domingo, 6 de outubro de 2013

O gol de Manga

Manga foi um dos maiores goleiros que já atuou no Brasil. Ídolo no Botafogo, é considerado também um dos maiores goleiros do Nacional de Montevidéu. Em 1974 o Fluminense decidiu repatriar o goleiro, mas quando o avião que o levava de Montevidéu ao Rio de Janeiro fez escala em Porto Alegre, Manga foi "sequestrado" por dirigentes colorados, que lhe fizeram uma oferta melhor que a dos cariocas. E Manga ficou para tornar-se o maior goleiro da história colorada.

Manga já havia cruzado o caminho do Internacional algumas vezes, como adversário. Em 1957, fechou o gol do Sport em um amistoso no Recife (1x1). Pelo Botafogo, foram alguns confrontos, por Taça Brasil e Robertão. E em 1970 o Colorado bateu o Nacional de Manga por 2x0, acabando com 44 partidas de invencibilidade do clube uruguaio. Foi a primeira partida de Manga no Beira-Rio.

Pelo Colorado, Manga estreou no Quadrangular Final do campeonato brasileiro de 1974, em 24 de julho, quando perdemos por 2x1 para o Santos, no Morumbi. No jogo seguinte, falhou nos dois gols do empate com o Vasco, no Maracanã (2x2). Mas depois desses tropeços iniciais, conquistou a torcida com defesas incríveis e jogando mesmo lesionado. Várias vezes ele provocava os atacantes adversários, desafiando-os a chutarem em gol.

E Manga também foi o primeiro goleiro colorado a marcar um gol.

Era 6 de outubro de 1974 (há 39 anos). O Internacional enfrentava o Gaúcho, de Passo Fundo, no Beira-Rio, pelo 2º turno do campeonato estadual. Esse foi o campeonato em que o Colorado venceu todas as 18 partidas. Era o novo Rolo Compressor, esmagando todos os adversários. E o Gaúcho não foi diferente.

O time de Passo Fundo conseguiu resistir por 40 minutos. Mas aos 41' do 1º tempo, Escurinho abriu o placar, e dois minutos depois, fez o 2º gol. No 2º tempo, Sérgio Lima ampliou, aos 25'. A partida encaminhava-se para o final, quando o juiz José Cavalheiro de Morais marcou pênalti para o Colorado. Lula já preparava para bater o pênalti, quando alguém gritou, no meio da massa: "Manga!". O grito foi repetido por alguns, e logo todo o estádio pedia: "Manga!, Manga!". O goleiro olhou para o técnico Rubens Minelli, que autorizou a cobrança.

Mas enquanto Manga corria para a área adversária, aconteceu algo curioso. Na época, gol de goleiro era incomum. E o goleiro Carlos Alberto, do Gaúcho, achou que seria humilhação sofrer um gol de outro goleiro. Primeiro, ele recorreu ao juiz, que disse que não havia nada na regra que impedisse um goleiro de cobrar pênalti. Depois, junto com seus companheiros, tentaram impedir a cobrança. Carlos Alberto, chorando, pediu a Manga que não humilhasse um colega de profissão. A resposta veio no melhor estilo Manga: "seja homem, rapaz!". Depois de muita confusão, o pênalti foi cobrado, e mal cobrado. Manga chutou fraco, no meio do gol. Mas Carlos Alberto, ainda chorando, nem tentou defender, estava caminhando sobre a linha do gol. Ao perceber a cobrança fraca, levou o pé para trás, e quase defende de calcanhar. Mas era tarde: Internacional 4x0! Gol de Manga!

Mas a carreira de artilheiro de Manga não foi muito longe. Dias depois, em um amistoso contra o Guarany de Garibaldi, Manga cobrou outro pênalti, chutando para fora, e desistiu de se arriscar em novas cobranças.

Um comentário:

  1. Raul, tens algum e-mail para trocarmos uma ideias referente aos goleiros colorados ?
    Estou montando um banco de dados específico e gostaria e lhe enviar para você dar uma olhada...

    Abraço
    Rafael Maciel
    rafaellomaciel@gmail.com

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