e branco (cores da bandeira do estado de São Paulo). Para o domingo seguinte ficou a escolha do nome e eleição da direção do clube.

No dia 11 de abril de 1909 foi realizada a segunda reunião, na qual Henrique Poppe defendeu a idéia, aprovada, de que o clube se chamasse Sport Club Internacional, nome do clube campeão paulista de 1907, estado onde os Poppe haviam morado.[1] Na reunião também foi eleita a primeira diretoria do Sport Club Internacional:

Presidente Honorário: Graciliano Faria Ortiz
Presidente: João Leopoldo Seferin
Vice-Presidente: Pantaleão Gonçalves de Oliveira
1º Secretário: Legendre de Chagas Pereira
2º Secretário: Manoel Lopes da Costa
1º Tesoureiro: Antônio Coiro
2º Tesoureiro: Waldemar Fachel
Capitão: José Poppe
Orador: Henrique Poppe Leão
Comissão de Campo: João Luís de Andrade Vasconcellos, Irineu dos Santos, Luís Madeira Poppe e Alcides Faria Ortiz

A escolha de João Leopoldo Seferin para primeiro presidente efetivo do Internacional ocorreu porque ele não sabia e não gostava de jogar futebol. Assim, seria mais útil como dirigente do que como jogador. Além disso, esse era um cargo que ninguém mais gostaria de ter. Muitos anos depois, nas festividades de inauguração do Beira-Rio, Seferin explicou que na época era "praticante do ciclismo e não se sentia bem jogando futebol". A primeira sede do clube também foi definida na reunião. Ela seria na Rua José de Alencar, 179, que era também sede do Club 17 de Junho. O primeiro estatuto também foi elaborado, sendo aprovado por 40 sócios em Assembléia Geral, no dia 2 de maio. Infelizmente não existe exemplar conhecido deste estatuto.

Pouco depois da fundação, Henrique Poppe apresentou-se ao cronista esportivo Arquimedes Fortini, do Correio do Povo, dizendo que havia fundado um clube de futebol. Dessa conversa, Henrique Poppe fez um convite aos sócios de um clube já existente, chamado Grêmio Foot-Ball Internacional, do qual Arquimedes Fortini era secretário, para ingressarem no Internacional, onde seriam aceitos como fundadores. Arquimedes Fortini foi declarado sócio benemérito em 20 de abril de 1909.

O clube de Fortini surgiu provavelmente em 1907, quando Luiz Ludwig, Jacob Cechin, Pedro Calunho, João Ibañéz e o próprio Arquimedes Fortini desligaram-se do Sport Club 15 de Novembro[2] e fundaram o Grêmio Foot-Ball Internacional, nas cores preto e branco. O material esportivo do clube era guardado no armazém do comerciante português José Antônio Cordeiro, localizado na chamada “Volta do Cordeiro” (onde hoje se localiza o HPS). Seus treinos ocorriam no campo em frente à Escola de Guerra. Quando este clube incorporou-se ao Internacional, o novo clube passou a utilizar os mesmos armazém e campo.

Em 18 de julho de 1909 o Internacional entrou em campo pela primeira vez, sendo derrotado pelo clube que se tornaria seu maior rival. No mesmo ano, o Colorado ainda jogou mais três amistosos contra o Militar, clube dos alunos da Escola de Guerra (que funcionava no prédio do atual Colégio Militar). O Internacional venceu um, empatou outro e perdeu outro. Vignoles marcou o 1º gol colorado, em 10 de outubro de 1909, na vitória de 2x1 sobre o Militar. Era a 3ª partida do Internacional.

O público que compareceu ao "ground" da Várzea, nesse dia, foi estimado em mais de mil pessoas. O Militar cercou o campo com arame e construiu um pavilhão para convidados. Após o jogo, o Militar ofereceu doces, cerveja e licores para sócios e atletas das duas equipes. Logo a seguir, as comitivas dirigiram-se para a sede do Internacional, onde a direção colorada ofereceu uma mesa de doces e cerveja.

[1] “A denominação de Sport Club Internacional foi inspirada pelos irmãos Poppe que haviam sido jogadores de club de igual nome, em São Paulo”. Diário de Notícias, 5 de abril de 1931, p. 14.
[2] O Sport 15 de Novembro, presidido por Júlio Hanke e pelos irmãos Carls, era uma espécie de “filhotes” do Grêmio.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Beira-Rio


Jogadores que marcaram o primeiro gol no estádio, em cada temporada.

1969 Claudiomiro (2x1 Benfica POR)
1970 Valdomiro (1x1 Seleção da Romênia)
1971 Paulo César Carpegiani (1x3 Seleção da França)
1972 Edson Madureira (2x0 Novo Hamburgo)
1973 Valdomiro (1x0 Flamengo)
1974 Claudiomiro (2x1 Tiradentes PI) (1)
1975 Tadeu (4x0 Flamengo)
1976 Lula (1x1 Flamengo)
1977 Lino (2x2 Palestino) (2)
1978 João Carlos (2x3 Fluminense) (3)
1979 Luís Fernando (4x0 Seleção da Tchecoslováquia)
1980 Bira (1x2 Itabaiana) (4)
1981 Jair (4x2 Ponte Preta)
1982 Mauro Galvão (3x0 Grêmio Maringá)
1983 Geraldão (2x0 Colorado)
1984 Kita (5x0 Anapolina)
1985 Ruben Paz (2x0 Botafogo)
1986 Balalo (2x0 Novo Hamburgo)
1987 Amarildo (2x0 Passo Fundo)
1988 Amarildo (3x2 Juventude)
1989 Nenê (2x0 Cruzeiro)
1990 Zé Cláudio (2x1 Guarany CA)
1991 Cuca (2x1 Vitória) (5)
1992 Everton (4x1 Palmeiras) (6)
1993 Marquinhos (2x2 Guarani VA) (7)
1994 Caíco (3x1 Cerro Porteño PAR)
1995 Nando (2x2 Caxias)
1996 Fabinho (1x1 Grêmio) (8)
1997 Fernando (3x0 Veranópolis)
1998 Christian (1x1 Juventude) (9)
1999 João Santos (3x0 Grasshopper SUI)
2000 Lúcio (1x1 Atlético PR) (10)
2001 Fábio Pinto (1x1 Paraná) (11)
2002 Fabiano Costa (5x1 Malutrom)
2003 André Cruz (3x0 Sporting Cristal PER)
2004 Nilmar (2x2 Santa Cruz)
2005 Rafael Sóbis (2x0 Chapadão)
2006 Bolívar (3x1 Gaúcho)
2007 Martin (2x1 Glória) (12)
2008 Iarley (2x0 Veranópolis)
2009 Taison (4x0 Sapucaiense)
2010 Leandro Damião (4x2 Ypiranga)
2011 Ricardo Goulart (1x0 Porto Alegre)
2012 Leandro Damião (1x0 Once Caldas COL)
2014 Fabrício (4x0 Caxias)
2015 Aránguiz (1x2 Shakhtar Donetsk UCR) (13)
2016 Paulão (3x2 Ypiranga) (14)
2017 Nico Lopez (2x1 Brasil)
2018 William Pottker (1x0 Veranópolis)
2019 Adriano Lara (contra) (1x2 Pelotas) (15)
2020 Edenílson (3x1 Pelotas)
2021 Praxedes (1x0 Goiás)
2022 Wesley Moraes (2x0 União Frederiquense)
2023 Carlos de Pena (2x2 Juventude) (16)

(1) 1º gol colorado. Sima, do Tiradentes, marcou o 1º gol do estádio em 1974.
(2) 1º gol colorado. Oscar Fabbiani, do Palestino, marcou o 1º gol do estádio em 1977, e Alberto Hidalgo marcou o 2º gol.
(3) 1º gol colorado. Gildásio, do Fluminense, marcou o 1º gol do estádio em 1978, e Cléber marcou o 2º e 3º gol.
(4) 1º gol colorado. João Carlos (contra), marcou o 1º gol do estádio em 1980.
(5) 1º gol colorado. Thomas Doll, do Hamburgo, marcou o 1º gol do estádio em 1991, e Missinho, do Vitória, marcou o 2º gol.
(6) 1º gol colorado. Marco Aurélio, do Bragantino, marcou o 1º gol do estádio em 1992, e Célio Lino (contra), marcou o 2º gol.
(7) 1º gol colorado. Duia, do Guarani VA, marcou o 1º gol do estádio em 1993.
(8) 1º gol colorado. Luís Carlos Goiano, do Grêmio, marcou o 1º gol do estádio em 1996.
(9) 1º gol colorado. Fernando, do Juventude, marcou o 1º gol do estádio em 1998.
(10) 1º gol colorado. Ruy, do América MG, marcou o 1º gol do estádio em 2000.
(11) 1º gol colorado. Fernando Cardozo (contra), marcou o 1º gol do estádio em 2001. Marcelo Ramos, do Cruzeiro, marcou o 2º gol.
(12) 1º gol colorado. João Paulo, do Glória, marcou o 1º gol do estádio em 2007.
(13) 1º gol colorado. Luiz Adriano, do Shakhtar Donetsk, marcou o 1º gol do estádio em 2015, e Taison marcou o 2º gol.
(14) 1º gol colorado. Danilinho, do Ypiranga, marcou o 1º gol do estádio em 2016.
(15) O 1º atleta colorado a marcar foi Rodrigo Moledo (1x0 Brasil)
(16) 1º gol colorado. Rodrigo Rodrigues, do Juventude, marcou o 1º gol do estádio em 2023.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Craques - Ruben Paz


Ruben Walter Paz Márquez nasceu em 8 de agosto de 1959, em Artigas, Uruguai.
Começou sua carreira no Peñarol, onde jogou de 1977 a 1981. Foi campeão uruguaio em 1978, 1979 e 1981, e da Liguilla em 1977, 1978 e 1980. Pela Seleção Uruguaia foi campeão do Mundialito de 1981, quando foi escolhido o melhor jogador do torneio, em uma competição que tinha, entre outros, Maradona, Sócrates e Rummenigge. O técnico holandês, Jan Zwartkruis, chegou a declarar que Ruben Paz era o Maradona uruguaio.

No início de 1982, após perder Batista para o Grêmio, Asmuz precisava dar uma resposta à torcida colorada, e foi ás compras no Uruguai. Com o dinheiro da venda de Batista, tentou primeiro Victorino, do Nacional, carrasco colorado na Taça Libertadores de 1980. Não concretizando a negociação, voltou-se para Ruben Paz, do Peñarol.

Na partida de estreia, o Internacional venceu o Goiás por 5x0, no Beira-Rio, em 10 de fevereiro de 1982. A partida valia pelo campeonato brasileiro. Ruben Paz teve boa atuação, mas ainda sem ritmo de jogo, foi substituído na 2ª etapa por Assis.

Seu primeiro gol com a camisa colorada aconteceu em sua terceira partida, e contra seu ex-clube. Em 16.02.1982 o Internacional enfrentou o Peñarol, no Centenário, pelo Torneio Quadrangular de Verão. A partida terminou 1x1, e o Peñarol eliminou o Internacional nos pênaltis.

No campeonato brasileiro Ruben Paz não rendeu todo seu futebol, devido às dificuldades de adaptação. Jogou 8 partidas (1V/2E/5D), sem marcar gols. No Torneio dos Campeões, disputado a seguir, novamente não teve um grande desempenho. Foram 6 partidas (1V/1E/4D), nas quais ele marcou duas vezes, contra Bahia e Fortaleza. No mesmo período, atuou em 4 amistosos (3V/1E). Entre o Torneio dos Campeões e o Campeonato Gaúcho, foram mais 5 amistosos (4V/1E).

No 1º turno do campeonato gaúcho, antes da pausa para a excursão à Europa, jogou mais 7 partidas (6V/1D), perdendo apenas o Gre-Nal, que encerrou um jejum gremista de vitórias que vinha desde 26.08.1979. O uruguaio marcou uma vez, contra o São Borja.

Na excursão à Europa, recuperando-se de lesão, Ruben Paz começou no banco, contra o Barcelona, pelo Torneio Tereza Herrera. Ele entrou no time no lugar de Sílvio, quando o Colorado já perdia por 1x0. Apesar de ajudar a criar boas chances, o ataque colorado esbarrou na grande atuação do goleiro Artola, e Ruben paz acabou expulso aos 34' do 2º tempo. Voltando ao time contra o Elche, pelo Troféu Festa D'Elx, foi novamente expulso no fim do jogo, no qual o Internacional perdeu de virada (1x2). Depois da vitória sobre o Logroñéz, em amistoso, veio a partida contra o Barcelona, pela Taça Joan Gamper. O Camp Nou estava lotado, para a estreia de Maradona. Cerca de 110.000 torcedores esperavam por uma boa vitória do Barça. Mas comandado por Ruben Paz, o Internacional segurou o 0x0, e venceu por 4x1 nos pênaltis. O Charrua converteu uma das cobranças. Na final, contra o Manchester City, outra grande atuação e o título, na vitória por 3x1. Era o primeiro título de Ruben Paz pelo Internacional. Como saldo da excursão, foram 5 partidas (2V/1E/2D) e um título.

Na volta ao campeonato gaúcho, até o fim dos dois turnos da fase classificatória, foram mais 14 partidas (6V/6E/2D) e um gol, contra o São José. No Hexagonal Final, o 1º turno foi fantástico: 5 partidas, 5 vitórias, com direito a show de Geraldão no Gre-Nal (vitória colorada por 3x1). Ruben Paz marcou duas vezes, contra o Novo Hamburgo e Internacional SM. No returno, mais 5 jogos (3V/2E), com outro show de Geraldão no Gre-Nal. Assim, o Internacional sagrou-se bicampeão gaúcho, e Ruben Paz ganhou sua segunda taça no ano. Antes do final do ano, mais três amistosos (2V/1E) e um gol, contra o Vasco da Gama.

A temporada de 1983 começou novamente com o campeonato brasileiro. Ruben Paz jogou 13 partidas (4V/4E/5D), marcando 5 gols (Brasília [2], Ponte Preta [2] e Sport). Durante o Brasileiro, Ruben Paz também atuou em um amistoso, contra o Figueirense. O Internacional venceu por 4x3 e o uruguaio marcou um gol. Após o Brasileiro, Ruben Paz atuou em 3 amistosos (3V), marcando um gol contra o Santa Cruz. A seguir, veio o Torneio Aplub, promovido pelo clube: foram dois jogos (2E). Depois, uma excursão pela América do Sul e Central, com 6 partidas (4V/2E). Ruben Paz marcou dois gols, ambos contra o Atlético Bucaramanga (COL).

No Gauchão, antes da excursão à América do Norte e Europa, Ruben Paz atuou em 7 partidas (4V/2E/1D), marcando 4 gols, contra Juventude (2), São Borja e São Paulo. Na excursão à América Central, foram 4 jogos (3V/1D) e um gol marcado contra o Seattle Sounders EUA, além do título do Torneio Costa do Pacífico. Mas na volta ao Brasil, antes de ir à Europa, Ruben Paz teve um atrito com a direção do clube, motivada pela falta de pagamento de luvas, e o atleta foi afastado do grupo. Pouco depois Ruben Paz acertou-se com a direção, e voou para encontrar seus companheiros. Chegou a Valencia 5 horas antes da segunda partida do Internacional pelo Troféu Naranja, contra o Peñarol. Entrou no time no 2º tempo, e marcou o gol do empate colorado. Ruben Paz atuou ainda em mais 4 partidas (1V/2E/1D) na Europa, marcando dois gols contra o Valladolid (ESP) e o América (MEX), conquistando o título do Torneio Costa do Sol, competição na qual Ruben Paz foi eleito o melhor jogador.

Na volta ao Gauchão, Ruben Paz só voltou a jogar na 8ª partida. Entrou no time durante o jogo, e marcou o gol de empate com o Novo Hamburgo, aos 48' do 2º tempo. A seguir, foram mais 17 partidas (9V/8E) pelo Gauchão, marcando dois gols, ambos contra o Esportivo. O Colorado foi tricampeão gaúcho. Antes de encerrar a temporada, Ruben Paz ainda disputou dois amistosos (2V), um dos quais Benítez sofreu a séria lesão que acabou com sua carreira. O uruguaio marcou dois gols, contra o Alegrete e o Esportivo.

A temporada de 1984 começou com um amistoso com o Grêmio. O Internacional perdeu por 4x2, mas Ruben Paz fez seu gol. No campeonato brasileiro, lesões o deixaram fora de várias partidas. Ruben Paz acabou participando apenas de 7 jogos (1V/4E/2D), marcando um gol contra o Flamengo, e sendo expulso contra o Brasil de Pelotas.

Após o Brasileiro, Ruben Paz disputou dois amistosos (1V/1D), marcando um gol contra a Udinese (ITA). No Torneio Heleno Nunes, lesões o deixaram fora da maioria do jogos, mas Ruben Paz colaborou com o título em 2 jogos (1V/1D) e um gol, contra o São Paulo. Ele voltou ao time na excursão à Ásia. Na Copa Kirin, foram 4 partidas (3V/1E), marcando gols contra o Toulouse (FRA) e a Seleção da Irlanda, na final. Ruben Paz foi eleito o melhor jogador do torneio e despertou o interesse dos franceses, mas a negociação não evoluiu. Continuando a excursão pela Ásia, foram mais 3 jogos (3V) e dois gols, contra o 1º de Agosto (China) e Seleção da China. De volta ao Brasil, foram 4 amistosos (3V/1E) antes do campeonato gaúcho, com 4 gols, contra Internacional de Lajes (2), Seleção de Artigas e Seleção de Montenegro.

No Gauchão de 1984, Ruben Paz ficou de fora de vários jogos, estreando apenas no Gre-Nal que finalizou o 1º turno. O Colorado venceu por 2x0, e Ruben Paz fez o 2º gol. No título de tetracampeão gaúcho (contando o primeiro Gre-Nal), foram 23 partidas (16V/3E/4D), com 12 gols, contra Grêmio (3), Pelotas (3), Novo Hamburgo, Bagé, Internacional SM, São Paulo, Caxias e Juventude. E teve mais uma expulsão, novamente contra o Brasil de Pelotas.

A temporada de 1985 começou novamente com o campeonato brasileiro. Na 1ª fase novamente lesões tiraram o craque uruguaio de várias partidas. Mesmo assim, Ruben Paz atuou em 11 jogos (7V/1E/3D), marcando 3 gols, contra Botafogo (2) e Palmeiras. No intervalo entre a 1ª e a 2ª fase do Brasileiro, Ruben Paz atuou em 4 amistosos (3V/1E), marcando um gol, contra o Glória. Também jogou em 4 partidas (3V/1E) da Copa Bento Gonçalves, marcando 4 gols, contra Aimoré (2) e Caxias (2). Na retomada do Brasileiro, disputou 5 partidas (2V/2E/1D), marcando um gol, contra o Mixto. Na derrota contra o Bangu, no jogo em que o Internacional foi eliminado, Ruben Paz sofreu um pênalti na 1ª etapa, quando o jogo estava 0x0, não marcado pelo juiz. Depois do Brasileiro, Ruben Paz também disputou as duas partidas finais (1E/1D) da Copa Bento Gonçalves, contra o São Paulo de Rio Grande.

Antes de começar o Gauchão, Ruben Paz disputou 6 amistosos (4V/1E/1D), marcando um gol contra o União de Rondonópolis. Para encerrar a temporada de 1985, foram mais 24 partidas (16V/5E/3D) pelo Gauchão, marcando 7 gols, contra Pelotas (2), Aimoré (2), Caxias, Gaúcho e Esportivo. Durante o campeonato estadual, ainda jogou o amistoso de estreia de Falcão no São Paulo (1D).

No início de 1986, Ruben Paz e Silvinho tiveram renovações de contrato conturbadas e demoradas. O ponteiro-esquerdo acabou negociado com o Sporting de Lisboa, mas Ruben Paz renovou o contrato a tempo de jogar o último amistoso da pré-temporada, vitória de 2x1 sobre a Seleção de São Sebastião do Caí, com um gol do craque, o último que marcaria com a camisa colorada. A seguir foram 5 partidas (3V/1E/1D) pelo estadual e um amistoso (1V), antes de ir servir a seleção uruguaia que disputaria o Mundial no México. Na volta da seleção, Ruben Paz ainda disputaria mais 6 partidas (2V/3E/1D) pelo campeonato gaúcho. Seu último jogo pelo Internacional foi a decisão do campeonato gaúcho, em 20.07.1986, no Olímpico, quando o Colorado foi derrotado por 1x0. Pouco depois, foi negociado com o Racing Paris (FRA).

Após sair do Internacional, Ruben Paz jogou no Racing Paris FRA (1986), Racing ARG (1987/1988), Genoa ITA (1989/1990), Racing ARG (1991) Rampla Juniors URU (1992/1993), Frontera URU (1994), Godoy Cruz ARG (1995), Wanderers de Artigas URU (1996), Frontera URU (1997/2000), Nacional de San José de Mayo URU (2001), Sá Viana (2002), Tito Borjas URU (2003/2005) e Pirata Juniors URU (2006).

Seus números no Internacional:
239 partidas
130 vitórias
66 empates
43 derrotas
72 gols

Títulos:
Campeão gaúcho em 1982, 1983 e 1984
Campeão do Torneio Heleno Nunes em 1984
Campeão da Taça Joan Gamper em 1982
Campeão do Torneio Costa do Pacífico em 1983
Campeão do Torneio Costa do Sol em 1983
Campeão da Copa Kirin em 1984

Suas vítimas:
5 gols
Pelotas
4 gols
Grêmio, Esportivo, Caxias e Aimoré
3 gols
Novo Hamburgo e Juventude
2 gols
São Borja, Internacional SM, São Paulo RG, Brasília, Ponte Preta, Botafogo, Internacional SC, Peñarol URU e Atlético Bucaramanga COL
1 gol
São José, Alegrete, Gaúcho, Seleção de São Sebastião do Caí, Santa Cruz RS, Glória, Seleção de Montenegro, Bagé, Mixto, União Rondonópolis, Flamengo, São Paulo, Bahia, Fortaleza, Figueirense, Vasco da Gama, Palmeiras, Sport, Seattle Sounders EUA, Valladolid ESP, América MEX, Udinese ITA, Toulouse FRA, Seleção da Irlanda, 1º de Agosto CHN, Seleção da China e Seleção de Artigas

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Internacional x Pelotas

Confrontos entre Internacional e Pelotas, ao longo da história. Foram considerados jogos em casa (C) as partidas disputadas em Porto Alegre, e jogos fora (F), em Pelotas, independente de estádio.

11.07.1912 Pelotas 2x1 - Amistoso - F
03.05.1927 Internacional 4x2 - Amistoso - C
05.05.1929 Pelotas 2x1 - Amistoso - C
10.08.1930 Pelotas 3x2 - Amistoso - C
25.06.1939 empate 0x0 - Amistoso - F
09.07.1939 Internacional 4x1 - Amistoso - C
20.07.1941 empate 2x2 - Amistoso - F
17.05.1942 Internacional 8x6 - Amistoso - F
18.03.1945 Internacional 4x2 - Amistoso - F
22.07.1945 Pelotas 2x1 - Amistoso - F
02.09.1945 Internacional 3x2 - Amistoso - C
15.11.1945 Internacional 4x2 - Campeonato Gaúcho - F
18.11.1945 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
21.04.1947 Pelotas 1x0 - Amistoso - F
12.10.1948 Pelotas 3x2 - Amistoso - F
10.11.1949 Pelotas 2x1 - Amistoso - F
16.11.1949 Internacional 1x0 - Amistoso - C
16.05.1950 Internacional 1x0 - Amistoso - F
25.03.1951 Pelotas 5x4 - Amistoso - F
09.12.1951 empate 2x2 - Campeonato Gaúcho - C
30.12.1951 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
22.06.1952 Pelotas 6x1 - Amistoso - F
20.07.1952 Internacional 6x0 - Torneio Grandes do Rio Grande do Sul - C
27.07.1952 empate 2x2 - Torneio Grandes do Rio Grande do Sul - F
15.12.1952 Internacional 2x1 - Amistoso - C
09.05.1954 Internacional 2x0 - Amistoso - F
06.02.1958 Internacional 4x0 - Amistoso - F
22.05.1958 Internacional 3x1 - Amistoso - C
15.10.1958 Pelotas 3x2 - Amistoso - F
24.05.1959 Pelotas 1x0 - Amistoso - F
26.05.1959 Internacional 1x0 - Amistoso - F
03.10.1959 empate 1x1 - Amistoso - F
05.11.1959 Pelotas 1x0 - Amistoso - C
31.03.1960 Pelotas 2x0 - Amistoso - F
10.04.1960 Pelotas 1x0 - Amistoso - C
07.05.1960 Internacional 4x0 - Amistoso - F
24.09.1960 Pelotas 5x1 - Amistoso - C
25.06.1961 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
03.12.1961 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - F
15.03.1962 empate 0x0 - Amistoso - F
17.06.1962 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - F
23.09.1962 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
28.04.1963 Pelotas 1x0 - Amistoso - F
25.08.1963 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
09.11.1963 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
03.05.1964 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - C
18.10.1964 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - F
15.11.1964 Internacional 1x0 - Torneio Quadrangular Porto Alegre/Pelotas - F
02.12.1964 Internacional 3x1 - Torneio Quadrangular Porto Alegre/Pelotas - C
12.05.1965 Internacional 4x1 - Amistoso - C
13.06.1965 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
15.08.1965 empate 0x0 - Amistoso - F
20.09.1965 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - C
07.08.1966 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
11.12.1966 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - C
07.09.1967 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
19.11.1967 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
23.02.1968 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - C
24.03.1968 Pelotas 2x1 - Campeonato Gaúcho - F
01.05.1968 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - C
25.07.1968 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - F
22.08.1968 Internacional 1x0 - Amistoso - C
23.03.1969 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - F
11.05.1969 Internacional 4x1 - Campeonato Gaúcho - C
22.03.1970 Internacional 2x1 - Campeonato Gaúcho - F
01.06.1970 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
19.07.1970 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
30.08.1970 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - F
26.04.1971 Internacional 4x2 - Campeonato Gaúcho - F
06.05.1973 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - F
08.07.1973 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - C
23.03.1977 empate 0x0 - Amistoso - F
19.06.1977 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
28.08.1977 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
27.09.1978 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - C
15.10.1978 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
09.05.1979 empate 2x2 - Campeonato Gaúcho - F
27.05.1979 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - C
06.07.1980 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
31.08.1980 Pelotas 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
12.09.1984 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
28.10.1984 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
14.11.1984 Internacional 4x0 - Campeonato Gaúcho - C
29.11.1984 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - F
26.06.1985 Internacional 3x0 - Copa Bento Gonçalves - F
29.06.1985 Pelotas 1x0 - Copa Bento Gonçalves - F
09.10.1985 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
27.11.1985 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - F
27.03.1986 Internacional 4x0 - Campeonato Gaúcho - F
14.05.1986 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
06.02.1987 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - F
16.04.1987 Internacional 6x1 - Campeonato Gaúcho - C
02.04.1988 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
07.05.1988 Pelotas 1x0 - Campeonato Gaúcho - F
05.06.1988 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
16.03.1989 Pelotas 1x0 - Campeonato Gaúcho - F
25.05.1989 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
14.06.1989 Internacional 1x0 - Campeonato Gaúcho - C
22.20.1990 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - C
12.05.1990 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
09.10.1991 1x1 empate - Campeonato Gaúcho - C
02.09.1992 Internacional 4x0 - Campeonato Gaúcho - C
16.06.1993 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - F
06.07.1993 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
06.04.1994 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - F
14.09.1994 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - C
15.03.1995 Internacional 2x0 - Campeonato Gaúcho - F
10.05.1995 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - C
23.03.1996 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
12.04.1997 empate 0x0 - Campeonato Gaúcho - F
03.03.2001 Internacional 3x2 - Campeonato Gaúcho - F
08.04.2001 empate 1x1 - Campeonato Gaúcho - C
14.04.2002 Internacional 1x0 - Copa Sul-Minas - F
23.01.2003 empate 0x0 - Amistoso - N (Tramandaí)
21.03.2010 empate 2x2 - Campeonato Gaúcho - C
18.04.2010 Internacional 3x2 - Campeonato Gaúcho - C
13.02.2011 Internacional 3x2 - Campeonato Gaúcho - C
18.02.2012 Internacional 3x1 - Campeonato Gaúcho - C
09.02.2013 Internacional 3x0 - Campeonato Gaúcho - N (Novo Hamburgo)
13.01.2014 Pelotas 3x2 - Recopa Gaúcha - F

Resumo:
120 partidas
64 vitórias
34 empates
22 derrotas

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Inter-Cruz

Hoje ocorrerá o 204º clássico Inter-Cruz.

O primeiro confronto ocorreu em 10.05.1914, pelo campeonato municipal, e o Internacional venceu por 7x0. Nos 203 clássicos ocorridos até hoje, os resultados foram os seguintes:

126 vitórias do Internacional
31 empates
46 vitórias do Cruzeiro

A maior goleada colorada ocorreu em 20.09.1914, 10x2. A maior vitória do Cruzeiro ocorreu em 16.03.1930, 6x1.

Em campeonatos gaúchos ocorreram 34 confrontos, com 22 vitórias coloradas, 6 empates e 6 vitórias do Cruzeiro.

Os jogos pelo campeonato gaúcho:

30.07.1961 Internacional 1x0
05.11.1961 Internacional 3x1
29.07.1962 Internacional 2x1
02.09.1962 Internacional 1x0
11.08.1963 Internacional 4x2
01.11.1963 Cruzeiro 2x1
17.05.1964 Internacional 3x2
11.10.1964 Internacional 2x0
29.06.1965 Cruzeiro 2x1
31.10.1965 Internacional 1x0
13.02.1968 Internacional 3x0
07.04.1968 Internacional 1x0
04.05.1968 Cruzeiro 2x1
22.05.1968 Internacional 3x2
06.02.1969 Cruzeiro 2x1
27.04.1969 Internacional 2x0
28.05.1969 empate 0x0
07.12.1969 Internacional 2x0
08.03.1970 Internacional 2x0
01.05.1970 Cruzeiro 1x0
16.08.1970 empate 0x0
23.09.1970 empate 0x0
04.04.1971 empate 1x1
18.07.1971 Internacional 2x0
16.09.1971 Internacional 2x0
02.04.1972 Internacional 2x0
11.06.1972 Internacional 4x0
21.04.1976 Internacional 1x0
03.08.1977 Internacional 2x0
21.08.1977 Internacional 4x0
16.01.2011 Cruzeiro 1x0
19.02.2011 empate 1x1
15.02.2012 Internacional 2x0
17.02.2013 empate 1x1

sábado, 11 de janeiro de 2014

Campeonato Pan-Americano de 1956 - O Rio Grande do Sul conquista as Américas

em pé, da esquerda para a direita: Valdir Joaquim de Moraes, Oreco, Florindo, Odorico, Ênio Rodrigues e Duarte. Agachados: Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho. Foto: arquivo de Valdir Joaquim de Moraes


Em 1946, buscando aproximar as federações de futebol das três Américas, foi criada a Confederação Pan-Americana de Futebol. Na década de 1950, esta entidade criou o Campeonato Pan-Americano de Futebol. Sua primeira edição ocorreu em 1952, no Chile, e o Brasil sagrou-se campeão, tendo os donos da casa como vices.

Em 1955 o México foi escolhido para sediar o segundo campeonato, a ser realizado em fevereiro e março de 1956. Mas logo surgem alguns problemas. Em 18 de agosto de 1955 o Uruguai anuncia que não irá participar da competição, pois o México se recusou a aceitar as exigências econômicas da "Celeste Olímpica". No dia 22 de agosto de 1955 o Brasil anuncia que irá disputar o torneio, com força máxima, e no dia 25 comenta-se que o país pode sediar a terceira edição da competição, prevista para 1960.

No início de novembro de 1955, porém, surgem problemas para a participação do Brasil com sua seleção principal. Os cariocas não queriam ceder atletas, pois estariam envolvidos no 3º turno do campeonato estadual de 1955. Os paulistas, por sua vez, iriam representar o Brasil no Campeonato Sul-Americano extra, a ser disputado no Uruguai, em janeiro e fevereiro de 1956.

Em 2 de dezembro de 1955 a imprensa noticia que o Brasil será representado por uma seleção formada por atletas do Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco. O México, que havia se comprometido em pagar 35 mil dólares para o Brasil e a Argentina participarem do torneio, ameaça cancelar a competição, diante da possibilidade dos dois países enviarem seleções secundárias. Em 3 de dezembro de 1955, Aneron Correa de Oliveira, presidente da Federação Riograndense de Futebol (FRGF, atual FGF) propôs à CBD que o Brasil fosse representado por uma seleção gaúcha. Outra proposta apresentada por Aneron era a de que cada estado selecionado indicasse 5 jogadores para formar a seleção nacional.

Em 13 de dezembro, a CBD responde às pressões mexicanas dizendo que não abre mão de enviar a seleção que considerar mais adequada, e ameaça abandonar a competição, se o México continuar pressionando pela presença de cariocas e paulistas. No mesmo dia, a federação pernambucana indicou 5 jogadores para a seleção: o goleiro Barbosa (Santa Cruz), o zagueiro Caiçara (Náutico), o volante Aldemar (Santa Cruz), o meia-esquerda Soca (Sport) e o ponteiro-esquerdo Dario (América). No dia 15 de dezembro, a Argentina anuncia que enviará ao México uma seleção formada por jogadores que estavam começando a despontar, reforçada por 11 atletas que disputariam o Sul-Americano Extra. Em 17 de dezembro a imprensa brasileira anuncia que era grande a possibilidade da CBD anunciar o Rio Grande do Sul como o representante brasileiro no Campeonato Pan-Americano, em reunião que ocorreria em 20 de dezembro.

Em 20 de dezembro, o Conselho Técnico de Futebol da CBD reuniu-se e decidiu entregar ao Rio Grande do Sul a organização da seleção brasileira que disputaria o Campeonato Pan-Americano. Curiosamente, na mesma reunião foi praticamente abandonada a ideia de se organizar a Taça Brasil, uma competição nacional interclubes, que só surgiria em 1959.

Em 26 de dezembro a CBD voltou a ameaçar abandonar a competição, diante da pressão mexicana. Em 28 de dezembro, em nova reunião do Conselho Técnico, foi confirmada a participação brasileira e o direito do Rio Grande do Sul representar o país.

Em 5 de janeiro foi formada a comissão técnica da seleção brasileira, tendo como técnico Teté (Internacional), como supervisor Saturnino Vanzelotti (Grêmio) e como médico o doutor Derly Monteiro. No mesmo dia, Teté apresentou a primeira convocação, com 46 jogadores, de onde seriam selecionados os 22 que iriam ao México. Os convocados foram:
Renner – Valdir, Bonzo, Paulistinha, Léo, Odi, Pedrinho II, Breno, Juarez, Ênio Andrade e Joeci (10)
Grêmio – Sérgio, Aírton, Figueiró, Calvet, Ênio Rodrigues, Giovani, Juarez, Milton e Hercílio (9)
Internacional – Florindo, Oreco, Odorico, Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho (8)
Floriano – Paulinho, Bino, Hélio, Heitor, Chagas e Raul (6)
Cruzeiro – Amauri, Bruno e Tesourinha II (3)
Nacional – Ortunho e Milton (2)
Força e Luz – Zacarias e Odilon (2)
Aimoré – Amaro e Kim (2)
Pelotas – Joãozinho e Brener (2)
Brasil - Duarte (1) *
Juventude – Lori (1)
*Duarte seria contratado pelo Pelotas antes do torneio.

Em 6 de janeiro a Federação Mexicana pede desculpas ao Brasil, considerando que ocorrera um mal-entendido nas comunicações entre os dois países, e que tinha certeza que o Brasil enviaria uma seleção "capaz de honrar suas tradições". Os mexicanos nem sonhavam em quão certos estavam...

Mas a imprensa do centro do país não concorda com uma seleção gaúcha representando o Brasil. Em 12 de janeiro publica-se notícia de que jogadores cariocas e paulistas reforçariam a seleção gaúcha. Logo, porém, surgiu uma excursão à Europa para a seleção principal, que começaria em 15 de março, antes do fim do Campeonato Pan-Americano.

Em Porto Alegre, continuam os treinos. Em 10 de janeiro de 1956 foram dispensados Paulistinha, por estar cumprindo serviço militar em São Borja, Calvet, por estar doente, e Heitor, que comunicou ter encerrado a carreira. Em 11 de janeiro de 1956 foi convocado Sarará, do Grêmio. No dia 12 de janeiro de 1956 foram dispensados Juarez (Renner) e Milton (Nacional) por falta de condições físicas. Em 18 de janeiro de 1956 pediram dispensa da seleção, por motivos diversos, e foram atendidos, Bino, Hélio, Sinval, Amaro e Kim.

Na preparação, a Seleção disputou alguns amistosos, considerados como jogos-treino nas estatísticas da seleção principal:
26.01.1956 4x0 Aimoré
Gols: Larry (2), Bodinho e Raul
06.02.1956 4x2 Sud América URU
Gols: Bodinho (3) e Larry
10.02.1956 2x2 Coritiba
Gols: Larry e Luizinho

Finalmente, saiu a lista com os 22 convocados para o torneio:
Internacional – Florindo, Oreco, Odorico, Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho (8)
Grêmio – Sérgio, Aírton, Figueiró, Sarará, Ênio Rodrigues (capitão), Juarez, Milton e Hercílio (8)
Renner - Valdir e Ênio Andrade (2)
Floriano - Paulinho e Raul (2)
Nacional - Ortunho (1)
Pelotas - Duarte (1)

Mas em 17 de fevereiro de 1956, com a seleção já em São Paulo, pronta para viajar para o México, os setores descontentes com a representação gaúcha tentam um golpe. Alegaram que a seleção não poderia ter treinador e médico representando-a no exterior, sem diploma superior de educação física. O Ministério da Educação anuncia que não vai autorizar que Teté e Derly Monteiro façam parte da seleção, e especula-se a troca por um técnico do centro do país. No dia seguinte, porém, a delegação brasileira seguiu viagem sem problema.

Ao chegar ao México, os representantes brasileiros não gostaram da tabela elaborada, que colocava o país estreando contra o Chile e encerrando a participação contra a Argentina. Os dirigentes propuseram uma mudança na tabela, estreando contra o Peru e encerrando contra o México, mas não tiveram êxito. A imprensa mexicana, em 24 de fevereiro, critica os brasileiros, dizendo que a batucada que realizavam prejudicava o sossego dos demais hóspedes do hotel onde estava o selecionado. Porém, logo a própria direção do hotel tratou de desmentir as críticas.

Em 29 de fevereiro de 1956 a Costa Rica candidatou-se a sediar o III Campeonato Pan-Americano, em 1960, e o Brasil mudou sua candidatura para o IV Campeonato, em 1964, que acabou não ocorrendo.

No começo do torneio a seleção brasileira não era apontada como favorita ao título.

O Brasil estreou no torneio em 1º de março de 1956, contra o Chile. Havia muita expectativa em relação a essa partida, pois os chilenos estavam com sua seleção principal, que um mês antes havia goleado por 4x1 a seleção brasileira formada por paulistas, no campeonato sul-americano. E logo aos 13' de jogo, Larry faz um excelente passe para Luizinho abrir o placar: 1x0. Aos 22', Juarez e Bodinho tabelam, e Raul conclui para as redes: 2x0. Dois minutos depois o Chile diminui, com Robledo. A seguir, o Brasil limitou-se a gastar o tempo e confirmar a vitória. Afinal, um dia antes sua maior rival, a Argentina, havia empatado com o Peru.
BRA: Sérgio; Florindo e Duarte; Oreco, Odorico e Ênio Rodrigues; Luizinho, Bodinho, Larry (Juarez), Ênio Andrade e Raul.

Na 2ª partida, em 6 de março de 1956, o Brasil enfrentou o Peru, que também estava com sua seleção principal, e havia empatado com a poderosa Argentina na estreia. Mas com um gol de Larry, aos 41' do 1º tempo, o Brasil venceu por 1x0. O peruano Tito Drago foi expulso, após reclamar de um pênalti inexistente. Mais tarde, um jornalista mexicano criou uma intriga entre o técnico brasileiro e o juiz argentino, Alfredo Rossi. Teté declarou em entrevista que o juiz cometeu erros na partida, porém o jornalista publicou que o brasileiro o havia chamado de ladrão. Mas a intriga foi desmascarada, e o técnico brasileiro não sofreu punições.
BRA: Sérgio; Florindo e Duarte; Oreco, Odorico e Ênio Rodrigues (Figueiró); Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Raul.

O 3º jogo do Brasil era contra os donos da casa, no dia 8 de março. E a seleção tinha um desfalque, Ênio Rodrigues, que se lesionara na partida anterior. Teté decidiu improvisar Duarte na lateral-esquerda, passando Oreco para a zaga e colocando Figueiró na lateral-direita. Em campo, o Brasil pressiona. Aos 17' do 1º tempo, confusão na área mexicana. Bodinho chuta, mas o goleiro Gómez defende com os pés. O próprio Bodinho aproveita o rebote e marca: 1x0. No 2º tempo, aos 11', o goleiro Sérgio rebate mal uma bola, com um soco, e ela cai para Del Aquila empatar: 1x1. Mas quando todos esperavam uma pressão mexicana, a Seleção Brasileira mostra calma. Aos 28', Bodinho sofre falta próximo à área. Ênio Andrade cobra e acerta a barreira. A bola sobra para Bodinho, que invade a área, dribla o goleiro Gómez e chuta para o gol vazio. O zagueiro Bravo tenta cortar, mas acaba chutando para as próprias redes. Apesar da bela jogada de Bodinho, o gol foi anotado como contra, de Bravo. A partida teve lances ríspidos. Os mexicanos apelaram para a violência, mas os brasileiros responderam à altura. Após o jogo, o Tribunal Especial do torneio advertiu o mexicano Portugal e o brasileiro Florindo pelo "jogo bruto".
BRA: Sérgio; Florindo e Oreco; Figueiró, Odorico e Duarte; Luizinho, Bodinho, Larry (Juarez), Ênio Andrade e Raul (Chinesinho).


No 4º confronto, o adversário era a Costa Rica, no dia 13 de março. A seleção, que inicialmente era considerada a mais fraca, tinha empatado com o México, vencido o Chile, e assustado a Argentina, pois chegou a estar vencendo por 3x1 (acabou derrotada por 4x3). A seleção brasileira tinha duas alterações: no gol, Valdir substituía Sérgio, lesionado; na ponta-esquerda, Chinesinho entrava no time no lugar de Raul, por opção do técnico. Desde o início o Brasil mostra grande superioridade. Aos 5', Luizinho cobra escanteio, e Larry marca, de cabeça: 1x0. Aos 13', Chinesinho dribla três adversários e marca mais um: 2x0. Aos 39', todo o ataque brasileiro tabela, e Larry amplia: 3x0. O Brasil dava show, comandado por Larry. Aos 7' do 2º tempo, o centroavante colorado voltou a marcar: 4x0. Aos 9', M. Rodríguez descontou para a Costa Rica. Os brasileiros passam a se poupar, pensando na decisão com a Argentina. Mesmo assim, aos 20' Chinesinho tabela com Luizinho e fulmina: 5x1. Aos 30', Bodinho ampliou para 6x1, e aos 33' Chinesinho fechou o placar: 7x1. Uma curiosidade nesta partida: o goleiro costarriquenho Torres foi substituído por Alvarado. Quando a partida já estava 7x1 para o Brasil, Alvarado lesionou-se, e o juiz permitiu que Torres voltasse ao gol da Costa Rica.
BRA: Valdir; Florindo e Oreco; Ênio Rodrigues (Figueiró), Odorico e Duarte; Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho.

Após o jogo do Brasil, México e Argentina se enfrentaram. A partida terminou 0x0, ou melhor, nem terminou. A partir dos 25' do 2º tempo, confusões começam a ocorrer a todo momento entre os atletas, e aos 30' o juiz encerra o jogo, com 4 argentinos e 2 mexicanos expulsos. Com este resultado, bastava um empate contra a Argentina para o Brasil ser campeão. Em caso de derrota, seria disputado um jogo-extra entre as duas seleções. Por outro lado, a campanha brasileira começou a chamar a atenção da imprensa brasileira. Flávio Costa, técnico da seleção principal, que havia declarado, antes de começar o torneio, não existir nenhum jogador gaúcho em condições de ser convocado para a seleção principal, anuncia a convocação da seleção que iria excursionar à Europa com 3 colorados: Oreco, Odorico e Larry. Mesmo assim, o despeito continua. O Conselho Nacional de Desportos (CND) multou a CBD em 10 mil cruzeiros, por ter mantido Teté no comando da seleção, sem diploma de educação física.

E veio a grande decisão, em 18 de março. No estádio Olímpico, a maioria dos mexicanos torcem para a Argentina, apesar da batalha campal da rodada anterior. Os brasileiros começam a partida nervosos, errando passes simples. Os argentinos, mais experientes, tocam a bola tranquilamente. O ponteiro Yudica ignora a marcação de Figueiró, mas os argentinos erram nas conclusões. Aos poucos, o Brasil começa a acalmar-se, e jogar nos contra-ataques. Em um desses lances, Luizinho cruzou, Larry fez um "corta-luz" e Chinesinho aproveitou para abrir o placar: gol colorado e Brasil 1x0! Mas a situação não mudou muito. Os argentinos pareciam mais calmos que os brasileiros. Aos 36', Yudica passeia mais uma vez pela "avenida" Figueiró, e marca o gol de empate: 1x1. No intervalo, Teté mexe no time: coloca Duarte na zaga, e desloca Oreco para a lateral-direita. As mudanças funcionam. Duarte dá conta do recado na zaga, e Oreco anula Yudica. Aos 13', Ênio Andrade cobra falta. Luizinho corre para a bola, mas nem precisa tocá-la para ela chegar às redes: Brasil 2x1! A partir daí, os argentinos perdem a serenidade e partem para a violência e a catimba, com a complacência do juiz chileno Cláudio Vicuña. O juiz ainda deixou de marcar um pênalti claro em Bodinho, derrubado dentro da área quando preparava-se para marcar o 3º gol brasileiro. Aos 40', em flagrante impedimento, Sívori, junto à trave, recebe a bola e empata o jogo: 2x2. A partir daí a partida tornou-se dramática. Os argentinos lançarem-se ao ataque. No Brasil, Larry, Luizinho e Chinesinho recuaram para a intermediária, enquanto Bodinho e Ênio Andrade marcavam na entrada da área brasileira. A garra dos brasileiros liquidou a tentativa de reação argentina. Contra os adversários, o juiz e a torcida, o Brasil, representado pelos gaúchos, foi campeão!
BRA: Valdir; Florindo e Oreco; Figueiró (Duarte), Odorico e Ênio Rodrigues; Luizinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho.