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quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Ídolos: Caçapava

 

Luís Carlos Melo Lopes nasceu em Caçapava do Sul, em 26 de dezembro de 1954.

O menino começou a jogar futebol nas categorias de base do Gaúcho de Caçapava do Sul. Em 1972 ele ingressou nas categorias de base do Internacional, onde recebeu o apelido de Caçapava.

No início de 1975, um acidente com outro atleta mudaria a carreira de Caçapava. O centromédio atuava ainda pelos juniores e pelo Rolinho, quando outro jogador da base, Vítor Hugo, que já havia disputado amistosos pelo time principal, foi atropelado em frente ao Beira-Rio. As lesões não foram graves, mas tirou o jovem da lista de jogadores que excursionaria à Europa. Sua estreia no time principal ocorreu em 18 de fevereiro de 1975, no amistoso de despedida antes da excursão. No Beira-Rio, o Colorado bateu o Ruch Chorzów, da Polônia, por 3x2. Caçapava começou no banco de reservas e entrou no time no lugar de Borjão.

Na excursão, Caçapava atuou contra o Combinado Olbia-Arzachena (12x0), entrando no time no lugar de Falcão, contra o Stuttgart (2x2) e Seleção de Pescara (2x0), substituindo Borjão. Contra o Benevento (1x1), Caçapava jogou de titular, improvisado na zaga. No jogo seguinte, contra o Tharros (6x0), Caçapava entrou no time substituindo Falcão e marcou seu primeiro gol pelo Colorado. Contra o Torres (3x0), Caçapava substituiu Valdomiro. Contra o Besiktas (2x0), Caçapava começou como titular e foi substituído por Jair. E contra o Fenerbahçe (1x0), Caçapava substituiu Borjão. Nessa excursão, Caçapava também atuou no jogo-treino contra o Calangianus (9x0), onde marcou um gol.

Na volta ao Brasil, Caçapava disputou apenas uma partida do campeonato gaúcho, contra o Riograndense de Rio Grande (5x0), quando substituiu Borjão. No campeonato brasileiro, Caçapava atuou contra Sergipe (5x0), Campinense (3x0) e Flamengo (1x2) saindo do banco. Em 8 de outubro, contra o Atlético Mineiro (2x0), Falcão estava lesionado e Caçapava começou como titular, sendo depois substituído por Jair. Quando Falcão retornou, Caçapava já havia garantido um lugar no time. Ele ocupou a posição de centromédio, liberando Falcão para se dedicar mais à armação. Na semifinal do campeonato brasileiro, em pleno Maracanã, Caçapava anulou Rivelino, na vitória colorada por 2x0 sobre o Fluminense. Em 14 de dezembro de 1975 o Colorado bateu o Cruzeiro por 1x0 e Caçapava sagrou-se campeão brasileiro.

Já titular absoluto, Caçapava iniciou a temporada de 1976 se fazendo presente em todos os amistosos de pré-temporada. Em 7 de março de 1976, no Mineirão, ele estava em campo na estreia colorada em Taça Libertadores, derrota para o Cruzeiro por 5x4. Em 18 de abril o Internacional bateu o Juventude por 4x1, pelo campeonato gaúcho, e Caçapava marcou o seu. Em 23 de maio o Internacional palicaria a maior goleada da história do campeonato gaúcho, 14x0 Ferrocarril. Caçapava marcou os dois primeiros gols, em seis minutos de jogo, ambos com chutes de fora da área. Em 22 de agosto, o Internacional venceu o Grêmio por 2x0 e conquistou o octacampeonato gaúcho.

No campeonato brasileiro, Caçapava esbanjou regularidade. Em 24 de novembro de 1976 o Colorado bateu a Ponte Preta por 2x0, e Caçapava fez o primeiro gol. Em 1º de dezembro, Caçapava estreou na Seleção Brasileira, vencendo a União Soviética por 2x0. Em 12 de dezembro o Internacional bateu o Corinthians por 2x0 e conquistou o bicampeonato brasileiro. Caçapava só ficou de fora de uma partida do campeonato. Das 68 partidas do ano, Caçapava esteve em campo em 65 jogos.

Em 1977 Caçapava começou a temporada servindo à Seleção Brasileira. Disputou dois amistosos em janeiro, contra a Seleção Paulista (2x0) e Combinado Fla-Flu (1x1). No dia 20 de fevereiro participou de uma partida das Eliminatórias da Copa do Mundo, contra a Colômbia (0x0). Pelo Internacional, Caçapava ficaria de fora das dez primeiras partidas do ano, estreando apenas em 27 de março, na abertura do campeonato gaúcho. O Internacional venceu o Estrela por 4x1. Depois da partida contra o Corinthians (1x0), pela Taça Libertadores, na qual iniciou a jogada do gol colorado, Caçapava ficaria 12 partidas fora do time, devido a uma lesão e cirurgia de meniscos. Em seguida desfalcou o time em duas partidas da Taça Libertadores. Após o Gre-Nal de 14 de agosto (1x2), voltou a ficar fora do time por três partidas. Em 7 de setembro o Internacional venceu o Esportivo por 4x0 e Caçapava marcou um gol. Em 14 de setembro, no Santa Rosa, Caçapava garantiu a vitória sobre o Novo Hamburgo marcando o único gol do jogo. Mas o título do Gauchão não veio. No campeonato brasileiro, Caçapava jogou até o clássico Gre-Nal (0x4) de 6 de novembro de 1977. Lesionado, foi substituído e o time desandou. Depois de três partidas fora do time, retornou para as últimas rodadas.

Em 1978, por causa de lesão, Caçapava ficou fora das cinco primeiras partidas do ano. Mas retornou ao time ainda durante os amistosos de pré-temporada. O técnico Carlos Gainete não resistiu à sequência de resultados ruins e perdeu o cargo ainda na pré-temporada. Na estreia no campeonato brasileiro, em 26 de março, Cláudio Duarte, encerrando a carreira de jogador, assumiu como técnico. E no Willie Davids o Internacional bateu o Grêmio Maringá por 1x0, gol de Caçapava. No campeonato brasileiro, o Internacional chegou a vencer oito partidas consecutivas, mas caiu na semifinal para o Palmeiras. Mesmo assim, Caçapava foi eleito para a Bola de Prata da Revista Placar, forma do o meio campo com Falcão e Adílio.

No campeonato gaúcho, em 15 de agosto o Internacional venceu o São Paulo de Rio Grande por 6x3 e Caçapava fez o terceiro gol colorado. Em 27 de setembro, na vitória de 3x0 sobre o Pelotas, Caçapava anotou mais um gol. Em 5 de novembro, no Olímpico, Caçapava marcou o gol colorado no empate em 1x1 no Gre-Nal. Em 3 de dezembro, o Colorado bateu o Esportivo por 5x1 e Caçapava fez o último gol do jogo. Mas nas rodadas finais do campeonato Caçapava muitas vezes começou no banco de reservas. Falcão era incontestável no time, e Jair, Batista e Caçapava brigavam por duas vagas. Entretanto, no clássico decidivo, em 17 de dezembro, Caçapava voltou ao time. O Internacional venceu por 2x1 e conquistou o título estadual.

A temporada de 1979 começa com a disputa por vagas no meio de campo colorado. Além de Jair, Batista e Caçapava, Tonho também entra na briga por duas vagas. Caçapava ficou de fora das cinco primeiras partidas, e mesmo com jair não indo para a excursão à Argentina, Caçapava só jogou na quinta partida no país vizinho, derrota de 3x2 para o Boca Juniors. Mas Caçapava consegue recuperar a titularidade. Em 11 de abril, contra o Cachoeira, pelo Gauchão, o Internacional venceu por 6x0 e Caçapava abriu a goleada. Em 30 de maio, o Internacional venceu o Riograndense de Santa Maria por 4x0 e Caçapava também marcou o primeiro gol. Em junho o Corinthians manda um emissário a Porto Alegre. O clube tenta Falcão e Jair, sem sucesso. Mas consegue contratar Caçapava. Seu último jogo pelo Internacional ocorreu em 24 de junho de 1976, vitória por 2x1 sobre o Caxias.

No Corinthians, Caçapava seria campeão paulista em 1979. Mas durante a semifinal do campeonato brasileiro, em 16 de dezembro, entre Internacional e Palmeiras, no Beira-Rio, Caçapava foi vistar seus ex-companheiros. Ouviu a preleção de Ênio Andrade e chegou inclusive a fardar-se e fazer o aquecimento com os atletas. No Timão, Caçapava ficou até 1982. Disputou 149 partidas e marcou 5 gols. Após o campeonato brasileiro de 1982 ele transferiu-se para o Palmeiras. Mas enfrentando problemas de lesões e excesso de peso, Caçapava disputou apenas quatro partidas pelo clube. A seguir, Caçapava jogou por Vila Nova (1983), Novo Hamburgo (1984), Ceará (1984/1985) e Fortaleza (1986/1987). Foi campeão cearense em 1984, pelo Ceará.

Após encerrar a carreira de jogador, Caçapava passou a treinar clubes no Nordeste brasileiro. No Piauí, trabalhou no River e no 4 de Julho, entre outros. Nos anos 1990 acabou radicando-se em Piripiri, cidade do 4 de Julho. Passou a treinar a Seleção Municipal da cidade e também atuava como médium, dando consultas. Mais tarde foi treinar a Escolinha de Futebol do 25º Batalhão de Caçadores, em Timon (MA). Em 2006 passou a fazer parte da comissão técnica do Piauí, até ser contratado para trabalhar nas categorias de base do Internacional e mais tarde no setor de relacionamento social, participando de eventos consulares. Caçapava faleceu em sua cidade natal, de infarto do miocárdio, em 27 de junho de 2016.

Seus números no Internacional:
220 partidas
153 vitórias
38 empates
29 derrotas
15 gols
Campeão brasileiro em 1975 e 1976
Campeão gaúcho em 1975, 1976 e 1978

Um comentário:

  1. Professor, sou o Marco Maringá, do BV e do Tweeter..

    Eu estava no Willie Davis nesse jogo e até ia comentar isso: Caçapava mandou um petardo de fora da área. Impressionante.



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