quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Massacre de Porongos


14 de novembro de 1844

A "Revolução" Farroupilha agoniza, e seus principais líderes já negociam com o governo imperial o fim da revolta. Mas há um entrave, o destino dos lanceiros negros do exército farroupilha. Os líderes farroupilhas haviam prometido a liberdade aos escravos que se alistaram no exército, mas os imperiais exigiam o retorno dos mesmos à escravidão.

Os farroupilhas não eram abolicionistas. A constituição farroupilha, que regeria a vida do novo país, manteve a escravidão. A formação de unidades de lanceiros negros deveu-se exclusivamente à necessidades militares. Para livrar-se do "peso" dos soldados negros, Davi Canabarro, de forma covarde, traiu os lanceiros. Ao acampar próximo ao Arroio Porongos, na região do atual município de Pinheiro Machado, Canabarro mandou desarmar os lanceiros negros, com o argumento de que eles estavam agitados com os boatos de que seriam novamente escravizados. Os acampamentos eram distintos, para soldados brancos e negros. E apesar de ser avisado da presença de tropas inimigas próximas ao acampamento, Canabarro não tomou nenhuma providência para a defesa.

O ataque imperial tomou os lanceiros de surpresa, e desarmados. Mesmo assim tentaram resistir, enquanto Canabarro e seus oficiais fugiam. Os farroupilhas rapidamente foram massacrados. Dos 100 mortos farroupilhas, 80 eram de lanceiros negros. Canabarro havia livrado os líderes farroupilhas dos lanceiros negros, e poucos meses depois foi assinada a Paz de Ponche Verde. Verde manchado com o sangue vermelho dos lanceiros traídos.

"Sólo le pido a Dios
Que el engaño no me sea indiferente.
Si un traidor puede más que unos cuantos
Que esos cuantos no lo olviden fácilmente"

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